De pequenino
Falei aqui há tempos no blogue de uma iniciativa do Museu de Lamego e da Rede de Bibliotecas da mesma cidade que me pareceu muitíssimo meritória: a de envolver a população escolar na criação de textos literários, fosse em verso ou em prosa, a partir do património artístico da cidade. Numa primeira edição, os alunos tinham visitado o museu para escrever exclusivamente sobre peças do seu acervo. Mas agora o projecto das Estórias (Im)prováveis foi um pouco mais longe na desejável combinação de Escrita e Arte e passou a incluir os monumentos de Lamego, estendendo o património potencialmente inspirador e, com isso, aumentando também o número de concorrentes e a variedade dos textos a concurso. Estas histórias e poemas, que celebram a aproximação dos mais novos ao objecto artístico e as sensibilizam para o património da sua região, estão agora disponíveis para download gratuito no link abaixo. Que haja mais ideias destas pelo País fora é o que desejo!
Qieroda, Maria do Rosário, muito obrigada.
ResponderEliminarAlunos, professores, pais... vão ficar radiantes!
Beijinho
Alexandra
Extraordinária iniciativa!
ResponderEliminarQue sirva para aproximar os mais novos do seu acervo cultural, da sua história e dos símbolos da sua terra, enquadrá-los e dar-lhes a saber que se encaixam num entorno vasto: social, geográfico, etc. Explicar-lhes isso desde cedo para que o sintam e se sintam!
Ao mesmo tempo despertá-los para o gosto artístico e da monumentalidade.
Finalmente pô-los a escrever que é o mesmo que pô-los depois a ler, e, não há miúdo que não goste de uma história! História essa que pode até ser criada ou escrita por ele mesmo.
Como eu gostava de fazer redacções!
Justamente, nesta Segunda-feira última, começámos a requalificação de um antiga pescaria do tempo colonial, a Mormolo, na praia e baía da Caota. Encontrei ali um poço de memórias, o Jorge Caturrado, nascido ali há quase sessenta anos, criado por lá, filho de um antigo mestre de pesca, que se manteve e tem ocupado a pescaria com a sua "armação", as senhoras escalando e secando ali bom peixe. O Jorge "da Caota" (como é conhecido) conhece ao detalhe a história e as histórias do lugar, o qual aliás tem uma boa vibração, que se sente de imediato, e, se explica se olharmos à sua história: Foi um local feliz, onde os trabalhadores eram bem tratados, o antigo patrão e dono, foi boa pessoa, deixou boa memória ainda patente nos "mais-velhos" que por ali escalaram e salgaram tanto peixe e com quem converso.
Tenho pena de ver destelhar o telheiro dos tanques da lavagem, escala e salmoira, de ver desmontar as condutas, as caleiras. De serem para partir os tanques e a antiga estructura de circulação de peixe e águas. É a história que estamos a destruir... dói-me, creiam! A mim que já só conheci a pescaria há meia-dúzia de anos, na posse do meu amigo Zé Esteves, filho dos que a "herdaram" quando o antigo dono retornou e a deixou ao então gerente, que optou por ficar. Ajudámos na sua venda a uma empresa maior que se interessou em investir na recuperação e modernização, fizémos os estudos e o novo projecto de uma moderna pescaria, que vai criar cerca de 200 postos de trabalho, locais e de gente pouco qualificada, portanto isso sendo de destacar! No entanto o passado dói-me, talvez porque já seja velho e olhe mais para os pés do que para a frente...
Vejo aqui coisas que fazem doer, velhas estructuras arruinadas, algumas grandiosas, que contam a quem queira ler nelas, histórias antigas de bons e maus momentos, memórias felizes ou tristes, de violência ou de bem-estar!
Creio que é assim que devemos ver as estructuras e monumentos do passado. Sentir as vibrações que contêm, ter essa sensibilidade, pois as alegrias, as dores, as esperanças dos que por lá passaram, agarraram-se-lhes indelévelmente às paredes, ao chão, e, ao contrário do cimento, não caem nem se evaporam.
Os mais novos devem ser sensibilizados para isso, penso eu. Pelo seu bem e o de todos nós, são o futuro e não futuro sem um passado.
Saudações Grandes, cá duma Cidade Morena cheia de história, mas com pouca monumentalidade que no entanto é substituída por aquela da Natureza, rude, inclemente e agreste, mas belíssima e igualmente inspiradora! O Sombreiro, os Ilhéus do Pina, a ilha Liesse, o Cabo de Santa Maria, as imensas praias da Lua, da Baia dos Elefantes, da Binga... dezenas de outros! Cabos, baías, falésias, macumbes (ilhotas ou escolhos), são de cortar a respiração! Tanta história ligada a elas e tanto tema para se escrever!
Você tem noção da "força" no quê acaba de descrever, principalmente quando relata "... foi um local feliz..." ?
EliminarCLT
Claro que tenho, escrevo o que penso e pensando no que escrevo.
EliminarA força do que escreva, depende no entanto de quem o leia: - Pode redundar em força nenhuma ou em ter bastante impacto. Suponho que assim seja com qualquer escrito.
Saudações, com a força que queira, cá da Cidade Morena.
Obrigado pela sugestão. Um dia que vá a Lamego não deixarei de procurar o unicórnio no museu...
ResponderEliminarÉ, sem dúvida, uma excelente iniciativa e um grande estímulo à criatividade. Obrigado também pela divulgação
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