Revisor privado

Estive recentemente no programa Encontros Imediatos, de João Gobern e Margarida Pinto Correia (para ser mais precisa, no sábado passado), a falar basicamente de mim e do meu trabalho; e, entre outras coisas, referi que com quem mais aprendi até chegar a editora foi com as pessoas que na altura era suposto chefiar, uma vez que o editor estava ausente e me cabia essa função interinamente: os revisores, os paginadores, as pessoas ligadas à produção dos livros. Penso que é fundamental passarmos por todos esses departamentos para percebermos realmente como se faz um livro, e ainda hoje estou grata por ter aprendido tanto. Outra coisa que mencionei é que, como autora, nunca dispensei um editor e um revisor (sobretudo antes de os computadores detectarem erros e gralhas); nem sempre foi o editor que me publicou os livros, porque antes dele já eu tinha consultado leitores «profissionais», nomeadamente o meu «mentor» (José Afonso Furtado) e dado os textos a rever a alguém de confiança. No blogue, para o qual escrevo sempre a correr, não me preocupo exageradamente, confesso, mas é só porque todas as manhãs sei que o meu querido Paulo Moreiras (autor de romances pícaros formidáveis) está a ler-me para os lados de Leiria e a detectar as gralhas e erros que deixei passar. Quando ligo o computador e vejo os e-mails, tenho quase sempre uma mensagem dele a avisar-me dessas distracções. É um luxo. Hoje presto-lhe homenagem, Paulo. Muito obrigada. É tão bom trocar de lugar com os autores de vez em quando.

Comentários

  1. Muito obrigado por nos chamar a atenção para o Paulo Moreiras, um autor que julgo que tem sido pouco divulgado (fala a minha ignorância). Fui procurar informação sobre a sua obra literária e percebi que tem, para além da poesia, os tais romances pícaros, alguns esgotados, e um ensaio ("Pão Vinho"). Fiquei tentado a ler o romance "A Demanda de D. Fuas Bragatela" e o "Pão Vinho" pelo que li nas resenhas disponíveis na Wook.

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  2. Gostei muito de a ouvir. Deu para perceber, para quem ainda tinha dúvidas, que o objecto livro, tanto do nosso agrado, para ver a luz do dia, tem que contar com muito trabalho e dedicação. Só assim mesmo é que faz sentido!
    Agora que eu fiquei com muita vontade de ler um certo romance, "Alguns homens , duas mulheres e eu", fiquei. Já o procurei-o por todo o lado. E cá na Biblioteca não existe. Infelizmente.
    Se houver um abaixo assinado para tentar convencer a Rosário a publicá-lo outra vez, pois eu quero muito fazer parte!
    Excelentes Leituras para todos. E já agora um Bom Fim de Semana.
    Celeste Silveira

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    1. Li-o há anos e é muito interessante. É um retrato de uma juventude lisboeta de uma geração que não anda longe da minha. Está esgotado e merece reedição.

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    2. Estimada Celeste, há um exemplar à venda no olx por 10 euros, pode ser que lhe interesse.

      Eu também não conhecia o Paulo Moreiras, mas já tinha dado conta das correções das mínimas gralhas que por vezes espreitam aqui nos posts. :-) Muito obrigada, Maria do Rosário, por no-lo dar a conhecer (já está no meu carrinho de compras o tal D. Fuas de que falam os Extraordinários com tanto entusiasmo!) Que bom é visitar este blogue.

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    3. Extraordinária Susana. Obrigada pela informação.

      Celeste Silveira

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  3. António Luiz Pacheco26 de maio de 2021 às 02:02

    Bom, p'ra p'ra já, o Paulo Moreiras não tem nada que estar a ler, seja lá para os lados de Leiria, seja para que lado seja!
    O Paulo Moreiras devia mas era estar a escrever!
    Ora essa!
    Exige-se!
    Paulo Moreiras à cabine de som, faz favor! Ou melhor, à cabine de edição.

    Saudações indignadas e ansiosas cá da Cidade Morena!

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    1. Ó Paxeco, bom dia!
      Bendita a hora em que me recomendaste "A DEMANDA DE D.FUAS BRAGATELA", que belo romance e as gargalhadas que me fez dar, uma pérola que adorei.

      Entretanto, já comprei "OS DIAS DE SATURNO" e será o próximo que, do Paulo Moreiras, irei ler.

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  4. O que eu me diverti a ler o D. Fuas Bragatela! Para contagiar outrem logo o fui comprar e ofereci. Que gosto em reencontrar palavras portuguesas expressivas ou bonitas entretanto caídas em desuso.

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  5. António Luiz Pacheco26 de maio de 2021 às 02:19

    Até parece que tenho muita, no entanto atrevo-me a dizer que só de facto quem já teve essa experiência de publicar alguma coisa, consegue dar o devido valor à revisão, paginação e no geral ao que é pôr um texto em condições de ser livro, revista... enfim, para poder ser lido! Tenho a agradecer e saudades da Isabel Leitão e da Rita Ferrer que tanto ajudaram a produzir artigos na Calibre 12 Editores, a paciência que tinham para me aturar.
    Fica portanto a minha homenagem a essas pessoas e funções, ocultas, que não se percebem normalmente, o público não valoriza.
    Penso que nós, traças literárias, Extraordinários em particular e os leitores em geral, eventualmente escritores ou escrevinhadores, temos essa obrigação, de reconhecer e valorizar quem anónimamente o faz.

