Excerto da Quinzena
[...] Briony também se levantou e, ao fazê-lo, deu outro dos seus gritos penetrantes de criança. Tirou um envelope do assento de Jackson e pô-lo no ar para o mostrar a toda a gente.
– Uma carta!
Ia abri-la. Robbie não conseguiu deixar de perguntar:
– Para quem é?
– Tem escrito: «Para Todos.»
Lola libertou-se da tia e limpou a cara com o guardanapo. Emily afastou-se um pouco mais de Lola ao retirar o bocado de papel pautado. Quando o leu, Robbie e Cecilia também puderam lê-lo.
Vamos fujir porque a Lola e a Bettu são orríveis para nós e queremos ir para casa.
Desculpem termos robado fruta. E tamém não houve peça.
Tinham assinado os seus nomes com uma letra ziguezagueante e cheia de floreados.
Ian McEwan, Expiação, tradução de Maria do Carmo Figueira
Um dos meus livros preferidos!
ResponderEliminarObrigada por ter trazido este excerto.
Ass. Silvia Cardoso
"Camilo ia nos 16 anos...Acresce que sendo um rapaz vivo ,esperto, muito sociável, não era bem-parecido. Antes feio, se não antipático. As bexigas tinham-lhe lavrado o rosto ia nos 7 anos, e semeado na fisionomia uma areia miúda em que se perdia o encanto e donaire do clarão interior. Foi sob este estigma que começou a subir o calvário. As mulheres não gostavam dele. A sua crónica de D. Juan e sedutor é uma patranha urdida à margem da realidade psicológica e objectiva.
ResponderEliminarConta Ludovico de Meneses, por tê-lo ouvido "in loco", que as raparigas daquelas terrinhas altas faziam dele gato-sapato, não se ensaiando para o correr à pedrada, fugindo, gritando:-Feião! Ó feião!
..."Ana Plácido, se estava em Seide, mandava a sua recoveira Emília Cláudia, uma raparigota de perna rúbida ao léu, levar-lhe as cartas. Foi com ela que Ana Plácido teve a frase luminosa:- Não sabes quem é o senhor Camilo? Eu te digo, é o homem mais feio que lá vires (no Café do Gato) com ares de quem está à espera!"
Aquilino Ribeiro- O Romance de Camilo
Que maravilha, como é rico e visual o Aquilino.
EliminarAquilino é como uma fonte de palavras, um rio que corre em torrente!
EliminarMaravilha-me a sua escrita!
«Este vento, o vento que sopra às revoadas mansas e pegajosas vindas do mar, é um vento cheio de cheiros que recordam histórias, cheio de histórias como um baú acabado de abrir, dos que só dão à costa trazidos pelos cheiros do vento.
ResponderEliminarSem pianos, sem sereias.
Quando é tempo delas e o vento mas oferece, entretenho-me a descascar as ervilhas-de-cheiro dos outros cheiros todos, para dar uma volta pelo jardim-escola; outras vezes, deixo-me temperar pelo manjericão, o jasmim, a hortelã, para vogar neste vento tão pegajosos e tão atlântico até ao porto de Tânger.
Sou dos que acreditam – eu acreditei, a pés juntos, que um dia passei a estar «onde vejo o vento» -, e o vento tem-me seguido como uma sombra, fiel e dedicada, com um comportamento onde me reconheço e por isso nos confundimos; muitas vezes penso que tenho andado enganado e, afinal, não passo da sombra do que se entende como sombra.
E que ninguém se atreva a esperar por parágrafos de ferro forjado, como «sombra da minha sombra»; deixemo-los sossegadinhos para os teclados eruditos de quem gosta de se considerar e que se lhe chame escritor, debruçado sobre lombadas com malvas a aviar escrita e importância, notoriedade, sôfregos de eternidade.
Nunca me passou pela cabeça a canseira, a ansiedade que deve ser escolher a escrita por figurino, por catálogo, e continuo a escrever pelo puro prazer de escrever, sei lá se é poesia ou sei lá se é prosa, só sei que continuamos a brincar às escondidas, a curtir, quando não é uma urgência de fazer doer a alma a qualquer um.
E eu que o diga, a sério.
O vento é uma boa desculpa, podia ser um belíssimo pretexto se, entretanto, não me desse por contente com o que acabo de escrever e, precisamente por isso, vou mas é até lá fora sentar-me ao sol e deixar-me ficar só a ver o vento.
É que a escrita perde sempre piada quando a literatura começa a intrometer-se, quando permitimos que a literatura comece a meter o bedelho.»
Jorge Fallorca em «Blues Para Uma Puta Velha», Pág.11 & etc, Lisboa, Março de 2010
Não conhecia, mas desperta-me a vontade de o ler!
EliminarObrigado pela partilha, um abraço cá da Cidade Morena!
Queria uma árvore, uma árvore carregada de pássaros. Havia uma aqui na rua, mesmo em frente da janela do meu quarto, não havia estação que não passasse por ela, não havia ave que ali não pousasse para me despertar. Derrubaram-na para arrumarem mais automóveis. Havia um pessegueiro nas traseiras da casa, quando floria era um poema japonês. Deitaram- no abaixo, fizeram um telhado de zinco. Este país odeia as árvores; quando não as arranca, deita-lhes o fogo.
ResponderEliminarEugénio de Andrade - Entrevista ao Diário de Notícias, 24JUL83
Este exceto é um fantástico e necessário soco no estômago. Que lucidez!
EliminarE que boa ideia tê-lo aqui trazido! (obrigada)
*excerto.
EliminarOlá Susana,
EliminarMas a Câmara do Porto redimiu-se e plantou uma nova árvore em frente à casa do Poeta.
Foi uma história que terminou bem :-)
🌼Maria
(sim, a que adora a Marble)
Olá Maria! Que bom encontrá-la aqui! :-)
EliminarEssa da árvore à porta do poeta é uma excelente notícia! Mas de facto, em boa verdade, há que reconhecer que nos últimos tempos se tem visto uma grande evolução no que toca a árvores e outras verduras na cidade, muito felizmente! A propósito disto, há dias ouvi na rádio que um certo grupo de ovelhas ia ser colocado pela câmara de Lisboa em locais onde há erva a crescer, para procederem naturalmente ao seu desbaste; uma belíssima maneira de manter a cidade arranjada sem se produzir os ruídos horríveis das máquinas usadas para o efeito e, pelo caminho, entreter os transeuntes. Adoro estas coisas.
Susana, eu já ando por aqui desde 2012, o Horas da Rosário é uma droga que não dispenso :-) embora tenha períodos em que não comento.
EliminarGostei muito do seu entusiasmo quando descobriu o blogue, gostei mesmo.
Para ler a história da árvore do Eugénio basta googlar "Lódão Eugénio de Andrade Correio do Porto" com foto e tudo. É uma história linda: ele disse ao presidente da câmara que em vez da medalha da cidade preferia ter de novo uma árvore em frente à sua casa na Rua Duque de Palmela, 111.
E teve, mas com a criação da Fundação na Foz do Douro, mudou-se para lá e da janela do piso superior tinha uma vista soberba (a copa de uma palmeira com o mar ao fundo) que lhe dava a ilusão de morar a sul, aquele sul que ele tanto amava e que tão bem descrevia na sua poesia.
Quanto às ovelhas, eu tenho ideia de já ter visto há anos na rotunda da Praça de Espanha um pastor com um rebanho.
Também gosto imenso destas coisas.
Bom fim-de-semana, Susana!
🌼Maria
"Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Gregor Samsa viu-se na sua cama, metamorfoseado num monstruoso insecto."
ResponderEliminarFranz Kafka, 'A Metamorfose' [trad. João Crisóstomo Gasco, Colecção Mil Folhas, Público]
Grande grande livro, grande autor!
Eliminar"Na sua mocidade, Stoner, imaginava o amor como um estado absoluto do ser ao qual uma pessoa, se tivesse sorte, podia aceder um dia; na idade adulta, decidira que era o paraíso de uma falsa religião, que uma pessoa devia encarar com uma divertida incredulidade, um suave desprezo familiar e uma nostalgia embaraçada. Agora, na meia-idade, começara a perceber que não era nem um estado de graça, nem uma ilusão; via-o como um a(c)to humano de conformação, uma condição que era inventada e alterada de momento para momento e de dia para dia, através da vontade, da inteligência e do coração."
ResponderEliminarLivro: "Stoner" de John William. E que maravilha de livro... Se me permitem, recomendo vivamente.
Celeste Silveira
Sim, maravilhoso.
EliminarSem dúvida, é um livro Extraordinário , Extraordinária Celeste!
EliminarCumprimentos cá desde a Cidade Morena.
STONER - Um dos melhores livros que li até hoje!
EliminarTambém gostei muito desse livro, Celeste. E parece que foi "encontrado" quase por acaso, já o autor teria morrido. Que pena.
