Kafka e a boneca viajante
Leio que Dora Diamant (ou Dwojra Diamen), que foi amante de Franz Kafka, contou uma história do escritor, passada um ano antes da sua morte, que terá inspirado o livro infantil chamado Kafka e a Boneca Viajante, de Jordi Sierra. Mas a história é bonita (e, mesmo que não seja verdadeira, vale a pena contar). Ao que parece, num parque onde costumava passear diariamente, Kafka encontrou uma criança lavada em lágrimas por ter perdido a sua boneca; e, como ficou realmente impressionado com tão fundo desgosto, ofereceu-se para a ajudar a procurar a dita boneca no parque, mas nem ele nem ninguém a encontraram. Então, teve uma ideia: ausentou-se numa pretensa nova busca e escreveu uma carta que depois entregou à menina como sendo da sua boneca, na qual esta pedia à «dona» que não se preocupasse com ela, pois tinha ido de viagem, estava bem, e depois escreveria de novo a contar as suas aventuras. A criança parou de chorar, ficou mais consolada e, ao que parece, voltou a encontrar-se com o escritor checo, que acabou por oferecer-lhe uma outra boneca mais tarde (diferente da perdida, claro) com um bilhete que dizia: «As minhas viagens mudaram-me.» Verdade ou lenda, não importa muito; o que interessa é que originou um livro que dá a conhecer Kafka aos mais novos. Mas saberão eles o que é uma carta em tempo de SMS e e-mails?
Pois... a boneca deixaria uma mensagem no wat-coiso ou um sms... ahahah!
ResponderEliminarE, pergunto eu que sou muito mauzinho: Uma criança de hoje saberá o que é uma boneca?
Corre-se esse risco... que as bonecas são consideradas objecto de uma supremacia ou pretensa tentativa de condicionar as meninas, inferiorizando-as na sua condição feminina que não pode ser portanto educada! As bonecas são símbolos da submissão feminina , para os tresloucados e de um modo geral retardados mentais que pontificam, opinam e no final regulamentam!
Logo uma criança actual, teria perdido o seu tablet com um jogo qualquer onde fazia explodir e cortava cabeças a monstros ou coisa parecida...
Saudações cá da Cidade Morena!
Bom dia com alegria (e pandemia e vacinas e férias)
ResponderEliminarUma carta? Eventualmente. Já um selo ou um marco de correio são por certo objectos estranhos, pela falta de uso.
Sinal dos tempos, já vi crianças de tenra idade a passarem o dedo indicador na capa de livros, julgando tratar-se dum écran.
Perdoai-lhes Senhor, pois eles SABEM o que fazem.
Saúde e boas leituras
cp
PS: Começei a ler "O instituto para o acerto dos relógios" - Ahmet Handit Tanpinar - (Maldoror), eu que sou mais dado á não ficção.
Aconselho vivamente a quem leu e gostou de "O BOM SOLDADO SVEJK"
E a quem gosta de Kafka, já agora
Este "O Instituto para o Acerto dos Relógios" chamou-me a atenção pela capa e, depois de o folhear, foi (mais um) acrescentado à lista para uma próxima compra...só que a lista já vai tão longa...
EliminarParece-me da família do Kafka e alguma afinidade do excelente "Valente Soldado Chveik"
(autor - o turco Ahmet Hamdi Tanpinar)
Um convite tentador à leitura da história do livro referenciado.
ResponderEliminarQuanto aos SMS e aos e-mails poderão ter a capacidade de ser doadores e donatários de alegria infantil através da "escrita"tecnológica. Muitas vezes abrem janelas e rasgam sorrisos e quiçá constituem o motor de viagens à volta do mundo , do eu da criança, do tu , do nós, dos outros.
Mas o condão de uma carta-papel " a bem" traz em si ventos únicos, em que o cheiro transborda no barco da missiva, o som transporta o quadrante do horizonte, a escrita o astrolábio dos sentidos, a palavra a essência da emoção.
SMS e e-mails ? Sim. Cartas-papel , porque não ? Basta que pais, educadores, escolas, professores partilhem a tradição pois que alguma espécie de semente nascerá e flores surgirão.
AM
Às vezes a realidade finta a própria ficção.
ResponderEliminarAcredito que seja verdade a menina, as lágrimas, a boneca desaparecida e o encontro com o escritor.
A carta pode ter entrado num sonho do escritor, e ficou, por dar mais magia à história. :)
Mas as cartas (essa coisa do passado) têm esse poder, de secar e de fazer correr lágrimas.
È bom de qualquer maneira mas , já agora que tenha sido mesmo real.
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