Clássicos para jovens

Tenho ideia de em pequena ver lá por casa umas edições abreviadas por João de Barros da Ilíada e da Odisseia («contadas às crianças e explicadas ao povo», cito de memória, perdoem-me se não era assim) que em tempos a Sá da Costa publicou; quando Frederico Lourenço começou a ocupar-se das traduções de Homero (que li, claro, na versão «para adultos»), pensei que seria bom uma nova adaptação para os leitores adolescentes e, de facto, mais tarde, tanto a Ilíada como a Odisseia tiveram, na Quetzal, essas versões, organizadas pelo próprio Frederico Lourenço. Aqui há tempos falei da Eneida de Virgílio traduzida pelo professor Carlos Ascenso André (um dos últimos lançamentos da editora Cotovia) e avisam-me agora os editores da Quetzal que deram à estampa, organizada por este mesmo autor, uma adaptação da Eneida para os jovens. São, claro, boas notícias, ao mesmo tempo que descubro que outros clássicos estão a sair com o formato de romances gráficos ou BD, estimulando os mais novos para a leitura de livros que, mais tarde, lhes irão aparecer já só em texto entre as leituras aconselhadas na escola. Vamos lá ver se, com estas edições boas e bonitas, eles começam a interessar-se pelos livros que nunca passam de moda.

Comentários

  1. Bom dia a todos!
    Lembro-me de haver um resumo d' Os Lusíadas, explicado às crianças, não sou capaz de dizer quem foi o autor, nem quando foi publicado pois já existia lá em casa, era eu pequeno.
    Mas cumpriu!
    Penso que este tipo de iniciativas podem de facto funcionar muito bem, atraindo a atenção, despertando o interesse dos júniores e juvenis, até infantis, para as obras.
    Quantas leituras eu fiz depois, despertado pelas famosas (e fantásticas) Selecta Literária, ou mesmo do livro de leituras escolar?
    O famoso livro condensado, na secção de livros que sempre compunha as últimas páginas das Selecções do Reader's Digest!
    Idem para algumas obras em formato infanto-juvenil e mesmo banda desenhada que se foram publicando.
    O nosso Extraordinário Fernando Costa que diga algo sobre o assunto, pois é a sua área, e não apenas ele, temos aqui outros ilustradores, cuja experiência e sensibilidade nos podem dar uma boa achega.
    Falando do ponto de vista puramente de traça dos livros, regozijo-me com estas iniciativas, porque acredito nelas e porque devemos fazer algo no sentido de divulgar da melhor maneira, a leitura, não apenas dos clássicos mas começando por estes que são sempre obras de grande impacto, susceptíveis de agradar a uma larga faixa de proto-leitores.

    Saudações cá da Cidade Morena, hoje em modo de Sol, depois de uns dias de cacimbo, já a anunciar o fim desta estação.




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    1. Sobre adaptação dos Lusíadas para leitura por jovens, gostei de ler uma elegante adaptação em verso que o Vasco Graça Moura publicou.

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    2. Sim, lembro-me também, mas, creio que esta de que falei, seria de Adolfo Simões Müller? Creio que sim, recordei entretanto o nome...

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    3. Confusão que a distância não me permite desfazer, fácilmente! Ainda bem que estamos entre gente dos livros.
      Na wikipédia, sobre Adolfo Simões Müller: "Entre outras obras, adaptou para a juventude Os Lusíadas (1980), A Peregrinação (1980), A Morgadinha dos Canaviais (1982) e As Pupilas do Senhor Reitor (1984)." (sic)
      Mas fui ver o João de Barros e encontrei a tal adaptação a que me referia, bastante anterior, a qual reconheci logo pela imagem da caravela! É esse mesmo, obrigado!!!!