    Saudações editoriais cá da Cidade Morena!

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  6. Não conheço o mundo da edição, não faço ideia se existem muitos editores que não escrevem.

    Além do prazer de criar, é uma mais valia o editor ser também autor. "Vestir essa pele", faz com que se tenha ainda um conhecimento mais profundo de quem está no outro lado e se seja pelo menos um editor mais sensível.

    E um aplauso para o Paulo (também tenho dois amigos que não me deixam passar "distracções" que possam afectar a minha "reputação", e que o "automático" não vê - a diferença entre traz e trás por exemplo...).

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  7. Olá! Boa tarde!
    Pois é. Se eu na instrução primária tivesse um revisor que me lesse os ditados e as redacções,antes de as entregar à professora,de certeza que não apanhava tantas reguadas. Mas não tinha e tive que aprender à minha custa. E no que trata de revisões fico por aqui.
    Maria do Rosário Pedreira, gostei de ouvir a sua conversa com o João Gobern e a Margarida Pinto Correia. Foi mais um pouco de si que ficamos a conhecer. Óptima manhã de sábado.
    Perante o desalento do João Gobern, fui ver do seu livro. E lá estava. Entre a Margarida Paredes e a Inês Pedrosa.
    Uma edição Gradiva de Outubro de 1993. Primeira edição!! Com um post it, já pouco amarelo, a marcar uma página da qual transcrevo um trecho.
    " Chovia um pouco, o suficiente para me deixar tensa e irritada.
    Fiz alguns quarteirões a pé,esperando que, por milagre, um táxi aparecesse e me levasse depressa para casa. Aí seria apenas mais um dia, igual aos outros, não haveria azevinho, nem pinheiro nem mesmo um presépio simples, apenas com três figuras talhadas em madeira, como o que a Marta fizera em casa da mãe, agora que a avó morrera. Porque o presépio que a avó armara toda a vida era uma verdadeira empresa, o resultado de muitos dias de trabalho árduo, a homenagem sentida de alguém que acredita profundamente em qualquer coisa, talvez apenas uma história. "
    Vamos ficar à espera do seu próximo livro.
    Com um abraço daqui da margem esquerda do estuário do Tejo.
    A. Delfim

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  8. Sobre este mundo literário e da edição há uma entrevista excelente de Luísa Costa Gomes no "i" de dia 19 do p.p, cujo link é este https://ionline.sapo.pt/artigo/735062/luisa-costa-gomes-o-mundo-da-edicao-transformou-se-num-mamute?seccao=Mais_i&fbclid=IwAR3aruydzYfIao2PehD6YzMK52PM9QSxEwbU7YtKBdb5zORYftpFbcDi8ks
    Para além de me rever totalmente nas palavras da Luísa Costa Gomes, tenho também o prazer de ter em casa uma leitora "profissional" com um "olho revisor", que nada ou quase deixa passar.
    Uma das muitas passagens a reter da LCG: «O mundo da edição transformou-se, nos últimos 30 anos, num mamute. É uma indústria altamente poluente, do ponto de vista ambiental, por causa do desperdício de papel, e a nível mental de produtos que são todos iguais. Parecem feitos por escritores mas poderiam perfeitamente ser escritos por máquinas programadas para fazer determinados protocolos ou formatos. O que temos em 99% dos livros são formatos.»

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  9. Boa tarde,

    Também me confesso "cliente" da pena do Paulo Moreiras. Aproveito para recomendar aos extraordinários "O ouro dos corcundas", que é um grande romance!

    Rui Miguel Almeida

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  10. Tenho "A Demanda do D. Fuas Bragatela" do Paulo Moreiras. É uma edição de 2012, com edição da Rosário e chancela da Casa das Letras, com sobre-chanchela da Oficina do Livro e sobre-sobre-chancela da Leya.
    Como se está falar da revisão, tenho a dizer que a obra está bem revista, mas tem lá um lapso de pormenor, histórico, de época. É um erro de pormenor, não (h)ortográfico, o qual nem sequer vou apontar aqui.
    Não esquecer que parte da trama se passa no Planalto, cuja História tenho passado a pente fino, às vezes com lapsos também grandes.

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    1. A obra está muito bem escrita, a imaginação do autor leva-nos a rir, quase ou até às lágrimas, com falas medievais saborosas, fruto de muito conhecimento. É uma obra cheia, que recomendo vivamente.
      O autor não se esqueceu de colocar na boca do narrador - na dedicatória ao filho, na página 13 - "E para aqueles que aqui vêm à procura de erros, ou à espera de enganos e outras desatenções, desenganem-se"(...)
      Quanto ao pequeno lapso atrás falado, esqueçam. Trata-se, como escrevi, de um pequeno pormenor de índole histórica, o qual seria detectado pela Cristina Torrão, perita em romances desta época.

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  11. É sempre bom ler e ouvir quem sabe.
    Fique bem.
    Bjs

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