O que ando a ler

Como qualquer pessoa que estudou Literatura Inglesa na universidade, detive-me, claro, na obra de Shakespeare; mas a sua vida nunca foi flor que se abrisse nessas aulas, até porque houve sempre muito mito e pouca certeza sobre a vida de um dos mais incríveis criadores de sempre. Talvez até por desconhecer os pormenores da sua vida familiar (pai, mãe, irmãos, mulher, filhos, e a relação de William com todos eles), li com ainda maior interesse e curiosidade o romance Hamnet, de Maggie O’Farrell, que conta, com base na informação realmente existente e com uma pequena dose de ficção bem-vinda (de resto, assumida pela escritora), como o génio do teatro conheceu a mulher que o enfeitiçou, como se casaram e tiveram três filhos, como um desses filhos, Hamnet, morreu ainda criança e como os pais e as irmãs (mas sobretudo a mãe) reagiram a esse episódio trágico. Extremamente poético, visual, com descrições belíssimas do campo e cheio de nomes de ervas e plantas que enchem o ouvido e cheiram bem, esta é uma prosa muito rica de uma autora que apetece acompanhar. O romance venceu no ano passado o Women’s Prize for Fiction e foi considerado “excepcional” pela New Yorker, um excelente sinal. A tradução é de Margarida Periquito.


 

Comentários

  1. Estou a começar a lê-lo e já estou a gostar imenso e essa descrição é bem assertiva.

    ResponderEliminar
  2. Há-de experimentar o «Nothing Like the Sun» do Anthony Burgess, intraduzível para português mas magnífico.

    ResponderEliminar
  3. Eu ando a ler uma recolha de textos diversos de Carlos de Oliveira - crónicas, memórias, apreciações literárias, onde sua mulher está sempre presente - com o titulo O Aprendiz de Feiticeiro (Dom Quixote).

    ResponderEliminar
  4. Ando a ler do premiado Frederico Pedreira A Lição do Sonâmbulo mas não estou a gostar; esperava mais. Ando à procura do romance Viver Com os Outros da recentemente falecida Isabel da Nóbrega; acho que está esgotado e ninguém se atreve a reeditá-lo; não se encontra nos alfarrabistas, alguém me dá uma dica!? Obrigado.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Se for de Braga, encontra-o na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. Já experimentou procurar numa biblioteca perto de si? Mas se calhar quer comprar o livro. E o OLX ou Custojusto?

      Eliminar
  5. Ando a ler um escritor "vizinho" com mais de cem livros publicados (pasmei) o desconhecia. São 114 para ser exacto a obra do brusquense Saulo Adami.

    Dificilmente me vago em ideia a dimensão do Brasil quando vendo meu peixe e aliás, penso ser o estado do Acre longe e por hora passo vergonha no lançamento de um livro do Saulo Adami, essa é boa.

    O evento passado 20 de Setembro, tornou-se (único) para pôr a leitura em dia trouxe três diferentes titulos e mais um para presentear o amigo Ademar. Entanto, o livro " O vôo da ema " explicou o autor ser um livro que remete a produção literária da região; roteiro de escritores e livros. No suspense disse ruborizado: então, você voou para fora.


    Cláudia da Silva Tomazi

    ResponderEliminar
  6. Eu ando a ler "As filhas do capitão" de María Dueñas.
    É um livro "filho" da Feira deste ano, onde compro sempre alguma coisa às cegas, sem conhecer o autor ou autora, para ver que tal.
    Não sendo uma obra capaz de me aspirar para dentro das suas 500 páginas ou lá o que é, é boa para descansar a cabeça e dar umas voltinhas na Nova Iorque dos passados anos 30. E também deve ser das boas para fazer um filme ou série com ela, está-me a parecer.

    Uma situação que me surge ao ler este livro: a autora ou a tradutora para português, uma delas, não deve saber o que é um polegar. Neste livro, o dedo polegar é protagonista de gestos que fazemos naturalmente com o dedo indicador e que são muito mal jeitosos de executar com o polegar (eu tentei), por isso ando intrigada com o detalhe. Enfim, podia ter manias piores.

    Bom fim-de-semana a todos, com boas leituras!

    ResponderEliminar
  7. Ando a ler "O desassossego da noite", de Marieke Lucas Rijneveld. Ainda no início, pelo que sem opinião.
    Gostei imenso do livro do compatriota da autora Iljna Leonard Pfeijffer,"Grand Hotel Europa", o qual, creio, foi falado aqui no blog.
    Gostei da escrita, da relação que o autor estabelece com o leitor (quase como se conversasse come ele a cada momento em que necessita mesmo de falar com alguém sobre algo), das reflexões, bem acutilantes, acerca da nossa vellhinha e querida Europa e do turismo de massas que a alimenta, ao mesmo tempo que ameaça destrui-la. Também da história de amor que acompanha o livro.
    O final...ah, é tão inesperado! Pelo menos, foi-o para mim.! :)
    Bem hajam pelas vossas dicas de leitura, comentários, etc, em especial, à autora do blog. Não escrevo, mas vou acompanhando.
    Isabel Castelo Branco

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco1 de outubro de 2021 às 05:57

      Também fiquei muito interessado nesse livro! Pelo que aqui foi lido, ainda bem que já se me adiantou e que gostou, o que me reforça o interesse!
      Bem-haja!
      Cumprimentos cá da Cidade Morena e bom fim de semana!

