Homenagem

Este ano comemora-se o centenário do nascimento da escritora Maria Judite de Carvalho, que foi uma grande romancista e cronista, além de se ter dedicado também à poesia e às artes plásticas. Chamou-lhe Agustina «a flor discreta da nossa literatura». Autora de um dos mais extraordinários longos contos (ou novelas), o célebre Tanta Gente, Mariana e de uma obra vasta, não teve em vida o reconhecimento que merecia, quiçá por ser casada com Urbano Tavares Rodrigues e não haver espaço para dois escritores na mesma casa; quiçá apenas por ter vivido numa época que dava geralmente pouca atenção às mulheres intelectuais. Porém, para comemorar o centenário está finalmente a fazer-se justiça, seja republicando a Almedina a sua obra completa em volumes belíssimos, cujas capas são quadros da própria autora, seja através de um livro de homenagem poética à escritora, prefaciado por Alice Vieira (que foi sua amiga pessoal), posfaciado por Rosa Azevedo, organizado por Lília Tavares e Carlos Campos e com a participação de nada menos do que 123 autores; alguns talvez sejam desconhecidos do grande público, mas outros são decididamente conceituados, como Ana Luísa Amaral, Margarida Vale de Gato, Inês Lourenço, Fernando Pinto do Amaral, Maria Teresa Horta, Nuno Júdice ou Rita Taborda Duarte, e constam ainda do rol a filha de Maria Judite de Carvalho (Isabel Fraga) e uma das netas (Inês Fraga). O número de autores que participam evidencia o reconhecimento desta autora. O lançamento da antologia, com o título Água Silêncio Sede, terá lugar na Feira do Livro de Lisboa, no Auditório Nascente, no próximo dia 9 às 17h00, seguindo-se, no Pavilhão da Poética (B96), uma sessão de autógrafos com os autores presentes. No dia seguinte, Inês Fraga conversará com a professora Paula Morão no Auditório Poente sobre Maria Judite Carvalho, numa iniciativa da editora Almedina, às 19h00.


CAPA_ANTOLOGIA MARIA JUDITE DE CARVALHO (1).jpg


 

Comentários

  1. Sem dúvida, naquele tempo havia pouco reconhecimento e quase nula divulgação. Muito oportunas e justas estas iniciativas, além de, para nós, a republicação da obra facilitar a sua (re)leitura.

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  2. António Luiz Pacheco7 de setembro de 2021 às 03:04

    Uma boa iniciativa... é sempre boa iniciativa lembrar e divulgar escritores, escritores-mesmo, não meros autores de tanta treta que para aí anda e se publica só porque é uma cara que se tornou conhecida, quantas vezes até por razões que nada têm a ver.

    A propósito, celebremos a nossa Extraordinária Cristina Carvalho, também justamente premiada!

    Saudações Extraordinárias cá da Cidade Morena.

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    Respostas
    1. Tal como o António Luiz, também li que a Cristina Carvalho recebeu o Prémio Miguel Torga de Literatura Biográfica por livro sobre Ingmar Bergman. Não tendo lido o "romance biográfico" da CC, confesso que este ano fiquei deslumbrado pela biografia de José Cardoso Pires escrita por Bruno Vieira do Amaral.

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    2. António Luiz Pacheco7 de setembro de 2021 às 06:29

      E somos dois, Extraordinário Artur! Também fiquei encantado com a obra monumental e muitíssimo boa sobre um insubmisso, e gosto particularmente do título: "integrado marginal"!
      Partilhamos ainda o contentamento pela distinção da nossa Extraordinária amiga, ora e mui Torgueanamente premiada!
      Grande abraço cá desde a Cidade Morena!

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  3. Que maravilha, ver aqui representado um livro editado pela Poética e ver a referência ao Pavilhão B96!

    Agradeço em nome da editora Virgínia do Carmo, minha amiga (e editora).
    A Virgínia merece.

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  4. Que excelente ideia.

    Adoro a sua forma de descrever o quotidiano.

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  5. Rosa Cláudia Gonçalves9 de setembro de 2021 às 23:50

    Maria Judite de Carvalho e Emilia Pardo Bazán, cujo centenário da morte, este ano, também deu lugar a reedições da sua obra, são duas mulheres que esperam por mim, ou melhor, por quem eu espero.

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