Verão Azul

Alguém aqui se lembra de Verão Azul, uma série de televisão espanhola para crianças e adolescentes que passou em Portugal nos anos 1980 e foi um fenómeno de audiências? Era excelente, mas é de outro Verão Azul que hoje vos falo, o nome dado a uma série de sessões relacionadas com a leitura de livros recentes que terá lugar em Portimão a partir de hoje por iniciativa da Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes. É, de resto, de Manuel Teixeira Gomes o livro Agosto Azul que deu origem a este Verão Azul portimonense que reunirá no Jardim 1º de Dezembro quatro pares de autores. Hoje às 18h30 será a vez de João de Melo e João Pinto Coelho trocarem galhardetes, ou seja, lerem passagens dos livros um do outro (respectivamente, Livro de Vozes e Sombras e Um Tempo a Fingir); mas em Julho os autores serão Ondjaki e Sandro William Junqueira; em Agosto, Lídia Jorge e Afonso Cruz no dia 13 e, uma semana mais tarde, os poetas Nuno Júdice e Luís Filipe Castro Mendes. Depois acabará o Verão, azul ou de outra cor, e a Biblioteca certamente anunciará outras actividades. Mas, se hoje estiver pelo Algarve, aproveite. São ambos excelentes romances para ouvir.

Comentários

  1. Excelente iniciativa, tem os condimentos para ter sucesso, isto é, para atrair pessoas em número razoável. Lembrei-me do sucesso que teem tido as participações de escritores nas Correntes d'Escritas, na Póvoa de Varzim.

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  2. António Luiz Pacheco24 de junho de 2021 às 03:21

    Num não muito distante Setembro de 2010, passei um mês na aprazível localidade (uma ilha) de Mali-Losinj, na Croácia, enquanto capitão da selecção portuguesa de pesca submarina para preparação e disputa do Campeonato do Mundo da modalidade em que os croatas e Mali-Losinj têm grande tradição e destaque.
    Calma, este preâmbulo aparentemente descontextualizado, já vai fazer sentido!
    A Croácia e Mali-Losinj em particular, revelou-se-me muitíssimo familiar, enquanto Mediterrâneo, a fazer lembrar o Allgarve - sim que Algarve é distinto, Carrapateira e assim...
    A arquitectura mista e curiosa fazia a diferença, enquanto clima, paisagem, turismo, gastronomia, as pessoas, tudo me fazia lembrar o nosso Sotavento. O turismo é a principal actividade por aquelas paragens, tudo gira à sua volta ou está para ele dirigido, porém muito bem orientado, sustentado, ordenado, organizado e outras palavras em "ado". Na época era uma das estâncias de eleição para italianos e alemães, com franco sucesso e diga-se que muitíssimo agradável e atractivo, pois longe do massivo, do betão, estava-se perfeitamente integrado na paisagem e na floresta, o que considero notável e de copiar! Só o "bora" o terrível vento gelado das montanhas podia estragar um dia ou outro, mas era aproveitar para outras actividades que não ao ar livre.
    Bom, além dos hotéis muito bons, dos restaurantes, bares, marina, lojas, de uma cidade fortemente turística e acolhedora (sem trânsito de carros, excepto para acesso à marina por exemplo) o que mais me marcou e até maravilhou, foi a oferta cultural diversificada, muitíssimo bem distribuída e organizada, que acabou por atingir as cerca de 28 selecções de pesca submarina que disputavam aquele mundial.
    Sobretudo à hora do jantar ou depois disso, tirando partido dos restaurantes ao ar livre e do convite aos passeios digestivos e relaxantes, pós-jantar e antes da hora dos bares, aconteciam:
    - Exposições de pintura, na zona ribeirinha, tanto em galerias como museus ou mesmo em plena rua, nas arcadas! Maravilhei-me, eu que aprecio e gosto de pintura. Os artistas eram convidados a expôr, constantemente, havia muitos de várias nacionalidades que por ali pintavam, estudavam... falava-se mesmo com eles.
    - Música! Havia coretos, ou pura e simplesmente nas praças se instalavam conjuntos musicais de todos os géneros, clássica e jazz imperavam, deleitando os passantes, quem estivesse na esplanada ou simplesmente quisesse assistir. Muito jazz, belíssimo, ali pude desfrutar, também em bares com música ao vivo. O jazz por lá marca pontos, diga-se!
    - Dança! Em qualquer espaço actuavam dançarinos, bailarinos...
    - Folclore. O rico e colorido folclore das Balcãs, marcava presença com a força.
    - Artesanato, sempre atractivo. Vendiam-se muitos CD's de jazz de artistas nacionais e todo o tipo de artesanato, com destaque para loiças, esculturas e têxtil.
    Nota: O meu sobrinho e a namorada apanharam boleia nossa, que fomos em 3 carrinhas com os barcos. Deixei-os no continente a passeio, com a cadela "mel", foram até às montanhas, andaram à boleia e de camioneta, acampando, e, acabaram em casa de um músico do famoso Emir Kusturica, onde assistiram a uma jam session na cave-estúdio do mesmo e ainda me trouxeram um CD original ali gravado! Foi a cereja no topo do bolo!
    Enfim foi um delírio, vos garanto, de princípio de noite muito bem passados, que a todos nós conquistou e desde o primeiro momento passou a ser o nosso serão, depois do jantar e antes de ir dormir, para dias de treino duro pois que ali se pesca a profundidades abaixo dos trinta metros, bem além daquilo a que estamos habituados no nosso Atlântico. Jantar, carrinha e íamos até lá abaixo - fazíamos batota pois tínhamos um livre-trânsito que nos permitia entrar na zona interdita e deixar a carrinha na marina, com o beneplácito tácito do guarda desta, um pescador submarino local com quem aliás fizémos amizade.
    Foram dias e noites Extraordinários!
    Ah... e as croatas são lindíssimas...
    São boas e sãs recordações, estas, que

