Prémio Europeu

Existe um Prémio da União Europeia para a Literatura (EUPL) que, no passado, já foi ganho em Portugal por Dulce Maria Cardoso, Afonso Cruz e David Machado, entre outros. Não contempla todos os anos os mesmos países (alguns dos quais não pertencem sequer à União Europeia, como a Albânia ou a Arménia), mas 2021 era ano de premiar de novo um escritor de Portugal. Cada país concorrente tem o seu próprio júri, que também muda de vez para vez; escolhe entre os candidatos, geralmente poucos, que têm de obedecer a regras apertadas, como, por exemplo, ter entre dois e quatro livros (nem mais, nem menos) e estar pouco traduzidos no espaço europeu. No ano em que ganhou David Machado (2015, creio), o júri nacional comunicava a sua decisão à Europa e a Europa comunicava-a ao vencedor, chamava-o a Bruxelas, gravava um vídeo com ele a apresentar o livro, traduzia excertos do seu romance para o promover noutros países, enfim, um trabalho que era bastante produtivo e que acabou por conseguir uma dúzia de traduções do romance. Mas depois do diabo da pandemia as coisas já não se passaram assim: introduziram finalistas (quatro), quiçá para criar suspense e notícias, e organizaram o anúncio... pelo Facebook, que é onde hoje as pessoas mais tempo estão. Entre os quatro finalistas portugueses, estavam dois romances que publiquei no ano passado, um romance de uma autora de quem já fui editora e um romance de um escritor que tem o meu apelido, mas não me é nada: Frederico Pedreira. Foi ele o vencedor com o romance A Lição do Sonâmbulo, publicado pela Companhia das Ilhas. Conheço-o sobretudo como poeta. Parabéns.

Comentários

  1. Não conheço a obra nem li nada do autor. Até agora...
    Fico satisfeito por ter sido contemplada uma obra publicada por uma editora independente e solitária, a Companhia das Ilhas ( não confundir com Companhia das Índias), a qual acabou de fazer 9 anos de actividade.
    Como não li o livro, vi a capa, a qual me parece ter sido feita por um sonâmbulo.
    Desejo os melhores sucessos literários ao Francisco Pedreira, que diria ser familiar da Rosário, não fosse ela esclarecer sobre o laço inexistente. Enfim, se ambos me permitem o humor, há mais "pedreiras" no País.

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    1. Peço desculpa por retornar a comentar o que comentei. Tenho de arranjar nome para um "alter ego" ou heterónimo, com a finalidade de corrigir o que erro nos primeiros comentários, dado ser useiro e vezeiro nestas duplicações.
      Desta feita, peço desculpa ao Frederico por ter trocado o nome por Francisco, o que na aldeia dos meus pais significava ter de entregar as amêndoas na Páscoa ao "baptizado".

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  2. António Luiz Pacheco19 de maio de 2021 às 02:43

    Bom dia, para as Ilhas em especial!
    Não admira que haja uma editora nos Açores, independente pois claro... olhem lá, que os açorianos nisso são muito ciosos da sua autonomia!
    Há bastante gente dedicada às letras, por lá! Escreventes e leitores, poetas. Não sei que sortilégio contêm as brumas, o clima, a condição de ilhéu, o isolamento, o bucolismo, o mar, as terras de lava, os vinhedos e a laurissilva, os milhafres, as vacas e os toiros, o Espírito Santo... mas suponho que potenciem a literatura, criativa ou lida.
    Vão daqui os meus parabéns ao Frederico e à Editora, pois claro.

    Saudações em geral, cá da Cidade Morena.

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  3. Parabéns ao premiado e a Maria do Rosario por nos ter informado.E uma honra para todos os portugueses e certamente que fara parte das minhas leituras
    Já agora gostava de saber também quais são os outros finalistas,que embora não tenham ganho merecem a nossa atenção e curiosidade.

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  4. Parabéns ao escritor e um muito obrigada a Maria de Rosario por nos ter informado.E um orgulho para todos os portugueses e certamente ira fazer parte das minhas leituras.
    Já agora gostava de saber quem foram os outros selecionados,que embora não tenham ganho,valerao a pena conhecer.

