Ausência

Desculpem, queria ter deixado posts prontos para os três dias que vou estar na Galiza a dizer poemas, mas não consegui. Imprevistos e mais imprevistos roubaram-me o tempo todo e agora só posso voltar aqui na quinta. Entretanto, leiam por favor o novo romance de Mário Cláudio, Embora Eu Seja Um Velho Errante. É o livro que sela a relação do escritor com o poeta Tiago Veiga de quem, no passado, editou alguns livros de poesia e sobre o qual teceu uma longuíssima biografia que o arrancou do esquecimento. Muitos desconfiam de que Tiago Veiga é uma invenção, mais um heterónimo do autor. Mas como explicar que os dois apareçam juntos numa fotografia de um velho jornal pouco antes da morte do biografado? O presente livro, dividido em três partes, toma como ponto de partida documentos encontrados depois já de publicada a biografia, um dos quais é um diário da segunda mulher de Tiago Veiga, a pintora irlandesa Ellen Rasmunssen, que, indo fotografar os tuberculosos num sanatório, acabou por contrair a doença e apagar-se no Caramulo. Uma obra, como sempre, a não perder!

Comentários

  1. António Luiz Pacheco14 de junho de 2021 às 02:19

    Irlandesa, ou, islandesa? Isto pelo nome... é como "novo" e não noivo... eheheh!
    Tunga! Estou vingado!
    Ahahah!

    Sou grande apreciador da escrita de Mário Cláudio, confesso que desconhecia por completo o nome de Tiago Veiga, mas irei procurar o livro, e logo se verá!

    Votos de uma boa declamação, é pena a Madame ser um pisco fastiento pois poderia comer umas zamburiñas lá pela Galiza, coisa que adoro... então em empanada, até me lambo!

    Faça boa viagem!

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  2. António Luiz Pacheco14 de junho de 2021 às 02:25

    Fica este apontamento que fui sacar ao gúguel!
    Espantoso como uma pessoa assim nos escapa, mas partilho com os Extraordinários eventualmente interessados.
    Será que temos um "poeta de viagens", por analogia aos escritores de viagens?
    Fiquei mesmo muito curioso com o livro que nos prometem!

    Leiam:

    Tiago Veiga nasceu numa aldeia do Alto Minho em 1900, e nesse mesmo lugar viria a morrer em 1988. Bisneto pelo lado paterno de Camilo Castelo Branco, e só de muito poucos conhecido ainda, Veiga protagonizaria uma singularíssima aventura poética na história da literatura portuguesa. Apesar de se ter manifestado quase sempre refractário à publicação dos seus escritos, e mais ou menos arredio dos movimentos da chamada «vida literária», não falta quem comece a saudar em Tiago Veiga a incontestável originalidade de uma voz, e o poderio impressionante que lhe assiste. A sua biografia, redigida aqui por Mário Cláudio que o conheceu pessoalmente, não deixará de configurar de resto matéria de suplementar interesse pela relevância das figuras com que Veiga se cruzou, e entre as quais se destacam poetas como Jean Cocteau e Fernando Pessoa, Edith Sitwell e Marianne Moore, Ruy Cinatti e Luís Miguel Nava, políticos como Bernardino Machado e Manuel Teixeira Gomes, pensadores como Benedetto Croce, e até simples ornamentos do mundanismo internacional como a milionária Barbara Hutton. A isto acrescerá a crónica de um longo percurso de viajante civilizado, e testemunha de vários acontecimentos significativos do seu tempo, o que, tudo junto imprimiria à sua existência, neste livro minudentemente relatada por Mário Cláudio, uma vigorosa espessura romanesca. A obra de Tiago Veiga, da qual se publicariam postumamente três títulos apenas, e nem sequer os de maior importância, ficará a partir de agora mais aberta à curiosidade do grande público. Bisneto de Camilo Castelo Branco, e autor de uma obra poética fragmentária, mas originalíssima, Tiago Veiga (1900-1988) constitui caso singular na literatura portuguesa. Europeu por vocação, e interlocutor de Fernando Pessoa, Edith Sitwell, Jean Cocteau, W. B. Yeats, Benedetto Croce, José Régio, Marianne Moore, ou Luís Miguel Nava, o homem aqui biografado ficará certamente como invulgar testemunha do século em que viveu.

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  3. Rute Simões Ribeiro14 de junho de 2021 às 03:00

    Jorge Luis Borges teria uma explicação belíssima para essa (im)provável foto.. :)

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    Respostas
    1. António Luiz Pacheco14 de junho de 2021 às 03:30

      Explicação essa, que seria...
      Deixou-me curioso!!!!!!

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    2. (pode ser o Mário Cláudio com o "tio-avô" por exemplo, António) :)

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    3. António Luiz Pacheco14 de junho de 2021 às 05:47

      Aaaaaaahhhhh!
      Prontos, tá bem!
      Obrigadinhos.

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    4. Rute Simões Ribeiro14 de junho de 2021 às 07:49

      Referência ao seu conto O Outro ;)

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  4. Li.quando era uma novidade, "Um Verão Assim". Uma novidade e uma modernidade. Não gostei nada. Anos mais tarde vi que tinha escrito sobre Amadeu Souza Cardozo e Guilhermina Suggia. Dei uma olhada e pareceu-me uma homenagem de um homem do Porto a dois grandes artistas do Norte. Não me agarrou. Fiquei de fora até hoje.

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    Respostas
    1. A mim o Mário Cláudio deslumbrou-me em primeiro lugar com o seu romance "Peregrinação de Barnabé das Índias". Mais leves, mas deliciosas, são as suas memórias recentes de outros escritores (" A Alma Vagueante").

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  5. Excelente sugestão para novas aquisições livrescas.
    Desfrute dos dias na Galiza e bem gostava de ouvi-la a declamar os seus poemas!
    Tudo de bom.
    Bjs

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