Irmãos de sangue

Gosto muito de um programa da TSF da jornalista Teresa Dias Mendes chamado Uma Questão de ADN. Trata-se de uma conversa com duas ou mais pessoas da mesma família. Lembro-me de muitas das emissões que ouvi ao fim da tarde, quando ia de carro para casa e o programa era a essa hora, entre elas, por exemplo, uma conversa muito boa entre três primos direitos (a cantora Capicua, o ministro João Pedro Matos Fernandes e o actor Pepê Rapazote). Sempre pensei que, se um dia me convidassem, queria ir com o meu irmão Jorge, e foi isso que aconteceu ontem, em que fomos gravar o programa (que passará na próxima quarta às 13h). Este meu irmão é o mais próximo, cerca de um ano e meio mais velho, e logicamente é aquele ao lado de quem vivi a infância e a adolescência (temos amigos comuns), aquele com quem estudei à noite quando andava na faculdade (andávamos na mesma instituição, embora em cursos diferentes), uma das pessoas que mais coisas me ensinaram e uma das pessoas de quem mais gosto. Ele também escreve poesia mas acabou por nunca publicar. Falámos disso no programa. Se ele se tivesse estreado antes de mim, ter-me-ia eu atrevido a dar o passo?... E a crítica, se ambos tivéssemos publicado, conseguiria resistir a não nos comparar? Ao pensar nisto, faço-me várias perguntas: Que terá sentido Gonçalo M. Tavares quando José Gardezabal começou a escrever e publicar livros que (ouvi dizer, não li) são parecidos com os seus? As irmãs Brontë teriam ciúmes umas das outras? E Gerard e Lawrence Durrell? Mais do que os irmãos Grimm, imagino... Mário de Carvalho e as duas filhas (Ana Margarida de Carvalho e Rita Taborda Duarte) serão um trio pacífico? Alguém se lembra de mais irmãos escritores?


P. S. Na sexta não há post, vou aproveitar o feriado para tirar uns dias e acabar um texto. Até para a semana.

Comentários

  1. Deve ser grande fardo um escritor talentoso nascer filho de um escritor consagrado. Estou a pensar nos dois Alexandre Dumas, em que do filho só sobrevive "A Dama das Camélias", enquanto que do pai há uma boa dezena de livros que continuam a ser lidos, a começar pelo "Conde de Monte Cristo".

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco2 de junho de 2021 às 05:27

      Os saudosos e saudáveis Parodiantes de Lisboa, anunciavam no seu "Teatro Trágico", uma daquelas suas peças adaptadas de um clássico e referiam o autor: Alexandre Dumas filho, e, doutras pai!
      Nunca mais me esqueci dessa, ahahaha!

      Eliminar
    2. António Luiz Pacheco2 de junho de 2021 às 05:29

      Os saudosos e saudáveis Parodiantes de Lisboa, anunciavam no seu "Teatro Trágico", uma daquelas peças adaptadas de um clássico e referiam o autor: - Alexandre Dumas filho, e, doutras pai!
      Nunca mais me esqueci dessa, ahahaha!

      Eliminar
    3. Bela piada ! Que saudades dos Parodiantes de Lisboa .

      Eliminar
  2. Lembro-me de alguns casos em que (ainda que não restritos à escrita) a ligação às artes parece ter sido influente, não só nos laços familiares mas também na produção artística de cada um. O poeta Nicanor Parra e os seus irmãos músicos: Violeta Parra, Roberto Parra Sandoval, Lalo Parra, Hilda Parra e Lautaro Parra. A relação entre o escritor Robert Walser e o seu irmão pintor Karl Walser, que fez com que a pintura fosse uma fonte inspiração essencial para o escritor. Importa lembrar também Virginia Woolf e a sua irmã Vanessa Bell. Não esquecer os irmãos Caetano e Bethânia. Também o pintor Alberto Manrique (Canárias) tinha um irmão poeta. Curioso seria perceber se a Arte está no ADN. Boa semana. Susana

    ResponderEliminar
  3. Lembrei-me de José Régio e do irmão Saúl Dias.

    ResponderEliminar
  4. António Luiz Pacheco2 de junho de 2021 às 05:40

    Creio que há casos em que as famílias têm no seu ADN a arte, até por gerações.
    Olhem a nossa Extraordinária Cristina Carvalho (se me apanha a jeito vai cantar-me poucas, vai...) que filha de poeta, é escritora e mãe de um músico muito talentoso, avó já de talvez dois futuros músicos...
    Conheci muito bem a família Silveira, cujo pai o Maestro Luiz Silveira (a quem devo o meu nome), pintava muitíssimo bem... dos filhos o João Luiz foi violinista e a Maria Georgina além de pianista, desenhava e pintava muitíssimo bem, tendo sido mulher do escultor Anjos Teixeira (filho). Parece-me outro caso... o neto dele, filho da Maria Georgina e pouco mais novo do que eu, também é violinista.
    Os Ribeiro Telles na sua arte equestre são outro exemplo, ou a família Moura e Caetano que têm já seguimento.
    Há bastantes mais casos... não é raro, creio eu e deve mesmo ser genético!
    Algum sobrinho da Nossa Extraordinária Anfitriã, verseja?

