O que ando a ler
Pedi este livro por correio a uma livraria independente quando ainda estava a trabalhar em casa. Tinha lido uma excelente crítica, já tinha visto outros elogios a esta autora mexicana que vive nos EUA e escreve em inglês, estava, em suma, curiosa. Porque houve muita gente a ler a mesma crítica, o stock esgotou e, por isso, a tal livraria avisou-me que Deserto Sonoro, de Valeria Luiselli, levaria tempo a chegar (e essa é, no fundo, a razão por que só o comecei muito depois de o comprar). Estou a lê-lo muito dividida: percebo-lhe uma bem-vinda originalidade na mecânica e gosto da tensão. É também sobre um tema importante: a separação das crianças dos pais quando os migrantes mexicanos entram ilegalmente na América. Sim o romance fala de um casal que trabalha com sons, que grava maneiras de falar, ruídos do ambiente, cantos de pássaro, palavras, dialectos, gritos... com vista a documentar trabalhos de investigação. Conheceram-se enquanto captadores de sons numa tarefa que lhes correu bem e acabaram por apaixonar-se e ir viver juntos: ela é mexicana, ele norte-americano; ele tem um filho de dez anos, ela uma filha de cinco. São os quatro uma família porque não existe outra mãe nem outro pai por perto. Mas eis que um dia ela se interessa por umas crianças mexicanas perdidas que atravessaram a fronteira para ir ter com a mãe e nunca mais se soube delas; e, ao mesmo tempo, ele se interessa por documentar as vozes emudecidas dos índios apaches, os sons de Geronimo, Cochise e outros índios mortos... É o trabalho dele que vence. Têm então de atravessar a América de carro com as crianças, e essa viagem vai sem querer distanciando o casal e tornando claro qual é o objectivo de vida de cada um. Ainda me falta bastante para terminar este Deserto Sonoro, mas, confesso, está a custar-me avançar. É muito provavelmente uma questão de gosto pessoal, uma vez que há mesmo muito pouco tempo este Lost Children Archive (o título original) ganhou o Dublin Literary Award e já tinha sido nomeado para uma data de prémios. Leiam-no se o apanharem e depois dêem-me a vossa opinião.
Esse livro "deserto sonoro" foi escrito por quem?! É um livro único ou faz parte de uma trilogia ou de um conjunto de livros?! Agradeço uma resposta rápida!!
ResponderEliminarJá identifiquei a autora. Não sei se faz parte de uma trilogia, mas é um romance independente.
EliminarValeria Luiselli.
EliminarBom dia, Maria do Rosário, se ler esse livro, dar-lhe-ei a minha modestíssima opinião, prometo.
ResponderEliminarTambém me aconteceu, com livros muito apreciados em geral, deixá-los deliberadamente a meio (nunca me forço a ler um livro que me está a aborrecer): “O perfume” de Patrick Suskind (este foi há uns 30 anos), Mrs. Dalloway da Viginia Woolf (durante o primeiro confinamento, se calhar foi disso), Cem Anos de Solidão do Gabriel García Marquez (não sei explicar, a história parecia repetir-se em círculos, entediou-me) e, mais recentemente, “A mulher de trinta anos” de Balzac.
Neste momento estou a ler “Maremoto” da Djaimilia Pereira de Almeida. Não está a ser o “derrubanço” que foi o “Luanda Lisboa Paraíso” (que para mim é uma verdadeira obra-prima), vamos ver como continua.
Boas leituras a todos!
Bem, pelo menos não fui a única a abandonar "Mrs Dalloway" e "A mulher de trinta anos". Quando não dá, não dá...
EliminarFaz muito bem Susana.
Eliminar(lembrei-me da "estupidez" que foi ler vários livros até ao fim, quando era mais novo e tinha a mania de "sofrer"...)
Já fui consultar o Google e a autora do livro e a mexicana Valeria Luiselli.
ResponderEliminarInfelizmente para mim,posso desde já dizer que não o vou ler.Parece-me demasiado trágico e que iria ferir a minha sensibilidade.Estou de acordo,como já exprimi,com o extraordinario Pacheco-chega de tristezas,deem-nos boa literatura,boas historias,transmitam-nos sentimentos,formas de estar na vida,estados de alma,mas sem nos arrastar para a tragedia e o drama inevitável.
O livro que estou a ler também chegou de uma livraria independente, pelo correio: Autobiografia Não Autorizada, da Dulce Maria Cardoso.
ResponderEliminarSão crónicas publicadas na Visão, que inicialmente as deixava ler mas depois parou, e eu pensei: hão-de sair em livro - e cá estão elas, e estou a adorar!
Como a editora é a Tinta da China, aproveitei para pedir também a última Granta, cujo tema é Sono/Sonho.
Os romances, por agora, estão de pousio...
Se puderem, ofereçam um livro a uma criança, que hoje é o dia delas.
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Maria
Tentava arrumar na estante "A Conspiração contra a América", de Phillip Roth que tinha acabado de ler e, não o conseguindo por insuficiência de espaço, procurei no segmento Moravia-Rushdie um livro que ainda não tivesse lido. Escolhi "Com Amor e Raiva", de Pratolini, que esperou pacientemente 19 anos para ser lido e assim criou espaço para entrar a "Conspiração".
ResponderEliminarDas memórias que vai tecendo entre os factos e situações que constituíram o tecido da sua personalidade, tenho gostado muito. Chegou o momento da relação amorosa que me está a deixar pouco entusiasmado. Bastante semelhante a outros, não tem a inventiva, a ingenuidade e a frescura das vivências de criança. Mas há outras personagens também muito interessantes de uma época muito rica socialmente, a Itália do pós-guerra em continua transformação.