      Eliminar
  8. António Luiz Pacheco1 de outubro de 2021 às 06:06

    Lá consegui acabar o livro de Manuel Jorge Marmelo, "Tropel", pois tenho andado a ler e estudar tanta coisa sobre maricultura que já tenho escamas nos olhos! Felizmente já se identificou e arranjou um director-geral para o projecto, um biólogo marinho especializado nesta matéria, o que me deu algum descanso, ufa! É apaixonante, mas também fatigante em extremo.
    Voltando ao Marmelo, gostei de ler: é oportuno e encaixa bem na actualidade, está muitíssimo bem escrito e gosto particularmente dos personagens dele!
    Aconselho!
    Agora são o polvo (captura e congelação) e as rações (fabrico) que me atropelaram, mas estou indeciso entre começar "Amazónia" de James Rollins, que me palpita ser pepineira, mas é capaz de entreter, ou, o sempre garantido e fiável Steinbeck no seu "O longo vale".
    Steinbeck é um dos meus escritores de referência!

    Verá-se-á-se!
    A todos um bom e desconfinado, como descontaminado e vacinado, fim de semana!
    São os meus votos cá da Cidade Morena.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. John Steinbeck-que grande escritor-imortal-!

      Devorridos trinta anos, ainda estou a ver o cágado a subir o passeio no fantástico "A LESTE DO PARAÍSO".

      E o apanhador de maçãs a cair da árvore na "BATALHA INCERTA"...

      E o borbulhas nos "NÁUFRAGOS DO AUTOCARRO"-grande livro.

      Acreditas ó Paxeco que num DICIONÁRIO UNIVERSAL DE AUTORES (creio que em 5 volumes), editado pela Bompiani, o John Steinbeck não consta. Mas acredita que é verdade, porque foi esta a razão que os não comprei (a Estúdios Côr era quem os vendia em Portugal-ainda me lembra das duas irmãs ambas vestidas de preto que me atenderam, creio que na Rua da Gáveas, em Lisboa); parece mentira mas é a verdade. Esta é uma daquelas que só vendo se acredita.
      DICIONÁRIO DE AUTORES UNIVERSAIS da Bompiani não consta o John Steinbeck.

      Eliminar
    2. António Luiz Pacheco1 de outubro de 2021 às 08:59

      Bom... realmente, só "acardito" porque és tu a dizer!
      Também não compraria um "diccionário" desses!
      Abraço steinbeckiano!

      Eliminar
  9. Acabei ontem "MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA DE UM ESCRITOR" do excelente João Tordo (de quem já fui muito crítico -a ignorância (minha) é muito atrevida-.
    Gostei imenso deste livro e recomendo-o a quem goste de livros que falem de livros e de escritores.
    -(pág. 191) Faulkner bebia cinquenta chávenas de café por dia;
    -Philip Roth escrevia de pé, numa mesa e num computador feitos à sua medida, por causa de problemas nas costas. E muito, muito se revela sobre escritores e livros.

    Entretanto, já comecei "INTEGRADO MARGINAL" a Biografia de José Cardoso Pires do magnífico escritor BRUNO VIEIRA AMARAL e já li as primeiras (cruciais) quarenta páginas e já deu para ver que tenho livro, pois já estou "agarrado".

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco1 de outubro de 2021 às 06:51

      Olha outro... pois é, comprei quando aí estive mas não consegui ler, é demasiado grande... mas do que li gostei! Foi para o pé do Churchill, ficam para a reforma, ou algo assim!
      Abraço!

      Eliminar
  10. Estou a ler As Inseparáveis da Simone de Beauvoir. É um livro editado recentemente e despertou-me a curiosidade. Para já estou a gostar, mas ainda vou no início.
    Boas leituras!
    🍂Maria

    ResponderEliminar
  11. Boa tarde.
    Peguei no "Afastar-se" da Luísa Costa Gomes e continuo a leitura conto a conto.
    Depois de tantas entrevistas dadas por LCG sobre o livro, permitam-me aqui recomendar a conversa tida, no passado dia 18 de Agosto, com o jornalista Vítor Gonçalves no programa Grande Entrevista.
    É de facto, uma Grande Entrevista!
    Pode ser revista na RTP play.
    Bom fim de semana.
    Com um abraço daqui da margem esquerda do estuário do Tejo.
    A. Delfim

    ResponderEliminar
  12. Continuo a ler poesia. E para ler livros esgotados, o melhor caminho são as bibliotecas públicas. Ou seja estou a tornar-me um bom "cliente" da Biblioteca Municipal de Almada.

    Li livros de Armando Silva Carvalho ("Alexandre Bissexto") e Teresa Rita Lopes ("Cicatriz"), mas o livro que mais gostei de ler (por gostar de Lisboa, do Tejo, etc), foi a antologia "Lisboa com Seus Poetas", organizada por Adosinha Providência Torgal (será pseudónimo?) e Clotilde Correia Botelho, que coisas muito bonitas, de poetas de todas as épocas e tamanhos. :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco1 de outubro de 2021 às 15:13

      Viva!
      Sem ser leitor habitual de poesia, despertou-me a curiosidade esse livro, Lisboa com seus poetas! Ou seja, contém então os poetas de Lisboa, desde quando? Ou só os modernos?
      Pessoa deve fazer parte, certamente...
      Interessante!

      Abraço e um fim de semana poético é o que lhe desejo aqui desde a Cidade Morena, terra do grande poeta Ernesto Lara, filho. Vale a pena ler o lindíssimo poema Infância perdida que consigo partilho, já que está numa de poesia e eu ando de nostalgia...

      http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/angola/ernesto_lara_filho.html#topo1

      Eliminar
    2. Caro António Luiz,

      tem poetas de todas as épocas, de Almeida Garrett, Cesário Verde, Gomes Leal, António Nobre, aos grande poetas do século XX (de Pessoa a Sophia, passando por David Mourão, Ferreira, Alexandre O'Neill, Ary dos Santos, António Gedeão, Eugénio de Andrade, Ruy Belo e tantos outros...).

      Estranhei não encontrar nenhum poema de Camões e da nossa querida anfitriã.

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório