Cá e lá

Apesar de falarmos em ambos os lados do oceano Atlântico a mesma língua (o português), nem sempre é fácil a literatura brasileira vingar em Portugal e a portuguesa no Brasil. Falo, claro, da literatura que se está a fazer hoje, porque, apesar de tudo, Machado de Assis, Jorge Amado e Guimarães Rosa (bem como os poetas Drummond de Andrade, Manuel Bandeira ou João Cabral) são lidos e apreciados pela minoria leitora portuguesa; e acredito que o nosso Eça de Queiroz, Lobo Antunes e Saramago o sejam no Brasil (pela minoria de lá). Mas existe agora um clube de leitura mensal para cobrir algumas destas lacunas, organizado simultaneamente pelos jornais Público (cá) e Folha de S. Paulo (lá) que cruza conversas e nos faz descobrir livros (ora portugueses, ora brasileiros) publicados dos dois lados do mar. É um clube orientado pelas jornalistas Úrsula Passos (da Folha) e Isabel Coutinho (do Público) e esta noite, pelas 22h00, terá como tema o romance Pão de Açúcar, de Afonso Reis Cabral, vencedor do Prémio Literário José Saramago em 2018 e publicado no Brasil pela HarperCollins. A sessão pode ser acompanhada por Zoom (as especificações vão numa das imagens abaixo) e o público pode intervir. Um evento ao vivo para abraçar a literatura dos países irmãos.


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco8 de junho de 2021 às 03:45

    Pr'a já, pr'a já... discordo!
    Da literatura portuguesa no Brasil, não sei, porém, da brasileira no nosso país, parece-me que há muitíssima e boa aceitação, até porque ao contrário dos brasileiros e talvez porque o português, língua-mãe é nosso, não temos qualquer constrangimento em ler em português do Brasil.
    Já me aconteceu, brasileiros com pretensões, desdenharem e dizerem que não nos entendem, em jeito de superioridade. Pois eu acho que a superioridade é nossa que os entendemos a eles e o contrário não se verifica... é uma longa e estúpida contenda esta, como aliás com os espanhóis que têm a mania de fingir que não nos entienden... pero, o meu sobrinho Ricardo encolhe os ombros e diz que nos entende perfeitamente! Manias!

    Quanto ao eleito, "Pão de Açúcar", parece-me excelente escolha por todas as razões e mais algumas, enfim sou suspeito porque sou fã do Afonso R. C. , todavia considero-o um grande romance!
    A par de "A rainha do Cine Roma", outro romance esmagador, profundamente humano, avassalador e daqueles que nos tocam bem fundo na alma, até nos alteram maneiras de ver as coisas. Ainda bem que há livros assim, bendita literatura que é para isso que serve também, pobres dos que nunca o experimentem!

    Um abraço ao Afonso, saudações Extraordinárias e antropocêntricas cá da Cidade Morena!

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  2. Outro aplauso e este bem sonoro!
    Fique bem Maria do Rosário.
    Bjs

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  3. Bem a propósito este post, encaixado com leveza no Dia Mundial dos Oceanos.
    E ou como a língua pode constituir um abraço entre países irmãos transformando o poliformismo num magma com luz.
    Já escrevia Gonçalo Cadilhe, em 2005 no seu livro" Planisfério Pessoal" :"A língua como uma identidade, uma força superior às noções de território, raça ou destino comum(....) Mas no futuro deste planeta globalizado talvez um núcleo linguístico identifique mais que uma pátria".

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