Excerto da Quinzena

Falei à Alexandra no Prozac. Ela ficou admirada. «Pensei que era contra as terapêuticas medicamentosas», disse. «Mas parece que se trata de uma coisa completamente nova», expliquei. «Não cria habituação. Não tem efeitos secundários. Nos Estados Unidos até as pessoas que não estão deprimidas o tomam porque as faz sentir muito bem.» Claro que a Alexandra sabia tudo sobre o Prozac e deu-me uma explicação técnica de como o medicamento actua, contando-me tudo sobre os neurotransmissores e os inibidores da captação de serotonina. Não consegui acompanhá-la. Disse-lhe que já andava um bocado lento na captação e que não precisava de mais inibidores, mas parece que percebi mal aquilo a que ela estava a referir-se. A Alexandra tem algumas dúvidas em relação ao Prozac. «Não é verdade que não tenha efeitos secundários», disse. «Até mesmo os seus defensores admitem que inibe a capacidade do doente para atingir o orgasmo.» «Bem, desse efeito secundário já eu ando a sofrer», por isso tanto me faz tomar o remédio como não tomar.» A Alexandra deu uma gargalhada, mostrando os dentes um pouco grandes, no maior sorriso que alguma vez consegui arrancar-lhe.


 


David Lodge, Terapia, tradução de Maria do Carmo Figueira

Comentários

  1. "Às quatro e vinte da manhã um grande arrepio percorreu a casa. Os periquitos desataram numa algazarra espavorida, debatendo-se contra as grades do gaiolão suspenso de um aro dourado. Levantei-me devagar, enredado no sono que continuava num outro plano, e que envolvia uma assembleia de bonecos de trapo, deitando a língua de fora num ademane de polichinelos despeitados. Ao sair do quartinho, senti que uma saia me roçava a cara. A isto seguiu-se a impressão de uma mulher que se inclinava, falando-me ininteligivelmente, oculta pela mantilha. Conduziram-me ao quarto, e uma manápula desceu-me sobre o ombro, obrigando-me a ajoelhar. Alguns rostos voltaram.se na minha direcção, fixando-me com rara demora. Eu baixara os olhos, e concentrava-me no desconforto que o sobrado rugoso me provocava nas rótulas desmesuradas. Tinham-me entrouxado em casacos por causa do frio de Dezembro, e só dificilmente conseguiria rodar cabeça e tronco, a certificar-me de quem estaria ali. Apercebi-me das franjas da colcha que se me situavam ao diante dos dedos, e botei-me a entrançar duas delas, uma na outra, com aplicada atenção. Os movimentos que executava foram perdendo consistência, o zumbido que o enxame das mulheres faziam amolecia-me o corpo e principiei a cabecear. Dois braços ampararam-me pelas axilas e puseram-me de pé.
    Só então reparei no vulto de meu pai. Estava hirto em cima da cama por abrir, vestido de preto com um laço enorme ao pescoço, tendo as mãos uma sobre a outra , pousadas no peito".
    Mário Cláudio - Camilo Broca

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  2. Na passada sexta-feira, Maria do Rosário Pedreira deixava por aqui um desabafo sobre o tempo em que a desinspiração lhe batia à porta e não encontrava tema para o post.
    Lembrei-me de Eça de Queiroz.
    Numa publicação da época, Pinheiro Chagas, aparentemente sem razão, metera-se com Eça de Queiroz.
    Os pés sem cabeça do ataque de Chagas ao Eça só tinham uma razão de ser: não ter tema para a crónica que prometera ao director do jornal:

