O livro do comendador

Se há figura que reúna a simpatia da maioria dos portugueses, é Rui Nabeiro, o fundador e presidente dos cafés Delta. Natural de Campo Maior, de família humilde, órfão de pai relativamente cedo, começou a trabalhar com um tio e acabou por tornar-se um dos maiores, mais ricos e menos exibicionistas empresários portugueses da actualidade. Além de ter dado emprego a muita gente, foi magnânimo com a sua terra alentejana, tendo, entre muitas outras iniciativas, criado um centro educativo para as actividades extra-curriculares das crianças, a que deu o nome da mulher (Alice) e patrocinado a investigação em biodiversidade na Universidade de Évora. Condecorado por Mário Soares e Jorge Sampaio, é também o assunto central do último romance de José Luís Peixoto, Almoço de Domingo. Ao que parece, depois de ter visto que o escritor dedicara um livro a Saramago (Autobiografia), o empresário ter-lhe-á sugerido que escrevesse a sua biografia, e o romancista contrapropôs-lhe fazê-lo personagem de um romance biográfico. Na verdade, em Almoço de Domingo, ouvimos o Rui Nabeiro do passado na primeira pessoa e, simultaneamente, vemo-lo no presente pelos olhos de um narrador que o imagina nos dias que antecedem o seu 90º aniversário e na festa de anos, rodeado de filhos, noras, netos e bisnetos. Mas não se trata de uma vida contada cronologicamente, antes feita de episódios (muitos deles desconhecidos do público, como a morte da irmã mais nova ou o convite para a inauguração da Ponte sobre o Tejo, e outros que talvez sejam uma espécie de extrapolações de Peixoto sobre ideias mais ou menos consensuais a respeito de Rui Nabeiro). Sem dúvida, esta é uma maneira bonita de homenagear «o senhor Rui».

Comentários

  1. António Luiz Pacheco19 de abril de 2021 às 01:28

    É verdade que Rui Nabeiro é um Português que merece a nossa estima e respeito.
    Trabalhei com ele (não para ele!) e estive com ele nalguma caçada, pois é possuidor de um couto de caça. É simples, afável e uma pessoa de quem se gosta, estimável.
    Pelo que sei, a sua vida daria mesmo para uma série, daquelas exemplares, pois é uma pessoa inspiradora.

    Felizmente que conheci muitas pessoas assim, o que me faz sempre ter fé e esperança.
    Só é pena não sermos governados por pessoas com os mesmo sentimento em relação a nós, povo português, pois se muitos dos nossos empresários nos desprezam, a totalidade dos políticos e governantes, esses mesmo nos detestam!
    Não gostam de nós, do povo, gostariam sempre de governar outros povos em que anseiam transformar-nos, não governando para nós mas contra nós.
    Creio que muitos sentimos isto que digo. Eu como expatriado ou emigrante, sinto-me ainda pior, sendo de tal modo desprezado que nem sequer conseguimos votar!
    Hoje vou ter uma sessão com a Drª Berta Nunes, Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, onde creio que vou ouvir mais um desfiar de banalidades, falsas intenções e muitas mentiras e gabarolice sobre as fantásticas (no sentido lato do termo) realizações do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Governo para connosco emigrados. Vou porque me telefonaram do consulado a "convidar" , pois certamente não vai estar quase ninguém da comunidade. Só porque sou amigo amigo pessoal do Cônsul me presto a ir fazer número, mas levo umas Rennies no bolso.
    No entanto devo ressalvar que a Dra. Berta Nunes, uma reconhecida e activa ruralista, me merece respeito enquanto médica do interior e fundadora desse movimento dos médicos rurais, pena que se tenha prestado a esta palhaçada do cargo que agora ocupa, enquanto socialista assumida nesse preencher de casas deste jogo do governo.
    Enfim, é o que temos: governantes soberbos, inchados na sua autoproclamada excelência, cheios de privilégios e com o futuro garantido ao contrário daqueles que governam, os sustentam e por quem nada fazem a não ser inventar leis e proibicionismos para lhes complicar a vida e manter submetidos, além de tratarem da sua vida pessoal e interesses.
    Também disso teria muito a contar o sr. Rui Nabeiro!

    Espero que lhe façam a biografia, justa e verdadeira... fico a aguardar! Há aí muito biógrafo de qualidade e ele merece que a sua vida seja conhecida ao pormenor.

    Saudações expatriadas, cá da Cidade Morena!

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  2. Ainda não li o "Almoço ao Domingo" mas adorei o "Autobiografia" do José Luís Peixoto em que Saramago surge como um anjo da guarda que vai secretamente resolvendo as tendências autodestrutivas de um seu colega mais novo que foi encarregue de escrever a sua biografia. Que belo livro ! Ainda para mais recordou-me o Olivais da minha adolescência. O "Galveias" é outro livro absolutamente fascinante do Peixoto. Claro que irei ler o "Almoço ao Domingo".

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    1. António Luiz Pacheco19 de abril de 2021 às 09:04

      Encarregue/encarregado:
      Estas duas palavras existem na língua portuguesa e estão corretas. Encarregue é a forma conjugada do verbo encarregar na 1ª e 3ª pessoas do singular do presente do subjuntivo ou na 3ª pessoa do singular do imperativo afirmativo. Encarregado é a forma correta do particípio do verbo encarregar, que se refere ao ato de ser responsável por um cargo ou por uma tarefa. Com o crescente uso pelos falantes da palavra encarregue como particípio, alguns dicionários já a consideram um particípio irregular do verbo encarregar, afirmando ser uma alteração inevitável que contribuirá para a evolução da língua.

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  3. Encarregue ou encarregado?

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  4. Apenas conheço Rui Nabeiro através de entrevistas e mereceram-me simpatia algumas das suas declarações que me levaram a concluir existir sempre a possibilidade de se encontrarem empresários que o sejam mesmo - «Hei de ser um rico diferente dos que há por aí.»
    Lembro-me de ter pensado que a vida deste homem dava um romance, ou um filme.
    Quando soube da transformação, feita por José Luís Peixoto, de não fazer uma biografia mas sim uma biografia romanceada de Rui Nabeiro, gostei da ideia e, acima de tudo, por motivos muito meus, gostei do título: «Almoço de Domingo».
    Comprei o livro. Não gostei tanto como pensava que iria gostar. Por um destes dias terei que o ler novamente. Como é timbre culpar a pandemia por tudo e por nada, aproveito a boleia.
    «Os livros não servem apenas para serem lidos, essa não é a sua única função. Às vezes, basta olhar para eles, intuir ou recordar o que contêm. Às vezes, basta mudá-los de lugar.» (José Luís Peixoto em «Autobiografia».

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  5. No âmbito da minha actividade profissional tive oportunidade de visitar a DELTA em Campo Maior. Ali fui principescamente recebido; tive oportunidade de conhecer o grande Senhor que é Rui Nabeiro.

    Campo Maior foi a terra onde, até hoje, fui mais bem recebido tal como a DELTA foi igualmente a empresa onde fui mais bem recebido até hoje - simplesmente inesquecível!

    Rui Nabeiro é um dos maiores portugueses de sempre!

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    1. "Rui Nabeiro é um dos maiores portugueses de sempre!" Si, pode pôr-se ao lado de Vasco da Gama, Luís de Camões, Garcia da Horta etc.

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    2. Compreenda-se, obviamente dentro do âmbito (restrito) em que se situa e concerteza com os seus defeitos e virtudes.

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  6. Estou atualmente a ler o "Almoço de Domingo" e estou encantada. Acho que José Luís Peixoto fez um belíssimo trabalho (mais um).
    Também estive na DELTA recentemente, por motivos profissionais, e pude constatar o profundo respeito e admiração com que todos falam do Sr. Rui, todos. É, de facto, algo raro de se encontrar nas empresas. Campo Maior até parece ter uma espécie de aura de terra sortuda por causa deste senhor. Bem Hajam ambos.
    E, já agora, bem haja a dona deste blogue também que, tanto quanto julgo saber, foi quem "descobriu" o JLP!

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