De volta (e o que ando a ler)

Caríssimos Extraordinários, espero que tenham tido umas férias repousantes e, sobretudo, com muitas e compensadoras leituras. Eu desforrei-me até poder, embora, com o calor, a idade e a descompressão, também tenha começado a cabecear depois de almoço e a cair numa espécie de torpor impeditivo de ler. Mas a vida é assim, não se pode ter tudo. Neste momento, em que (não se esqueçam) decorrem já as Feiras do Livro de Lisboa e do Porto, locais muitíssimo interessantes para os amigos deste blogue, tenho em mãos um «calhamaço» de um escritor holandês radicado em Itália, Iljia Leonard Pfeijffer, que é simultaneamente a história de um amor (o do narrador, que tem o mesmo nome do escritor, com a jovem aristocrata italiana Clio) e uma reflexão sobre o  turismo de massas, o passado glorioso da Europa e o seu declínio no século XXI. Indo para um hotel decadente (o Grand Hotel Europa) escrever o seu livro (este livro, presumo) com o objectivo de lamber as feridas e fazer o luto da sua relação, o texto vai alternando uma parte mais romanesca com outra mais política e densa e ainda com a vida no hotel (o bagageiro jovem é um migrante chegado num barco de refugiados) e a busca do último quadro de Caravaggio por Clio, que é historiadora de arte. Na Holanda, Grand Hotel Europa vendeu loucuras. A tradução é de Maria Leonor Raven e trata-se de uma edição da Livros do Brasil.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco1 de setembro de 2021 às 02:32

    Ora vivam todes ... ahahah!
    Bem regressados e descansados...
    Vou ficar de olho neste Grand Hotel Europa, promete!

    Férias... as minhas curtas e bem pouco descansadas, ainda por cima o tempo em final de Julgo e início de Agosto não esteve muito colaborante, creio que o Aquecimento Global é que foi de férias e em definitivo, porque notei que os "cientistas" já mudaram o nome para "alterações climáticas". Veremos o que nos reservam para breve, pois como bem sabemos eles enganam-se muito e mudam de opinião constantemente. Mas faz falta, é preciso justificar muita coisa, os lóbis sobreviverem mesmo se alterando, vender tempos e promover negócios, entreter o público e até distraí-lo daquilo que realmente se passa e importaria.

    É assim, e, nós Leitores, cá estaremos sempre, com ou sem calor, frio ou o tempo que faça! Eu até fiz a minha parte, no que respeita aos nossos amados livros:
    - Uma prima da minha mãe (a última do lado Holbeche/Malato/Fino) deixou-nos por morte entre outras, uma casa na serra de Portalegre. Aproveitei a minha estada e fui lá, onde encontrei vários livros antigos e muito interessantes, mas em péssimo estado pois a estante encontrava-se perto da escada para o primeiro andar e houve uma inundação a partir da varanda. A humidade atacou alguns livros, que tratei de recuperar, pois nós traças detestamos livros com bolor! Horrível!
    Não tive tempo de os catalogar e organizar, deixando isso para o Natal: é o meu presente!

    Mas li outros, que tinha à minha espera, e de que tive de fazer uma escolha:
    - SOMOYA - Vento selvagem. Com belíssimas fotos de Licínia Machado, casada com o autor, o meu Confrade e Grande Caçador João Corceiro. Um livro de paixão, lindíssimo e muito bem apresentado, com escritos de qualidade sobre gentes, bichos, lugares e homens nessa África onde ele aliás ele nasceu e cresceu.
    - O sector cinegético na economia social - breve perspectiva do panorama português.
    Um interessante e esclarecedor ensaio de Sandro Daniel, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
    - Figuras numa paisagem - Paul Theroux: Grande livro!!!! Mais um!
    - O genocídio ocultado - Tidiane N'Diaye. Devia ser de leitura obrigatória... uma descrição histórica do processo de esclavagismo iniciado e perpetrado por africanos e árabes. Esclarecedor, aconselhava a muito político e opinante, a sua leitura, pois o insuspeito autor é um investigador africano negro!
    - Integrado Marginal, por Bruno Vieira Amaral. Outro Grande livro com a biografia do Grande José Cardoso Pires. Outra leitura obrigatória para uma traça como eu.
    - Ainda tentei começar a ler "História dos povos árabes" de Albert Hourani, que me parece ser ainda leitura actualmente oportuna, quiçá obrigatória, mas desconsegui pois é volumoso... foi para o lado da Biografia do Churchill. Aguardam continuidade!
    - Pela negativa, a publicitada e premiada "Montanhas douradas" de C. Pam Zhang: Detestei, e, nem sequer acabei! Publicidade enganosa, completamente... o tema é incompreensível, é mal escrito (e parece-me muitíssimo mal traduzido, diga-se). É um daqueles livros completamente herméticos de que nada se percebe, nem a acção nem os propósitos e muito menos onde quer chegar a autora, que manifestamente escreve para ela e não para o público, em particular para mim. É um não-livro! Só ela sabe e percebe o que escreveu, as tradutoras não perceberam (é o que me parece) e não se percebe porquê tanto ruído e aclamação, prémios... desaconselho vivamente, mas cada um é que sabe o que lê e do que gosta!

