O que ando a ler
Se entrarem por estes dias numa livraria, vê-lo-ão de certeza. É que a capa, linda de morrer, chama inequivocamente a atenção. O livro tem por título O Homem do Casaco Vermelho, e esse casaco vermelho, que se parece com um roupão com borlas caindo do cinto, deixa ver um chinelo sofisticado e colorido que pertence ao doutor Pozzi, cujo rosto só conheceremos no interior do livro e pertence a um dos mais belos homens do seu tempo. Médico italiano tornado francês, culto, rico e que contribuiu enormemente para o progresso de alguns processos cirúrgicos, sobretudo na área da ginecologia, salvando muitas vidas, esta figura (a par do conde Montesquiou com quem viajou para Londres) é o núcleo do novíssimo livro de Julian Barnes, autor que se interessou por ele a partir do momento em que viu esse quadro maravilhoso em que veste o casaco vermelho. E, como amante da França, o escritor britânico toma Pozzi como ponto de partida para nos falar da Belle Époque e dos seus protagonistas (no jornalismo, nas artes, nos duelos, na maledicência...) que, de resto, vão aparecendo retratados ao longo do livro em pequenos «cromos» que eram oferecidos com uns chocolates, como cá em Portugal acontecia com os rebuçados já não sei de que marca. A obra, que não é de ficção nem fácil (é preciso conhecer muitos daqueles tipos), é mais uma homenagem à adorada França do autor, sobretudo porque, com o seu sentido de humor habitual, Barnes a compara com a sua ilha na mesma época, e lá a «époque» não é obviamente tão «belle»... Irreverente, informado, surpreendente, é o livro que estou a acabar de ler.
"O MEU SÉCULO" de Günter Grass - numa centena de capítulos, o escritor de O Tambor observa alguns dos acontecimentos políticos e sociais dos últimos cem anos, de 1900 a 1999, cada ano é uma situação; ainda vou na página 75 (ano 1927) mas o livro não me está a entusiasmar talvez porque (pelo menos até esta página) as situações são passadas em locais e com personagens, nomeadamente políticos, que só aos alemães poderão interessar pois só eles as conhecerão, ou seja são situações, sei lá, regionalistas, daí o meu menor entusiasmo, apesar da ideia -cada ano cada história- me ter deixado curioso e me ter levado a comprar o livro (Feira do Livro de Lisboa 2002 - € 15.16).
ResponderEliminarRealmente O HOMEM DO CASACO VERMELHO já me chamou a atenção, nas estantes das livrarias que frequento, não só pela bonita capa (que até fotografei) mas principalmente porque gosto muito do Julian Barnes.
Ando a ler:
ResponderEliminarAutobiografia não Autorizada, Dulce Maria Cardoso; Desamigados, António Mega Ferreira; Vida de Aldeia, Louise Gluck.
Vou alternando com a releitura do Quarteto de Alexandria, do Lawrence Durrell.
Gosto muito do Barnes e quero comprar este, mas lá mais para o fim do Verão.
Boas leituras!
🌼Maria
Bom dia com alegria (e pandemia)
ResponderEliminarVários, como sempre:
- O bibliófilo aprendiz - Rubens Borba de Moraes (Letra Livre)
- O regresso das ditaduras - António Costa Pinto (FFMS)
- Granta nº 7 - Sono/Sonho (Tinta da China)
- O apoio mútuo - Piotr Kropotkine (Antígona)
Qualquer algoritmo (AI powered) me classificará portanto como potencial militante de esquerda ou, eventualmente, anarquista.
Saúde e boas leituras
cp
Nunca consegui ler mais do que um livro ao mesmo tempo. Enclausuro-me num livro e só saio inteiramente dele quando o acabo de ler.
EliminarPodia, por exemplo, intercalar um diário com um romance mas sou absolutamente incapaz.
E mesmo assim, ao fim de, talvez, não mais de um ano já não me lembro de nada do livro e já me aconteceu algumas vezes ler um livro que, só lá para o fim, começo a cismar -parece que já li este livro-. Atenção que a isto não se chama reler, reler será, por exemplo, voltar a um livro de que se gostou muito, por exemplo, já reli três ou quatro vezes "A LOUCA DA CASA" da grande romancista ROSA MONTERO, a isto sim chamo reler.
Ler vários livros ao mesmo tempo, foi e é vulgar... para mim!
EliminarPorém, na condição de não serem do mesmo tipo, isto é:
Ensaio
Biografia
Viagem
Romance
Ciência/História
Temas profissionais
São para mim perfeitamente compatíveis! Não me baralho nem perco, consigo segui-los.
E nota, anarquista, intitulei-me assim em jovem (só para chatear), mas sem nunca ter sido intelectual nem de esquerda, embora já me tenham acusado de esquerdista. Eheheh!
Já agora e se bem te percebo, dizes que te esqueces de teres lido este ou aquele livro, bom eu posso é não me recordar do nome, tanto da obra quanto do autor, mas recordo logo se pegar nele e der uma vista de olhos. No entanto, o teu "esquecimento" significa talvez que o livro não te encheu as medidas, será isso? Há livros que lemos e nos são indiferentes, mas aqueles bons ou muito bons, os que nos impressionem pelo conteúdo, que nos perturbem de algum modo, os maus ou muito maus, esses não se esquecem, penso eu!
Abraço e boas leituras!
S
Por distracção respondi no comentário do cp ... mas estava a falar para o Severino, esclareço!
EliminarJá agora, Extraordinário cp : que me diz sobre "O regresso das ditaduras" (o livro!!!!), gostaria de o ler, e já agora tenho interesse na sua opinião!
Grato, um abraço cá da Cidade Morena!
Ó Paxeco, claro que
Eliminaros bons ou muito bons, os que nos impressionem pelo conteúdo, que nos perturbem de algum modo, que nos marcam, esses não se esquecem, claro, esses são os efectivamente releio! Por exemplo jamais poderia acontecer com A SANGUE FRIO, A HARPA DE ERVAS ou outro qualquer livro do T.Capote, qualquer um do Saramago, do Steinbeck, do V.Hugo, da impressionante Carson McCullers, Flannery O'Connor, da Joyce Carol Oates, destes de certeza que não esqueço.
Mas, tal como já referi no meu texto anterior, já me aconteceu voltar a ler um livro que já tinha lido, é que até pode ter acontecido, livro que nem será mau mas obviamente não daqueles que me marcaram.
Mas , repito, confesso que ler mais do que um livro de cada vez é que não sou capaz.
Seve, eu convivo perfeitamente com um livro de poesia, um de contos e outro de ensaios. Com dois romances é que não (especialmente se forem longos), não gosto de misturar enredos e personagens. Sempre fui assim, mesmo quando era jovem e tinha uma boa cabeça, o que já não acontece :-(
EliminarMas cada um é como cada qual, e o importante é ler e ter prazer nisso e não ler por obrigação.
🌼Maria
O Truman Capote é um dos meus favoritos, já li 3 vezes A Sangue Frio, e tenho também o filme do Richard Brookos; li também A Harpa de Ervas, Música Para Camaleões, Súplicas Atendidas e Travessia de Verão.
EliminarEu sou como a Maria, misturo estilos e leio vários só mesmo tempo. :-) Agora estou a ler "Navegador solitário" do João Aguiar, um livro que fui resgatar aos confins da minha estante. E está a ser uma agradável surpresa!
EliminarTenho a meio um livro de contos do Tchekov e outro da Clarisse Lispector e ando a ingressar devagarinho na poesia. Neste momento leio intercaladamente três de poesia: João Luís Barreto Guimarães (que adoro!), "Nómada", Cláudia R. Sampaio, "Já não me deito em pose de morrer" e o novíssimo para mim João Gesta, "Uma falha nos dentes". As leituras de poesia devo-as à admirável Raquel Marinho e ao seu podcast "O poema ensina a cair".
Boas leituras a todos!
*ao mesmo tempo
EliminarLi vários livros do João Aguiar. Esse "Navegador solitário" foi um choque terrível para mim. Excelente livro. Eu, talvez muito jovem. Aquando do caso "casa pia" lembrei-me muito deste livro que não tendo tudo a ver, tem algo a ver.
EliminarGrande escritor, na minha opinião. "A voz dos deuses" é mesmo muito bom.
Isabel CB
Boa tarde.
ResponderEliminarNeste momento na mesa de cabeceira tenho um policial de um autor nórdico.
Na leitura de um jornal vi uma referência do Francisco José Viegas a este autor e como leitor de policiais tive curiosidade em descobrir o autor e a personagem.
