O que ando a ler

Nem sei explicar bem porque adiei tanto tempo a leitura de um livro que, mal saiu lá fora, me chamou a atenção: não pelo título (O Ano do Pensamento Mágico) que, assim a seco, até pode conduzir a uma ideia errada, mas porque tratava da morte e da saudade de alguém muito próximo e cúmplice (na verdade, o marido da autora, a jornalista e escritora Joan Didion, ao fim de 40 anos juntos!) e da quase impossível superação dessa ausência. Mas, além dessa temática, sobre a qual gosto mesmo de ler (e por isso adoro alguns livros do querido Julian Barnes), sabia que este belo livro não tinha ponta de lamechice (como acho que tem, por exemplo, Paula, de Isabell Allende, que li há mais de vinte anos e fala da morte da sua filha) e era até um livro culto e com bastantes referências literárias. Bem, a minha irmã emprestou-mo e finalmente devorei-o. E é também muito útil para nos mostrar que a vida pode ser sempre pior (quando começa o texto, a filha de Joan Didion está nos Cuidados Intensivos com uma infecção generalizada em coma e, portanto, a escritora precisaria ao seu lado mais do que nunca do marido quando este, inesperadamente, sucumbe a um enfarte). Aconselho vivamente. Uma lição de vida e um objecto literário bastante raro.

Comentários

  1. Tenho esse livro há alguns anos, comecei a lê-lo umas três ou quatro vezes, mas nunca consegui continuar a leitura, nem sei bem porquê.
    Recordo que houve uma peça (com a Eunice e o Diogo Infante, salvo erro) que não pude ver, fiz mais uma tentativa... e nada.
    Está na hora de voltar a tentar, se não conseguir desta vez, doá-lo-ei à biblioteca - será que há livros que não querem ser lidos?
    Boas leituras!
    M.

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  2. Também quero muito lê- lo, mas ainda não consegui. Comecei há pouco Triunfo e Tragédia de Erasmo de Roterdão, de Stefan Zweig um escritor que adoro ler. É uma leitura muito interessante e atual, embora possa não parecer.
    Teresa Biu

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  3. Ando a ler O Espelho e a Luz da Hilary Mantel, que me vai levar tempo porque tem 900 páginas; Recordações da Casa dos Mortos de Dostoievski e comecei A Livraria de Penelope Fitzgerald. Ainda não li O Ano do Pensamento Mágico mas é um livro que faz parte da lista da obra Os Livros do Final da Tua Vida, do editor americano Will Schwalbe, que o discutiu com a sua mãe, além de outros 30, enquanto a senhora se sujeitava às consultas e sessões de quimioterapia durante 4 anos e até morrer de um cancro pancreático. Dessa lista gostei particularmente da Elegância do Ouriço de Muriel Barbery, que foi transformado em filme e foi editado entre nós pela Presença, salvo erro.

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    1. Depois de ler A Livraria, não deixe de ver o filme: é muito, muito bom.
      Adorei ler A Elegância do Ouriço, comprei-o há muito anos, e sim, é da Presença; nunca consegui ver o filme :-(
      Também tenho e li esse livro do Will Schwalbe.
      Boas leituras!
      M.

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    2. Obrigado pela dica, não sabia que havia em filme; a Elegância do Ouriço é um filme francês com Josiane Balasko no papel da porteira, é fácil sacá-lo da Net, eu tenho-o no computador.

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    3. Obrigada, vou tentar encontrá-lo, se bem que seja um pouco naba nesse género de coisas: geralmente só encontro o filme depois de comprar o DVD :-(
      Boa noite.
      M.

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  4. Também foi há mais de vinte anos que li toda a Isabel Allende que pude apanhar, mas quando saiu "Paula", retraí-me e optei por não o ler, temendo precisamente o tema do livro. Sabendo agora que tem uma dose de lamechice, não lamento a minha opção.

    Mas por acaso comecei ontem a ler um livro que ainda não está publicado por nenhuma editora, foi "autopublicado" por um escritor inglês que se mudou recentemente para o interior de Portugal, para uma das aldeias pululadas de ruínas, nostalgia e paz. Chama-se o livro "Death and the Dead", é de Glyn Ridgley (está disponível na Amazon) e - para concluir - fala da ausência sentida pela família de um miúdo, após a inesperada morte deste, resultante de uma queda do baloiço, aparentemente empurrado pela irmã. Estou a gostar muito.

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    1. Susana, também li tudo da Isabel Allende talvez há trinta anos, incluíndo a Paula e fiquei de rastos: tive a certeza que não queria voltar a lê-lo e desfiz-me dele, não por o achar lamechas mas sim extremamente doloroso.
      Boas leituras!
      M.

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  5. Embora infelizmente essas tragedias façam parte da vida,acho esses temas demasiado mórbidos e profundamente tristes.Nao os procuro para ler.

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  6. António Luiz Pacheco3 de maio de 2021 às 04:22

    .1 - Do pouco que li de Isabel Allende... gostei de "A casa dos espíritos" (Extraordinário filme também e ainda por cima com um Extraordinário elenco!) e não gostei por exemplo de "O bosque dos pigmeus", nota-se que há muito romantismo e pouco africanismo. O maravilhoso e imaginário Sul-americano é o quintal da autora, manifestamente... bom, Edgar Rice Burroughs nunca foi a Marte nem a África e conseguiu escrever sobre ambos, e bem, tal como Verne e Salgari, mas isso são contas de um outro rosário...
    .2 - Ando a ler o sinistro (sim, muito bom mas sinistro) "O genocídio ocultado", de um autor africano e esclarecido ( Tidiane N'Daye) que alguns arvorados historiadores aí do burgo deviam ler! Para seu esclarecimento ...
    .3 - Estou a terminar de ler o Extraordinário e surpreendente "O príncipe do Congo" de outro autor africano e especialista em assuntos africanos, Xavier de Figueiredo. Contém muita e importante informação histórica daquela época em que se pôs fim à escravatura. Também aconselho a sua leitura a opinadores avulsos e historiadores vesgos.
    .4 - Não estou a conseguir ler o que queria e me apetece, estou num momento intenso de trabalho, e, a ter de ler muito mas para me informar: por uma fábrica de redes de pesca (coisa muitíssimo complexa!) , outra de conservas de peixe, um projecto de congelação de polvo e choco, produção de vinho de ananás e uma fazenda de abacate e macadâmia!
    Tem sido leitura intensiva de trabalho, em prejuízo da de lazer, se bem que também dê gozo ler sobre os assuntos e sintetizar informação para suporte das análises financeiras.