EliminarSim. Depois de ler o livro, na passada quarta-feira de madrugada (acredita que eu não o conseguia largar, mas também tinha pena de o acabar?), fui tentar saber mais sobre o autor e a sua obra. Soube que tem mais três monografias. Que eu quero também muito ler. E sim, observei que muita gente achou que o Stoner teve uma vida triste, onde nada acontecia... pois eu acho que nada há de mais errado. A esposa era algo psicótica, sim... mas naquele tempo, com a educação dedicada às mulheres da sua classe social... (e a todas as outras mulheres de uma forma geral, porque não dizê-lo), o que é que de muito diferente se poderia esperar?
EliminarMas o Stoner tinha a melhor profissão do mundo, estava absolutamente "mergulhado na literatura" e para ela, ele vivia. Adorei o livro. Consegui estabelecer paralelismos entre o que ali li, com tantos outros detalhes de vivências que eu conheço. Consegui estabelecer até, veja bem, paralelismos com a minha própria existência. Ninguém conhecia o Stoner, ninguém conhece outros tantos anónimos, ninguém me conhece a mim... mas existimos, temos histórias, e muitas vezes entregamo-nos de corpo e alma às nossas causas. E, depois muitos de nós, somos igualmente abençoados porque fazemos profissionalmente aquilo que mais amamos. Eu adoro quando isso acontece. Quando um livro me provoca, quando um livro literalmente me arrebata. E o Stoner e toda a sua envolvência, brilhantemente descrita neste magnifico livro, vai fazer parte para sempre de mim. É pessoa/personagem que eu recordarei para todo o sempre. E é tão bom quando isso me/nos acontece. E sim, foi neste blogue que eu me apercebi pela primeira vez da sua existência. E só foi lido agora, porque fazia parte de uma lista "quilométrica" de livros que eu quero muito ler, e que vou conseguindo ler. Boas leituras para todos os Extraordinários. Bom fim de semana para todos, muito especialmente para a nossa dedicada, sempre atenta e excelentemente bem documentada anfitriã. Que nos dá excelentes recomendações literárias. E cumprimentos especiais também para o Extraordinário da Cidade Morena.
Celeste Silveira
Muito obrigado pelo seu bonito e interessantíssimo comentário, como por me distinguir!
EliminarBom fim de semana!
Que resposta maravilhosa ao meu comentário, Celeste! Muito obrigada!
EliminarEu já li o Stoner há uns 4 anos talvez, mas lembro-me de ter ficado com muita pena de ter acabado o livro e também de ter achado isso que a Celeste refere de ele ser um anónimo, como sou eu também e, embora no meu caso não tenha estudado nada ligado à literatura, o livro fez-me sentir muito identificada com o personagem. É um livro que nos afaga, nos faz companhia por dentro. E que bom recordá-lo.
E agora, só por curiosidade (e porque as conversas são como as cerejas) - lembro-me muito bem de a seguir ao Stoner ter lido "O Pintassilgo", livro de que também gostei muito, embora num estilo diferente. Leu-o, Celeste? (se calhar está na sua lista quilométrica).
Um abraço para si, outro para a nossa querida anfitriã que nos atura aqui a conversar uns com os outros e nos faz tão boa companhia com os seus posts (o fim-de-semana até custa a passar, sem posts) e também para todos os Extraordinários, com destaque - apanhando boleia da Celeste - para o António Luiz Pacheco, que me entretém tanto e graciosamente com os seus comentários plenos de entusiasmo! (é uma qualidade que aprecio especialmente nas pessoas: a capacidade de se entusiasmarem)
Stoner é um excelente livro. Do autor li também, no verão passado, Augustus que penso foi o último livro que escreveu ( 1972), Adorei. Se gostaram de Stoner não deixem de ler Augustus.
EliminarGosto muito deste cantinho literário. Boas leituras!
Teresa Biu
Querida Extraordinária Susana:
EliminarMuito obrigada pelas suas elogiosas palavras. E que bom que é falar de livros. O Stoner marcou-me de uma maneira muito especial. Como diz, revi-me nele.
E sim, também já li o Pintassilgo. E também gostei bastante. Numa perspectiva bem diferenciada, mas também de alguma maneira à volta das artes. Dos objectos belos. E das situações mais adversas... Cá está, lembro-me perfeitamente da História. O que nem sempre acontece com livros de que também gosto muito, vá-se lá saber porquê. Por evitar isso escrevo resenhas, pinto gravuras alusivas... enfim como uma anónima, de bem com a vida e "mui coca bichinha dos livros". E que eles nos continuem a maravilhar por longos e muito saudáveis anos. Que a pandemia se vá e que os contactos sociais voltem a ser amplamente possibilitados. E depois, é como diz, excelente espaço este que nos permite falar de livros. Por mim falo, nem sempre o farei da forma mais acertada, mas é da forma que eu senti.
