Milfolhas de volta

Toda a gente gulosa sabe, creio eu, o que é um milfolhas; e em Portugal, por acaso, os milfolhas são geralmente achatados e massudos, enquanto em França são leves, estaladiços e com um leve toque de álcool que lhes cai lindamente. Muita gente se há-de lembrar que o jornal Público teve um suplemento literário chamado «Milfolhas» que durou muitos anos, teve vários directores e ficou  associado a uma colecção de ficção que levava o mesmo nome (Milfolhas) e, se não me engano, teve cem títulos. Estes incluíam o melhor que se escreveu no século XX, de Virginia Woolf a Cesare Pavese, de Gore Vidal a Vargas Llosa, e compuseram as estantes de muitos jovens leitores desse tempo, pois os mais velhos já tinham em casa muitos dos clássicos modernos dessa longa lista. Mas a Milfolhas voltou agora de cara lavada para mostrar mais doze títulos do novo século, desde Os Interessantes, de Meg Wolizer, a Perguntem a Sarah Gross, de João Pinto Coelho, desde Némesis, de Roth, a O Pianista de Hotel, de Rodrigo Guedes de Carvalho, desde A Gorda, de Isabela Figueiredo (este já está à venda) até Correcções, de Jonathan Franzen. Os lançamentos são mensais e o preço pouco passa dos 10 euros. Tudo junto, são mais de mil folhas por uma bagatela. Não perca!

Comentários

  1. António Luiz Pacheco7 de maio de 2021 às 01:47

    Não haja dúvida que por esse preço ninguém (quase!) pode argumentar que não lê porque os livros são caros!!!!
    Desculpas há muitas, chapéus ainda mais, e, palermas nem se fala!

    Como estamos quase em modo de fim de semana e este pode ser usado para discorrermos, além de ler ou fazer outras actividades de lazer e repouso, que nos dêem prazer, peço licença para expôr aqui uma explicação de um amigo meu para não ler... é uma pessoa controversa, todavia surpreendentemente culta e dono de notável poder de argumentação, porém é sobretudo um provocador, pelo que não se admirem nem o julguem mal. A nossa troca de mensagens que me parece totalmente propositada neste blog e dia, talvez dê pistas ou que pensar.

    Ele:
    Nunca tive tempo para leituras....as horas mal me chegam para viver a vida com a intensidade que lhe imprimo....
    Mesmo forçando, teria de sacrificar a vida vivida, e isso não há livro nenhum que o valha...
    Eu:
    Enganas-te... ler é viver mais ainda! É ir a lugares onde nunca irás, abre-te portas que nunca imaginaste. Não sabes o que perdes, por não leres. Julgas que a única vida é a tua? Não é... a vida é vida, há muitas, e lendo podes vivê-las. Ler é algo de intenso, acredita em mim, mentiroso reconhecido, a quem a leitura ajudou a fazer-se homem. Só os homens (seres humanos) lêem, nota bem. Abraço e deixa-te de provocações que comigo não pega!
    Ele:
    Nada disso....é mesmo a serio....há uma escolha a fazer.....ou viver a vida dos outros contada num livro, ou viver a sua....não há espaço para as duas opções.
    Eu:
    Há sim... eu sou disso exemplo! Vivo a minha vida a todo o vapor e com gosto, leio muito, e, até escrevo... vê lá! E esta?

    Saudações e votos de um Extraordinário fim de semana, cá desde a Cidade Morena.

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    1. Tem toda a razão. É um bocadinho desconcertante essa opinião do seu amigo...
      A minha vida eu vivo-a. E quando leio, também estou a viver. E intensamente: eu estou a pensar, a conhecer, a sonhar, a rir, às vezes (poucas) até a chorar... e garanto que, vivo. É que a minha vida é absolutamente indissociável das leituras que faço. Não me tira nada. Mesmo! Só acrescenta.
      E por favor não diga nada disto ao seu amigo: mas eu às vezes dou comigo a ter pena das pessoas que não leem.
      Celeste Silveira

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    2. Interessante diálogo (sempre que se dialogue sobre livros para mim todos são interessantes); ó Paxeco, obviamenre que respeito o pensamento do teu amigo mas já estou como a Celeste : "eu às vezes dou comigo a ter pena das pessoas que não lêem."

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    3. António Luiz Pacheco7 de maio de 2021 às 04:38

      Já somos três, então, a ter pena dos que não lêem, se eles soubessem...

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    4. Também venho meter uma colherada nesta conversa boa.
      Eu comecei a ler ainda era criança mas aí pelos 20 anos descobri uma coisa maravilhosa: com um livro por perto nunca estamos sós. Para quem tiver medo da solidão (se calhar muitos de nós podem ter, mais cedo ou mais tarde) há um belo remédio que não nos torna dependentes de ninguém: ler um livro! Então comecei a gastar os meus primeiros salários em investidas às livrarias. Todas as semanas lá iam dois ou três livros e claro que ainda não os li todos - a ideia é essa: fazer um pé-de-meia de "Horas Extraordinárias" para a vida. É tão bom.

      E quanto ao post: adoro estas iniciativas dos jornais. "A Gorda" já tenho e já li, mas vou estar atenta aos próximos. :-)
      Bom fim-de-semana a todos!

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    5. Isto e o que eu sinto:
      -Ó Susana olhe que eu penso que quando a solidão nos invade a nossa vontade de ler é inversamente proporcional ao grau de solidão.
      Para ler precisamos de estar bem quer o corpo (saúde) quer a mente.

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  2. Tenho alguns livros dessa colecção que resgatei do lixo, é verdade; recordo o Mil Folhas do falecido Torcato Sepúlveda, excelente suplemento literário que tanta falta faz!

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    1. O Torcato Sepúlveda escrevia como ninguém !

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  3. É uma boa iniciativa, mas como quase todas, para quem gosta de ler.

    Também tenho vários livros dessa colecção. Recordo um mais largo com os outros, com entrevistas a escritores.

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  4. Tenho todos os livros, numerados de 1 a 100),
    dessa excelente colecção MIL FOLHAS, e creio que ainda mais 3 ou 4 títulos não numerados (por exemplo: Contos de Natal do Charles Dickens).
    É como que uma reserva a que recorro quando estou indeciso com o próximo a ler...

    Será que estes próximos doze títulos sairão com o jornal de 6.feira?
    E qual será o preço de cada volume?

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    1. Sai mensalmente, no primeiro sábado de cada mês, € 10,90 (acho que não será assim uma grande bagatela!)

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  5. Obras, todas recentes. Não surpreende porque a opção é publicar livros do século XXI e ele ainda vai curto. Mas incluir tantos títulos portugueses já surpreende é ainda bem.
    Bom fds., com muitas leituras se possível.

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  6. Olá. Boa tarde!
    Em verdade uma parte da minha biblioteca é constituída po livros daquela iniciativa do Público. Na altura 2004? custavam, salvo erro, 5 euros cada volume. Só não lia quem não lia ou quem não podia gastar 5 euros.
    Agora vão ser editados salvo erro 12 volumes ,um por mês.
    E não podia começar da melhor maneira. Com o livro " A Gorda" de Isabela Figueiredo. Desta escritora permito-me referenciar o livro, e sua leitura, de "Caderno de Memórias Coloniais". A primeira edição data de 2009 pela Angelus Novus. Sei que foi reeditado em 2015 pela Caminho.
    Ainda tendo em conta o teor do anterior post e acerca de mulheres lutadoras referencio também outra iniciativa do Público. A edição de dez obras fac-similiadas de autoras portuguesas. A colecção chama-se " Censura no feminino" e começou a ser publicada no passado dia 30 de Abril. O primeiro volume são as "Novas cartas portuguesas" de Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno. A este respeito recomendo a leitura do excelente texto de apresentação de Ana Luísa Amaral na página 34 da mesma edição do Público.
    Tenham um bom fim de semana se possível com um livro por perto.
    Com um abraço da margem esquerda do estuário do Tejo.
    A. Delfim

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  7. A iniciativa é de elogiar, o mais incompreensível é a globalização continuar a arredondar na massificação dos autores e produtos de língua inglesa. A América do Sul que tanto enriqueceu a literatura está hoje completamente ignorada. É transversal à França, Espanha, aos países do centro da europa, já da Rússia, há o estigma americano que adoptamos por completo.

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