Mulheres na Presidência
Um dos programas da Presidência da República é aproximar a escola da cultura portuguesa, convidando turmas de alunos de várias idades para ouvirem e dialogarem com, chamemos-lhes assim, personalidades dos mais variados âmbitos. Num ano foi com escritores, noutro com cientistas, noutro com artistas plásticos e não só; e, se não me engano, houve igualmente encontros com desportistas, alguns deles de renome internacional. Com todos se aprende e, a reboque destes encontros, os miúdos podem visitar o Palácio de Belém e os seus magníficos jardins. Desde o princípo de Outubro, o Presidente soube aproveitar o facto de as mulheres estarem na moda e resolveu dedicar-lhes um ciclo intitulado Mulheres de Coragem, no qual mulheres com vidas para contar vão a Belém conversar com alunos de todo o País sobre as suas experiências. Já foi a vez de Carmen Garcia, uma jovem enfermeira que se tornou conhecida por causa de um blogue e é cronista de jornais, Selma Unamusse, a belíssima cantora, ou Rute Neves, comandante dos Bombeiros Voluntários de Santo Tirso; mas até ao fim do ano, os miúdos ainda terão oportunidade de ouvir a fadista Aldina Duarte, a ilustradora Yara Kono e a realizadora Cláudia Varejão. Para o ano há mais.
Uma vez tive notícia e imagens de escritores a conversarem com jovens nos jardins do Palácio de Belém e gostei da iniciativa. Não ouvi falar de ação semelhante com cientistas, desportistas e artistas plásticos, mas aprecio que tenham sido realizadas. Se agora o centro do interesse são mulheres o melhor é deixar passar a moda.
ResponderEliminarAcho sempre redutor para a Mulher, estes títulos, numa sociedade que se quer igual, em todas as coisas.
ResponderEliminarCheira-me sempre a "bibelô"...
Preferia "Gentes de Coragem", mesmo que o foco fosse sobretudo feminino. Mas isso sou eu a pensar e a escrever.
E, a pensar bem, penso eu, que concordo inteiramente com o seu pensar!
EliminarAbraço pensante cá da Cidade Morena!
Gosto da palavra “bibelô” para aqui chamada, pelo Luís Eme, a propósito do texto de hoje.
EliminarAqui há uns largos anos li o título de uma reportagem de Fernanda Câncio no então «Diário de Notícias»:
«Enquanto formos nós a parir não me falem em fragilidades.»
Algures, José Saramago escreve:
«Dizem que as minhas melhores personagens são mulheres e creio que têm razão. Às vezes penso que as mulheres que descrevi são propostas que eu mesmo quereria seguir. Talvez sejam só exemplos, talvez não existam, mas de uma coisa estou seguro: com elas o caos não se teria instalado neste mundo porque sempre conheceram a dimensão do humano.»
Para compor o ramalhete:
Somerset Maugham deixou escrito que «somente a mulher sabe do que a mulher é capaz.» e o filósofo Sófocles não deixou de dizer: «quando uma mulher está em condições de igualdade com um homem torna-se superior».
Foram duros os caminhos que os portugueses, sim, homens e mulheres, tiveram de percorrer para ultrapassar o que, em 1936, o botas de santa comba bolsou:
«O trabalho das mulheres fora de casa não deve ser incentivado. Uma boa dona de casa tem sempre muito que fazer.»
"...o facto de as mulheres estarem na moda..."
ResponderEliminarNa moda? Sinceramente, quase que considero isto um ultraje, um desrespeito, direi até, quase uma ofensa às mulheres.
Ó Maria do Rosário as mulheres são o pilar deste mundo as mulheres geram o mundo, se não houvesse mulheres o mundo não existia!
Este desabafo não é uma crítica, não é um desrespeito pela senhora é apenas um FACTO!
Ninguém disse o contrário, mas só agora é que lhes estão a dar visibilidade. Se não me fiz entender, peço desculpa.
EliminarAs mulheres sempre foram "escravas"; mais de 80% das mulheres portuguesas, até ao fim dos anos 60, nunca foram, por exemplo, ao cinema. Não tenham dúvidas!
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