Maravilha das maravilhas

Não é toda a gente que tem jeito para as rimas, sobretudo quando se trata de poesia para crianças, quantas vezes sem pilhéria nenhuma e moralista em excesso. Mas há excepções, evidentemente, e lembro-me de uma vez ter lido uma versão infantil de uma peça de Gil Vicente escrita em verso por Rosa Lobato de Faria que era muito boa. Quem também tem um talento danado para as rimas giras, cómicas, inesperadas, «desgovernadas», desconcertantes e nada melosas é David Machado (que, já agora, foi nomeado semifinalista do Prémio Oceanos há cerca de duas semanas com o romance A Educação dos Gafanhotos). Depois de uma colaboração com a Visão Júnior online (em que ouvíamos o poema e víamos uma mão ilustrá-lo em directo) e de algumas leituras num programa de rádio, saiu agorinha mesmo este mimo de livro, O Meu Cavalo Indomável: Rimas Desgovernadas para Crianças Animadas, uma maravilha das maravilhas com desenhos de Ricardo Ladeira. Arrisco-me a dizer que os adultos também vão gostar bastante! Deixo um exemplo só para abrir o apetite:


 


A tartaruga


 


No quarto da Inês, havia uma gaiola


E, dentro da gaiola, estava uma tartaruga.


De manhã, a Inês saiu para a escola


E a tartaruga aproveitou e pôs-se em fuga.


Durante horas, caminhou, sonhando ser livre,


As patas em brasa, já quase morta.


E quando a Inês chegou a casa, encontrou-a...


no meio do quarto entre a gaiola e a porta.


 


9789722131131_o_meu_cavalo_indomavel.jpg


 


 

Comentários

  1. Ahahahah! Que maravilha!
    Um grande abraço de parabéns e votos do maior sucesso ao Extraordinário David Machado, por quem fico feliz com a nomeação.

    Conheci alguns "repentistas" muitíssimo bons, onde? Ora, nas noites de fadistice em que o Mundo dos Toiros e da aficción é (ou era) pródigo.
    Lembro-me particularmente do João "Peitaça" como era conhecido este meu amigo de tertúlias e noitadas, o João Braza, fadista de Évora, que era simplesmente genial a improvisar rimas enquanto cantava fados cuja letra criava na hora, dedicando-as aos e às presentes.
    Havia um outro poeta, ali em Benfica do Ribatejo, o chamado "rei das bifanas" que sempre dedicava umas quadras improvisadas aos amigos, quem uma vez se saíu com esta tirada:
    "Ólhin que s'até hoje n'átingi a purfeição, isso pod' acuntecer a quóquer momento!"
    Ahahahah!

    Poesia desta, eu gosto, munto! Porque nos dispõe bem.

    Saudações poéticas e alegres, cá da Cidade Morena.

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