    Ando a ler: de Manuel Jorge Marmelo, "Tropel".
    Calhou, gosto do autor e da sua escrita, da forma como constrói os personagens e os escolhe. Estou a gostar muitíssimo. É um tema estranha e sinistramente actual, em que calhou eu pegar, mas senti logo que há intenção e que é actual, adequado aos tempos que estamos a viver, ao tema dos refugiados clandestinos, do sentimento popular de defesa do espaço pátrio. É um livro crú, cruel e realista.
    Aconselho vivamen

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    1. António Luiz Pacheco1 de setembro de 2021 às 02:40

      Ah! Bolas esqueci-me de outro Excelente livro que li:
      "Corrida de Toiros a Património Cultural Imaterial de Portugal"

      Submetida pela Associação de Tertúlias Tauromáquicas de Portugal, esta candidatura resulta dum projecto de investigação realizado por uma equipa multidisciplinar de investigadores do ISCTE, coordenada pelo professor Luís capucha.

      A constituição do Projeto, Tauromaquia, Património, Cultural de Portugal, começou por um trabalho de recolha de informação e investigação relativa à prática tauromáquica em território nacional. Um exemplo foi o Congresso Internacional "Homens e Toiros, cultura e desenvolvimento", que teve lugar na Chamusca, entre os dias 11 e 13 de julho de 2019. Este contou com a participação de oradores portugueses, espanhóis e franceses com investigações nas áreas da Medicina Veterinária, Psicologia, Antropologia, Sociologia, Economia , entre outras.

      Um belíssimo livro que esmiúça e caracteriza de modo exemplar todos os intervenientes, toiros, cavalos e homens, público.
      Trabalho científico bem organizado, por investigadores independentes e sobretudo insuspeitos, que lembram que mais de 80% do portugueses, mesmo não sendo aficcionados, defendem a continuação das corridas e são contra a sua proibição!
      Apenas 11% defendem a sua extinção.
      Eu, sou aficcionado... não lamento nem me desculpo, apenas assumo e fico feliz por ter sido lançada esta candidatura e o livro a que o estudo deu origem.

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  2. (que saudades Rosário e Extraordinários...)

    Normalmente Agosto é o mês que leio menos, por razões que até a razão deve desconhecer...

    Mas até me apetece falar do último livro que li, "Uma Luz com um Toldo Vermelho", de Joaquim Manuel Magalhães (poesia).

    Li-o por curiosidade (felizmente a Biblioteca de Almada tinha um exemplar...), porque o Sammy (do blogue "Cais do Olhar") publicou uma frase curiosa de um poema deste livro: "Há poemas que não têm caspa nem engordam com o tempo".

    Depois da frase lembrei-me que tinha acontecido algo de estranho com este autor. Felizmente o "motor de busca" foi uma boa ajuda e recordei o episódio no meu "Largo da Memória", que transcrevo (10 de Agosto de 2021):

    «Pouco tempo depois lembrei-me que há dez anos, o poeta Magalhães, resolveu "alterar" e "apagar" grande parte da sua poesia editada até então, com a publicação do seu "Um Toldo Vermelho" (que também substituiu o tão elogiado "A Luz de um Toldo Vermelho"...).

    Dizer que o livro e o poeta foram brindados com palavras de escárnio e maldizer, é passar ao de leve pela questão... Pois Joaquim foi tudo menos bem tratado. Houve até quem dissesse que estava senil... Ou seja, foram muito poucos os que aceitaram a decisão do poeta de excluir e substituir a sua obra poética anterior (algo que acaba por se revelar uma impossibilidade, pois seria tarefa impossível andar a recolher de porta em porta os livros editados e vendidos antes de "Um Toldo Vermelho").

