Estranhos encontros
Lembro-me de há muitos anos, ainda eu estava na Temas e Debates, ter surgido um jovem romancista colombiano (nessa altura, ele morava em Barcelona) muito aplaudido na sua estreia. Tive mais tarde a oportunidade de o conhecer pessoalmente em Bogotá, já com sucesso firmado, pai de duas gémeas, com vários livros publicados e a conquistar um lugar maior na literatura colombiana. Chamava-se (chama-se) Juan Gabriel Vásquez e tornou-se um caso sério da literatura em castelhano, havendo até quem diga (talvez por ser ele também elegante e bonito) que vai ocupar o lugar de Vargas Llosa. Pois bem, Juan Gabriel Vásquez já esteve várias vezes em Portugal, numa delas para receber o Prémio das Correntes, noutra para uma conversa com o Primeiro-Ministro António Costa, que aprecia bastante a sua obra. Mas não é o único político a lê-lo, porque no próximo dia 19, às 18h30, o romancista volta a Portugal e, desta feita, vai «contracenar» na Casa da América Latina com... preparem-se... Paulo Portas. E eu que achava que os políticos tinham pouco tempo para ler... Curiosos? Pois inscrevam-se, que os lugares são contados. A sessão será moderada pela jornalista do Expresso, Luciana Leiderfarb.

Se ele gastar o seu tempo a dialogar com políticos em vez de o aplicar na criação de ficções de qualidade, ficarei a lamentar a sua opção. Se fosse com pensadores da Política, muito bem, mas com políticos práticos parece-me um desperdício de talento.
ResponderEliminarOutros dirão que pôr em diálogo pessoas de ação política com pessoas que exploram possibilidades de futuro é uma boa experiência para ambos.
O diálogo é uma grande qualidade do ser humano que o utiliza (seja com quem fôr -se possível, claro).
EliminarDepois de ter sido fascinado pela originalidade literária do seu primeiro grande êxito como romancista,"O ruído das coisas a cair", acabei por não ler nenhum dos outros livros do Juan Gabriel Vásquez. Estarei atento aos ecos do lançamento deste seu novo romance.
ResponderEliminarDe Paulo Portas, continuo à espera de ouvi-lo responder às questões que a Ana Gomes lhe tem dirigido repetidamente e publicamente sobre o episódio de corrupção na compra dos submarinos alemães quando ele era o ministro responsável por essa aquisição. Como sabemos, a justiça alemã condenou cidadãos alemães por terem corrompido cidadãos portugueses para que decidissem a seu favor essa compra. A justiça portuguesa não pediu à justiça alemã a identidade dos corrompidos. O que sabemos é que o decisor final foi o ministro e esse nunca respondeu aos pedidos de esclarecimento. Enquanto não o fizer, incomoda-me ouvir Paulo Portas, onde quer que ele fale e sobre o que quer que ele fale.
ResponderEliminarApenas um reparo, sem pretender discutir nem trazer para aqui o que não pertence a este espaço, mas gostaria de perguntar ao Extraordinário Anónimo se o incómodo se aplica igualmente aos responsáveis pelas mortes no caso de Perdógão, por exemplo, e muitos outros, estimo que também não possa ouvir falar em José Sócrates, Vara... e lembro-lhe que os submarinos foram encomendados pelo ministro de e a compra assinada por António Guterres.
EliminarÀ questão que Ana Gomes continua a pôr, porque lhe convém repetir uma inverdade até que se torne numa verdade, respondeu atempadamente a deputada Cecília Meireles no local competente: o parlamento. Por acaso lembro-me bem... e na altura ela calou-se, também me recordo.
Peço desculpa pela discordância, mas é saudável que assim seja.
Obrigado pela sua posição discordante. Nada mais salutar !
EliminarContinuo a achar extraordinário que os alemães tenham identificado os corruptores (alemães, condenando-os) e os corrompidos (portugueses) e a justiça nacional nada tenha feito. O negócio corrupto foi da responsabilidade do ministério de Paulo Portas. Claro que ele pode estar isento do ato de corrupção, mas da sua responsabilidade política não se livra. Estou-me nas tintas sobre a cor partidária do corrupto. São todos iguais para mim.
Não incomodarei mais, não voltando a trazer o tema corrupção a este blog literário.
Uma proposta que me parece interessante, esta!
ResponderEliminarPoucos são os políticos actuais, que me parecem cultos e cultivados. Paulo Portas é justamente um deles. É comprovadamente um homem de cultura e da cultura, vindo de uma família de gente culta e da cultura, cultivados!
É pena, lamentável, verificar a pouca cultura, generalizada nos políticos, sobretudo os mais novos, talvez porque além de estudarem pouco daquilo que não são as cartilhas e manuais dos partidos, pouco ou nada conhecem da vida e menos do Mundo, porque frequentar os restaurantes "in" em Estrasburgo onde falam dos mesmos assuntos só com aqueles que pensam igual, não chega!
Falta-lhes ler, sobretudo, e, ler sobre aquilo que não é da sua esfera de pensamento, tentar saber o que pensam os outros e porquê, só assim chegam a um de dois resultados, ambos fundamentais: ou reforçarem o seu pensar, ou mudarem-no! O último sendo, não prova de fraqueza mas antes de inteligência e carácter, coisas que vão faltando muito nesta época digital em que o saber está na ponta do dedo que carrega no símbolo do "google".
Ouvir conversar, discorrerem, pessoas cultas e de saber, incluindo aquelas de qualidade do Mundo da política, é dos exercícios mais gratificantes e inspiradores que há, só ultrapassado por uma coisa ainda mais Extraordinária: - Lêr!
Saudações cá da Cidade Morena!
Ora, ora que excelente vossa exposição extraordinário ALP. De facto privilegiada esta dinâmica e, por assim o dizer democrática. Alias, em romper barreiras e trazer à prova o conhecimento a cena literária.
EliminarCST
Desde que o conheci nas Correntes D’Escritas, tornei-me sua leitora. É, de facto, um caso sério da literatura.
ResponderEliminarLuísa Cordeiro