    «Eu conheço a situação: é medonha. Na véspera tem-se dito ao director do jornal, apertando-lhe ferventemente a mão, e com a voz a tremer:
    - Palavra de honra, menino. Pela minha vida, que tens lá o artigo, além de ámanhã, às nove horas. Eu sou incapaz de te comprometter! Juro-to, pela alma de meus filhos... Boa noite. Lá o tens!
    Depois, naturalmente, como você sabe, não se pensa mais no artigo. Mas, cruel destino! no dia aprazado, lá toca a campainha, lá chega, fatal, implacável, irrevogável — o moço da typografia!
    É horroroso. Sobretudo quando elle usa botas que rangem! Fica à espera, passeando no pátio ou no corredor: e aquele lento gemer de solas tristes, cadenciado e accusador, allucina!
    E cá no nosso gabinete, que pavorosa lucta! As cinco tiras de papel alli estão sobre a mesa, lividas, ironicas, vazias: e é necessario enchel-as todas, de alto a baixo, com coisas extrahidas do nosso interior.
    É trágico. A parte da carcassa humana a que se recorre primeiro é naturalmente ao craneo, deposito de ideias, impressões, adjectivos e theorias; aperta-se o craneo nas mãos frementes; sacode-se o craneo como uma velha algibeira: — nada sai do craneo. E as botas ao longe, a ranger!
    Maldição! Recorre-se então ao peito, asylo dos affectos, dos sentimentos generosos. Talvez de lá saia um canto, um grito, uma apóstrophe. Arranha-se convulsivamente o peito; bate-se desesperadamente no peito como n’uma porta fechada: — o peito fica mudo como o craneo. E as botas ao longe a ranger!
    Inferno! E então os crentes rezam à Virgem Maria; os atheus invocam a morte, a dôce anniquilação da matéria; os mais violentos pensam em attrahir o moço da typographia com palavras dôces, cortal-o aos pedaços com uma navalha de barba, esconder os fragmentos na sarjeta domestica... E as botas, lá no fundo, ironicamente, rangem!
    Ah, caro Chagas, é d’ahi que véem as cans precoces. Sabe você o que eu fiz n’uma d’estas agonias, sentindo o moço da typographia a tossir na escada, e não podendo arrancar uma só ideia util do craneo, do peito, ou do ventre? Agarrei ferozmente da penna e dei, meio louco, uma tunda desesperada no Bey de Tunes...
    No Bey de Tunes? Sim, meu caro Chagas, n’esse veneravel chefe de Estado, que eu nunca vira, que nunca me fizera mal algum, e que creio mesmo a esse tempo tinha morrido. Não me importei. Em Tunes há sempre um Bey: arrasei-o.
    Por isso eu comprehendo bem que você não me pudesse citar. Que diabo! se me citasse, adeus bellas phrases! adeus bello patriotismo! adeus bello artigo! — E você ouvia, no corredor, as solas malditas rangendo. Talvez eu, no seu caso, tivesse feito peor…»

    Eça de Queiroz em «Notas Contemporâneas», Lello & Irmãos Editores, Porto 1945.

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    1. Muito bom!!!!
      Grande abraço cá da Cidade Morena, onde não há um Bey mas há sobas, administradores comunais e municipais, governador! Não falta gente para bater portanto, sobre tudo e mais alguma coisa, só que é tanto que nem sabe por onde pegar! Ahahahah!

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  3. Na Geórgia americana, à beira das abandonadas estradas do tabaco, abertas entre dunas por negros e mulas carregadas de fumo, vivia a família dos Lester. Na verdade uma estranha família. Em redor, as culturas mortas, impossíveis agora, depois da hipoteca do chão, do corpo e da alma, sem o auxílio dos senhores da cidade de Augusta. [...].
    Certo dia, [...] Erskine Caldwell levou-me a conhecer os Lester e o barracão em que viviam, se podia chamar-se viver ao lento desfiar dos dias em que a dignidade, a morte, o sonho, não valiam sequer um saco de nabos. A fome transformara as almas em simples resíduos. E no entanto, Jeeter, o chefe da família, era um homem puro, mesmo quando roubava, esquecia o beiço rachado de Ellie May ou negociava as filhas troco de nada. Um homem puro, diante do seu Criador, quando se arrependia de roubos e torpezas.
    Carlos de Oliveira - O Grão de Areia, in O Aprendiz de Feiticeiro

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    1. Que curioso excerto... levou-me à densa mas Extraordinária "Tobacco road", do citado E. Caldwell. Seria mesmo esse o objectivo de Carlos Oliveira? Tenho de ir procurar essa obra que não conheço, "O Aprendiz de Feiticeiro".
      Grande abraço cá das esburacadas estradas da Cidade Morena!

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  4. Bom dia com alegria

    Da "desaparecida em combate" (???) Bazarov:

    "O ser humano é uma criatura sensível. Só tem duas pernas mas no seu coração abriga-se uma multidão de pensamentos e sensações. Poder-se-ia comparar o ser humano, se o nosso professor permitisse semelhantes alusões, com um parque público bem projectado. O ser humano faz poesia ocasionalmente, e, quando se encontra neste estado, que é o mais alto e o mais nobre, chamamos-lhe poeta. Se todos fôssemos como deveríamos ser, a saber, como Deus nos ordenou que fossemos, seríamos infinitamente felizes. Por infortúnio, entregamo-nos a paixões inúteis que não poderiam ser mais rápidas a enterrar o nosso bem-estar e a trazer um fim à nossa felicidade. O ser humano deverá estar em todas as coisas acima do seu colega, o animal. Mas até mesmo um aluno estúpido consegue observar todos os dias homens que se comportam como animais irracionais."