    Saudações e boas leituras, cá desde a Cidade Morena!

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  7. Estou a acabar de ler, "Rapariga, Mulher, Outra", de Bernardine Evaristo.

    É um bom livro, que retrata o drama de se nascer e viver com uma pele mais escura, um pouco por todo o lado, com vários olhares geracionais.

    O que continuo a ter dificuldade é em entender este livro como romance (tal como aconteceu com o livro premiado de Bruno Vieira Amaral...), quando é construído com um conjunto de biografias, que embora estejam ligadas entre si, cada uma tem a sua história pessoal. Aproximo-o mais de um livro de "contos" que do romance.

    Mas como hoje tudo é "romance", até histórias sem principio, meio e fim...

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  8. Bom dia!
    Há uns dias que ando ler o livro" Estranha guerra de uso comum " de Paulo Faria da editora Ítaca- Setembro de 2016.
    É um livro que tem muito a ver com o teor do discurso do Presidente da República no dia 25 de Abril.
    Para melhor ilustrar e compreender este livro, transcrevo excertos de uma entrevista dada pelo autor ao esquerda.net, em Dezembro de 2016.
    "Quais as razões que o levaram a escrever este livro?"
    Poucos meses após a morte do meu pai, em Abril de 2013,comecei a falar com camaradas que estiveram com ele na guerra colonial,em Moçambique, porque, em certa medida, tomei consciência do pouco que sabemos dos outros, e a morte dele despertou em mim o desejo de saber mais.
    ................................
    "É difícil falar sobre a guerra com quem não a viveu?"
    Não tenho dúvidas que é, porque a guerra situa-se tão fora da normalidade do nosso quotidiano, das nossas experiências, que temos dificuldades em entender o comportamento daqueles que são obrigados a conviveram com a violência extrema e com a morte. Por outro lado, há nos próprios combatentes, sinto-o, uma certa relutância em falar. Há certas experiências cuja vivência é por natureza quase intransmissível.
    ......................
    "Após o fim da guerra, o estado devia ter ajudado estes homens?"
    O Estado português não apoiou estes homens como devia, isso para mim é evidente . Nem antes nem depois do 25 de Abril. A maior parte dos jovens que estiveram na guerra colonial foram obrigados a partir, tinham pouca ou nenhuma consciência política e por isso não sabiam sequer ao que iam quando embarcavam. Pessoalmente, considero que a guerra colonial foi injusta, mas não me sinto no direito de adotar em relação a estes homens uma postura de superioridade moral. Recusei sempre essa armadilha.

    "Passados tantos anos,ainda é possível reparar essa falha?"
    ......................................
    Uma guerra não se pode apagar da memória colectiva de um país, porque é uma marca indelével que deve se lembrada e estudada.

    Este é o livro que ando a ler e que recomendo.
    Fiquem bem!
    A. Delfim

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    1. António Luiz Pacheco3 de maio de 2021 às 07:55

      Obrigado pela sua partilha.
      Despertou-me o maior interesse, também sou filho da guerra colonial!

      Abraço cá da Cidade Morena!

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  9. As leituras ou melhor os livros, estou a ler O fenômeno humano de Agassiz Almeida, ed. Contexto e trata-se da teoria de ser Darwin um agente da coroa britânica, exatamente na viagem a bordo do Beagle. Sinceramente, estou a tolerar a leitura. E o livro de bolso Ensaio filosófico sobre a dignidade de Bernard Beartsch, ed. Loyola, leitura leve e agradável e nos posiciona com relação as biotecnologias.

    Cláudia da Silva Tomazi

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  10. António Luiz Pacheco3 de maio de 2021 às 10:22

    "... trata-se da teoria de ser Darwin um agente da coroa britânica, exatamente na viagem a bordo do Beagle".
    Ora... Livingstone e tantos outros, foram agentes do imperialismo britânico! Na verdade isso não me admiraria, isto se, ele não tivesse sido tão polémico e contestado. Mas poderia ter-se aproveitado das circunstâncias para efectuar o seu cruzeiro, e, depois ter-se desviado?
    Agora fiquei curioso! Mas parece que o livro é chato? Ou está mal escrito, ou o assunto é desinteressante, caríssima Cláudia?
    Saudações cá do cacimbo!

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    1. Caríssimo ALP, o autor Agassiz Almeida levou 20 anos espreitando e amealhando vestígios para provar sua teoria. Muito bem feita onde reconheço a nobreza deste esforço! A tolerância me alcança quando o mesmo autor, se lhe perde a mão com miudezas em depreciar Darwin, entrelinhas não produzem um efeito atraente à leitura. Portanto, a leitura torna-se mais massante da personalidade do autor quê a pesquisa sobre Darwin. Vai em meio e se o responde, creio que mal escrito.
      Saudações do Brasil

      Cláudia da Silva Tomazi

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    2. António Luiz Pacheco7 de maio de 2021 às 07:10

      Esclarecido!
      Boa continuação da leitura.

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