Boas e muito reconfortantes leituras para todos.
Celeste Silveira
Sim. Esse também vai para a lista. Muito obrigada pela sugestão.
EliminarCeleste Silveira
Permitam-me:
EliminarPode parecer estranho esse sentimento de pena ao terminar um livro, mas só se o objectivo de ler fosse o chegar ao fim!
Já se falámos nisso, aqui!
Não, um grande livro é exactamente aquele em que se chega ao fim com pena, porque saímos de cena...sei lá. porque fizémos amizade com os personagens.
Acabar um bom livro, é morrer um pouco, acho eu traça dos livros!
Já morri tantas vezes que acho me tornei imorredoira!
Sim, concordo em absoluto. Ler para mim um bom livro... melhor ler para mim um excelente livro, daqueles a que nós costumamos "atribuir 5*", é para mim uma experiencia quase transcendental. Lemos, e estamos absolutamente imbuídos naquela história, adoramos estar a conhecer aqueles personagens. Que, ficam com contornos de gente real. De gente que existe e que "nos quis, quer e quererá bem". Gente que nos soube transmitir algo que nos chegou à alma. Que acreditamos ter chegado ao nosso pleno conhecimento. Ter respondido aquela questão que nem sabíamos que um dia iriamos formular. Preencheu até um qualquer espaço interno até ali desabitado. Permita-me o exagero, mas chegar ao fim da leitura de um desses livros, sinto que também algo morre em mim. Fico pesarosa por ter de deixar de conviver "na intimidade", com essas verdadeiras pessoas. Saber-lhes dos pensamentos... das intenções.... Quando eu encontro um destes livros fico felicíssima. É como se tivesse, perdoe-me mais uma vez o exagero, encontrado algo absolutamente excepcional na minha vida. Que fez, faz e fará para todo o sempre, toda a diferença. E que posso sempre reler, como é evidente. Porque o "sentimento" primevo? Esse vai permanecer.
EliminarBoas leituras!
Celeste Silveira
Não conheço quem não tenha gostado do Stoner. Li-o há uns anos (assim que saíu) e vou querer ler o Augustus.
EliminarAgradeço a sugestão.
🌼Maria
Falou-se ontem do polémico todavia grande vulto da nossa cultura literária, homem de fina sensibilidade, Manuel Teixeira Gomes.
ResponderEliminarÉ reputado pelas suas descrições, podendo ser visto como um escritor viajante.
Dele conheço "Regressos", onde assumo que me revejo desde que o li já lá vão bastantes anos, atraído justamente pelas descrições e pela comunhão de sentimentos em ver o que ele viu ou como via.
Este excerto que consegui recolher na internet, creio que resume e exemplifica de modo Extraordinário, aquilo que digo e que sinto, também.
Creio que qualquer de nós que tenha viajado e sobretudo conhecido a condição de expatriado, revê-se naquilo que posto em seguida:
“ Reverter à nossa própria terra, de memória, e sem outro auxílio além do precário interesse que deriva da renovação caprichosa de velhas sensações pitorescas, e isso quando vivemos longe, em ambiente de costumes e cenário muito diversos, e nos referimos particularmente a povoações ou sítios vistos de fugida, constitui uma espécie de «exotismo às avessas». “
REGRESSOS – Manuel Teixeira Gomes
Regressaremos todos algum dia… para já que regressemos a um proveitoso Fim de Semana, são os meus votos cá desde a Cidade Morena!
MESA DE TRABALHO
ResponderEliminarÀ minha frente, uma tesoura para cortar
o verso; ao lado, uma lupa para aumentar
o tamanho da hipérbole ; mais atrás, o agrafador
que serve para juntar uma estrofe à outra,
quando não se justifica a divisão do poema ;
no frasco, algumas canetas que me lembram
os teus dedos; mais acima, um furador
de papel, para o caso de ser preciso
abrir uma festa para te olhar. Não se falta
maia alguma coisa.... ah, sim, a tua imagem,
porque sem ela a página ficará vazia, e
terei de deitar para o lixo todas estas coisas
que, sem ti, não me servem para nada.
"Regresso a Um Cenário Campestre"
Nuno Júdice
Publicações D. Quixote 2020
Bom fim de semana.
Da margem esquerda do estuário do Tejo.
A. Delfim
É o que dá as pressas.
EliminarCorreção
"Não sei se falta mais alguma coisa..."
Desculpem.