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  5. Não sei qual a razão,mas os meus comentários não aparecem publicados e so quando faço novo envio e que eles se mostram.Peço desculpa pela repetição.

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  6. António Luiz Pacheco19 de maio de 2021 às 05:51

    Muito interessante a página da tal Companhia das Ilhas!
    Além de propôr serviços diversos no âmbito da revisão, etc. ainda tem um belo catálogo de livros, que estou a estudar! Muito bem organizado, ficamos a saber sobre a obra e o autor!
    Podemos encomendar, e é o que vou fazer pois encontrei alguns que me interessam!
    Aconselho a que visitem a página.
    https://companhiadasilhas.pt/

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    1. Pois eu aconselho que visitem o belíssimo arquipélago dos Açores, que aproveitam uma boa conversa com este Senhor António Luiz Pacheco e agradeçam tudo à Maria do Rosário.

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  7. Excelente livro o do Frederico Pedreira; e excelente o facto de vir de uma pequena editora, como a Companhia das Ilhas. Adorei entretanto a entrevista ao "i" da Luísa Costa Gomes, afirmando ter criado uma "anti-editora". Bem como, claro está, a sua afirmação de vontade de independência: «O autor melhor para uma editora é o autor do livro só que vende, não precisa de fazer mais livro nenhum. Há um preço a pagar por esta minha leviandade ou ligeireza ou, no fundo, vontade de independência, de autonomia. Isto é uma banalidade, mas a vida é uma troca; há coisas que eu não vendo, e, portanto, há coisas que não me dão.» Nem mais! A mercantilização do livro, a banalização "contratual" de alguma mediocridade, a superlativização de muita coisa banal, o mundo da edição «como um mamute» num despautério do «dá e leva» confrangedor. O futuro da literatura Portuguesa será brilhante, quanto mais os autores fugirem a esta banalização, a este mercado de compra e venda dos circuitos de distribuição, promoção, etc. e afirmarem a sua independência face ao mercado livreiro, que não é necessariamente um mercado literário. Como Luísa Costa Gomes afirma na edição de hoje do "i": «Para mim, o fundamental é continuar a fazer, a escrever. Enquanto isso acontecer não preciso de homenagens, que ficarão para quando eu morrer, se eu morrer…» Alegrem-se, pois, todos aqueles que escrevem por paixão e não por uma qualquer ilusão de bondade editorial: essa bondade sem gratidão não é mais do que uma farsa, uma manipulação bonecreira, por quem na realidade não gosta de literatura e da sua diversidade, vendo-a somente como um meio de "empoderamento", seja ele pessoal ou financeiro.

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    1. Também li. É uma grande escritora, autora da Dom Quixote.

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  8. Tal como escrito em posts anteriores a este, também eu nunca tinha ouvido falar do autor ou do livro premiado. E dei comigo a pensar: não será um pouco excessivo apodá-lo de Prémio da União Europeia para a Literatura?

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  9. Não li este romance, nem nunca tinha ouvido falar sobre este novo autor, mas o excerto oferecido pela editora ("Companhia das Índias") é promissor:
    "Não me recordo de ter sido verdadeiramente infeliz em casa dos meus avós. Julgo que essas temporadas da infância e do início da adolescência não seriam susceptíveis de infelicidade, até porque era quase sempre Verão e eu era então muito novo. Nesses meses, eu vivia satisfeito, e digo-o sem as habituais reticências a que tantas vezes nos obriga o cinismo da idade adulta, e uma parte substancial dessa satisfação era resultante de um acesso quase ilimitado durante o dia ao quintal da casa dos meus avós, onde passava horas intermináveis a jogar futebol, a correr ou a praticar umas lutas com o meu irmão que deviam às mais rudes noções do karaté, do sumo e da luta livre."

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    1. António Luiz Pacheco19 de maio de 2021 às 09:05

      Inteiramente de acordo Extraordinário Artur: Promete!!!!!
      Finalmente, alguém feliz... eheheh! Vou ler, ai-vou, vou!
      Grande e feliz abraço cá da Cidade Morena.

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