O preço das coisas maravilhosas
Qual o peso da família nas nossas vidas, e qual o peso do dinheiro? Que acontece quando uma mãe decide não cuidar da sua filha, e quando uma filha decide não cuidar da sua mãe? Seríamos diferentes se tivéssemos nascido noutro sítio, noutro tempo, noutro corpo? Em As Maravilhas, romance de Elena Medel vencedor do Prémio para Melhor Livro do Ano em 2020 no país vizinho, há duas mulheres: María, que em finais dos anos sessenta deixa a sua vida numa cidade de província para trabalhar em Madrid; e Alicia, que faz o mesmo caminho trinta anos mais tarde, mas por razões diferentes. E há, claro, a mulher que as une e de quem praticamente não se fala: filha de uma e mãe da outra. Este é um romance sobre o dinheiro, ou melhor, sobre como a falta de dinheiro pode determinar uma vida inteira de precariedade e matar todos os sonhos. Mas é também uma história sobre o passado recente da Península Ibérica, desde finais da ditadura até à explosão do feminismo, contada por duas mulheres que tão-pouco podem ir às manifestações lutar pelos seus direitos porque têm, claro, de trabalhar. Saudado por José Luís Peixoto («Entre o que há de melhor na literatura contemporânea») e Valter Hugo Mãe («Aleluia que chegou a Portugal»), As Maravilhas acaba de ser publicado e agora precisa de ser lido.

Ai jesus, uma pessoa perde-se com este blogue e as recomendações de leitura!
ResponderEliminarMuito obrigada por mais esta divulgação, Maria do Rosário. Fico muito curiosa quanto ao livro e "temo" não resistir e ir (mais uma vez) a correr comprá-lo. Bolas.
Bom fim-de-semana a todos os Extraordinários
Três mulheres na capa, as maravilhas, lembrei-me logo daqueles espetáculos em que há muitas mulheres em palco e disse para mim: este livro não. Mas com o comentário e o entusiasmo da Maria do Rosário e o resumo que fez da obra mudei de posição.
ResponderEliminarBom fds, boas decisões de votação e, claro, boas leituras.
(talvez a solução para alguém como eu, que está quase proibido de comprar livros, seja deixar de passar por aqui, assim evito todas as tentações...)
ResponderEliminarExatamente, caro Luís Eme, uma pessoa vai à falência!
EliminarAgora a sério, isto faz-me lembrar uma frase que uma vez li numa revista de gestão, há umas décadas já, cujo autor desconheço, e que nunca esqueci, dizia assim: "Se acha que a educação é cara, imagine a ignorância."
E se os livros contribuem para a nossa educação e consequente menor ignorância!
Uma editora, de que gosto muito, tinha uma mensagem maravilhosa que agora me veio à cabeça: "ler pode provocar independência ".
EliminarBom dia
Miguel Henriques
Susana, o meu problema não é tanto a "falência", é mais o espaço (a falta dele).... :)
Eliminar👏👏👏👏👏
EliminarPalpita-me ser um belíssimo livro, pelo tema que me é caro!
ResponderEliminarA morte do sonho, pela falta de dinheiro... pois eu creio que as pessoas que vivem sem dinheiro ou quase, os muito pobres que eu por aqui vejo e conheço, não me parece tenham sonhos! A expectativa de adormecer de barriga aconchegada e acordar vivo, resume a existência de muitas destas pessoas simples, e, se por acaso começarem a sonhar, sobretudo pelo que possam ver na TV ou porque a isso os levem os papagaios da política, pois não sonham, serão sim infelizes por não poderem ter o que sonham... será?
Aqui há dias, uma moça, zungueira (vendedora ambulante) com a sua bacia à cabeça, cheia de hortaliças, perguntava-me quanto custava um bilhete de avião para ir a Portugal? Nem lhe disse a verdade (1.200.000 Akz) disse-lhe que seriam mais de 300 mil, e ela de olhos muito abertos: tchííí pai, é uma fortuna, é muito dinheiro, nunca vi esse dinheiro, nunca vou ter! Ora 300 mil são 375 euros, uma fortuna! Claro, para quem vende o molho de couve a 200 quanzas, e o valor total do que tem na bacia serão uns 12.000 Akz, que tem de recuperar para comprar mais e vender no dia seguinte. Sendo o seu lucro total de uns 1.000 Akz. É com isso que tem de viver ela e os filhos... ora vai sonhar com quê?
Lembra-me sempre daquele guardador de porcos do filme "O homem do Ribatejo" , quem dizia "eu, se fosse rico guardava os porcos a cavalo!".
Isto dos sonhos é muto relativo, e, depende muito da condição de cada um...
Bons sonhos e bom fim de semana, sejamos gratos por ter aqui este espaço de leitura e leitores!
Abraço cá da Cidade Morena, terra de zungueiras!
As suas histórias são maravilhosas, caro Extraordinário António Luiz Pacheco. Apetece coligi-las num livro de crónicas africanas dos nossos dias! (hum...nossos?...)
EliminarQue agradável é lê-lo!
Abraço agradecido.
Dos nossos dias, sim, que aqui diáriamente os partilhamos!
EliminarUm grande beijo (como 7.000 Km nos distanciam, é seguro!), Extraordinária Suzana!
Disse tudo Susana: historias maravilhosas !
Eliminar"política, pois não sonham, serão sim infelizes por não poderem ter o que sonham... será?"
EliminarÉ o contrário, os políticos estão sempre cheios de sonhos. E a lutar por eles, não somente a sonhar. Ter (ou realizar) o que sonham .... isso é muito difícil e raramente atingido.