De pequenino

Falei aqui há tempos no blogue de uma iniciativa do Museu de Lamego e da Rede de Bibliotecas da mesma cidade que me pareceu muitíssimo meritória: a de envolver a população escolar na criação de textos literários, fosse em verso ou em prosa, a partir do património artístico da cidade. Numa primeira edição, os alunos tinham visitado o museu para escrever exclusivamente sobre peças do seu acervo. Mas agora o projecto das Estórias (Im)prováveis foi um pouco mais longe na desejável combinação de Escrita e Arte e passou a incluir os monumentos de Lamego, estendendo o património potencialmente inspirador e, com isso, aumentando também o número de concorrentes e a variedade dos textos a concurso. Estas histórias e poemas, que celebram a aproximação dos mais novos ao objecto artístico e as sensibilizam para o património da sua região, estão agora disponíveis para download gratuito no link abaixo. Que haja mais ideias destas pelo País fora é o que desejo!


https://bit.ly/Publicacao_EstoriasImprovaveis2020-2021

Comentários

  1. Qieroda, Maria do Rosário, muito obrigada.
    Alunos, professores, pais... vão ficar radiantes!
    Beijinho
    Alexandra

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  2. António Luiz Pacheco21 de outubro de 2021 às 02:47

    Extraordinária iniciativa!
    Que sirva para aproximar os mais novos do seu acervo cultural, da sua história e dos símbolos da sua terra, enquadrá-los e dar-lhes a saber que se encaixam num entorno vasto: social, geográfico, etc. Explicar-lhes isso desde cedo para que o sintam e se sintam!
    Ao mesmo tempo despertá-los para o gosto artístico e da monumentalidade.
    Finalmente pô-los a escrever que é o mesmo que pô-los depois a ler, e, não há miúdo que não goste de uma história! História essa que pode até ser criada ou escrita por ele mesmo.
    Como eu gostava de fazer redacções!

    Justamente, nesta Segunda-feira última, começámos a requalificação de um antiga pescaria do tempo colonial, a Mormolo, na praia e baía da Caota. Encontrei ali um poço de memórias, o Jorge Caturrado, nascido ali há quase sessenta anos, criado por lá, filho de um antigo mestre de pesca, que se manteve e tem ocupado a pescaria com a sua "armação", as senhoras escalando e secando ali bom peixe. O Jorge "da Caota" (como é conhecido) conhece ao detalhe a história e as histórias do lugar, o qual aliás tem uma boa vibração, que se sente de imediato, e, se explica se olharmos à sua história: Foi um local feliz, onde os trabalhadores eram bem tratados, o antigo patrão e dono, foi boa pessoa, deixou boa memória ainda patente nos "mais-velhos" que por ali escalaram e salgaram tanto peixe e com quem converso.
    Tenho pena de ver destelhar o telheiro dos tanques da lavagem, escala e salmoira, de ver desmontar as condutas, as caleiras. De serem para partir os tanques e a antiga estructura de circulação de peixe e águas. É a história que estamos a destruir... dói-me, creiam! A mim que já só conheci a pescaria há meia-dúzia de anos, na posse do meu amigo Zé Esteves, filho dos que a "herdaram" quando o antigo dono retornou e a deixou ao então gerente, que optou por ficar. Ajudámos na sua venda a uma empresa maior que se interessou em investir na recuperação e modernização, fizémos os estudos e o novo projecto de uma moderna pescaria, que vai criar cerca de 200 postos de trabalho, locais e de gente pouco qualificada, portanto isso sendo de destacar! No entanto o passado dói-me, talvez porque já seja velho e olhe mais para os pés do que para a frente...
    Vejo aqui coisas que fazem doer, velhas estructuras arruinadas, algumas grandiosas, que contam a quem queira ler nelas, histórias antigas de bons e maus momentos, memórias felizes ou tristes, de violência ou de bem-estar!
    Creio que é assim que devemos ver as estructuras e monumentos do passado. Sentir as vibrações que contêm, ter essa sensibilidade, pois as alegrias, as dores, as esperanças dos que por lá passaram, agarraram-se-lhes indelévelmente às paredes, ao chão, e, ao contrário do cimento, não caem nem se evaporam.
    Os mais novos devem ser sensibilizados para isso, penso eu. Pelo seu bem e o de todos nós, são o futuro e não futuro sem um passado.

    Saudações Grandes, cá duma Cidade Morena cheia de história, mas com pouca monumentalidade que no entanto é substituída por aquela da Natureza, rude, inclemente e agreste, mas belíssima e igualmente inspiradora! O Sombreiro, os Ilhéus do Pina, a ilha Liesse, o Cabo de Santa Maria, as imensas praias da Lua, da Baia dos Elefantes, da Binga... dezenas de outros! Cabos, baías, falésias, macumbes (ilhotas ou escolhos), são de cortar a respiração! Tanta história ligada a elas e tanto tema para se escrever!

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    Respostas
    1. Você tem noção da "força" no quê acaba de descrever, principalmente quando relata "... foi um local feliz..." ?

      CLT

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    2. António Luiz Pacheco21 de outubro de 2021 às 10:12

      Claro que tenho, escrevo o que penso e pensando no que escrevo.
      A força do que escreva, depende no entanto de quem o leia: - Pode redundar em força nenhuma ou em ter bastante impacto. Suponho que assim seja com qualquer escrito.

      Saudações, com a força que queira, cá da Cidade Morena.

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  3. Obrigado pela sugestão. Um dia que vá a Lamego não deixarei de procurar o unicórnio no museu...

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  4. É, sem dúvida, uma excelente iniciativa e um grande estímulo à criatividade. Obrigado também pela divulgação

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