    Nós achamos que o poeta podia (e pode...) fazer o que lhe apetecesse, com os poemas que escreveu. Mas também estamos fartos de saber que a sua opção teria poucos efeitos práticos (e ele sabia disso...), pois, como já dissemos, os poemas que "alterou" ou "apagou", continuam bem vivos dentro dos livros que publicou antes de "Um Toldo Vermelho".

    Voltando à sua frase, à distância de dez anos é possível sorrir e dizer que o que Joaquim Manuel Magalhães achou, foi que toda a poesia que tinha escrito antes de "Um Toldo Vermelho", estava cheia de caspa e de gordurinhas...»

    E deixo aqui este episódio para pensarem...

    Foi bom ter encontrado este e outro livro do autor ("Segredos, Sebes, Aluviões"). Esta não é a minha poesia, mas encontrei algumas coisas curiosas... Mas o que gostei mesmo foi de saber que o poeta afinal não conseguiu "banir" ou "apagar" a sua "velha" poesia, que ela está ao nosso dispor em qualquer biblioteca pública. :)

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    1. António Luiz Pacheco1 de setembro de 2021 às 03:12

      Viva Caro Luis Eme!
      É bom matar saudades dos amigos, daqui.
      Li e achei muito interessante aquilo que nos trouxe, pois realmente dá que pensar o porquê do autor ter ou sentir essa necessidade de "apagar o passado" ou a sua obra? Claro que se evolui que engordamos, perdemos cabelo ou emagrecemos, e, certamente a nossa obra também, como nós. Mas porquê operar essa mudança, como quem usa do tal "bottox" , cintas, lipoaspiração... pensei que um autor fosse imune a esses males do envelhecimento e fosse mais como o vinho do Porto!
      Evidentemente que a obra, se for longa, será também temporal, no entanto é fruto de um tempo e portanto tem de ser assim entendida. Os sentimentos não deviam mudar, como o clima... penso eu. Podem ser dirigidos para outros temas, porém mudar não deveriam.

      Grande abraço e bom regresso.

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    2. O poeta JMM foi meu professor (e dos bons) na faculdade de letras em três cadeiras diferentes. Mas tinha um feitio muito difícil, o que pode explicar esses repentes e cortes intempestivos na sua poesia. Eu tenho os livros anteriores aos cortes, graças a Deus (e a boas compras passadas), porque o que ficou é quase ilegível, acho que ele fez de propósito, nada teve que ver com senilidade, deve ter sido para nos tramar. Mas ainda bem que ainda há por aí espalhadas as pérolas (também tenho o das Sebes e Aluviões), valha-nos isso. Um abraço.

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  3. Olá Maria do Rosário, que bom tê-la de volta! A si e aos Extraordinários!

    Estas férias li "Orgulho e preconceito" da Jane Austen (nunca tinha lido nada dela e queria experimentar - foi uma muito agradável surpresa, a sua escrita entrelaça-se numa espécie de bordado pleno de doçura e ao mesmo tempo inteligente, que maravilha!); li um livro que disse aqui não tencionar ler, mas entretanto mudei de ideias: "O desassossego da noite" da Marieke Lucas Rijneved (é um osso duro de roer, mas uma boa peça de literatura, gostei de o ler); li "O remorso de baltazar serapião" do meu querido Valter Hugo Mãe (outra história difícil de digerir, mas a belíssima mestria de VHM a encantar-nos (me) a cada linha!); li ainda "Dois rios" da Tatiana Salem Levy (a história tem tudo para ser boa, mas entediou-me a sua forma de escrever, dá demasiada importância ao mar tornando-se repetitiva - saí do livro um bocado vazia, não sei se repito a autora) e, depois de uma banda desenhada sobre a Primeira Guerra Mundial, tenho em mãos uma pérola que colhi aqui neste bendito blogue!! É "A lebre de olhos de âmbar" do Edmund de Waal! Que obra estupenda, muito obrigada aos Extraordinários que a referiram!
    E pronto, já chega de conversa, a todos desejo um ótimo setembro com excelentes leituras!

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    1. A mensagem apareceu anónima, não sei porquê.
      Susana Rodrigues

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  4. Bom dia Maria do Rosário Pedreira e restantes amigos

    Já tinha pensado em vós várias vezes .
    Neste Agosto temperado , deu para ler :
    O Homem do casaco vermelho e presentemente encontro-me a ler Casa de dia Casa de Noite da Polaca Olga T.

