Sobrevida

Em tempos que já lá vão traduzi um livro científico da autoria de Carl Sagan que desmistificava algumas ideias feitas, entre as quais a dos sonhos premonitórios e a das pessoas que estão clinicamente mortas durante um período e, ao voltarem à vida, alegam ter visto Deus ou uma luz (o que o cientista explicava poder tratar-se apenas de uma recordação da saída do útero no momento do nascimento: vir do escuro para a luz ou ver enevoadamente a figura de um médico, o tal Deus). Mas houve quem estivesse numa espécie de morte e desse o seu testemunho disso, como, por exemplo, José Cardoso Pires, em De Profundis, Valsa Lenta, que relata a sua experiência depois de um acidente vascular cerebral. A COVID-19 foi responsável por imensas mortes no ano passado e chegou a muitas pessoas conhecidas. Daniel Sampaio, o conhecido escritor e psiquiatra, foi uma das pessoas que esteve a um passinho da morte, internado longamente no hospital. Salvou-se e escreveu alguns artigos pungentes sobre a experiência; e agora, nesta «sobrevida» em que, graças a Deus, até já pôde ir à Feira do Livro dar autógrafos, oferece-nos o livro COVID 19: Relato de Um Sobrevivente que impressionará certamente pela narrativa em si, mas também pelo seu apego à vida. Obrigada por mais um testemunho importantíssimo sobre o maldito vírus, ideal para oferecer aos negacionistas.


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Comentários

  1. Li há meses a entrevista, bem interessante, do Daniel Sampaio ao Expresso a relatar o episódio. Como escritor compulsivo que é (para nosso benefício) quase que já adivinhava na altura que daí viria um novo livro. Calculo que não tenha a qualidade literária do De Profundis, mas deve acrescentar detalhes e reflexões ao seu depoimento dado ao Expresso.

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  2. Já morri por três vezes, eu mesmo! É verdade.
    Porém não embora não tendo passado por nenhuma dessas experiências, ou como lhe chamam, respeito e não duvido no entanto de quem alegue tê-las tido.
    O que seja... bom isso daria para escrever vários livros que creio mesmo já foram escritos e muitos outros o serão ainda. Há explicações científicas (são aquelas em que menos creio, pois é notório que os cientistas enganam-se muito e mudam constantemente de opinião), religiosas, místicas, teosóficas, mágicas... sei lá, todas fantásticas e até interessantes, todavia acho que terei mesmo de esperar chegar a minha hora para saber. O pior é que já não vou poder contar a ninguém... e logo eu! Isso é que me aborrece profundamente! Enfim, resumindo e ao que parece, algo ou alguém nalgum lado decidiu que a minha hora ainda não havia chegado. Se me perguntarem se acredito nisso, à falta de melhor explicação direi que sim, porque como a Pessoa isso me basta e me satisfaz, e, na dúvida achei que poderia e deveria tentar fazer algo de melhor, pelos outros, talvez fosse essa a razão de me manter por cá, não apenas para massacrar os Extraordinários com as minhas parvoíces, e sim, acredito piamente que tudo acontece por e para alguma razão, como andamos cá para fazer parte de um todo.

    Será no mínimo curioso e certamente muito interessante ler este testemunho, por ser de quem é! Por vezes as experiências fazem mudar as pessoas de opinião e até as tornam melhores.

    Fica-me no entanto uma dúvida: o que é exactamente um negacionista?
    Agora está na moda usar esse termo, negacionista, como um anátema, ainda estou para ver quando sairá um decreto a proibir o negacionismo e penalizar criminalmente a sua prática, o que em democracia e numa sociedade que se diz tolerante, é no mínimo incoerente. Aquele partido chamado Proibir, Animais e Natureza certamente que já deve estar a preparar um projecto de lei nesse sentido, creio até que as praças de toiros serão finalmente reconvertidas para encerrar os negacionistas, do que quer que seja desde que enquadrado nas convicções daqueles.
    Há muitas dúvidas sobre a pandemia covídica, ou não há? Justificadas aliás, eu sou um dos que as tem... isso fará de mim negacionista? No entanto estou vacinado e até tive Covid, portanto não duvido de que o vírus existe e nem dos seus efeitos. Mas tenho muitas outras dúvidas e desconfianças que vão desde a adequação e objectivos das medidas tomadas, como da sua eficácia. No entanto sigo as ordens, que posso eu fazer? Não pretendo ser ostracizado e impedido de entrar num avião, hotel ou restaurante porque me falta um papelucho dizendo que levei uma inoculação cujo resultado não se sabe lá muito bem (essa a verdade), só me faz sentir solidário com aqueles que em tempos tiveram estampada
    na roupa a sua distintiva "diferença".

    Saudações pensantes cá da Cidade Morena.

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    1. Neste caso, usei o termo para me referir a pessoas que simplesmente negam a importância deste vírus e os seus efeitos nocivos, nomeadamente a quantidade de mortes que provocou; e que, na sequência dessa atitude, não se vacinam nem deixam que os seus se vacinem, não permitindo assim a erradicação da doença.

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    2. Caro António Luiz, os seus textos são do melhor que é oferecido a quem lê estas páginas ! Qual "massacrar os Extraordinários com as minhas parvoíces"... As suas são palavras vibrantes, as ideias originais e as reflexões fora da caixa, tudo para nos fazer pensar, e sempre servido por um apurado estilo literário. Que mais podemos nós pedir ? Um abraço agradecido deste seu fiel leitor.

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    3. Entendi perfeitamente o que disse no seu post!
      Concordo até, claro, sou "duvidante" mas não sou tolo a ponto de ser negacionista. Quando fiz a pergunta, não era directamente a si, mas sim no sentido de nos fazer pensar um pouco sobre esta nova moda de chamar, acusar, se ser negacionista por tudo e por nada, o que só prova a intolerância generalizada que tende a instalar-se, na persecução do pensamento único. Como disse, e na dúvida, vacinei-me e trato de fazer vacinar os que me rodeiam, pois não me apresentaram ainda melhor solução que a vacina.
      Cumprimentos cá da Cidade Morena e vacinada!!!!

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    4. Muito obrigado pelas suas palavras, Extraordinário Artur!
      Sabe, a culpa é da minha mulher que me está sempre a dizer: "tu , às vezes és um bocado parvo!", o que me provoca alguma angústia existencial.
      Grande abraço cá da Cidade Morena.

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    5. A minha acha que eu meu comporto às vezes como doente mental. E é psicanalista, portanto deve ter razão.

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    6. AHAHAHAH!
      Quem se mete com as mulheres... já se sabe!

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  3. Achei muito interessante atualmente esta sua postagens.
    Marília Mendonça Altura </a> Abraços ;) !

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  4. De fato, seu artigo foi muito bem explicado gostei de ler.

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