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    4. De facto, caro António Luiz, há uma adaptação em banda desenhada de Os Lusíadas, da autoria do desenhador português José Ruy, felizmente ainda vivo entre nós e muito activo.
      A Odisseia, por exemplo, encontra-se publicada numa colecção intitulada "Clássicos da Literatura em BD", através de uma parceria Levoir/RTP.
      Como presidente do conselho de administração da empresa municipal (agora extinta) do sítio, e no âmbito de uma das bibliotecas municipais, promovi a escrita manual de Os Lusíadas, bem como as ilustrações atinentes e ao gosto e arte dos voluntários. Houve personalidades (um bispo participo de vontade) que colaboraram com a escrita de estrofes e cheguei a convidar um ex-Presidente da República para aderir, pelo seu punho, a uma delas, o que foi recusado, alegadamente por "já ter participado num projecto idêntico". Houve alguns ilustradores de todas as idades, e eu próprio participei. Não se chegou ao fim da iniciativa, tanto quanto também não cheguei ao fim do cargo.
      Possuo também um exemplar dessa obra aqui referida, adaptação em prosa de João de Barros, da Sá da Costa. E possuo a recordação, por vezes amarga, da interpretação literária e gramatical da obra de Camões, nos anos em que batalhei por boas pontuações nos exames.

      Cumprimento-o desde o Planalto, ora barulhento com a passagem das carruagens políticas, que nos enchem os ouvidos de hinos, músicas e promessas.

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  2. Em banda desenhada, estou a começar a ler com muito agrado uma ambiciosa história da origem do cristianismo e da sua igreja que tem o nome de “O Imperio: de Jesus a uma Igreja Imperial” da autoria de Olivier Bobineau e Pascal Magnat. Não é uma obra necessariamente para jovens pela profundidade do detalhe histórico que apresenta e pelo sentido crítico com que a temática é tratada. E parece ter o beneplácito da Igreja Católica já que inclui um prefácio do padre Anselmo Borges.

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  3. Leitor velho que sou, lembro-me de existir pela casa do meu pai, uma colecção editada pela Livraria Sá da Costa: «Os Grandes Livros da Humanidade». O nº 1 era «Os Lusíadas de Camões contados às crianças e lembrados ao povo» com adaptação, em prosa, de João de Barros. Também a «Divina Comédia» de Dante, adaptação em prosa de Marques Braga. Dessa colecção apenas restou «História Trágico-Marítima», Narrativas de Naufrágios da Época das Conquistas, adaptação de António Sérgio. Na contra capa deste livro pode ler-se: «As adaptações em linguagem moderna simples e clara, são subscritas por nomes ilustres ou respeitados das letras portuguesas contemporâneas, tais como: Aquilino Ribeiro, António Sérgio, Jaime Cortesão, João de Barros, Marques Braga, etc., etc. e profusamente ilustrados pelos eminentes artistas Martins Braga, Emérico Nunes, Alberto de Sousa e J. Pedro Barata, terá preço ao alcance de todas as bolsas.»
    O meu pai simpatizava muito pouco com a iniciativa privada e emprestava muitos livros. Um dia perguntei-lhe por uma série de livros que já há muito não via nas prateleiras: «Eh pá!, devia ter seguido o conselho daquele gajo maluco que dizia que não se deve emprestar mulheres e livros porque as mulheres ainda podem voltar, os livros é que nunca!»

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    1. Ora bem!!!!
      Eu, pura e simplesmente não empresto livros! Digo sempre que a melhor forma de começar ou vir a ter um biblioteca própria é não emprestando livros, se bem que pedi-los emprestados me pareça ser uma outra forma de começar uma... eheheh!
      A do empréstimo da mulher, ainda somos acusados de alguma coisa feia... cuidado que as feministas estão omnipresentes, claro que teremos sempre a desculpa de argumentar que quem dizia isso era um maluco, eheheh!
      Correndo o risco de ser políticamente incorrecto, mas assumindo desde já que também serei maluco (ontem disse que era parvo, também serve...) digo-lhe então e ainda a propósito, quais a três coisas que mais enganam um homem, segundo a sabedoria do Bairro Ribatejano:
      - Chuva miudinha, mulheres com olhos bonitos, e, copos "piquenos".

      Grande abraço da Cidade Morena, terra onde todas as mulheres têm olhos bonitos!

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