Lisboa literária

Amanhã comemora-se o Dia da Língua Portuguesa e, simultaneamente, inaugura-se um festival literário na capital que, tendo tido a sua primeira edição no ano passado, foi muito afectado pela pandemia e, por isso, pouco se deu por ele. Chama-se 5L este festival alfacinha (e os cinco L correspondem, tanto quanto me parece, às palavras Língua, Livros, Literatura, Leitura, Livrarias) e tem uma extensa programação entre amanhã e domingo, que inclui debates, entrevistas, leituras, cinema, exposições, itinerários e muito mais, com especial destaque para encontros dos escritores com os seus leitores (ainda virtuais, porque o vírus a isso obriga, mas no futuro espera-se que possam ser ao vivo) mediados pela jornalista Raquel Marinho (José Luís Peixoto, José Eduardo Agualusa, Afonso Cruz e Matilde Campilho são os escolhidos). A sessão inaugural acontece no Teatro São Luiz com a entrega do Prémio Literário da UCCLA e o fecho no Capitólio com um concerto de Sérgio Godinho e a participação do grande pianista Filipe Raposo. Poderá acompanhar tudo pelo link que lhe deixo abaixo e até descarregar o programa para se orientar. De Lisboa para o mundo!


Agenda – Lisboa 5L


 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco4 de maio de 2021 às 01:24

    Muito bem... precisa-se animação cultural, em Lisboa pois claro, como no resto do país, onde a vai havendo também, segundo as notícias que acompanho.
    Não sou versado no assunto, pelo que me escuso a comentar as formas de o fazer, apenas sigo a informação. Aliás e infelizmente nem frequentador posso ser!
    No entanto, parece-me que é o que falta aos autarcas e presidentes de câmara, interessam-se apenas por manter a câmara no partido a que pertencem e muito pouco pelo bem-estar moral e cultural dos munícipes... não são presidentes de câmara na verdadeira acepção da palavra, antes políticos que suportam o ministério e o governo que os tutelam, ou lutam contra eles porque de partido diferente e por esse princípio. Enquanto isso não mudar...
    Enfim, lembro o Moita Flores pelo que fez em Santarém, logo designado pelos do bota-abaixo como "o Moita das festas" ... abençoado! Depois regressou o cinzentismo com um sorriso simpático mas que só se preocupa com o debate e a luta partidária, nada fez pela cidade em nenhum sentido, e, muito menos o cultural porque não têm essa sensibilidade os políticos, infelizmente não são de modo geral homens de e da cultura. O actual candidato pelo CHEGA, parece estranho, mas é um homem de cultura, da cultura rural e já defende a Cidade Capital do Gótico (que nada ganha com isso) como Capital do Mundo Rural... é o que eu sou e é aminha cultura, é uma cultura por muito que se julgue que não. Ou seja, denota apenas a falta de cultura de quem assim pense! O ruralismo não é só folclore, feiras e arraiais, festas populares... tem ambiente natural, tem música em vários géneros, tem pintura, tem os seus pensadores, tem pintura, e, tem LITERATURA - muita! Até poesia...

    Acabo de ler nas notícias uma entrevista de Carlos Moedas, que fala exactamente na sua aposta para uma Lisboa cultural, que espero seja clara... que não passe apenas pela turistização (aliás necessária e positiva) intensa da capital, pelas ciclovias ou outras iniciativas folclóricas de duvidoso resultado e sempre muito bem anunciadas pela máquina propagandística, mas que em termos culturais pode certamente ir muito além, dado que Lisboa é "uma porta para o Mundo", uma cidade multicultural e multicolorida, multiracial, com uma história e monumentalidade, tradições, que fazem dela um marco cultural a quem tenha essa sensibilidade, abertura e o queira fazer em vez de fazer propaganda política continuada. Esperemos para ver, o que aí vem.

    Saudações culturais, cá da Cidade Morena!

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  2. António Luiz Pacheco4 de maio de 2021 às 01:46

    Lançamento do livro "Palavras ao Mar"
    No Dia Mundial da Língua Portuguesa, 5/5, às 16h (Fi) / 10h (Br), a Embaixada do Brasil em Helsinque lançará o livro “Palavras ao Mar”, sobre a história da língua portuguesa para o público infanto-juvenil.
    Com texto original de Claudia Nina, ilustrações de Laura Athayde e recursos de realidade aumentada, o livro conta a história da língua portuguesa desde a sua formação, na península Ibérica, passando por sua expansão aos demais continentes, sua transformação e situação atual de língua internacional, privilegiando a relação do idioma com seus falantes.
    O evento será transmitido pela página de Facebook e pelo Youtube do Centro Cultural Brasil-Finlândia: @ccbfhelsinki
    Link da página do YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCMhZfNMfduCDYwrm-v31R_w

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  3. Não compreendo como o Extraordinário Pacheco considera os autarcas preocupados apenas em manter os municípios na tutela do seu partido em prejuízo dos interesses morais e culturais dos munícipes, mas vê outra atitude, muito melhor para os munícipes, se os autarcas vierem a ser do Chega ou do PSD.
    Pessoalmente entendo que a situação está má e que com essas alterações ficaria ainda pior.

