Às cegas

Quando eu era miúda, os adolescentes apaixonados faziam de tudo para jogar ao «Pirilampo» (outros chamavam-lhe «Quarto Escuro»), uma brincadeira às escuras em que era suposto agarrar e identificar alguém e, de caminho, se calhasse ser um par de namorados, dar um beijinho sem os pais verem. Os pais, claro, odiavam a brincadeira e tentavam evitá-la a todo o custo nas festas de anos e outras reuniões que reunissem um número considerável de jovens nas suas casas. Hoje, porém, há uns blind dates menos do que platónicos, que acontecem, vejam lá, com livros (que é, de resto, o assunto que me traz sempre a este blogue). Pois bem: o Teatro Viriato quer fomentar a leitura e, para isso, com o apoio de livrarias, convidou artistas (Pedro Sousa Loureiro, Tiago Lima, Tânia Carvalho, Patrícia Portela ou Dr. Changuito) para aconselharem livros de que gostam e redigirem no site do teatro uma espécie de enigma que levará à descoberta da obra literária escolhida ou, pelo menos, a uma grande curiosidade sobre qual será. Num tempo em que a leitura está a ficar para trás, saúdo esta iniciativa de Susana Cardoso e espero sinceramente que, atrás da graça do jogo, alguns mais jovens se entusiasmem por determinado tema ou estilo e vão à procura do livro em causa. O Blind Book Date ocorre até ao fim do mês, e os pais podem ficar sossegados...

Comentários

  1. António Luiz Pacheco12 de maio de 2021 às 02:35

    É um jogo muito bom, interessante e animado!
    Não percebi bem como funciona, mas será através de rábulas, da representação de curtas cenas ou incarnação de personagens? Ou seja, a plateia adivinha o livro mediante as pistas dadas, como naquele jogo dos cinemas que jogávamos em adolescentes?
    É uma iniciativa muito positiva! Mas... se não conhecendo o livro, como é que vão adivinhar?
    Faz-me lembrar aquele maluco que estava sentado na sala do psiquiatra e de vez em quando ria a bandeiras despregadas. Questionado, explicou que para passar o tempo ia contando a si próprio anedotas, portanto ria, sobretudo quando contava uma que ainda não conhecia!
    Se não conheço "O velho e o mar", por muitas pistas que me dêem, como vou adivinhar?

    Ainda a propósito, há uma rábula literária Extraordinária do genial Rowan Atkinson, em que ele interpreta personagens de Shakespeare... vejam, que é de rir mesmo a sério!

    https://www.youtube.com/watch?v=TmQKihNpsHk
    https://www.youtube.com/watch?v=Hb6MpS54RVE

    Saudações humoradas cá da Cidade Morena!

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  2. A iniciativa é interessante e meritória... mas tinha mesmo de ter uma designação em Inglês?

    Já agora, e porque essa informação não é dada no texto, a ligação é esta...

    https://www.teatroviriato.com/pt/calendario/blind-book-date/

    ... mas parece que o «encontro literário às cegas» já terminou a 31 de Março.

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  3. Bela e louvável iniciativa.
    Mas é mais uma...que, se calhar, só se interessará por ela quem já lê, porque fomentar a leitura tenho muitas muitas dúvidas...

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  4. Salvo erro, foi o MEC que, há uns anos, disse que se devia viciar os miúdos/miúdas na LEITURA.
    Sim, compulsivamente.
    Eu, por princípio, sou contra, quando se trata de impor o que quer que seja.
    Mas, neste caso do LIVRO e da LEITURA, e para se salvar a Humanidade, até concordo com o MEC.
    Vicie-se, pois, toda a canalha na LEITURA e nos LIVROS.
    JÁ!

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  5. É curioso que esta iniciativa de leitura venha de um teatro, mas é muito louvável. Mais curioso ainda quando o teatro é de Viseu, cujo esteve "adormecido" enquanto eu lá frequentei o liceu Alves Martins e o Colégio da Via Sacra.
    Nestes finais dos anos 60, o teatro não funcionava (que eu saiba), ficando entre o Soldado Desconhecido e a Ribeira, bem perto da Escola Comercial e Industrial. No entanto, a biblioteca itinerante da Gulbenkian, que não podia abrir aos leitores na cidade, abria na periferia, em Abraveses (através da respectiva carrinha Citroen), pelo que eu era dos poucos que me deslocava, a pé, com sol ou com chuva pela avenida da Bélgica, num percurso de 5 km de ida e outro tanto de vinda para requisitar os livros. Era dos poucos (raros) que o fazia, e lembro-me de em certa ocasião, já com os livros no regresso e sem guarda-chuva, apanhar uma valente chuvada, metendo os livros por entre a camisola e o peito, para os proteger.
    Como os tempos mudam! Não havia facilidades, oportunas ofertas como esta ora anunciada pela Rosário, mas nem por isso - ou talvez por isso - o interesse nos livros foi aumentando, sem esmorecer.

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    1. O último parágrafo foi truncado por mim, inadvertidamente, dando a ideia oposta à que eu queria exprimir. Assim,
      "mas nem por isso o interesse nos livros esmoreceu; antes, pelo contrário, foi aumentando, sem esmorecer.

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  6. Curiosa iniciativa que alia a arte teatral à" leitural" trazendo à colação um novo "savoir faire" que, quem sabe, funcionará como alavanca na estrada que leva à fonte, ao Livro ...

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