Mulheres

Há uns meses escrevi aqui que este é claramente o tempo das mulheres: nunca houve tanta preocupação com o destaque dado ao sexo feminino nas artes, nas letras, na sociedade em geral. Programas de rádio, antologias, exposições, livros, de tudo um pouco. E agora foi a Sociedade Portuguesa de Autores que resolveu dedicar às mulheres um livro: chama-se As Mulheres e a Cultura e contém vinte e oito depoimentos de variadíssimas figuras femininas de todas as áreas possíveis. Prefaciado por Gabriela Canavilhas, este volume reúne as reflexões sobre a cultura de Aldina Duarte, Alice Vieira, Ana Zanatti, Cristina Carvalho, Inês Meneses, Irene Pimentel, Mafalda Arnauth, Teresa Rita Lopes, Yvette Centeno e muitas mais (cantoras, escritoras, radialistas, cineastas...), oferecendo assim perspectivas certamente diversas sobre esse grande assunto a que se chama «cultura» e que é a palavra mais difícil de definir e explicar. O pretexto para o livro foi uma reunião de Sociedades de Autores e Compositores que se realizou em Novembro passado e que contou com a presença de Graça Fonseca, ministra da Cultura. Vamos lá ler o que dizem as autoras.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco18 de junho de 2021 às 02:24

    Já aqui me tinha chegado essa notícia... das Mulheres e a Cultura, em que finalmente vejo nomes conhecidos da e pela cultura, que não pelo... "culturismo" se é que me entendem, com as Ritas e as Cristinas das curvas que só dizem parvoíces, mas dizem-nas convictamente há que reconhecer!

    O tempo da mulheres... concordo plenamente.
    Mas o tempo tem de ser da humanidade, dos seres humanos em geral, numa sociedade evoluída e civilizada.
    Ontem mesmo assisti e protagonizei um desses lamentáveis momentos em que o tempo das mulheres é outro, e, francamente mau. Não posso evitar deixar aqui o relato:

    - Aqui na rua onde moro actualmente, a que chamo "Rua do Jair" por ser onde mora o meu bom amigo e grande empresário benguelense Jair Rodrigues, mesmo no centro moderno e atrás da da Sé Catedral, na chamada rua Dr. Amílcar Barca da Cruz, tranquila e sossegada, a 50 metros da minha moradia, há um barzinho daqueles de quintal, muito comuns em África, uma barraquita encostada ao muro do jardim e a partir de onde se vendem bebidas. Quem o possui e explora são umas jovens que só conheço de vista, duas... mas costumam estar por ali uma meia-dúzia de desocupados habituais. Não perturbam nem incomodam, fecha cedo, mesmo ao fim de semana e não fazem barulho, ao contrário do que se passava na minha anterior moradia na rua Domingos do O.
    Esta tarde, regressando do escritório na Baía Farta, eram umas 16.30, entro na rua pelo lado da Farmácia Impala. Como últimamente acontece, a polícia anda a perseguir as zungueiras e a rua estava cheia delas, fugidas à insana, estúpida e inexplicável sanha policial - nenhum polícia deve ter irmã, mulher ou mãe zungueira, creio que deve fazer parte dos critérios de selecção, e, afinal os polícias são iguais em todo lado. Claro que em Angola o crime organizado, por parte das zungueiras deve ser o principal factor de instabilidade e insegurança, em Benguela!
    Bom, o que eu vi é que, estava tudo a olhar lá para a frente, incluindo o meu guarda, e se ouviam gritos, de raiva e aflição ao mesmo tempo.
    Fazendo a manobra de aproximação à minha entrada, vi que uns metros à frente, no passeio, em frente do tal bar e perante várias outras pessoas, estava um gajo ajoelhado em cima de alguém, a desferir-lhe murros furiosos... percebi que era numa mulher, deitada no chão e a espernear.
    Passou-me uma coisa pelos olhos, confesso... Acelerei a Mazda BT 50 para cima daquilo e o fulano, surpreendido saltou, com a aceleração e travagem! Foi então agarrado por dois assistentes que o retiraram de cima da moça.
    Deitei a mão a uma moca que tenho ao lado do banco e saltei do carro, direito a ele... capaz de lhe partir um braço ou perna!
    A sorte dele (e minha) é que recuou... eu dei-lhe um soco no peito que o fez recuar ainda e perceber que era a sério, ameacei-o com a moca: Que homem és tu que bates numa mulher assim?
    Se se movesse, levava logo no braço... garantido, que tirei logo as medidas. Nestas coisas não brinco.
    Meteram-se à frente, ele que me pareceu bêbado (aqui diz-se chupado) mas nem tanto, recuou, levantou as mãos.
    Insultei-o, estava capaz de o derreter, palavra... a malta tentou meter-se e ele acabou por se afastar, rua fora.
    A moça, toda esmurrada, cheia de sangue... pus-me a descompor o pessoal todo, como era possível assistirem e tolerarem aquilo!
    Chamem a polícia, mandei! Aliás peguei no telefone liguei ao meu amigo Quim da polícia de investigação. Que ia ligar à polícia e mandar uma unidade!
    Quem era a besta? Ó mais-velho, me diziam, cota, não vale a pena, mora mesmo aí em frente, é confusionista, já levou porrada, não dá... faz sempre isto.
    Ao que percebi , estava grosso, a moça não lhe quis dar mais bebida... não é a primeira vez que agride as raparigas!
    Vamos ver... se lhe bato, sou expulso... mas espero que a polícia entenda que há coisas mais importantes que perseguir as vendedeiras ambulantes. Ou o rufia , o maior da rua vai ter de levar comigo.

    Ainda é assim, aqui e em toda a parte, pelo que

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    1. Tanto que o amigo António Luiz Pacheco tem para contar. Um dia será a vez da expressão literária da substância, do conteúdo, da vida em movimento, em detrimento da evanescente forma da recorrente forma de paupérrimo conteúdo.

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    2. Tanto que o amigo António Luiz Pacheco tem para contar. Um dia será a vez da expressão literária da substância, do conteúdo, da vida em movimento, em detrimento da evanescente forma... da recorrente forma de paupérrimo conteúdo.

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  2. Não gosto deste tempo ser o "tempo das mulheres", como também nunca me senti confortável no "tempo dos homens".

    Gosto sim do tempo dos humanos, sejam eles mulheres, homens, de cor preta, amarela ou branca, homossexuais transexuais ou heterossexuais, etc.

    Gostava mesmo era que chegasse o tempo da humanidade...

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    1. Nem mais, Luís Eme. É esse o tempo maior a que devemos aspirar. O tempo da simplicidade e da solidariedade humana, tão distinto do da arrogância, da ambição, da maldade e da ingratidão. É esse também o lugar onde devia estar a literatura, pois ela uma forma privilegiada de reescrita humana.

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    2. «pois ela é uma forma privilegiada de reescrita humana.»

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    3. António Luiz Pacheco18 de junho de 2021 às 05:09

      APLAUSO!!!!!!!

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  3. Aplaudo eu estes senhores que me poupam na escrita.
    Abraço e beijinhos

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