Plataforma
No passado dia 23, aproveitando a circunstância de ser Dia Mundial do Livro, foi lançada uma nova iniciativa no mercado por uma parceria constituída pela LeYa e pela Kobo. Em tempos de claro sucesso do streaming, a dupla inventou uma forma de todos os que gostam de e-books ou audiolivros (e até podcasts) terem à sua disposição centenas de títulos em português e noutras línguas, para ler e ouvir nos seus dispositivos electrónicos (telemóveis, tablets ou computadores) por um preço baratíssimo. Este baseia-se numa subscrição mensal (como no Spotify) e oscila entre os 5,99 e os 7,99 euros, permitindo não apenas o acesso a uma parte do catálogo da LeYa, mas a muitos títulos de outras editoras que se quiseram associar a este projecto com os seus livros electrónicos e audiolivros (a Relógio-d'Água, a Saída de Emergência e outras). A modalidade permite, claro, ler por um preço irrisório (se consome habitualmente livros electrónicos sairá muito beneficiado com a subscrição), mas também «cheirar» algum título que pareceu que lhe podia agradar, mas até pode nem ser muito o seu género; de outra forma, se calhar já teria pago 15 ou 17 euros de que se arrependeria à frente, mas assim pode desistir ao fim de algumas páginas sem grandes remorsos e pegar noutro logo a seguir porque o preço não se altera com o número de consumos. Mas o mais importante é que esta plataforma trará certamente alguns jovens até aos livros e à literatura, sendo isso, quanto a mim, o seu maior benefício. As explicações estão todas nos links abaixo, mesmo que os Extraordinários, parece-me, sejam mais aficionados do papel. Mas é sempre bom espreitar.
http://leyaonline.com/pt/eleya/
http://leyaonline.com/fotos/video/eleya.webm

Desejo-lhes muitas felicidades,muitos anos de vida,mas comigo não contam.A nossa anfitriã pode achar que isto aproxima os jovens da literatura,mas a mim sinceramente entristece-me.Chegámos a uma era demasiado tecnológica em que não se vai ao cinema,não se compram livros,tudo nos chega duma maneira formatada,sem a genuina percepção do objeto (livro) ou da verdadeira obra cinematográfica (o grande ecrã).
ResponderEliminarTenho pena!
Caro Anónimo "Tenho pena" !
EliminarAinda bem que a tem, pois a perdigão que perde a pena, não há mal que não lhe venha... de um modo geral, concordo consigo e a análise que faz sobre o facilitismo actual, quando tudo chega formatado e pronto a usar.
Será que as novas gerações não conhecerão o prazer de cozinhar, de bricolar, de jardinar, de pescar... de manusear um livro de papel? Não sei dizer, tudo indica que sim, mas, ainda há esperança.
A propósito, ontem mesmo, o meu amigo Luiz Filipe Quinta, reputado fotógrafo da Natureza, me mandou orgulhoso, uma entrevista do seu filho Martim que aos 18 anos desenha paisagens, animais e está a surgir como ilustrador científico de grande qualidade, tendo já sido formado pelo Pedro Salgado, talvez o nosso melhor ilustrador científico.
Portanto ainda há esperança, e, acredito no livro, acredito no papel que é ecológico! Consome árvores? Sim mas as árvores plantam-se, replantam-se e não duram para sempre, apodrecem, morrem. Nesse entretanto dão papel que é bem mais natural que os aparatos electrónicos de plásticos, fibras e minerais. Claro que a electrónica é um negócio muito maior e mais volumoso que o do livro em papel, o que pesa nas tomadas de decisão, mas afinal muitos de nós somos e mantemos o romantismo, seja ele o da festa brava ou da caça, da escrita, da edição... ainda cá andamos mesmo que tidos por obsoletos, e continuaremos! Digo e desejo o mesmo para os leitores de papel.
Saudações papeleiras por via electrónica, cá da Cidade Morena!
Excelente iniciativa, claro. Que também espero angarie mais leitores, novos ou velhos!
ResponderEliminarEmbora me sinta por vezes um bocado culpada por continuar a ler em papel, contribuindo assim para a desflorestação, para os eucaliptais que ardem facilmente e transformam as nossas florestas em monoculturas,etc, resisto muito a passar-me para a leitura eletrónica. É que, fazendo as contas, são já tantas horas por dia ao computador por causa do trabalho, que os meus olhos imploram por uma leitura mais macia, orgânica, o velho querido papel.
