Que há num nome?

Na sequência do que ontem aqui escrevi, é absolutamente legítimo que fiquemos contentes quando alguém de quem gostamos ganha um prémio literário. Mais ainda, se gostarmos do que essa pessoa escreve e da forma como o diz (voz linda a ler). E mais ainda se esse prémio não abarca apenas o nosso pequeníssimo Portugal mas todo o espaço Ibero-Americano. Pois é, a poetisa Ana Luísa Amaral, que conheço há pelo menos vinte e cinco anos e com quem me dou muito bem apesar de só nos vermos duas ou três vezes por ano, venceu um galardão de respeito: o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana! Um dos seus mais recentes livros, What's in a name? (sim, chama-se assim mesmo, em inglês, e a mim remeteu-me logo para a pergunta «Must a name mean something?» na Alice de Lewis Carroll, mas tem que ver com outras cosmogonias e reminiscências), já tinha sido o preferido dos livreiros espanhóis; e agora é a obra toda que é tão justamente premiada. Penso que neste século XXI é a segunda vez que o prémio, instituído em 1992, é atribuído a um poeta português, tendo contemplado Nuno Júdice antes de Ana Luísa Amaral. No século passado, só Sophia teve direito a ele. Parabéns, Ana Luísa Amaral.

Comentários

  1. Parabéns à Ana Luísa Amaral, poeta de que tanto gosto e a que não é alheio o facto de ela ser especialista em Emily Dickinson.
    Pois é, Rosário, lá se vai a teoria das capelinhas - que argumentos irão usar neste caso?

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    1. Deve ter sido cunha do Pinto da Costa !!!

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    2. Que ele gosta e diz muito bem poesia ninguém duvida...

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    3. Com coisas tão bonitas para dizer sobre o prémio de Ana Luísa Amaral, era necessário ir buscar o futebol e ainda por cima o personagem referido? Deixo o pormenor de que não tenho nada contra o futebol, bem pelo contrário, mas não são mais que suficientes as horas consecutivas de futebol que as televisões e os jornais nos impingem?
      As televisões estão repletas de palradores de futebol, de pandemias, sei lá mais o quê, apenas de cultura é que não temos assim tantos palradores, sim porque a cultura não dá audiências, nem vende jornais.
      Deixar também o apontamentezinho de que ,modo algum, me quero armar em censor de assuntos e de palavras, mas sendo de, há muitos anos, leitor destas horas, entendo que não devo aparecer todos os dias só por aparecer, mas misturar Ana Luísa Amaral com futebol, não me caiu bem.
      Apenas isso!

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  2. Às vezes há nomes que são mais que nomes; são pérolas nossas que voam longe.
    Parabéns à Ana Luísa Amaral .

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  3. Claro que é, Rosário (assim como o seu contrário...).

    Também gosto das palavras da Ana Luísa.

    E este prémio fica ainda melhor às mulheres que escrevem poesia... pela Rainha, pela Sofia. :)

    Fico sempre com a sensação de temos poetas muito bons, melhores que os de outros mundos, e melhores também que alguns dos nossos romancistas, mesmo aqueles que se acham do tamanho do mundo.

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  4. António Luiz Pacheco23 de junho de 2021 às 04:27

    Pois eu cá, não me coíbo de celebrar, ainda que nem conheça a poetisa nem seja leitor de poesia! Eheheh... parece que tenho de participar todos os dias, mas que querem, isto é como acordar, natural e desejado!

    Parece-me que estes prémios vão além do autor e sua excelência! No fundo é como o país ser campeão da Europa de futebol ou de pesca submarina (neste caso até mundial!) ainda que eu não ligue ao futebol e havendo muitíssima gente que não liga à pesca submarina, porém, sê-lo dignifica o país no Mundo e entre essas comunidades, literárias, poéticas, futebolísticas, da pescasub. Ora o Mundo é composto de muitas e variadas comunidades ou grupos de pessoas com interesses comuns, logo... Acho que nâo é preciso fazer um desenho.

    Sinto-me honrado com estas distinções, prémios e reconhecimentos, nem que seja sobre o maior mascador de pastilha elástica do planeta!
    Mais, acho que contribuem positivamente para a divulgação dessas actividades ou artes. Têm é de ser bem divulgadas, de forma ampla, pois são mais importantes do que aquilo que a actriz X pensa sobre um fait divers qualquer, ou as mini-férias do casal famoso Y !

    Saudações saudáveis e distinguidas, cá da Cidade Morena!

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  5. Pois é, agora vencerá todos os outros: o prémio António Ramos Rosa, por exemplo, ainda que o patrono esteja à porta a barrar a entrada à A.L.A; mas não é ele que tem a chave, claro. Daí que o que há no nome é o "amiguismo" dos jurados.

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    1. José Gomes Ferreira, o poeta que já ninguém lê, apesar de ter recebido alguns prémios, dizia que a arte não se premeia, persegue-se.
      Premiar obriga a uma escolha, uma escolha que envolve gostos, amizades, ódios, invejas, tendências, conciliábulos, boatos, especulações, política.
      Quando num longínquo 1983, o livro de José Cardoso Pires «Balada da Praia dos Cães» venceu o Grande Prémio da Associação de Escritores, estava ele a ver, na excelente sala do Apolo 70, o filme «Do Fundo do Coração» de Coppola, em detrimento de «Memorial do Convento» de José Saramago, resolvi nunca mais me chatear com o assunto.
      Porque nestas coisas, e outras, como dizia a minha avó paterna, quando os bailarinos não sabem dançar, adiantam sempre que o chão está torto.
      No fundo, um prémio é sempre um prémio. Quando, no tal ano de 1983, os jornalistas perguntaram a Cardoso Pires-lhe o que ia fazer com o dinheiro, com aquele sorriso só dele, respondeu:
      «Vou pagar impostos atrasados e algumas dívidas pessoais.»

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    2. Os Prémios são como a história do miúdo, do velho e do burro: impossível estarem todos de acordo...

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