    As redacções de Fritz Kocher - Robert Walser

    Saúde, sorte, boas leituras e bom fds
    cp

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  5. "Cuando se trata de venganza, lo que lleva a aniquilar a ese individuo es el rencor, la necesidad de resarcimiento, el odio perseverante o el incontenible dolor; cuando se trata de castigo, es más bien una advertencia fría para los demás, el deseo de sentar ejemplo, de escarmentar, de dejar bien claro que eso tiene consecuencias y no se va a consentir. Es así como obran las mafias, incapaces de perdonar una falta o una deuda mínimas para que no haya un mal precedente, para que todos comprendan que nunca se puede ser irrespetuoso con ellas, que no se les puede robar ni mentir ni traicionar, que se las ha de temer. Y así es como también actúan el Estado y su justicia, a fin de cuentas, con su ceremonia y su solemnidad, o sin ellas cuando es preciso y todo se ha de hacer en secreto: ahuyentan el delito de otros, los disuaden mediante la condena del osado que los precedió. O del ufano, o del optimista, o es tal vez del ingenuo que tentó la suerte y se les adelantó."

    Javier Marías, "Tomás Nevinson", Penguin Random House Grupo Editorial, 2021, p. 31.

    (a tradução portuguesa, realizada por Vasco Gato, será publicada em Portugal no próximo dia 7 de Dezembro).

    Guilherme P. Henriques

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  6. -A banalidade na vida de Donald Ray Pollock é feita de histórias onde a mais simples será a do rafeiro que lhe chegou em casa em Outubro do ano passado e para quem a porta agora se fecha....a sensação é a de que tanto podíamos estar em 2016 como em 1954...

    "VIAGEM AO SONHO AMERICANO de Isabel Lucas

    Nota: Ó Paxeco já leste DONALD RAY POLLOCK? um grande escritor que descobri num grande livro "SEMPRE O DIABO".

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    1. Já li sim!
      "Sempre o Diabo", claro, creio que foi a sua estreia, ou lembro-me de o ter lido algures. Porém gostei mais do que li depois, "Banquete no Paraíso". Os personagens dele são tão alucinados quanto o nome Pollock indica, eheheh! Deve ser alguma coisa no nome, só pode.
      Mas é um grande escritor, concordo inteiramente!

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  7. – Voltei a ver dois dos pretos, ontem à noite – disse Pearl, olhando fixamente pela abertura tosca que fazia as vezes dejanela, a única da cabana. – Lá fora, assentados na tulipeira, a
    cantar aquelas músicas deles. Cheios de genica. – Segundo o proprietário do terreno, o major Thaddeus Tardweller, os últimos inquilinos da cabana, uma família alargada de mulatos da Louisiana, tinham morrido, todos eles, com a febre, anos antes, e estavam enterrados nas traseiras, nas ervas daninhas ao longo do perímetro do curral dos porcos, agora vazio. Devido aos receios de que a doença perdurasse num lugar onde negros
    e brancos se tinham misturado, o major não conseguira convencer ninguém a viver ali, até que aparecera o velhote com os filhos, no outono anterior, meio mortos de fome e à procura de trabalho. Ultimamente, Pearl via os fantasmas deles em toda a parte. Na manhã anterior, tinha contado cinco. Escanzelado e grisalho, boquiaberto e com as calças manchadas de amarelo à frente devido à bexiga incontinente, teve a sensação de que poderia juntar-se a eles no Além, a qualquer instante. Deu uma dentada no biscoito e perguntou: – Vocês ouviram eles?

    Banquete no Paraíso - Donald Ray Pollock

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    1. Ainda não li este "Banquete no Paraíso"; está na lista.
      Obrigado Paxeco.

      Nota: Na Feira do Livro de 2019, meses antes da pandemia, vi na banca de livros da editora (aquelas dos saldos) dezenas de exemplares de "Sempre o Diabo", vendidos ao desbarato, creio que a €5, e não sei se alguém comprou algum.

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  8. Extraordinário Pacheco,
    este texto de Carlos de Oliveira, escrito em 1945, foi incluído na coletânea O Aprendiz de Feiticeiro publicada pela D. Quixote em 1971. Beneficiou da capa de Lima de Freitas, como os outros títulos então publicados, e fotografias espalhadas pelo texto da autoria de Augusto Cabrita.
    Boa sorte na pesquisa, boas leituras e bom fds, que torno extensível a todos os Extraordinários.

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    1. Vou mesmo pesquisar! Despertou-me a atenção. Obrigado pela sua partilha.
      Abraço cá da Cidade Morena!

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    2. Não tinha idéia da importância deste autor!
      Fiquei a saber, é sempre bom aprender estas coisas, ignorava que era o autor do famoso "A abelha na chuva".
      Muito bom trazê-lo aqui!