Extraordinária Susana: não se culpe... essa culpa que sente não é verdadeira, é-lhe criada por quem a sabe manipular e usar, acredite.
EliminarCompare a indústria dos aparelhos electrónicos, a exploração do Coltan e do Lítio, entre outros, do petróleo e derivados, de tudo o que é usado na fabrico dos aparelhos que não são papel... veja o poder económico e político de quem se dedica a essa indústria, e depois diga-me que acredita mesmo no que lhe estão a vender e a usar a sua sensibilidade, para negar o papel... papel que vem das árvores, que são cortadas mas são replantadas se a indústria que as consome continuar a existir, em prejuízo da outra, da extracção dos minerais que não são repostos e causam muitos maiores males do que a exploração florestal, que se arde é porque a incendeiam, lembre-se disso.
Desengane-se, leia papel tranquila e descansadamente, com a consciência de que por cada árvore abatida, outra é plantada. E por cada IPAD ou Smartphone? O que é que é reposto? O plástico, minérios e derivados do petróleo que consomem, isso não conta, não lhe pesam bem mais na consciência?
Saudações naturais e tranquilas cá da Cidade Morena, num país onde os chineses estão a levar florestas inteiras que não replantam, e, navios de minérios, que também não repõem, ficam os buracos imensos e extensões desoladas.
Caro colega Extraordinário, muito obrigada pelo pedaço de conversa (boa).
EliminarÉ verdade que as papeleiras portuguesas cuidam bem do seu quinhão florestal e também é verdade que o lixo eletrónico é um resíduo muito mais complexo e nada amigo da biodiversidade. No entanto, se eu me mudasse para os livros lidos eletronicamente, também em princípio não iria adquirir um dispositivo adicional para o efeito.
E valeu por mais isto: fui pesquisar o que é o Coltan (desconhecia) e, afinal, talvez vá daqui com menos culpa.
Saudações aí para a Cidade Morena.
Com ofertas deste tipo, mais dia, menos dia, vou ter que me render aos e-books. Até lá vou-me deliciando com a leitura em papel. Ontem fiquei deslumbrado com as últimas páginas do "A Besta Humana" do Émile Zola, um escritor que é secundarizado em relação a Flaubert, Stendhal ou Balzac mas que me seduz mais que qualquer dos três, embora obviamente também lhes tire o chapéu.
ResponderEliminarExtraordinário Artur... a besta humana é um daqueles livros intensos! Como sabe, bem mais do que eu, Zola é um dos criadores do realismo literário. Um clássico, vários dos seus livros são clássicos. Lembro-me de, em rapaz, se discutir lá em casa a "violência" contida nos seus livros. Também o considero um dos Grandes, franceses.
EliminarAbraço.
A propósito do ZOLA (que grande escritor, mas esquecido), tive um colega de trabalho que se chamava Germinal, e como eu gostava muito do Zola perguntei-lhe quem lhe tinha posto o nome, ele disse-me foi, segundo me diz o meu Pai, o meu Avô; e sabes porque te pôs esse nome? Não, não faço a mínima ideia e já não posso perguntar ao meu Avô porque já não é vivo...nunca soube se perguntou ao pai porque nunca mais me disse nada.
EliminarRealmente quem não gosta de ler não tem a mesma curiosidade de quem gosta!
Para mim só papel.
Que interessante ! Eu tenho uns primos cujo pai tinha como primeiro nome Emílio Zola (seguido dos apelidos portugueses) porque os seus progenitores adoravam o escritor e teriam lido a maior parte da sua obra. Depois dessas gerações da primeira metade do século XX, parece que os romances de Zola foram sendo cada vez mais esquecidos. É uma perda para quem não os lê.
EliminarEste livro, "A Besta Humana", tem tudo para nos tocar na vida da sociedade de hoje: defende a tese, controversa, de que há uma obsessão de natureza genética para querer matar o próximo, trata as consequências do ciúme patológico e da violência doméstica, tem como trama inicial do enredo a pedofilia, põe uma grande máquina mecânica, a locomotiva, como um dos protagonistas, e termina com um extraordinário apelo anti-guerra através da imagem de um comboio desgovernado cheio de soldados que vão para o combate.