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  3. Lendo o que escreveu o Extraordinário Pacheco e notando que foi Manuel Teixeira Gomes o inspirador do evento de Portimão - o seu livro e a biblioteca com o seu nome - acudiu-me à memória uma descrição de um pedaço da costa algarvia feita por Manuel Teixeira Gomes. Não me lembro em que obra foi mas sei que com ela invocava o Mediterrâneo e a costa da Grécia, sentindo-se bafejado pelos deuses por viver nela e dela poder desfrutar.

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    1. António Luiz Pacheco24 de junho de 2021 às 04:26

      Provávelmente leu "Regressos" , do referido e notável autor que hoje é aqui recordado.
      Confesso ser dele a única obra de que me lembro... e também tive de ir à procura!!!!
      Batota portanto... eheheh!
      Guardo para amanhã o resto, como se entenderá!
      O escritor e intelectual, foi daqueles portugueses surpreendentes, olhando àquilo a que parece ter-se estabelecido sermos nós, e, não somos, de todo!
      O Estado Novo criou o mito do povo de brandos costumes, submisso, beato, triste... como lhe convinha. Aliás a moderna esquerda, já mesmo depois da revolução de Abril, pretendeu manter esse mito, pois lhe convinha e convém igualmente, como se vem vendo. Coitadinho do pobre povo, humilde, ignorante, laborioso, manso... tem de ser orientado, temos de pensar e decidir por ele!
      Manuel Teixeira Gomes é justamente um dos muitíssimos vultos da nossa cultura e sociedade, até rural, que o desmente e prova o contrário. Os portugueses, nós, podemos ser surpreendentes a quem olhe para eles, nós, e, os estude e procure conhecer...
      É para isso que serve ainda a literatura, os livros! Incomodam com as memórias que mantêm!
      Um abraço cá da Cidade Morena, Amalivros de boa lembrança!

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  4. Manuel Teixeira Gomes era realmente talentoso e diferente. É dele a expressão 'Sinto-me livre como um passarinho" quando abdicou da Presidência da República, não se lamentando da cessação de apoio partidário após mais um golpe da Política. Foi dali para o norte de África, creio que para Argel, onde viveu num hotel até ao fim da vida. Afiança-se que a opção se deveu à facilidade em dispor de rapazinhos, satisfazendo a sua tendência de pedófilo. Colhi a informacão em Pulido Valente, espero não estar a difamar.

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    1. António Luiz Pacheco24 de junho de 2021 às 05:23

      Desconhecia esse detalhe... que também não sei se é verdade.
      Reconheço que é um feio detalhe, ainda que nos apedrejem os que celebram o orgulho em orientação sexual diversa, porém temos de saber separar a pessoa da sua obra, como vimos fazendo.
      Abraço!

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    2. António Luiz Pacheco24 de junho de 2021 às 09:25

      Fiquei cá a matutar nesta nossa breve conversa...
      Encontrei este texto, que me parece algo esclarecedor e bastante correcto.
      Para quem o queira ler, fica o atalho: https://www.cmjornal.pt/opiniao/detalhe/presidente-pedofilo

      Saudações cá da Cidade Morena!

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  5. Lembranças veraneantes de uma série infanto-juvenil que semeava no sonho e no imaginário das crianças um misto de alegria e de semente de fenómeno grupal saudável em que a Natureza e sobretudo o Mar constituíam o contexto ideal para o cultivo da amizade, do humor, do respeito pelo outro e pela diferença não faltando o exercício físico ("locomotivado" nas bicicletas) nem a música que continuava em pauta nas suas mentes.
    Verão azul que agora transmuta em direcção ao Sul para aprimorar a literacia no Estio em época (ainda) pandémica promovendo ( e bem) o cultivo in loco e presencial da leitura, do livro, dos autores, dos leitores , dos dizedores , dos expectadores.
    Louvável iniciativa.
    AM

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  6. Vivo em Portimão e faço questão de marcar presença em todas as sessões. Excelente iniciativa da Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes. Obrigada Maria do Rosário Pedreira por estar atenta ao que se vai passando neste mundo literário de Norte a Sul de Portugal. Um bem-haja para si!

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