O livro tem por título "O Morcego" do escritor Jo Nesbo. Publicações D. Quixote. A personagem é o inspector Harry Hole. A acção decorre na Austrália onde a par do desvendar do crime a personagem vai-se ver envolvido na vida social australiana e nos problemas que envolvem a sociedade australiana e a sua incapacidade de entenderem os aborígenes.
Na mochila anda a Lídia Jorge e o seu "Amor em Lobito Bay" da D. Quixote. São contos que se lêem em qualquer lugar.
Para terminar verifico que alguns extraordinários fazem referência a um livro que já li e que recomendo vivamente.
O título é uma interrogação e só por si é elucidativo "O Regresso das Ditaduras?"
Nós tempos que correm com muitas perguntas e respostas.
Com um abraço da margem esquerda do estuário do Tejo.
A. Delfim
O Homem do Casaco Vermelho é um dos melhores livros do ano; li primeiro a tradução francesa L'Homme en Rouge" e acabei de reler a tradução portuguesa. Um ensaio notável de Julian Barnes sobre a Belle Époque e muito mais. Ando a ler Desamigados do Mega Ferreira e nunca mais acabo Recordações da Casa dos Mortos e o Espelho e a Luz da Hilary Mantel.
ResponderEliminarOs dois últimos livros que li foi a "Serra Mãe" de Sebastião da Gama e "Uma Certa Vanguarda" de Alexandre Castanheira. Poesia e teatro.
ResponderEliminarAchei a poesia de Sebastião da Gama demasiado pura (se é que isso existe). Gostei da peça do "Edgar", por ser sobre o associativismo e a emancipação da mulher.
Curioso o seu comentário à poesia de Sebastião da Gama! Penso que a poesia desta obra vai tão bem com a Serra da Arrábida... As cores verde e azul, o silêncio da serra e o calor; cresci perto da serra e talvez por isso a associe à minha infância. A poesia pura de Sebastião da Gama....
EliminarNão assinei o post anterior.
EliminarTeresa Biu 🌻
Encantada com tanta sugestão de que vou tomar nota. O que ando a ler: Teolinda Gersão . Levou-me do seu último livro aos dois únicos que tinha há muitos tempo para ler e foi uma boa surpresa. Uma extraordinária surpresa. Vai ser ler tudo o que houver disponível.
ResponderEliminarE mais Louise Gluck a descobrir.
De Teolinda Gersão: A Árvore das Palavras para quem foi feliz ou quer conhecer L.M. E A Cidade de Ulisses sobre Lisboa e não só.
Também adorei "A cidade de Ulisses" :)
EliminarAcho que me lembra um pouco a atmosfera de "Um amor feliz", do David Mourão-Ferreira...
Já li alguns livros da Teolinda Gersão e gostei de todos.
Eliminar"Passagens" foi o que mais gostei - excelente!
Tendo terminado os fabulosos "Pátria", de Fernando Aramburu (espero não me ter enganado a escrever o apelido) e "As leis da fronteira", de Javier Cercas, que recomendo muito, ando agora com a sugestão a bom momento colhida aqui e que agradeço: "O país do solidó", de Rentes de Carvalho (que maravilha, para mais escrito em português de antes do acordo ortográfico!) e com um clássico de Raymond Chandler "O imenso adeus".
ResponderEliminarBoas leituras. :)
Não assinei:
EliminarIsabel Castelo Branco
Atualmente ,finalizando “ Grande Hotel Europa” - um homem snob ,vestido à moda antiga , com os seus botões de punho de ouro e alfinete de gravata com brilhante vermelho ... com a sua amante ,mais jovem ,rapariga com interesses comuns dentro da História e Arte Antiga ... arma uma história interessante ,sobre o tempo em que vivemos , apresenta conceitos sobre o turismo Massivo sobre os refugiados que vêm do continente africano , sobre pinturas antigas etc... A história é contada a partir do
ResponderEliminarGrande Hotel , local que tem vários hóspedes permanentes ,personagens interessantes que contribuem para a história e que apresentam também as suas opiniões sobre esses assuntos/ problemas da nossa era . Apenas acho que as cenas de sexo tórrido são um bocadinho demais em quantidade e em especificação.
Último de Barnes já o tenho e é o livro seguinte a ler ...