O que estou a ler, duvido interesse a algum Extraordinário, ahahah, mas tem que ser e o que tem que ser tem muita força, este não dá para abandonar a meio, como bem entenderão:
ResponderEliminar"Contribuição para o estudo da pesca artesanal do polvo (Octopus vulgaris Cuvier, 1797) com covos, no sotavento algarvio: caracterização das capturas alvo, capturas acessórias e rejeições ao mar
Hugo Jorge dos Santos Ferreira Saldanha
Podem não acreditar mas é bem interessante... tem a ver com um projecto em que estou a trabalhar, que visa a captura e exportação de polvo desde aqui, Benguela e Namibe.
Entretanto estou a acabar o muitíssimo interessante "O príncipe do Congo" .
Enfim, devo confessar que considero um privilégio ter de ler para o meu trabalho, se não gostasse tanto de ler ia ser complicado!
Saudações octópodes cá da Cidade Morena!
Caro António Luíz Pacheco
EliminarRelativamente ao que anda a ler veio-me à lembrança os cheiros e sabores dos petiscos que se fazem com o polvo em Santa Luzia uma pequena localidade perto de Tavira. Parece uma heresia falar de comida e de petiscos num blog de livros mas é irresistível não me lembrar duns filetes de polvo ou de um arrozinho do mesmo ou mesmo de um polvo à lagareiro. Quem já passou por Santa Luzia sabe do que falo.
Depois falou do Namibe, antiga Moçâmedes,e logo me lembrei dos excelentes caranguejos das hortas que se comiam naquela cidade. Nos meus tempos de marinha mercante eram um petisco muito bom.
Perdoem-me os extraordinários por estes devaneios gastronómicos mas nem só de livros nos alimentamos.
E pronto! Com esta conversa fiquei cá com uma fome!!
Com um abraço daqui da margem esquerda do estuário do Tejo.
A.Delfim
Caríssimo e Extraordinário A. Delfim:
Eliminar- Ora essa! A gastronomia, os comeres, têm tudo a ver com os livros, pois que os há e muitos sobre o tema, logo portanto têm tudo a ver.
Além de que, as nossas memórias são igualmente livros, escritos dentro de nós que porém quase sempre dão corpo ou passam a escrita no papel! O que são os livros, se não as memórias de cada um ou colectivas, sob a forma de romance que inspiraram ou outro género literário que as publicam?
Este trabalho que ando a ler, foi feito justamente em Santa Luzia, a capital do polvo! Ou seja, não há que inventar o que já existe e como vê se mantém!
Os famosos caranguejos do Namibe, por aí continuam, saborosos, carnudos e suculentos! Vários dos meus clientes lá na Praia Amélia os pescam e processam ainda por meios mais ou menos artesanais ou semi-industriais de cozedura em panelões que lhes mantêm a qualidade de que tem memória! São hoje muito exportados para Taiwan, o líder é a SICOPAL, pescaria de uma valente família das que por cá ficaram, os Carqueja! Pai e filhos, gente de trabalho, sãos e de bons princípios.
Caranguejo e Cuca... também a Cuca ainda existe, como a Nocal e a Ngola, de que deve igualmente recordar-se.
Um grande abraço cá da Cidade Morena!
Depois de ler e ter gostado dos "Poemas Quotidianos" de António Reis (descobriu-se poeta antes de cineasta e depois "fugiu" da poesia...), estou já a mais de meio de "A Cara da Gente" de Baptista-Bastos. São pequenas histórias também do "quotidiano", umas melhores outras piores, mas de boa leitura (já me recordou a Maria Judite de Carvalho...).
ResponderEliminarDececionado com "Almoço de Domingo" de José Luís Peixoto, abandonei-o frustrado pelo contraste com o seu livro anterior "Autobiografia" que adorei. Pareceu-me um romance desfocado, vago, sem fio narrativo, palavroso. Sente-se que o escritor está deliciado com a construção das suas frases, mas não me tocaram. Mudei-me para um romance levezinho mas com muito enredo: "Terapia" de David Lodge.
ResponderEliminarArtur, Terapia é mesmo hilariante. Às vezes, também faz bem ler essas coisas leves.
EliminarVou a mais de meio do romance, e estou plenamente de acordo. Não vai deixar marca como Saramago mas ilustra a vida e as fantasias de um criador londrino de série televisiva inglesa dos anos sessenta.
EliminarAndo a ler, ou melhor, a reler O Homem do Casaco Vermelho de Julian Barnes, já que tinha lido a tradução francesa L'Homme en Rouge, que é, não só a biografia do Dr. Samuel Pozzi, mas também um retrato fascinante da Belle Époque; Desamigados, do António Mega Ferreira; Continuo com as Recordações da Casa dos Mortos de Dostoievski.
ResponderEliminarEstá a gostar!? É capaz de ser a minha próxima leitura!
EliminarRefiro me ao "o homem do casaco vermelho"
EliminarN°.16 da nova colecção Miniatura dos Livros do Brasil " UMA PAIXÃO SIMPLES" - ANNIE ERNAUX.
ResponderEliminarUm interessante livrinho de apenas 70 páginas.
Quem não viveu já uma paixão em que perdemos completamente à cabeça, não pensando em mais nada?
Todos os meus pensamentos vão para ela (onde estará agora? O que estará a fazer? Já passámos por aqui...)
Estou a ler "Os Indiferentes " de Alberto Moravia. Foi um livro que li na minha juventude. Já não me lembrava da história....
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