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    Respostas
    1. António Luiz Pacheco4 de maio de 2021 às 05:25

      Nada de confusões Caríssimo e Extraordinário Amalivros!
      Em primeiro lugar a política é assunto nosso... se falei nos candidatos não foi para fazer política nem com tais motivações, mas deixe-me esclarecer que não vejo melhor atitude nos autarcas do PSD ou CHEGA... não é isso que se pode retirar do que escrevi. Vejo-o sim pontualmente, compreende? E foi por isso que os referi, porque não tenho nem uso "antolhos" partidários, clubísticos, religiosos, ou outros, sou livre pensador e dono das minhas idéias, convicto naquilo que bem entendo.
      Neste momento, não tenho qualquer problema em me assumir (neste preciso momento, repito) como "de direita".
      Não tenho "partido", muito menos nas autárquicas, em que sempre votei nas pessoas e nos projectos que acho interessantes... é por isso que falei no Moita Flores , e, não por ter sido eleito pelo PSD mas pelo que fez e pelo seu projecto. Votei nele para o segundo mandato! Como falei no candidato Carlos Moedas e naquilo que ele disse, não me interessa se é PSD. Igualmente falo no Carlos Frazão, candidato do Chega a Santarém, porque é um ruralista como eu!
      Veja lá que fui grande apoiante do presidente comunista da Câmara de Évora, no período em que lá vivi e estudei - Abílio Fernandes! Lidei com ele e estimei-o como aquilo que era, um homem de bem que apoiava a universidade e aos estudantes! Idem para o da Câmara de Barrancos António Pica Tereno também do PCP e um ruralista. Sou grande amigo e camarada do antigo Presidente da Câmara de Sousel - Artur Torres Pereira, do PS. Também apoiante e amigo do antigo Presidente da Câmara de Santarém e grande homem da cultura: José Noras, do PS.
      Portanto não tenho qualquer pejo em dizer o que disse... se acaso o desiludi, não entendo em quê nem porquê. Lamento... não me desiluda por sua vez o Extraordinário se se declarar desiludido pelas minhas escolhas, óbvias, de rural.

      Cumprimentos livres e democráticos cá da Cidade Morena, perdoem este interlúdio político!

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    2. É preciso um grande descaramento para afirmar que não está aqui uma opção política que se pode classificar retrógrada e fascizante. O populismo conduz sem margem para erro ao fascismo. Com discursos destes somos todos enrolados.
      Mas este senhor da cidade morena não engana ninguém. As opiniões chauvinistas pululam nos seus comentários...

      PS.: Só por curiosidade, sobre este tema, veja-se um recente artigo de António Mega Ferreira no JL.

      ACCarvalho.

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    3. António Luiz Pacheco4 de maio de 2021 às 09:00

      O Senhor da Cidade Morena... sem dúvida, obrigado pelo elogio!
      O resto, tomo-o também como cumprimento. Vindo de quem me acusa daquilo que é, não posso entendê-lo de outra forma.
      Mas é assim o equilíbrio, tenho a mais o que falta ao ACCarvalho, portanto somado e a dividir por dois, dá metade a cada um.

      Saudações livres cá da Cidade Morena!

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  4. Que rica agenda! Tenho muito respeito e admiração pela Raquel Marinho (para dar um exemplo), ouço avidamente o seu podcast “O poema ensina a cair”.
    Porém estranho, no meio de uma agenda tão promissora, encontrar um workshop da Lara Barradas. Em tempos pré-pandemia fui (enganada) assistir a um workshop dela na Bertrand do Chiado. Uma perda de tempo e dinheiro. Nesse workshop, sob o nome de “escrita criativa” o mote afinal foi “como conseguir o maior número de seguidores nas redes sociais nem que para isso tenhamos de os enganar”. E eu que nem existo nas redes sociais. Aparentemente essa senhora escreve poesia. Nas suas palavras, “como as pessoas não percebem nada da minha poesia, nem de poesia em geral, ponho lá uma frase motivacional de vez em quando para manter os seguidores e assim é muito fácil ter milhares de seguidores”. Com oquem diz “como as pessoas são quase todas burras…”. Saí de lá horrorizada. Entristece-me que a Bertrand promova algo que soa tão obviamente a coisa fajuta. Mas admito ser eu quem está fora do trilho. Paciência.