    O primeiro livro é diferente de tudo o que tenho lido . No início estranhei a toada e a apresentação. Estilo almanaque
    Em literatura. Cada figura da Belle Epoque tratada a seu tempo e a propósito de algo interessante.
    Tudo é analisado cirurgicamente naquela sociedade de 1800...até início de século 20. Grandes figuras europeias na área da literatura , das artes , da ciência , das fortunas .,as madames ricas...... as intrigas , as invejas , a Psicologia.
    Excelente perspectiva na área da ginecologia/ cirurgia da época . Muito interessante conhecer o percurso profissional do nosso Pozzi do casaco vermelho: os conhecimentos ,que foi beber a outro continente,e sua aplicação na vida real. Um
    Homem muito influente nas ciências mas também com muita força a nível social e na sociedade . E depois toda a sua vida pessoal ...
    Se vivesse nos nossos dias seria sem dúvida na mesma área um médico / cirurgião a lutar pelo direito à maior humanidade no parto , um médico na linha da frente na luta pelos direitos na mudança de sexo ....e quem sabe em lutas
    Mais à frente .... quem sabe ...
    Este livro foi escrito depois de muita pesquisa em registos da época . Tudo parece ser tratado com muita veracidade de forma crítica e com muito humor .
    Digamos que é um retrato fiel da época . Com meia dúzia de personagens e casos a sobressair pela sua importância para o autor .
    Livro muito inteligente e sagaz . Obra a não perder de todo .
    Parabéns ao autor . Isto é diferente de tudo . E bom .
    Em relação ao segundo livro , pois temos aqui a Olga Tockarchuc (?) no seu esplendor a apresentar-nos mais cenários da Polónia e de polacos Não es.quecer as premonições, que tanto gosta , os espiritismo...a natureza...
    De notar que este livro também está apresentado de uma forma Idêntica à do primeiro . Não há uma sequência verdadeira . Há um pousar em diferentes ramos de uma árvore ...por vezes em Ramos repetidos .” Um romance em forma de arvora como a internet ...”

    Obrigada pelo regresso e boas leituras
    M.A.

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    1. Bom tarde M.A.
      Li 2 livros da escritora (Olga T.), com o primeiro "Conduz o teu arado sobre os ossos dos mortos" fiquei rendida, gostei bastante de toda a trama e de como nos foi apresentada. Já do segundo "Outrora e outros tempos" foi-me mais complicado para não dizer quase impossível. Por isso fiquei na dúvida sobre este "Casa de dia casa de noite", que acha?

      Suzana Silva

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    2. Para já está muito interessante e diferente do habitual ...estou a meio ,vamos ver ...
      Também li Conduz o teu arado ... , gostei bastante
      No final dir-lhe-ei algo mais seguro ...
      Boas leituras
      M.A.

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  5. Boa tarde a todos os extraordinários que aqui retomam,
    Este mês que passou li: "O país dos outros" de Leila Slimani e "Maledicência" de Rosa Ventrella. Passam-se ambos pós segunda guerra mundial, em locais diferentes mas com história das suas famílias, essencialmente das mulheres. Se o primeiro me agarrou e me conduziu até ao fim, já o segunda pareceu-me andar sempre à roda do mesmo, a beleza da irmã e da mãe, de como essa beleza pode ser causadora de tanto embaraço e ser uma maldição.
    Portanto na minha opinião recomendaria o primeiro e não o segundo.

    Suzana Silva

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  6. Rosa Cláudia Gonçalves9 de setembro de 2021 às 23:31

    Estou aqui por ter lido “Adeus futuro” no início do Verão. Conhecia a sua poesia, a sua actividade como editora, o seu discurso conciso e despretensioso, que é sempre um gosto ouvir.
    Há anos que não seguia blogues, mas creio que vou ser assídua aqui, o que vai aumentar consideravelmente a minha lista de livros “em espera”!
    Para já, estava a contar de levar “Ernestina”, de J. Rentes de Carvalho, como companhia de férias que só terei em Outubro, mas este Grand Hotel Europa deixou-me indecisa.
    Bem haja pela indecisão e por tudo o mais.

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    1. Rosa, obrigada!
      Como leitura de férias, leve o Rentes de Carvalho. O Grand Hotel é muito pesado para ler na praia...

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    2. Muito obrigada pelo conselho, vou segui-lo, embora não vá para a praia convém ir “liger[a] de equipaje”.

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