EliminarSendo embora um "papeleiro" convicto, e, esclarecido - não aceito nem comungo dos malefícios do papel por oposição aos benefícios do plástico e da electrónica - tenho de concordar que esta iniciativa é interessante.
ResponderEliminarClaro que teremos de pesar bem os benefícios ou malefícios... será que vai mesmo contribuir para a divulgação da leitura, que vai afastar os vindouros ou actuais do livro na versão papel?
Isso não sei, como não sei em que medida vai efectivamente angariar novos leitores ou apenas canibalizar os que já lêem?
Pela minha parte, agrada-me a hipótese de poder consultar a obra, avaliar se gosto e a compro ou não. Talvez seja um tiro no pé de quem edita, pois assim podendo escolher, deixo de comprar por impulso e só comprarei o que me interessa - tenho as prateleiras cheias de livros que assim sendo talvez não tivesse comprado...
Será que os génios da gestão e marketing, também pensaram nesse efeito contrário?
De qualquer modo vou dar uma espreitadela, quem sabe se adiro ou não.
Acho a proposta interessante, pelo que se diz supra, mas não deixarei o papel.
Saudações papeleiras cá da Cidade Morena.
Caro António. Estas grandes empresas agora estão cheias de génios, com pouca visão mas com grande capacidade de "desflorestação", nas suas tentativas de sobrevivência e resiliência, mesmo que apontem rumar ao deserto. Não se reformam, tornam-se uniformemente disformes na sua orientação para as massas — sejam eles quais forem. Orientar a leitura de livros para plataformas digitais é mais um prego para a banalização da leitura e para a total irrelevância da autoria, das obras, dos livros, como se obras literárias fossem obras escolares, daquelas que já perderam toda o “corpo”, que se desmaterializaram, não sendo mais do que objectos parciais e quebrados, à medida das típicas, desconcertantes e esvoaçantes exigências escolares. É já não lhes dar nem o tempo frágil dos iogurtes, mantendo-os não numa dimensão de objectos completos, mas atirando-os para a pobreza binária onde se tornarão objectos ruidosos, feitos de silêncios ruidosos de silvos, como lixo orbital. Também me parece que a consequência será canibalizar os que já lêem, tornando o livro um objecto cada vez mais desprovido de valor, cada vez mais um produto de óptica de resíduo "frásico", fazendo cada vez mais dos autores material de passador de carne com o fito da comercialização dos croquetes industriais. Terá a virtude única de facilitar a vida aos invisuais, mas a tragédia de tornar a sociedade, cada vez mais de cegos, acomodados, soldadinhos de plástico. Talvez aqui seja mesmo o melhor lugar para se usar "o Adeus Futuro", mesmo sabendo nós que o "Adeus Futuro" é parte integrante da percepção do nosso próprio futuro. Um "Olá Futuro", como todos os Futuros que teimam em não querer nos pertencer, mas não necessariamente um melhor caminho para os Homens ambicionarem partilharem a melhor e mais eterna vida dos Deuses.
EliminarCom as devidas correcções:
EliminarCaro António. Estas grandes empresas agora estão cheias de génios, com pouca visão mas com grande capacidade de "desflorestação", nas suas tentativas de sobrevivência e resiliência, mesmo que apontem rumar ao deserto. Não se reformam, tornam-se uniformemente disformes na sua orientação para as massas — sejam elas quais forem. Orientar a leitura de livros para plataformas digitais é mais um prego para a banalização da leitura e para a total irrelevância da autoria, das obras, dos livros, como se obras literárias fossem obras escolares, daquelas que já perderam toda o “corpo”, que se desmaterializaram, não sendo mais do que objectos parciais e quebrados, à medida das típicas, desconcertantes e esvoaçantes exigências escolares. É já não lhes dar nem o tempo frágil dos iogurtes, mantendo-os não numa dimensão de objectos completos, mas atirando-os para a pobreza binária onde se tornarão objectos desagradáveis, feitos de silêncios ruidosos de silvos, como lixo orbital. Também me parece que a consequência será canibalizar os que já lêem, tornando o livro um objecto cada vez mais desprovido de valor, cada vez mais um produto de óptica de resíduo "frásico", fazendo cada vez mais dos autores material bruto de passador de carne com o mesmo fito da comercialização dos croquetes industriais. Terá a virtude única de facilitar a vida aos invisuais. Mas a tragédia de tornar a sociedade, cada vez mais de cegos, acomodados, soldadinhos de plástico. Talvez aqui seja mesmo o melhor lugar para se usar "o Adeus Futuro", mesmo sabendo nós que o "Adeus Futuro" é parte integrante da percepção do nosso próprio futuro. Um "Olá Futuro", como todos os Futuros que teimam em não querer nos pertencer, mas não necessariamente um melhor caminho para os Homens ambicionarem partilharem a melhor e mais eterna vida dos Deuses. «Vemos, ouvimos e lemos», mas não sabemos partilhar.
