Aviso

Estas minhas Horas Extraordinárias já fizeram mais de dez anos; e, embora quem comente no blogue sejam quase sempre as mesmas pessoas (que já se instalaram neste salão há muito e nele parecem sentir-se bem), a verdade é que aqueles que o consultam ou lêem e dos quais não sabemos o nome são muitos mais e têm aumentado de número com o tempo (quiçá porque acompanhavam outros blogues que entretanto fecharam). Mas isso tem levado a uma situação um pouco incómoda, que é a de eu ter passado a receber quase todos os dias newsletters de editoras brasileiras e portuguesas e pedidos de morada para envio de exemplares de livros, com vista a uma referência ou crítica aqui no blogue. Ora, para que fique claro, eu falo nas minhas Horas Extraordinárias sobretudo de duas coisas: dos livros que publico e que gostaria muito que os Extraordinários lessem; e dos livros que leio nas minhas «horas extraordinárias», publicados por outras editoras, quando os compro tendo em conta os seus autores, ou o que pessoas e meios de comunicação sobre eles dizem, ou ainda os prémios que eventualmente vencem. Mais nada. Mesmo assim, atenção, nada do que aqui escrevo passa de um comentário pessoal e sempre subjectivo, e que isso não se confunda por favor com crítica literária ou recensão ou algo mais académico. Não me considero, por fim, uma influencer... Saiba por isso quem me lê aqui que já não tenho estantes livres em casa e que, mesmo que me mandem livros, só vou falar deles se os acabar por ler e gostar. Poupem no correio, sobretudo nesse que vem de tão longe. Obrigada na mesma, mas não tenho mais tempo para poder fazer essas leituras.

Comentários



  1. Rosário, quem a lê consegue ver a diferença entre o que é "comercial" e o que é "paixão literária".

    E claro que é uma "influência", quase sempre positiva, assim como os comentadores (tenho uma lista interminável de livros que não vou conseguir ler, graças à partilha das e dos comentadores extraordinários...).

    ResponderEliminar
  2. Um aviso honesto. Arriscando, num mundo de falta de afectos e interesses onde se esperam sempre afectos, favores, prebendas, um futuro pouco risonho para o blogue. A conjugação, mesma, do título pouco agradável "Adeus Futuro". Denotando também o que muitos se vão apercebendo. A literatura é, para além de negócio, uma construção de amores e desamores, de afectos, de nicho, de bem de troca, onde joga muito mais do que um sentido, o empenhamento, o gosto e o mérito. Nesse sentido, a verdadeira literatura só pode ser fruto da independência, da paixão e da liberdade de criar. Ainda há pouco escrevia que das coisas mais me impressionando no ser humano é a cegueira da sua ambição, a construção da sua identidade movida por interesse próprio, que o faz ser mais camaleónico do que humano. Muito se vê isso por entre ditos artistas incumbentes, autores que rapidamente se besuntam de vaidade e ares de superioridade, procurando aqui e ali os que os fazem sentir iguais entre os eleitos... negando os outros, que os fazem retroceder na conquista da sua instância. E essa negação, para além da irritante presunção, é um princípio de incapacidade empática e de centramento. A escrita tem de ser assumpção da liberdade.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Gostei de o ler, como habitualmente, e, sim, partilho dessa idéia de a escrita ser uma manifestação de liberdade!
      Quanto aos tiques que refere... estamos conversados!
      Grande abraço cá da Cidade Morena.

      Eliminar
  3. Especialmente com relação a lembrança!

    CST

    ResponderEliminar
  4. Entendo perfeitamente o que diz e a sua atitude.
    Não deixo no entanto de assumir, que, entendo perfeitamente aqueles que procuram de alguma forma obter de si o que refere. Enfim, será um mau entendimento por parte deles daquilo que é o Horas Extraordinárias, onde haverá sempre a tentação de se enfiar, subrreptícia ou declaradamente, aquele texto ou comentário segundo o bom e velho uso dos vendedores que "metem o pé na porta"! Mas não me compete criticar, apenas tomar boa nota daquilo que diz, e, se vai para vários anos que frequento esta luz, é porque ela me atrai, irreversívelmente, nas suas variegadas formas e fontes.
    Aliás entende-se, penso eu, com todos os defeitos da minha humana condição e se calhar por isso mesmo.

    Quanto a ser "influencer", penso que é, mesmo que não o queira!
    É inevitável, olhando ao seu CV, formação, traquejo, carreira, capacidades, intelecto... sei lá o que mais!
    Ainda que muitas vezes tenhamos gostos distintos nas leituras, mas goste ou não, interesse-me ou não, leia ou não os livros que aqui nos apresenta, gosto sempre de a ler, gosto da sua clareza, da forma esclarecida com que discorre, apresenta ou apoia. Será eventualmente tendenciosa? Ora, e quem não o é? Sempre dentro da nossa humana condição, esperando mesmo que essa condição se mantenha, nunca se perca, porque Santos de peal de porta, cruzados do pensamento e inquisidores dos costumes, são apenas desumanos, bem longe de serem modelos!
    Aprendo sempre, nós devemos aprender com quem sabe, nem tanto com quem presume ou diz que sabe, mas não apresenta obra feita, ao contrário de si.

    Saudações terrenamente influenciáveis, cá da Cidade Morena.

    ResponderEliminar
  5. Estou a gostar muito de ler o livro "Notas sobre um Naufrágio" de Davide Enia, que aqui foi enfaticamente recomendado pela Maria do Rosário Pedreira. Assim, por mais uma vez, lhe estou grata pelas sugestões que aqui nos oferece. Por favor, não deixe de o fazer. E não o fazemos todos nós um pouco neste blog?: acabei de receber pelo correio "The Diary of Bookseller" de Shaun Bythell que me foi aqui indicado por uma Extraordinária. Já agora, irei esta semana comprar o "Babilónia" da Ana Cássia Rebelo, uma escritora cuja originalidade estilística e de temática me fascinou em "Ana de Amesterdão".

    ResponderEliminar
  6. Extraordinária Maria do Rosário, apenas uma palavra: obrigado (pelo precioso tempo que nos concede, pela sua generosidade e por nos brindar com a sua sapiência).

    ResponderEliminar
  7. Quando procuro uma recomendação validada para uma boa leitura, é por aqui que passo.
    Grata pelas suas partilhas Maria do Rosário. Não falta por aí quem fale e recomende livros como se de uma competição se tratasse.
    Boa semana
    Bjs

    ResponderEliminar
  8. Há quem sempre passe por aqui mas, em regra, não comente. Um abraço

    ResponderEliminar
  9. Subscrevo o comentário acima, pois sou frequentadora assídua (não falho uma publicação) do blogue, mas muito raramente faço algum comentário. Interessa-me particularmente as sugestões de leitura da Maria do Rosário Pedreira, pelo seu bom gosto literário, são sempre recomendações que não desiludem. Obrigado

    ResponderEliminar
  10. Boa tarde Maria do Rosário, é verdade que essas horas Extraordinárias, ñ sendo um Clube privado, parece, mesmo, mesmo.!!!!!!
    Depois parece quase um clube secreto, talvez até clandestino, na medida em que a maioria do pessoal que responde ou escreve é anónimo.
    Paciência, aí a Maria do Rosário Pedreira, não tem culpa.
    Leio com muita regularidade as suas 'HORAS' e já respondi várias vezes ou seja dei algumas opiniões. Mas como trabalho na área dos livros, sempre me identifiquei, defendo que dar opiniões é ótimo correndo o risco de estar correto ou incorreto.
    Mas como a falar é que a gente se entende, e, é da discussão pode nascer a luz.
    Isto também para dizer que estou perfeitamente de acordo com a sua crónica de hoje.
    Bem haja
    José Calixto

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório