Fim de mês

Depois de tanto tempo sem eventos presenciais e desejosos de pôr o pé na rua, largar os ecrãs falantes dos computadores e ver a carinha das pessoas ao vivo, as actividades multiplicaram-se desde final de Agosto; e, digo-o por experiência própria, nem houve tempo para tanta coisa. Mas, mesmo com Outubro a fechar portas, eis que o jornalista João Morales anuncia Braço das Artes, na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa, para acabar o mês em beleza. As actividades, entre dia 29 e dia 31, dividem-se entre a literatura e a música, mas, além da presença de escritores (Luísa Costa Gomes, que completa 40 anos de carreira literária, Paulo Moura, Ana Cássia Rebelo e muitos outros), haverá espaço para os livreiros falarem da sua rotina e também da sua vertente como editores (a Snob ou a Tigre de Papel, por exemplo) e para ouvirmos opiniões sobre o mundo dos livros pela voz de quem pensa essas e muitas outras coisas (Nuno Nabais, Luís Osório...). Os concertos vão trazer-nos artistas como Júlio Resende e Marco Oliveira e haverá ainda um recital de poesia. Vai ser bom poder dar o braço às artes neste fim-de-semana.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco28 de outubro de 2021 às 01:40

    Boas notícias!
    Parece-me que as Artes e a Cultura bem precisam destas iniciativas, sinal de que não estão mortas e nem sequer moribundas como se apregoa... o que se passa, no meu entender é que há muita gente que as confunde com criatividade, oportunismo e necessidade de dar nas vistas, pois sendos-se inculto e sem arte, usam a provocação, o escândalo e o mediatismo em sua substituição, o que só afasta as pessoas daquilo que se toma por Arte e Cultura, mas não é, não passa de logro publicitário!
    A Arte e Cultura, genuínas e não as montagens, precisam de ser acarinhadas, motivadas e mantidas, pois são a nossa compensação moral, psicológica e sensorial às agruras da vida e às frustrações, anseios ou infelicidade.
    Podem ser interventivas, mas não têm de o ser ou arriscam-se a ficar reféns de grupos e ideologias, o que lhes retira a transversalidade que atraia as pessoas de todos os quadrantes, como deve ser na Arte e Cultura genuínas.
    As Artes e a Cultura devem espelhar aquilo que o país é, faz e sente, devem ir ao encontro do que o país precisa em termos de satisfazer as necessidades que todos temos de beleza, estética, tranquilidade, paz, espírito, de sensações boas ... não tem de se politizar ou entrar em aventuras pontuais atrás de visibilidades ou do políticamente correcto, aliás devem ser incorrectas, porque a Arte e a Cultura não seguem modas, muito pelo contrário, criam-nas!
    Precisamos de novos tempos, que reconheçam e devolvam à Arte e Cultura o seu espaço e oportunidade, a sua necessidade para bem do espírito dos cidadãos. Precisamos que o poder em vez de pretender controlar a Arte e a Cultura, as respeite como aquilo que são enquanto manifestação de liberdade e sobretudo de diversidade do pensamento, que as protejam nessa sua diversidade e as deixe desenvolverem-se, livremente, como deve ser.
    Por outro lado, só desejo que os agentes da Arte e Cultura saibam ser esclarecidos, abertos e tolerantes, agindo dentro desse conceito da diversidade, pois repito que, para mim a diversidade é a maior maravilha da criação, e, dentro desta a diversidade do pensamento, ao qual não há machado que lhe corte a raiz!
    Estimo que possam vir novos tempos, acredito mesmo que sim, pois desejo que seja fechado um ciclo que não foi favorável à cultura, que por um lado manietou e aprisionou, por outro não apoiou nem desenvolveu.
    Se querem os políticos distrair e entreter o povo, pois a Arte e a Cultura são a forma ideal e mais suave de o fazer, com o benefício de todos nós, pela tranquilidade e bem-estar.
    Não me estou a candidatar a nada, notem, apenas a falar de coração.

    Saudações esperançosas cá da Cidade Morena, suave e tranquila.

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  2. António Luiz Pacheco28 de outubro de 2021 às 02:08

    E por falar em Arte e Cultura, não posso deixar de partilhar o meu contentamento pela notícia Extraordinária de que finalmente Paulo Moreiras vai lançar novo livro!
    Arre! Que já era tempo!
    Peço desculpa pela interrupção, mas estou mesmo ansioso, já nos faltava.

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  3. Não só pelas realizações anunciadas mas também para conhecer o espaço agora dedicado às artes e à cultura, tenho todo o interesse em ir ao Braço das Artes. Mas ainda não é desta porque me apanha muito longe de Lisboa.

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