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  5. Amei mencionares: de Lisboa para o mundo! Deixa eu vender meu peixe que de facto, está sendo realizado o campeonato de vela em Lisboa com velejadores de todo planeta, bem haja a nossa melhor representante em altas médias, Martina Grael. Justamente as velas se lhe vêm à calhar, pois tudo teve início lá em 1500 e da altura de séculos a Carta de Pero Vaz Caminha, suscitou algures liderando a corrida da informação. A Língua Portuguesa, deste modo através às velas chegará em distintas paragens os confins da terra. Daí por diante, à prática da pena deslanchou historicamente formalizando principalmente documentos históricos, e Lisboa tornou-se a capital mundial que iam desde regras comerciais até monopólios vincados e reinantes. Por léguas e léguas a língua aferida e reverenciada se lhe deixará a marca o brasão. Sim, a língua lhes pesa tanto quanto a linguagem, exportar valores faz e traça à herança um conglomerado de participação evolutiva ou não da espécie, já se lá vão mais de quinhentos anos dos quais, o mundo se lhes compete a margem acertiva desta infinita regata. Literalmente os 5L avançam pelos 4 pontos cardeais.

    Cláudia da Silva Tomazi

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  6. Obrigado pela informação. É uma excelente iniciativa !

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  7. Aceito a avaliação que faz, Extraordinário Pacheco, dos autarcas que nomeia, até porque se apoia no seu desempenho. Eu não tenho opinião porque não conheço o seu trabalho no terreno. Mas há dois nomes de que formei opinião apenas por atitudes que vi acontecer nos órgãos de CS. Não aprecio Moita Flores porque o via a debitar opiniões sobre desacatos, roubos e crimes violentos numa estação de TV que deploro, a Correio da Manhã. Se foi um bom presidente da Câmara de Santarém, lamento o meu desconhecimento. Não aprecio Carlos Moedas porque o vi bater-se pela privatização dos CTT, empresa vendida a baixo preço e agora a prestar um serviço pior. Mas isso foi uma opção política, temos que aceitar. Já não aceito é ver logo designada para administradora a própria mulher. Arrumei-o no lote dos que, passando por cargos públicos, retiram benefícios pessoais ou familiares.
    Quanto a Moita Flores, sendo o autor de uma série portuguesa de televisão, ou pelo menos do seu guião ou dos seus diálogos, num blogue como este seria adequado avaliá-lo nesse âmbito. Não vi mas disseram-me que não era mau.
    Abraço.

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    1. António Luiz Pacheco4 de maio de 2021 às 09:13

      Interessante e esclarecida reposta, Extraordinário Amalivros!
      Como muito bem diz, não conhecendo o nosso trabalho no terreno, não podemos nem devemos avaliar-nos, a não ser pelos nossos gostos literários aqui expostos.
      Moita Flores foi um bom presidente de Câmara, sim, no seu primeiro mandato, no segundo "borrou a pintura" como costuma dizer-se, e não resistiu à ambição, à tentação de ser presidente de uma câmara Grande (Oeiras), ou seja, teve mais olhos que barriga, não conhecendo os oeirenses, asneou, correu-lhe mal. Enfim, é a natureza humana, e concordo consigo.
      No resto não o conheço, estive e falei com ele algumas vezes, sei que é da Aldeia da Luz
      e até será de origem cigana o que não me provocam nem simpatia nem antipatia, foi alguém que teve o seu percurso e chegou longe, creio que por mérito pessoal! Não o conheço na verdade, porém, como escritor, diria que é sofrível, mediano, lê-se, sem grandes rasgos... já leu alguma coisa dele? É considerado um mestre no diálogo, talvez porque habituado a escrever guiões de telenovela, mas nos livros não o mostra.
      Li "Mataram o Sidónio" que será um bom trabalho mais jornalístico, como romance não passa do mediano. "A fúria das vinhas", desse gostei mais, mas enferma de algo que são os clichés, talvez fruto ou de ser argumentista ou do seu passado de comunista que lhe deram uma determinada visão da burguesia.
      Fiquei por aqui...
      De Carlos Moedas, nunca li nada nem creio que tenha escrito, pelo que não vamos falar dele como bem sugere... esperemos para ver o seu desempenho eventual na CML, como presidente ou vereador.

      Grande abraço cá da Cidade Morena!

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  8. Tio Alfredo, a propósito e não a propósito do tema:
    https://eduardoencarnacao.blogspot.com/2021/04/tio-alfredo.html
    Cumprimentos,
    Eduardo

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