    Saudações genéticas cá da Cidade Morena!

    ResponderEliminar
  5. Âs vezes o ADN corre no sangue do corpo e nas veias da alma e ainda que a crítica faça comparações nada mais gratificante que o elogio dirigido à irmandade.

    ResponderEliminar
  6. Acho interessante indagações deste tipo, o mesmo não digo quando, para um programa qualquer, juntam 3 ou 4 figuras públicas. Estou farto das insistências em mediáticos para serem ainda mais mediáticos. E se for o caso de jornalistas convidarem jornalistas, aí o copo extravasa. Não ouço nem vejo, não tem interesse ouvir ou ver pessoas que dizem todas basicamente o mesmo, vsto que a prática mediática engloba e absorve tudo sob a mesma ideologia.
    Ups, fugi do assunto, que era ADN, genética.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco2 de junho de 2021 às 07:10

      Pois fugiu... eheheh! Mas, não deixo de concordar consigo por isso.

      Eliminar
  7. António Luiz Pacheco2 de junho de 2021 às 09:23

    Desculpem vir aqui de novo e atrasado... mas andava aqui um bichinho a roer-me, sabem quando há um cantinho da nossa memória onde fica qualquer coisa que ficou por dizer ou fazer, ou descobrir... pois foi o que me andou a roer, apesar de entretido com o meu trabalho!
    Lá fui investigar melhor... e venho aqui lembrar um Grande Nome que anda muito esquecido do nosso meio literateiro: Teixeira de Pascoaes, justamente por falarmos hoje em sangue, ADN, genética e irmãos criadores, artistas!
    É que este nosso grande pensador, filósofo e poeta, escritor, de seu nome Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos, nascido em Amarente em família de gente culta, teve um irmão que foi caçador em Moçambique e deixou uma belíssima obra escrita: Memórias de um caçador de elefantes. Conheço a obra, claro, e até conheci um grande caçador-escritor, de renome mundial, o famoso sr. José Pardal, que ainda o conheceu pessoalmente. João de Vasconcelos!
    Ainda teve uma irmã, que foi pintora e deixou obra inspirada nas palavras do irmão, que foi um apaixonado pela Natureza e o Marão em particular: Miquelina Vasconcelos.
    Portanto e como disse antes, há casos assim, mais e até bastantes...
    Serviu isto para recordar Teixeira de Pascoaes!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De Teixeira de Pascoaes (A uma Ovelhinha):

      Entre as meigas ovelhas pobrezinhas,
      que eu guardo, pelos montes, uma existe
      que anda, longe, balindo, sempre triste,
      e vive só das ervas mais sequinhas..

      Que pressentes na alma? que adivinhas?
      Etérea voz de dor acaso ouviste?
      Que foi que tu, nas nuvens, descobriste?
      Não és irmã das outras ovelhinhas!

      Sobes às altas fragas escarpadas,
      e contemplas o sol que desfalece
      e as primeiras estrelas acordadas...

      E assim páras, a olhar o céu profundo,
      faminta dessa relva, que enverdece
      os outeiros e os vales do Outro Mundo.

      Não creio que empatizasse muito com a desumanidade de um caçador de elefantes.

      Há irmãos e irmãos...

      Eliminar
    2. António Luiz Pacheco7 de junho de 2021 às 01:47

      E há opiniões e opiniões... tal como os umbigos, cada qual tem a sua!

      Vá a este link e leia sobre o desumano caçador de elefantes, se quiser ser esclarecido, mas pode continuar na sua negra ignorância do ódio ao que não entende nem encaixa na sua formatação moderna e urbana, insensível!

      https://web.facebook.com/CasaDePascoaes/

      Saudações cá de Terras de África

      .

      Eliminar
    3. Fui ler.
      E não gostei à luz da actualidade. Li-o à luz daquele tempo.
      Sou hodierno, rural e sensível.
      Hoje, matar outros animais só deveria ser permitido em casos de necessidade, para matar a fome.
      Matar por diversão deveria dar PRISÃO.
      Matar elefantes deveria dar pena capital.
      Como não dou tempo de antena a caçadores que não cacem apenas para matar a fome, ficamos conversados.
      Não lhe dou mais tempo de antena, caro António datado, antropocêntrico e, como é óbvio, insensível.

      Eliminar
    4. António Luiz Pacheco7 de junho de 2021 às 12:52

      Bom... e eu não dou conversa a animais!
      Logo conversados estamos. Já viu que a única vez que aqui vem é para desconversar?

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório