Centenário
Comemorou-se na semana passada, mais concretamente no dia 7 de Abril, o centenário do Diário de Lisboa. Muitos dos leitores deste blogue lembrar-se-ão ainda deste vespertino que foi publicado até 1990. Era um jornal republicano que começou por ter oito páginas, mas depressa cresceu e se tornou uma publicação de referência, para a qual escreveram figuras de relevo em todas as épocas. Passaram pelas suas páginas Almada Negreiros, Aquilino, Pessoa, António Sérgio, Alexandre O'Neill e muitos outros. Nos anos 1970, o meu pai lia-me deste jornal as «Redacções da Guidinha», que eram umas crónicas aparentemente ingénuas mas com um sentido político subjacente, assinadas por Luís Sttau Monteiro, que era o director de um suplemento chamado «A Mosca». São numerosos os jornalistas conhecidos que passaram pela redacção do Diário de Lisboa, como Artur Portela, José Carlos Vasconcelos, Assis Pacheco, Mário Zambujal, Joaquim Letria ou Diana Andringa. A Família Ruella Ramos, proprietária do jornal, ofereceu uma colecção inteira à Fundação Mário Soares e Maria Barroso, que a digitalizou na íntegra e a disponibiliza para consulta a todos os interessados. É nesta fundação, nomeadamente com um colóquio no dia 30 deste mês, que se organizarão várias sessões dedicadas ao centenário do Diário de Lisboa. Fique atento.
Era o meu jornal da Tarde dos anos 60; o seu Suplemento Literário das 5ªs feiras um portento, coordenado pelo falecido Victor Silva Tavares; a colecção que eu guardava na garagem da minha casa da Beira Alta foi comida pelos bichos e com muita pena minha teve de ir para o lixo!
ResponderEliminarOs jornais, antigos, eram de referência pois neles escreviam jornalistas e gente das letras, cultura... eram Jornais. Hoje há pasquins, onde uns mentecaptos publicitam e defendem as suas próprias idéias, mas geralmente de forma pouco esclarecida e menos verdadeira. Outros fazem o que sempre se fez: propaganda ao regime, de forma mais ou menos velada, e, por aí não há grande novidade. O que faltam mesmo são as mentes cultas e esclarecidas daqueles que faziam dos jornais essa referência, e, de caminho até informavam não se limitavam a dar a sua versão ou a versão oficial partidária, diziam o que se tinha passado! Se a censura deixasse, claro... mas tinham maneiras hábeis e inteligentes de fintar o censor, esse aparentemente pouco esclarecido e menos inteligente, segundo corria...
ResponderEliminarOs jornais, desaparecerão? Na versão papel? Não sei, mas se desaparecerem será muito por sua própria culpa, muitos deles são tão, mas tão sectários, que deveriam ser proibidos!
Tenho um velho amigo no DN, com quem me pego constantemente por causa da sua conduta branqueadora que acho inadmissível numa pessoa com responsabilidades, além de que o mal que uns fazem não pode ser justificado pelo que de mal outros tenham feito!
Para desopilar, lembro-me de uma anedota que envolve um "ardina" (vendedor ambulante de jornais e uma antiga fígura típica) em plena Baixa lisboeta, a vender creio que o Diário de Lisboa, vespertino.
Jornal na mão, gritando bem alto:
"É a burla do século! Olha a burla do século! 31 Vítimas... olh'á burla do século!".
Um passante puxando das moedas: "ó rapaz, dá cá um..."
Jornal entregue, moedas recebidas e o moço continua gritando bem alto:
"Olh'á burla do século! É a burla do século, 32 vítimas!".
Saudações jornalísticas cá da Cidade Morena.
Quando o DL acabou senti-me órfão. Ainda procurei outro para manter um jornal para ler, mas foi na verdade um luto pois tempos mais tarde deixei de ler jornais. Gostaria de acrescentar o nome de José Cardoso Pires que, além do mais, desempenhou funções de administrador.
ResponderEliminarSó a crónica diária do Mário Castrim valia o jornal.
ResponderEliminarA sério?!! Acha que sim!
EliminarSó quem leu o «Diário de Lisboa» nos tempos amargos e cinzentos, pode ter a clara noção do que um jornal representa na vida dos cidadãos. Hoje, podemos chegar ao possível exagero de dizer que já não há jornalistas mas existe gente sinistra que deseja o fim dos jornais.
ResponderEliminarNum voo de pássaro, deixo-vos o que me lembro do «Diário de Lisboa»:
- «Juvenil» coordenado por Mário Castrim de onde saíram futuros escritores, poetas, artistas plásticos… até políticos…
- «As Opiniões que o DL Teve» - José Saramago
- O «Canal de Crítica» do Mário Castrim
- As críticas de cinema do Lauro António, Eduardo Prado Coelho, João César Monteiro, José Vaz Pereira, as críticas de teatro do Carlos Porto
- Suplemento literário, dirigido por diversas personalidades, com críticos como Álvaro Salema, Mário Sacramento, Eduardo Prado Coelho, Vitor Silva Tavares
- Suplemento «A Mosca», um louco suplemento, onde foram publicadas, as «Redacções da Guidinha» de Luís de Sttau atrás referidas pela Maria do Rosário Pedreira
- Crónicas diárias na 3ª página de Pedro Alvim, Eduardo Guerra Carneiro, Manuel de Azevedo, Fernando Assis Pacheco, José Carlos de Vasconcelos, Joaquim Letria, tantos outros, a crónica como disciplina superior do jornalismo.
E estou a esquecer-me de tantos nomes e tantas outras coisas.
Que Extraordinária evocação faz!
EliminarUm abraço cá da Cidade Morena.
Era o jornal de "uma das minhas casas"...
ResponderEliminarNunca percebi muito bem o fim dos vespertinos... nem um se aguentou ao "progresso".
Jornais que se liam de uma ponta à outra. E que extraordinário acervo representa para a história da nossa "cidade".
ResponderEliminarO Diário de Lisboa, durante vários anos levado quase todos os dias para casa pelo meu pai, foi também uma referência marcante na minha juventude...
ResponderEliminar... Mas aproveito para assinalar que também se comemorou na semana passada, mais concretamente no dia 9 de Abril, o bicentenário do nascimento de Charles Baudelaire:
https://queiroz150suez.blogspot.com/2021/04/200-anos-de-cb.html