"Aquilo que é silencioso no nosso íntimo permanece um mistério. Acho que não devemos esperar que seja de outra forma.
ResponderEliminarMesmo se todos os outros grandes quebra-cabeças científicos fossem resolvidos, acho que este mistério, em particular, permaneceria. A ciência não tem palavras nem números para o descrever. O silêncio nunca envelhece, é sempre novo."
In Silêncio na Era do Ruído , Erling Kagge, Quetzal, pág. 113, 2017
Ainda cá voltei para vos deixar o link de um ' lugar' de livros: https://www.facebook.com/fivebooksofficial/
ResponderEliminarEste link acima é do FB mas também se pode aceder em www.fivebooks.com Trata- se de uma plataforma enorme sobre livros agregados por temas com uma pequena entrevista ao ' expert' sobre o tema em questão.
Espreitam que vale a pena!
Teresa Biu
Quando leio sou outra e vivo milhões de vidas. Os livros salvaram-me muitas vezes e não sou caso único. Todos os dias leio este blog, mas gosto especialmente das publicações do sábado. Já pensei comentar, mas acabo por desistir. Hoje, o Stoner foi motivação irresistível. Descobri-o por recomendação de um jovem amigo com quem partilho a paixão pela literatura e o prazer pelas conversas sobre livros; aquelas em nos precipitamos tal a vontade de acrescentar mais pormenores, mais perspectivas e que - felizmente - são conversas inacabadas porque o tempo se esgota.
ResponderEliminarO Augusto é uma obra prima. Segundo a crítica o melhor livro de história escrito por um americano. A narrativa é-nos oferecida em forma epistolar e nada tem que ver com o Stoner. E o mais engraçado é que este foi-me recomendado pelo meu neto que o leu em Inglês. Sempre que posso, opto pela língua original e nem imaginam a pena que tenho de não saber russo. Para terminar, e também em registo epistolar, recomendo o último livro de Edmund de Wall, Letters to Comando”. Descobri o EW com um dos livros mais marcantes que li - e confesso que sou uma leitora a quem a mãe escondia os livros porque senão ia pela noite dentro como se não houvesse amanhã - A Lebre com olhos de âmbar. Não percam e depois dir-me-ão se não tenho razão.
Bom fim-de-semana e boas leituras.
O problema deste blogue é fazer-nos gastar (ainda mais) dinheiro em livros. Acabei de encomendar "A lebre com olhos de Âmbar" e o "Augustus", entre outros (ai, ai). Mas tem de ser, claro. Quem anda à chuva molha-se.
EliminarPor ter referido a língua russa fez-me lembrar a admiração que senti pelo António Pescada, tradutor de russo, quando li "O Idiota" de Dostoiévski traduzido por ele. Fiquei com a certeza de que a tradução está fiel ao original, de uma forma que deve ser dificílima de fazer - acho que consegui sentir essa vibração imprimida pelo Dostoiévski e que o António Pescada deixou passar intacta (mas claro que posso estar enganada). Fiquei com vontade de ler sempre que possível o Dostoiévski (para dar um exemplo russo) traduzido por ele, mas como tinha "O Crime e castigo" traduzido pelo casal (?) Guerra, li-o nessa versão e também me agradou totalmente.
Tudo isto para dizer que, embora reconheça a vontade de ler no original, gosto também muito de ler as traduções e até de tentar "ouvir" o autor por detrás do tradutor. Acho ainda, já agora mais isto, que os tradutores são profissionais que fazem um trabalho mais do que importante, fazem um trabalho crucial, fundamental, e que são poucas vezes reconhecidos como tal. Tenho-lhes muito respeito e admiração.
E pronto, obrigada por mais este bocadinho de conversa boa!
E obrigada, Maria do Rosário, por nos proporcionar estes momentos realmente Extraordinários.
Olhe, tire uma senha e junte-se ao clube!
EliminarEheheheh!
"Quando leio sou outra e vivo milhões de vidas."
Bem-vinda aos comentários, comente, comente... digo eu eu traça comentarista impenitente.
Extraordinário! É isso mesmo... resume tudo. Mas onde é que tem andado? Faz aqui falta, participe, digo eu...
Saudações cá da Cidade Morena.
Tem razão, tem. A Lebre com olhos de Âmbar é um livro maravilhoso e quando o li Edmund De Wall entrou logo para o grupo de autores de que quero ler tudo. Costumo dizer que mais do que uma leitora de livros sou uma coleccionadora de autores: sempre que descubro um novo autor vou à procura de todos os outros livros dele.
EliminarO problema é concretizar este desejo... mas vou tentando.
Boas leituras!
🌼Maria