Maldita pandemia
Neste confinamento forçado senti muito a falta de ir a museus, embora não tivesse a noção de ir assim tantas vezes a exposições permanentes ou temporárias quando o vírus ainda não tinha dado as caras neste mundo. De qualquer modo, se calhar, a visita a museus está também associada a viagens a outras cidades e países, outra coisa de que, fechados em casa, não conseguimos evitar ter saudades (há mesmo muito tempo que não ficava um ano inteiro sem sair de Portugal, mesmo que fosse só para dar um pulo à Galiza ou à Andaluzia). Falo, porém, dos museus porque ignoro como se conseguiram aguentar sem visitas (a conservação e o restauro de obras de arte, bem como os salários dos que ali trabalham têm de vir também das entradas pagas todos os dias pelos que os visitam) e li no The Guardian um artigo sobre o tempo que, em todo o mundo, vão levar a recuperar os museus cujas visitas foram menos 77% em 2020 do que num ano normal (12 visitantes para os 30.000 habituais em três meses aconteceu nas gravuras de Foz Coa!). Em todo o mundo, houve apenas 54 milhões de visitantes no ano passado em vez dos 230 milhões de 2019; e o investimento que estas intituições tiveram de fazer no digital para se tornarem presentes e lembradas não será amortizado tão cedo, se alguma vez o for. Um editor holandês disse-me que as vendas de livros no mercado normal baixaram na Holanda 70% nos primeiros meses de 2021 e eu suponho que cá, com as livrarias fechadas, as coisas não andem longe desses números. Maldita pandemia que nos afasta permanentemente da beleza...
Bom dia com alegria (e pandemia)
ResponderEliminarAlguém dizia que o mundo pula e avança.
No entanto, tal nunca ocorre de forma linear, sempre houve e haverá recuos, retrocessos, encruzilhadas, progressos.
Este tempo é, ou pode ser, uma encruzilhada.
Crise, etimologicamente, não tem a conotação negativa que vulgarmente se lhe cola.
Se a vida nos dá limões tratemos de fazer limonadas
Mais do que nos lamentarmos sobre o passado, ou o estilo de vida passado, que já não temos, importa olhar para o futuro e desenhá-lo da melhor forma.
E há tantas lições do passado que nos poderiam ajudar a construir um futuro melhor.
Por isso, detestando o COVID e os seus impactos, não sei se há males que não vêm por bem
Tratemos de aprender, reagir, em suma, viver
Bom fds, Saúde e Boas Leituras
cp
PS: A ler "Sobre o politicamente correcto" de Manuel Monteiro (revisor linguístico)
Bom ... é mais um capítulo das nossas vidas, este da pandemia.
ResponderEliminarNão me sinto particularmente afectado, eu que aos 55 anos mudei radicalmente de vida e de hábitos, deixando para trás práticamente tudo: pessoas, os meus cães... que foram morrendo uns e outros, tanta coisa de que gostava e a que me habituei.
Certamente que como eu, muita gente, afectada pela crise económica e social do nosso país, cujo um dos muitos responsáveis saberá hoje se vai ser julgado!
Agora, aí temos nova crise! Já não me afectou, esta... que mais o Covid me faria? Tirar a vida? Já morri por três vezes, não temo partir, embora tenha pena. Mas estou tranquilo quanto a isso, aliás acredito que ainda faço falta por aqui e que para cá vim por razões que desconheço mas adivinho pelo desenrolar dos acontecimentos e porque ainda tenho um romance para publicar. Esta tarde viro mais uma página nesta minha actual função de poder ajudar os outros... pelo menos fica-me essa satisfação, a de ter colocado em posição alguns peões no grande tabuleiro do jogo, eles que se mexam.
No resto, fica a saudade de ter um perdigueiro (agora uso os do meu sobrinho...) , a pena de não ver crescer as minhas perdizes que depois caçarei com paixão, de ter trocado os meus sargos e robalos pelas garoupas-chumbo e pargos lucianos, o vazio de só estar com os meus apenas uma ou duas vezes por ano, o incómodo de estar longe da minha cozinha, dos meus livros, da lareira... a falta de respirar o ar dos meus pinheiros nas manhãs frescas de Junho, de sentir a nortada nos plátanos ou tremer com o Suão nos eucaliptos, de ouvir os chocalhos das vacas mertolengas em frente da porta, trilhar picadas no planalto em vez das estradas sinuosas do meu Bairro Ribatejano, ambas me dando no entanto acesso a essa Largueza que se substitui e me preenche a alma!
Nós , portugueses, somos assim... presos aos nossos hábitos e tradições, porém ao mesmo tempo desprendidos, capazes de largar tudo o que gostamos para ir ver e criar outras coisas noutros lados!
Encaremos deste modo a pandemia! Como um mero acidente consequência de estarmos vivos. Adaptar-nos-emos, como sempre foi e espero será.
Votos de um fim de semana proveitoso e animoso!
Fica aqui, para quem queira acompanhar a leitura do tema de hoje com uma canção do nosso Extraordinário Rui Veloso, que acho se aplica... não é logo que passe a pandemia, mas adapta-se....
https://www.youtube.com/watch?v=VIFWjuuE-ZI
Saudações e ânimo, cá desde a Cidade Morena!
Sofrem as pessoas, sofrem os livros, maldita cocaína. Ah, isso foi uma sequela da pandemia anterior.
ResponderEliminarBom fds, com leituras, pois claro.
Pois esta pandemia - que mossa e sofrimento causou em tantas actividades e famílias -, teve e irá ter, como tudo tem, alguns aspectos positivos. Um deles é a presumível alteração da relação do produtor com o consumidor, uma relação paradoxalmente mais virtual, mas menos a distância, cortando circuitos e intermediação; outro, a de que cada vez mais devemos assentar a nossa vida num modelo mais espartano, que dê mais sustentabilidade ao futuro do ser humano e ao planeta; outro, ainda, pela percepção de relativização da importância de cada um neste palco mundo. No plano literário, muita obra irá sair das gavetas, ainda agora tendo visto no "livro das faces" as provas do novo livro do Sandro William Junqueira, "um drama pouco burguês" de "Uma Sangrada Família"... grande título! Relativamente ao futuro e por ele ser apenas uma abstracção mental reflectindo a nossa esperança num porvir que será sempre um bocadinho nosso, mesmo que operacionalizado por interpostas gerações, direi mesmo: «Olá, futuro!»
ResponderEliminarEstranho o silêncio dos Extraordinários... o tema tinha muito para dar, mas posso estar enganado!
ResponderEliminarQuanta literatura sairia daqui, deste tema?
Quanta existe? Ah... tanta, mas tanta... eu traça roí muitos livros, mas sou só uma traça!
Bom fim de semana a todos, sinceramente, tivesse trazido e hoje poria a gravata preta, a do luto.