Viajar e ficar
Agora, que em Portugal se vacina a população a uma velocidade estonteante (devemos ser dos mais rápidos da Europa, tentando compensar a irresponsabilidade das pessoas), faço fé em que as férias de Verão, mesmo com umas pequenas multidões a banhos, sejam mais tranquilas e menos contagiosas. Por enquanto, porém, estamos mais ou menos proibidos de viajar, e quando digo isto refiro-me ao facto de termos de fazer um teste com resultado negativo para podermos entrar num hotel ou num restaurante se a localidade for de risco elevado. Mesmo assim, se tivermos de ficar «em terra», há sempre a consolação da leitura, e podemos até ler sobre viagens, de preferência um especialista como Paul Theroux, do qual acaba de sair na Quetzal um conjunto de ensaios que dá pelo nome de Figuras numa Paisagem, no qual, sempre com os lugares como centro, o grande viajante revela enigmas pessoais e literários e facetas desconhecidas encontradas na obra de várias personalidades, desde Henry David Thoreau a Graham Greene, passando por Georges Simenon ou Joseph Conrad. Neste livro, desenham-se ainda perfis, sempre ligados à ideia de viagem, como o de Elizabeth Taylor durante uma viagem de avião ou o de Robin Williams numa visita à cidade da maçã. Parafraseando o Museu da Farmácia, a quem roubei a imagem abaixo, a melhor cura é a cultura.

Já agora, em vésperas de ir de férias para a Beira Alta, sugiro um livrinho da colecção Terra Incógnita da Quetzal, Lugares Distantes de Andrew Solomon, interessante pelo seu exotismo e fora dos lugares habitualmente invadidos pelo turistame, perdoem-me o neologismo.
ResponderEliminarSou leitor habitual de Paul Theroux, e, esta proposta atrai-me completamente!
ResponderEliminarPara mim, o verdadeiro escritor de viagens é um pintor da palavra, a embelezar o quadro que nem precisa inventar só reproduz, com umas pinceladas.
(Espero que a nossa amiga d' A Cor da Escrita leia isto... eheheh!).
A propósito deste "Figuras numa paisagem", e pelo que depreendo da apresentação que nos é aqui feita, atrevo-me a citar:
"... não sou romancista sou escritor de viagens, já foi dito e lembro-vos, portanto perdoarão a forma ou falta de estilo, as tergiversações e o tom descritivo mas espero que vejam neste relato aquilo que importa e são afinal as pessoas porque elas passam, os lugares esses ficam e pode escrever-se sempre sobre eles, aquilo que se queira!".
Penso que será este tanto o caso do livro presente, quanto aquilo que no fundo são para mim os Grandes Livros de Viagens.
Não me vai falhar! Já aí tenho uma quantidade de livros à espera, uns conseguirei ler outros irei lendo, como de costume. Também bastantes outros para comprar, retirados em boa parte deste nosso Horas Extraordinárias. Para a semana já estarei de volta deles, esperando não chegar aí e ver-me impedido de cirandar...
Votos de Boas Viagens por Lugares e Pessoas, são os meus votos cá desde a Cidade Morena.
É um grande livro que li com imenso prazer e me revelou uma vertente do Theroux que eu não conhecia: a do crítico literário e do especialista em grandes vultos da literatura contemporânea e do século XIX americano, sempre com visões muito pessoais e interessantes.
ResponderEliminarExtraordinário Artur, não esqueça que Theroux, uma personalidade controversa, e, apaixonante, com uma vida no mínimo agitada, foi professor universitário, de inglês, portanto a literatura ( e ele é definitivamente um literato) é uma das suas praias!
EliminarAbraço!
Para mim foi uma surpresa essa faceta do Theroux !
EliminarAcredito que a maioria dos profissionais da cultura, não concorde com esta frase.
ResponderEliminarNo último ano e meio eles têm sido tratados mais como um "vírus" que com uma "cura"...
De facto, Luís, a cultura, por vezes, é vista como um vírus. Basta relembrar aquela frase supostamente atribuída a Goering ou a Goebbels (ou da peça de Hanns Jost): "quando ouço falar de cultura, puxo da pistola".
EliminarDaí presumir que a cultura não é, para alguns abencerragens, uma cura nem uma "culcura". Para tais, entre a leitura de um livro e um cálice de aguardente (da forte), venha este.
Bom dia!
ResponderEliminarPara quem goste de viajar enquanto descansa na praia ou no campo e queira ir até Moçambique, atrevo-me a recomendar a leitura de um livro de Mia Couto.
O livro "Pensageiro Frequente" é uma edição da Caminho de 2010.
Nele Mia Couto leva-vos até Moçambique e as suas gentes.
Por outro lado se quiserem saber mais um pouco deste autor, vejam o documentário " Sou autor do meu nome - Mia Couto" realizado por Solveig Norlund. Passou na RTP 2 no passado dia 5 de Julho.
Está dísponivel nos arquivos da RTP.
Porque gosto muito do Mia Couto e amo Moçambique atrevo-me a citar uma pequena frase do texto escrito sobre o rio Zambeze.
" Os rios, dizia o poeta, são como os bichos:nascem e já estão a caminhar".
Boas leituras e boas viagens. Daqui da margem esquerda do estuário do Tejo.
A. Delfim
Já vi o documentário, mas ainda não li esse livro. Aconselho, se gosta de Moçambique, o romance de Miguel Jesus, «Lugar para Dois», que publiquei no ano passado e decorre em Moçambique entre os anos 50 e o novo século.
EliminarObrigado pela sugestão. Está na lista para Agosto.
EliminarObrigado pela sugestão. Está na lista para Agosto.
EliminarA. Delfim
Concordo com este arejado post da MRP. Viajar pela leitura de um destes livros apropriados, não necessita, à partida e à chegada, quarentenas de 10 e 14 dias, testes PCR, rápidos, ou certificado de vacinas. Também não há necessidade de transportes, "check in" e outras trapalhadas que só atrapalham. Basta querer. Como diria o meu avô: mais faz quem quer do que quem pode.
ResponderEliminarSugestões devidamente apontadas. Bem, a lista já chega a bem longe. Mas vai ser um prazer adquirir alguns e, depois ler (quase) todos! Boas Leituras.
ResponderEliminarCeleste Silveira
Post muito oportuno neste momento. Viajar lendo ...
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