Viajar com os livros
Alguns visitantes e aficionados deste blogue lembram-se seguramente de eu aqui ter falado de um livro da jornalista Isabel Lucas intitulado Viagem ao Sonho Americano, que reunia as suas reportagens sobre literatura norte-americana depois de visitar a um enorme número de Estados de norte a sul e de leste a oeste. A sua leitura é uma forma excelente de conhecer a América pelos livros; e de tal modo agradou aos leitores que a jornalista recebeu um convite para repetir a experiência com a literatura brasileira. Temos aí, portanto, ao nosso dispor Viagem ao País do Futuro (este «país do futuro» foi o nome que Stefan Zweig deu ao Brasil, onde se exilou e, paradoxalmente, acabaria por se suicidar) para ler e chorar por mais. Mas este país do futuro é mesmo um país do futuro? Não será antes um país onde muitas regiões ainda têm imensa gente a viver no passado (remeto-vos, por exemplo, para Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, livro incluído nesta viagem de Isabel Lucas)? Diverso, desigual, cheio de uma beleza que não acaba mas também de tantas contradições, o Brasil mostra-se aqui em todo o seu esplendor literário; Clarice Lispector, Érico Veríssimo, Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, João Guimarães Rosa, Jorge Amado, o grande Machado de Assis, Mário de Andrade, Milton Hatoum, Raduan Nassar, são alguns dos autores que fazem o mosaico brasileiro que Isabel Lucas agora nos oferece. O lançamento é mais logo, com apresentação de Abel Barros Baptista na Livraria Palavra de Viajante, em Lisboa. Não faltem.
Gosto deste tema, do post e do título!
ResponderEliminarGosto também da idéia.
Só espero que, haja um dia tempo para perder com o nosso próprio espaço... e digo "a perder" porque a fixação em analisar e interpretar os EUA de Trump , e, agora o Brasil (de Bolsonaro, por suposto) se entende numa jornalista. Quem poderia fazer uma visita ao nosso Portugal? Saber dos mitos actuais, dos anseios, da forma como se vê o futuro e a política, revisitando ainda a nossa literatura?
Mário Cláudio? Miguel Real?
Não sei... aceito sugestões de nomes, mas gostaria muito de ver obra idêntica feita no nosso Portugal, fica o desafio, haja quem o aceite!
Saudações cá da Cidade Morena, onde o futuro tem sido adiado...
Muito pertinentes as palavras do nosso António Luiz Pacheco.
EliminarTambém tenho a sensação de que os nossos escritores têm andado fugidos do mundo real...
Talvez por ele ser demasiado repetitivo e pouco interessante no campo literário (o neorealismo podia ser "pobre" (e demasiado político) mas mostrava o mundo tal como ele era...).
Se existisse entre nós interesse pela literatura policial por parte das editoras e dos escritores, os nossos banqueiros "trapezistas e malabaristas" poderiam figurar em várias histórias...
AHAHAHAH!
EliminarBoa essa... os romances policiais ou lá como se chamam, os "thrillers", era um nunca mais acabar, com as golpadas, vigarices, corrupção, fugas e pseudo-julgamentos!
Extraordinária dica!
Grande abraço.
Bom dia Extraordinários Leitores:
ResponderEliminarSerá um livro muitíssimo interessante, que virá necessariamente a "residir" aqui, para a colecção. E o Brasil é de facto um País de Futuro. Exceptuemos necessariamente Bolsonaros e afins, porque sabemos que um dia tudo muda. E muitas vezes, perseguir essa ideia é mesmo o que nos vale.
Também viajei muito pelo Brasil, muito antes de lá ir e de me encantar in loco. Sim, inesquecíveis foram aquelas tardes em que eu estudante, e tirando (confesso) algum tempo aos estudos académicos, lia Erico Veríssimo. Dele li quase tudo. Quando muito mais tarde, fui ao Rio Grande do Sul, parece que até já lá tinha ido antes. Apesar de já ser tudo bem diferente. Mas o espirito continuava lá. E o ambiente do escritor também. Falaram-me lá do filho dele e das suas crónicas. São muito boas de facto. Trouxe algumas até comigo. Mas nada a ver...
Não fui à Bahia, mas eu também já lá "tinha ido", através do "passaporte" Jorge Amado. E através de todas aquelas suas histórias fantásticas. Da bela Gabriela, sedutora e de cheiro a especiarias, da viúva que ainda tinha o usufruto do falecido, da Santinha que desceu no andor, mesmo a meio da procissão. E dos jovens que sendo muito jovens, sabiam da fome e da injustiça e de demais agruras da vida.
Raduan Nassar e Guimarães Rosa li-os bem mais tarde. Aceitando o convite de alguns dos Extraordinários, já para não falar da nossa anfitriã, que nos dá sempre valiosas dicas, através das temáticas que aqui diariamente apresenta.
Que venham pois livros que falem de todas essas maravilhas literárias. Que sirva para nos abrir ainda mais "o apetite" para mais e muito gratificantes leituras. E sim, que depois possa vir também Portugal. Que creio ser País de Presente. Apesar de todas as suas idiossincrasias. Mas de escritores, e pelo menos, estamos muito bem representados...
Boas Leituras
Celeste Silveira
Gosto de livros de viagens e das reportagens e entrevistas da Isabel.
ResponderEliminarE gosto ainda mais deste segundo (embora a palavra futuro tenha que se lhe diga...), porque o Brasil parece-nos mais próximo, mas continua a ser "um mundo desconhecido" para a maior parte de nós, pela sua imensidão que consegue vários países dentro de si e muitos autores com quem ainda não viajámos...