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    3. Já agora, foi bom também lembrar o nome do Mestre Lima de Freitas!
      Conheci-o pessoalmente a ele e ao Arquitecto Carlos Amado, no seu estúdio (que ardeu!) nos pavilhões em Belém. Minha irmã mais velha teve aulas de desenho lá, para admissão às Belas Artes, eu ia com ela pois eram ao fim da tarde e terminavam já de noite, não ficava bem andar sózinha por ali... teria eu uns 14 anos.
      Uma memória interessante, se me permitem, porque quando chegamos a velhos nos recordamos de pessoas improváveis com quem nos cruzámos e a quem nesse tempo não teremos dado importância.

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    4. Estas memórias...
      Também enquanto aluno do Mestre Lagoa Henriques por aqui deambulei, até em aulas dadas ao ar livre, em longas conversas que mantinha com os alunos. Depois do incêndio recordo a exposição dos seus brilhantes desenhos recuperados.
      Grato pelo recordar destes tempos e de Carlos de Oliveira...
      ACCarvalho

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    5. Que desatenção e burrice... Mestre Lagoa Henriques e não Lima de Freitas!
      Peço desculpa pela troca de nomes, efeito da idade também, certamente!
      Abraço Caro ACCarvalho.

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  9. Boa tarde!
    " Sei que vou morrer hoje. Durante toda a noite as corujas andaram restolhando em cima do meu telhado. Toda a noite ouvi o piar de um mocho na toca de uma oliveira. Aquele piar que, como todos sabemos, anuncia a nossa morte. Ainda bem que os bichos nos avisam e assim nos ajudam a cuidar das coisas antes de deixarmos este mundo.
    Fui à arca de madeira de castanho que tenho no meu quarto e escolhi o vestido que levei no último ano em que fui com o meu homem à feira, antes de ele morrer. Aquele que tinha comprado a uns ciganos que apareciam no monte e vendiam roupas, louças e outras coisas para as moças comporem o enxoval. Depois, sacudi as teias de aranha do telhado e dos cantos da casa, areei os tachos de arame, varri e lavei o chão dos quartos, da cozinha e da casa de fora. Em seguida tomei banho, lavei a cabeça, cortei as unhas e deitei-as para o lume, ainda assim as bruxas não as usarem para me atormentar a alma.
    Matei o último galo que tinha na capoeira e fiz uma cabidela. Comi no prato que trouxe da casa dos meus pais, quando casei.
    Vesti-me de lavado e penteei os cabelos. Procurei a carteira do meu marido e o canivete com que ele costumava petiscar e meti-os no bolso do meu vestido. Quem sabe se lá onde ele está não lhe farão falta? Fui ao quarto das visitas, peguei nas fotografias dos meus dois netos que estavam em cima da cómoda e coloquei-as debaixo do vestido, presas ao colete. Levo-as para ele ver como os netos já estão crescidos. Depois, sentei-me numa cadeira e aqui estou à espera da morte. "
    " BREVIÁRIO DAS ALMAS "
    Joaquim Mestre
    Oficina do livro - Fevereiro de 2009
    Daqui, da margem esquerda do estuário do Tejo, com os desejos de um bom fim de semana!
    A. Delfim

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    1. Há muito que não ouvia este nome - pudera, morreu em 2009 - , e fui pesquisar: Sim senhor, lembro-me do seu "O Livro do Esquecimento"!
      É Extraordinário vir a este blog, sobretudo nestes dias em que podemos recordar ou saber novidades mesmo que velhas!

      Abraço cá da Cidade Morena, Extraordinário A. Delfim.

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  10. Boa Noite (já que anoitece tão cedo, credo!) Extraordinários Leitores:

    Quando já "entradota" na década dos trinta, li de uma penada quase toda a obra do David Lodge. E como me diverti. E como também me fez pensar...
    Enquanto lia a "Terapia", o meu pai viu-me e "piscou também o olho ao livro". E disse-me que o queria ler também. Pois leu e adorou. Depois, foi ouvi-lo ler as passagens que ele gostara mais. Para ele as mais significativas. E todo encantado. Eu confesso. Gostei muito de ler, mas durante as leituras da minha querida figura paternal, eu fiquei um bocadito mais para o coradito.
    Fiquem bem, com Excelentes Leituras. E um Bom Fim de Semana.
    Celeste Silveira

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  11. fui barbeiro, e li livros, como deviam ler todas as pessoas para ultrapassarem a condição pequenina do quotidiano e das rotinas.

    valter hugo mãe - a máquina de fazer espanhóis

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