O escritor filmado

Um dia destes andava à procura do título original de um filme sobre o escritor C. S. Lewis (aquele em que mais terei chorado na vida a seguir a O Meu Pé de Laranja Lima). Chamava-se, afinal, Shadowlands (cá penso que era Dois Estranhos e Um Destino) e descobri-o numa lista de filmes  sobre escritores incrivelmente extensa quando, na verdade, não tinha noção de que os escritores fossem matéria-prima de filmes tão frequentemente (excepto, claro, enquanto autores de livros em que se baseiam os argumentos). Mas é mesmo surpreendente a quantidade de filmes em que os escritores são protagonistas. Alguns tornaram-se, de resto, inesquecíveis, como O Carteiro de Pablo Neruda ou A Sangue Frio (sobre Truman Capote), Henry and June ou Shakespeare in Love. Mas também há o escritor fictício em filmes como Misery (o desgraçado a quem a admiradora não perdoa ter acabado com a série que ela adorava) ou O Escritor Fantasma, bem como o escritor verdadeiro metido numa obra ficcional (Virginia Woolf em As Horas, por exemplo, ou Hemingway e Fitzgerald em Meia-Noite em Paris). A lista nunca mais acaba, garanto, e, ao lê-la, apeteceu-me rever alguns filmes que adorei na altura (Heart Beat, sobre a Beat Generation) ou que estão já enevoados na minha memória (Barton Fink, por exemplo); e ver muitos dos que perdi, como Sylvia (sobre Sylvia Plath) ou Iris (sobre Iris Murdoch). Há tanto por onde escolher que nem sei por onde (re)começar.

Comentários

  1. Há mais um que eu achei interessante The Shadow Dancer (Paixões sob o Sol da Toscana) de 2005, com Harvey Keitel na pele de um escritor Weldon Parish, que não escreve nada há 20 anos e a luta de um editor inglês para que recomece a escrever; só pelo ambiente acho que vale a pena.

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  2. Correndo o risco de ser atropelado por alguém que não concorde, permito-me nomear um filme, que não será bem do género aflorado no texto, mas anda à roda de livros e, acima de tudo, é a história de uma amizade: «Procurando Forrester» de Gus Van Sant.

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    1. Por acaso já vi, é bem interessante com o falecido Sean Connery.

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    2. António Luiz Pacheco7 de abril de 2021 às 03:52

      Já me desviei para a berma, caro anónimo apeado... também gostei do filme!
      Abraço, estimo não o ter salpicado... eheheh!

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  3. Manhã Submersa, de Lauro António onde Vergílio Ferreira é não só o personagem ficcionado quando jovem mas também é ator.
    Teve graça ele revelar que, enquanto escritor, ninguém o reconhecia em público, mas assim que desempenhou um papel no cinema olhavam muito para ele.

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    1. Não quero estar a ser injusto mas creio que foi no "Manhã Submersa" que me deu uma moleza que não resisti a uma bela sorna de cerca de duas horas...e eu que sou um leitor quase fanático do grande Vergílio Ferreira.

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  4. António Luiz Pacheco7 de abril de 2021 às 04:18

    Há belíssimos filmes sobre escritores! Há pois!
    Um editor de génios, já nós aqui falámos, lembram-se? Que filmão!
    Outro que vi e a propósito do muito bom com um actor que detesto, Meia-noite em Paris (quem diria!) , sobre Hemingway, o qual aconselho vivamente (gostei muito!) é Papa (Hemingway em Cuba) com um actore de que gosto muito: Giovanni Ribsi.
    Há dois que não consegui ainda ver mas muito gostaria... alguém conhece ou viu?

    - Hemingway & Martha, com dois actores fantásticos: Nicole Kidman e Clive Owen.
    - Hemingway e Fuentes - com outros dois grandes actores, Andy Garcia e Annette Dening.

    O bom cinema e a literatura estarão intrínseca e fatalmente unidos, sempre!
    Acho eu!

