Censura

Aqui há tempos, escrevi neste mesmo blogue um post sobre o problema da opressão sobre os intelectuais anti-regime em Hong Kong e a circunstância de alguns jornalistas e escritores estarem desaparecidos, suspeitando-se de que o Governo os teria mandado «sequestrar» para os afastar da intervenção política. Aconteceu a alguns, de facto, que depois foram obrigados a dizer para a televisão que estavam bem e que tinham preferido retirar-se... Por muito que a China tenha mudado, a verdade é que não deixou de ser um regime ditatorial e, portanto, não seria de esperar que se deixasse criticar continuamente pelos meios de comunicação de Macau e Hong Kong. E, assim, depois de «raptos» e avisos, fez tudo para que que se fechassem as portas, ao fim de vinte e seis anos de actividade, de um dos últimos jornais que ainda levantava a voz contra o Governo, detendo colunistas e membros da sua direcção e congelando as respectivas contas bancárias. Com o aviso aos leitores de que a última edição sairia no dia 24 de Junho e se publicaria um caderno sobre as ditas detenções, os leitores foram em massa comprá-la em papel e a tiragem subiu dos 80.000 na véspera para os 500.000 exemplares. Quem apanhou um exemplar terá em casa uma preciosidade, pois não só o Apple Daily deixou de imprimir-se como deixou de estar sequer acessível online. A China não brinca, mesmo nos territórios de Macau e Hong Kong...

Comentários

  1. Com a soberania dos estados não se brinca. Vamos ver como evolui a questão de Taiwan.
    Os USA também não toleraram quaisquer veleidades ao Texas, estado que declarou guerra a Hitler porque os USA estavam renitentes em fazê-lo. Os texanos tinham a garantia de independência porque a conquistaram ao México ao lado do exército nacional. Quando lhes foi negada lutaram mas sempre em perda como agora na China. Os últimos manifestantes texanos há poucos anos foram imediatamente presos e alguns desapareceram para sempre. Com a soberania dos estados não se brinca.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco6 de julho de 2021 às 07:03

      Não se esqueça que, Os Estados Unidos da América são uma federação de estados, que até há leis que vigoram nuns estados e noutros não. Por exemplo a pena de morte.
      Não me espanta o que conta, dessa declaração de guerra. Se calhar sendo votada no estado do Texas, pode até ter legitimidade, não sei... mas nos EUA tudo é possível, isso sei!

      Eliminar
  2. Se os "democratas" não gostam de ser criticados, o que dizer dos ditadores, que ainda por cima, têm demasiados meios para silenciar as vozes incómodas...

    Apesar de todos os avanços tecnológicos, nos últimos vinte anos temos assistido a um retrocesso civilizacional, que se tem vindo a agravar ano após ano, em matérias tão importantes como são os direitos humanos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco6 de julho de 2021 às 06:59

      Luis... parece-me que nesse aspecto, e tem você muitíssima razão, podemos estabelecer uma curva ascendente, talvez tenha havido um clímax , agora é de temer que entremos no anticlinal!
      Repare que o surgimento, que não me parece fruto do acaso nem de um pico civilizacional, do animalismo extremo, vai agudizar seguramente essa perda de direitos, se derem aos animalistas algum poder, como de resto se verifica fácilmente.
      Abraço.

      Eliminar
  3. António Luiz Pacheco6 de julho de 2021 às 06:54

    Notável como em pleno século XXI, há quem considere a China e a Coreia do Norte, Cuba, Venezuela como democracias...
    Notável, como perante estes exemplos, se bate no peito e pretende fazer acto de contricção do nosso alegado passado colonialista, esclavagista, do Santo Ofício, Estado Novo fascista... sei lá que mais. Como se hoje fôssemos perfeitos, mesmo quando se entregam os dados pessoais dos organizadores de manifestações contra regimes autoritários, em Portugal de 2021!
    Pela minha parte, vivo a vida como posso e na liberdade que me permitem ou consigo ter, pois há muitas formas de a não ter, inclusive a económica.
    Todos os regimes e governos anseiam por poder controlar a vida e o pensamento, dos que lhes estão submetidos ou são governados, é um facto sabido, é da história e o maior anseio de qualquer governante, por muito liberal ou democrata que seja ou se diga.
    Veja-se quantos de nós apontam o dedo a Israel, como se fosse de esperar que a Palestina venha a ser uma democracia livre, com iguais direitos para as mulheres e homossexuais, por exemplo, e, a exemplo dos seus vizinhos islamizados.. O mais espantoso é que quem acusa Israel e defende a Palestina, é exactamente acérrimo defensor daquilo que o Hezbolah não aceitará nunca.
    A mim deixa-me francamente espantado.
    Voltando à vaca fria (não à voadora), se vissem como os chineses aqui se comportam para com os seus conterrâneos, e, para com os africanos... creio que não haveria quem se penitenciasse pelo seu passado colonialista!
    Porém recorde-se que a China é uma ditadura comunista, o que deveria ser sabido. Com uma elite que se tornou capitalista, explorando os demais, isso não deveria ser esquecido, como me pergunto para quê clamar pela libertação do Tibet, porquê receber o rei de Espanha no Parlamento, sentados, porque ele não foi eleito, e, depois ficar em silêncio quando o representante do povo tibetano, o Dalai Lama, vem a Portugal e não é recebido pelo PR para não desagradar à China que nos comprou a EDP. Os mesmos que ficaram sentados, nada dizem, apesar de apoiarem o Tibete.
    São estas coisas que não entendo... nem nunca entenderei, mas que sei eu barrão, ainda por cima expatriado em África?

    Saudações cá da Cidade Morena.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O António Luiz é um sábio, não tem papas na língua, nem obediência ao politicamente correto. Obrigado pelo excelente texto e pela agudeza da reflexão, como que nos tem habituado.

      Eliminar
  4. Europeus preparem-se : a China está aí já , para nos dominar ...e não só economicamente . Que tal fazermos todos individualmente um boicote ao produto
    Chinês ?

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório