Óbidos

Óbidos é uma cidade literária por excelência, cheia de livrarias que tanto podem funcionar em igrejas como em mercearias, e tem todos os anos o seu festival FOLIO. Pois o deste ano começa já amanhã. Com a curadoria de Ana Sousa Dias e Pedro Sousa, é dedicado ao tema do Outro nas suas mais variadas acepções: o estranho, o estrangeiro, o louco, o migrante, o turista, o adversário... e eu sei lá que mais. Vai valer a pena porque vêm muitos autores estrangeiros para apresentar e discutir as mais variadas perspectivas do tema, como Itamar Vieira Junior, Leila Slimani, Juan Gabriel Vásquez, Ilya Leonard Pfeijffer, além de muitos escritores portugueses, como Isabel Lucas, José Luís Peixoto, Ana Bárbara Pedrosa e muitos outros. No dia 17 à noite, o músico e escritor caboverdiano Mário Lúcio Sousa dará um espectáculo com Teresa Salgueiro e, já no final do encontro, o italiano Davide Enia, de quem publiquei muito recentemente Notas sobre Um Naufrágio, vai estar numa mesa com o autor de Grand Hotel Europa para falarem de migrantes e viajantes sob a batuta da repórter Cândida Pinto. Mas há muito mais: sessões nas escolas, contadores de histórias, exposições, leituras de poesia e muito mais. De 14 a 24, um nunca acabar de boas razões para irmos a Óbidos. O programa no link abaixo:


http://foliofestival.com/download/FOLIO2021-programa.pdf


 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco13 de outubro de 2021 às 03:06

    Sim Senhora... programa aliciante e interessante, aliado a ser num local tão acolhedor e que nos transporta para outros tempos e outros pensares, outros escritores até.

    Saudações saudávelmente saudosas, cá da Cidade Morena.

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  2. Um tal sucesso a partir da literatura dá que pensar. A literatura, um nich, os livros, objetos em vias de extinção, e no entanto o FOLIO leva uma vida pujante. Ou a notícia da morte da literatura, do livro e da leitura foi manifestamente exagerada ou a programação daquele evento é de alta qualidade.
    Vi na televisão há não muito tempo uma curta entrevista ao titular de um estabelecimento em Óbidos que me deicou boquiaberto. Vendia-se ali fruta, legumes, frutos secos com uma apresentação quase artística. Enquanto o homem discorria sobre as boas vendas que fazia a câmara passeava em torno. E o que víamos era estantes preenchidas com livros separados por temas. Explicava ele que as atividades combinavam bem, que havia muitos clientes que juntavam à fruta a compra de um livro, umas vezes de um autor que tinha estado no festival, outras vezes um livro sobre a fruta que tinham acabado de comprar, ou da árvore que as produzia.
    Semeou-se muito bem em Óbidos, colhem-se frutos muito bons em Óbidos.

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    1. António Luiz Pacheco13 de outubro de 2021 às 06:36

      Dá que pensar sim!
      Tem-me dado mesmo muito que pensar, e, olhe, sabe o que eu penso? Pois penso que o anúncio da morte do livro foi e é manifestamente exagerada, acho até que se editam livros demais, mas depois, pensando no crescimento da humanidade, talvez esteja explicado o crescimento proporcional dos escreventes!
      E digo mais: o livro é amigo do ambiente!
      A pasta de papel vem de espécies plantadas e ordenadas, para essa finalidade, que nem causam incêndios e são o natural aproveitamento de solos que de outro modo estariam sem uso, sujeitos à erosão e à degradação, onde nasceriam espécies, essas sim, que iriam alimentar fogos. Em cada vez que há um corte da espécie florestal específica para pasta de papel, logo se renova a plantação, portanto há sempre árvores! A produzirem O2 e a utilizar o CO2, a reenviar para a atmosfera o vapor de água que as raízes absorvem - que "secam tudo" é um mito urbano, mais um...
      Portanto sim ao nosso amado livro de papel!
      O livro digital, ou lá como se chama, o é-buque, é feito de plástico e usa minérios raros, portanto é sujo, suja, polui, não é natural e biológico, vem de uma indústria transformadora de polímeros que não são naturais, o plástico é sintético, usam minerais raros cuja extracção provoca muito mais danos e promove a exploração desenfreada de pessoas e da Natureza, muito mais do que o eucalipto!

      Sou eu que penso assim? Pois penso, mas porque me informei, me informo e recorro aos conhecimentos de técnicos credenciados e credíveis que conheço, que não são os opinadores, os políticos, comentadores, jornalistas, artistas e outros presumidos que julgam saber aquilo que lhes encaixa na consciência formatada e lhes apazigua as pseudo-angústias que gostam de divulgar para parecerem modernos, esclarecidos e correctos, política e ecológicamente.
      As pessoas dão mais crédito a um cantor que se afirma contra o eucalipto do que a um engenheiro silvicultor... eu não!

      Grande abraço livresco e papeleiro, cá da Cidade Morena!

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  3. Concordo com quase tudo o que escreveu Extraordinário Pacheco, inclusivamente sobre os eucaliptos. Ainda acrescentaria mais um fator que lhes é favorável. Um eucalipto, basta um, sobre o qual cai um bom aguaceiro, liberta um odor que para mim é um perfume.
    Mas a quantidade de água que ele consome (que extrai do solo) coloca-me no "contra", ainda que não perceba nada do assunto. Uma horta deixou de dar frutos, não obstante a persistência do hortelão, o qual, sob grande revolta, abandonou os seus intentos quando percebeu que os eucaliptos plantados ao lado estavam a alimentar-se à custa dos seus cuidados. Também conheço um riacho onde corria água durante todo o ano e era o sustento das espécies de flora e fauna ao longo do seu curso. Uma plantação de eucaliptos próximo das suas margens secou-o, exceto nos períodos de chuva intensa.
    Claro que a plantação de eucaliptos direcionada para a produção de pasta de papel, da qual também o livro vive, pode ser conseguida neutralizando estes aspetos negativos e outros que certamente haverá.

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    1. António Luiz Pacheco13 de outubro de 2021 às 11:28

      Eucaliptos plantados junto a hortas, ou hortas em terra de eucaliptos é como querer cultivar na praia, se me faço bem entender... tudo tem o seu lugar.
      Plantações de eucaliptos, para pasta de papel, fazem-se nos terrenos próprios que são normalmente impróprios para agricultura, não vê eucaliptos nos "barros de Beja", na várzea de Loures nem nos campos de Valada, nas "maceiras" nem no vale do Mondego... vê-os nas serranias, bravas e incultas, difíceis de desbravar, nas terras do Centro, por exemplo.
      Abraço e viva o papel! (O dos livros, claro, se bem que um pouco daqueloutro também nos calhe bem, eheheheh!)

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