    Saudações cinéfilas cá da Cidade Morena.

    PS - Quem tenha curiosidade e goste de afro-jazz, oiça este belíssimo Praia Morena , da Irina Vasconcelos, enfim, chamado de "rock" ... logo a abrir, na imagem primeira vê-se a ponta do Sombreiro, - de "A Sul o Sombreiro", fabuloso livro de Pepetela! Também aconselho!
    O link: https://irinavasconcelos.com/videos/irina-vasconcelos-praia-morena-official-video/

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  5. "Um Editor de Génios" ("Genius", 2016) sobre Marxwell Perkins (Colin Firth) que é um filme sobretudo sobre a sua luta para tornar legíveis os livros de Thomas Wolfe (Jude Law), mas em que também aparecem Hemingway e Fitzgerald que foram editados por ele.

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    1. Também recomendo. A história do editor e a sua relação com o escritor é muito interessante.

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  6. Houve dois filmes sobre o Charles Bukowski, num estilo semiautobiográfico, "Contos da loucura normal", interpretado pelo Ben Gazzara, e "Barfly - Amor marginal", interpretado pelo Mickey Rourke. Neste último, o próprio Bukowski faz uma curta aparição. Um bom filme sobre um escritor fictício é o "Shining", do Stanley Kubrick.

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    1. De repente só me lembro de dois filmes que gostei mais do que dos livros ("Shining" e "12 anos escravo".

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    2. Filmes melhores do que os livros:
      A Idade da Inocência de Scorcese
      Morte em Veneza
      As Pontes de Madison County

      Igualmente bons:
      Expiação
      O Leopardo

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    3. Excelente seleção!

      Retirava, contudo, o "Morte em Veneza" do Visconti, e acrescentava "Lolita" do Kubrick.

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    4. Isabel Castelo Branco8 de abril de 2021 às 10:51

      Acresceria "O paciente inglês". Não obstante o livro ser excelente, o filme consegue suplantá-lo, em subtileza, sensibilidade, por entre aquelas imagens fabulosas do deserto. :)

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    5. "As Pontes de Madison County" - gostei do filme mas não sei se não gostei mais do livro (excelente).

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  7. Vi, há uns meses, um filme intitulado "As Palavras", sobre um escritor, interpretado por Bradley Cooper, e em que participavam igualmente Jeremy Irons e Dennis Quaid. O filme tinha um ponto de partida muito interessante: um jovem aspirante a escritor, constantemente recusado pelas editoras, encontra, numa velha pasta, comprada numa loja de velharias, em Paris (onde passa a lua-de-mel), um manuscrito com cerca de 50 anos e escrito em inglês. Depois de o ler, ele fica siderado. Como o papel já está em mau estado, ele passa tudo para o computador. Em seu abono, diga-se que a ideia de fazer de conta que é de sua autoria só lhe surge, quando a mulher o lê no computador, julga que é dele e fica emocionada, dizendo-lhe que afinal ele escreve muito melhor do que o que ela imaginava. Ele fica sem coragem para dizer que não é dele e é aí que tem a ideia. Como trabalha, entretanto, numa editora, entrega o manuscrito ao dono, afirmando ser ele o autor. O editor fica, aliás, muito cético, pois já leu algo dele e põe o manuscrito de lado. Um dia, porém, passado bastante tempo, dá com aquilo, começa a ler e fica igualmente siderado. Enfim, o texto é publicado e o jovem torna-se num escritor conhecido e elogiado.

    Até aqui, o filme é interessantíssimo. Mas a resolução deste enredo desiludiu-me. O verdadeiro escritor (Jeremy Irons), entra em contacto com ele e a sua história (e a do manuscrito) é contada num "flash-back" muito meloso. Mas do que não gostei mesmo foi do final, enigmático no mau sentido (na minha opinião), precedido de uma cena muito confusa.

    https://www.adorocinema.com/filmes/filme-190358/criticas-adorocinema/

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