Heróis da TV
Na minha infância havia uma série de TV de grande sucesso baseada nos livros de Maurice Leblanc. Chamava-s Arsène Lupin, e o protagonista era um cavalheiro-ladrão inesquecível dos anos 1930. Hoje a Netflix desenterrou o herói, pondo-o na sua série Lupin, cujo protagonista lê os livros de Leblanc e se inspira neles para surripiar umas quantas coisas e vingar a memória do pai injustiçado... Pois bem, a figura do ladrão de casaca está em alta e acaba de sair O Último Amor de Arsène Lupin. Embora escrito em 1936, este livro só foi publicado nos anos noventa, quando uma neta do autor encontrou uma pasta com o original em cima de um armário e, vendo do que se tratava, o entregou à editora. Nesta história, o ladrão de casaca guarda religiosamente um livro que foi de um ilustre antepassado – um general que serviu Napoleão – e que os Serviços Secretos britânicos procuram; e, simultaneamente, salva um tesouro incalculável que pertence ao seu último e único amor. É num cenário de intriga, pistas falsas, traições e paixão ardente que a história que fecha a saga de Arsène Lupin se desenrola. Todos os ingredientes dos romances anteriores do herói estão reunidos neste livro de despedida, cheio de reviravoltas inesperadas e até, quem sabe, com um final feliz. Para quem goste do género.

"Le gentleman voleur" ... era ainda um mestre do disfarce.
ResponderEliminarConfesso que os livros das suas aventuras, em devido tempo, me não entusiasmaram por aí além, aquilo era muito mundano e nessa altura eu era fã de Verne, Salgari, Burroughs, e por aí fora, aventuras nem por isso policiais porém em ambientes exóticos, sobretudo, menos civilizados e sofisticados, portanto.
Vi a série na TV, porém não me deixou assim tanta saudade quanto o Sherlock Holmes interpretado pelo extraordinário Jeremy Brett, quem na minha opinião personificou o cavalheiro victoriano, ou o inigualável Poirot por David Suchet!
No seguimento da conversa, é muito curioso como sempre aparecem "obras esquecidas", encontradas muitas vezes mesmo a propósito, por descendentes, em gavetas ou baús obsoletos e a quem já ninguém liga. Sobretudo quando se trata de personagens com elevado potencial "seriístico". Longe de mim duvidar da autenticidade, ou dos propósitos dos achamentos, mas que é curioso, é, sem dúvida.
Há um livro muito bom, de Dan Simmons - "Clube de patifes", que é no entanto muito honesto no seu propósito, dado que o autor recria perfeitamente a escrita do falecido Hemingway e um tema que lhe era muito caro. Aconselho a leitura para férias e sobretudo para a camada mais jovem, pois é um romance bem adequado a ambos, época e faixa etária, quem aliás poderá depois descobrir por exemplo "Ilhas na corrente", um dos tais livros encontrados depois da morte do autor, mas que é igualmente um livro excelente para férias e iniciação!
Hoje é a última vez que escrevo aqui desde a Cidade Morena, pois vou passar uns dias de férias a Portugal, onde me espera o meu Bairro Ribatejano.
Saudações africanas, portanto!
A literatura policial ou policiária não parece ser o forte da maioria, a julgar pela planície desarborizada de comentários. Não é o meu caso.
ResponderEliminarÉ certo que já fui leitor mais arreigado deste género, não fossem testemunhos, entre outros, de edições da Livros do Brasil, cujo espaço ficou guardado numa das bibliotecas da casa, em prateleiras adequadas à altura dos livrinhos, em número passante a 600 (quase a colecção completa).
Assisti a alguns episódios de Arsène Lupin e possuo também alguns exemplares de Leblanc sobre esta personagem do mundo do embuste e dos amigos do alheio.
Fez bem a Rosário em trazer esta novidade. Não conhecia. E também fez bem porque a proprietária do blog demonstra que toda a literatura (pelo menos os géneros dignos desse nome) merecem nota nestes seus posts.
Aproveito para desejar ao Pacheco uma boa viagem aérea, já sem os contratempos aeroportuários, e umas boas férias no Bairro Ribatejano, mais cerca do Planalto que a Cidade Morena, como é evidente.
"Arséne Lupin contra Arséne Lupin" é a única memória que tenho deste personagem (de fraque) - referir-se-à a minha memória a um qualquer filme tipo Fantômas? "calhande"...
ResponderEliminarTambém eu não sou fã de policiais há muitos anos. Numa manobra de substituição tenho-me interessado por literatura fantástica onde se podem encontrar Edgar Allan Poe, Óscar Wilde, Boris Vian, H. de Balzac, por exemplo. Da coleção Livro B da Estampa, que possuo completa, tenho entre mãos O Capitão Cap, de Alphonse Allais que estou a achar fraquíssimo e creio ir abandonar antes do meio.
ResponderEliminarNão conhecia Alphonse Allais. Porém, fui investigar e vim a descobrir coisas muito curiosas sobre esse notável personagem, que se celebrizou afinal como humorista!
EliminarValeu a pena ir saber, aliás vale sempre a pena irmos investigar nestes nossos assuntos Extraordinários.
Porque deveras há literatura fantástica que é... fantástica! Eheheh!
O que diz, no entanto, não me espanta pois não é um período da literatura fantástica francesa que me fascine, (Verne é 20 anos mais novo!) ao contrário da anglo-saxónica! Essa sim! Nesse tempo estaria perto do seu auge, basta ver que Rider Haggard nasce um ano depois do Alphonse... de quem Jules Renard (esse sim, conheço e gosto) aliás fazia boas críticas, isto segundo a Wikipédia.
Grande abraço fantástico!
Obrigado Extraordinário Pacheco pelas oportunas e úteis informações. Ao partir para férias, entre outros retirei da estante dois livros da Coleção B (Estampa), um de Allais de que não conhecia nada e outro de Balzac em que agora deposito muitas esperanças. Se era humorista percebe-se melhor, mas como literatura fantástica deixa muito a desejar. Trouxe comigo também um volume de Contos Surrealistas e Satíricos, de Morávia e desses estou a gostar. Bom regresso e grande abraço.
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