Já fui ver... complicação, tenho de me registar não sei onde nem para quê, através de password, pelo facebook ou google... com que finalidade?
ResponderEliminarNão, estava à espera de uma coisa simples, de poder aceder a uma plataforma através de uma inscrição e pagamento da quota, não esta trapalhada toda, inquisitória e cheia de passos e complicações.
Não é para mim, que ainda uso computador a petróleo!
Manterei as idas às livrarias e a leitura no papel, no computador bastam-me os relatórios e as pesquisas que faço.
Tchau!
Comigo não contam também, gosto do livro nas minhas mãos, da casa e do cheiro dos livros, como dizia uma poeta; estou a ler Recordações da Casa dos Mortos de Dostoievski e o Espelho e a Luz da Hilary Mantel, mas neste perco-me na infinidade de intervenientes e não tenho paciência para consultar a lista de personagens que vem logo no princípio! Não sei se chegarei ao fim das 800 páginas!
ResponderEliminarBom dia com alegria
ResponderEliminarConfesso que me sinto tentado pelo audio-livro, pela troca de sentidos: a minha visão está mais gasta que a audição.
Porém, ao não ter uma visão sobre o catálogo disponível e, á cabeça, me pedirem um cartão de crédito, fizeram-me dar meia volta.
Mas não vou desistir do audio livro.
E como tenho um iniciado nas lides do francês, sou capaz de voltar a estudar:
https://www.librairie-audio.com/fr/catalogue-complet/1702-bouvard-et-pecuchet-9782844681270.html
Quanto ao e-book, lamento. Já passo muitas horas a queimar as pestanas em frente a um écran, não é para mim.
Saúde e boas leituras
cp
PS: Parece que a lei do preço fixo do livro foi alterada. Uma novidade agora vale 2 anos, em vez dos 18 meses. Confesso que não percebo o objectivo nem antevejo mudanças estruturais no sector, nem nos hábitos de leitura, por via de medidas avulsas como esta...
Creio que sim, que os Extraordinários são mais aficionados do papelo. É o meu caso.
ResponderEliminar*papel.
ResponderEliminarNão resisto a comentar:
ResponderEliminarOlá futuro! :)
Rui Miguel Almeida
Eheheheh!
EliminarExtraordinário Anónimo que lê "O Espelho e a Luz", o seu esforço não será suficiente se pensar que tem que chegar às 800 páginas. É que são quase 900! Mas aconselho-o a prosseguir, confesso que gostei do livro e principalmente da obra completa (3 tomos). A lista de personagens foi-me de grande utilidade. Embora ficção, a base é real, muito poucas personagens são inventafas. A quase totalidade dos nomes também é real e então atropelam-se os Thomas, as Marys, as Catherines, as Annes e Anas, os Henrys, os Francis, o diabo a quatro. Boa leitura, se puder.
ResponderEliminarO meio digital é um trilho relativamente novo mas com futuro pela frente ainda no presente.
ResponderEliminarEmbora não dispense o livro- papel (com o seu quê de tacto e de olfacto, imagine-se que até existem espécies que teimam em tomar-lhe o gosto) não posso deixar de pensar na variedade de caminhos que, ainda que não cheguem a Roma, possam, pelo menos, incrustar no meu ser uns pólens de uma outra visão. E quem sabe, não terei surpresas na minha própria evolução ?
AM
Ebooks... já pensei nisso muitas vezes ...até porque se torna mais barato quando se lê muito e não se tem seguidores em casa ...mas o problema é q as traduções são para português brasileiro que não me interessam mesmo nada ! Seria só para autores portugueses apenas e assim não é rentável além de que prefiro o livro em papel !
ResponderEliminarTalvez a inscrição numa biblioteca ?