Poesia
Estes tempos de pandemia são tempos prosaicos e sem graça. Mas neste domingo celebra-se mais um dia da Poesia e convém, pelo menos nesse dia, ler poemas, mesmo que os Extraordinários sejam mais dados à ficção e alguns digam até que a poesia lhes diz pouco (suponho que apenas porque ainda não encontraram o poeta que os convenceu; ele há tantos e tão diferentes que o mais importante é insistir). Para este domingo, convidaram-me (a mim e a outros poetas, bem entendido) da Casa da América Latina para ler cinco poemas de autores latino-americanos. Escolhi José Emilio Pacheco do México, Eucanaã Ferraz do Brasil, José María Zonta da Costa Rica, Juan Gellman e Roberto Juarroz da Argentina (e não me venham chatear por serem tudo homens, porque aqui o que me interessou foram os poemas, não os poetas, como diz o próprio José Emilio Pacheco no texto que elegi). E, de cada vez que gravo estes pequenos vídeos e investigo, fico feliz por encontrar textos tão bonitos que não conhecia e por vezes até autores que nem sabia que existiam. Façam o mesmo neste domingo: procurem, para variar, um poeta qualquer de um país que escolham. Verão como a descoberta dará bons frutos.
Ah, a poesia, sim... essa arte maior que nos diz de modo cantado o que não sabemos e só adivinhamos.
ResponderEliminarPara mim basta-me As Musas Cegas do Herberto Helder; do estrangeiro uma Marceline Desbordes- Valmore que nasceu em 1786 e morreu em 1859 e ficou conhecida como a maior poetisa de França e que descobri graças a Stefan Zweig.
ResponderEliminarComo o pão, o gosto pela Poesia não cai no céu. Como também não há livros de receitas para cativar esse gosto, tudo fica ao sabor da sorte, de um qualquer golpe de mágica. Nas escolas que frequentei, nenhum professor me transmitiu esse gosto e sou dos que ainda dividiram orações em «Os Lusíadas» e, por sorte, ou o que lhe quiserem chamar, não arranjei nenhum ódio por Camões.
ResponderEliminarO gosto conquistei-o no trabalho que alguns poetas realizaram, publicando antologias, e recordo-me das «Líricas Portuguesas» organizadas por Jorge de Sena, não esquecendo estupendas colecções de Poesia: Colecção Poetas de Hoje da Portugália, Cadernos de Poesia da Dom Quixote.
Eram tempos muito difíceis mas com gente – escritores, editores - que se interessava pela cultura e a essa gente devo o gosto pela Poesia. E não só!
Bom dia com alegria e pandemia
ResponderEliminarFaço minha esta pergunta:
"Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?"
David Mourão-Ferreira
Saúde e boas leituras
cp
Hum... prosaico, de prosa, sem graça? Há poesia bem chata...
ResponderEliminarVejo poesia em muita prosa, como vejo poesia sem sentido como se bastasse o sentimento.
Não, não sou leitor habitual de poesia, se bem que goste de alguma, daquela que para mim faz sentido e tem conteúdo, transmite algo: Camões, Pessoa, Gedeão, à partida, outros que fui e vou descobrindo, mas sem serem leitura habitual, apenas pontualmente os procuro quando também procuro algo.
É a diversidade... ainda bem, há espaço para todos.
No Domingo estarei poéticamente acampado numa praia remota e longínqua, sózinho mas não melancólico, talvez bucólico. Hei-de lembrar-me de algum poeta, no género: O meu sabor é diferente, provo-me e saibo-me a sal. Não se nasce impunemente nas praias de Portugal.
Saudações prosaicamente poéticas cá da Cidade Morena!
A poesia é tal Aspirina, todos tomam sem prescrição.Em nada poética, por inventar-se está solução sem diluir.
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
Hum... a poetisa a falar... receitando a panaceia das palavras, o bálsamo para a mente.
EliminarPode resultar? Talvez agravar mas nem por isso curar. A poesia abre mais a ferida do que aquilo que a fecha.
Estarei errado?
Aprecie com moderação.
EliminarBom fim de semana
No meu caso não se pode dizer, certamente, que a poesia me diz pouco e que me limito a lê-la ;-)...
ResponderEliminarhttp://novaaguia.blogspot.com/2015/12/prefacio-q-de-octavio-dos-santos.html
... E em meu entender a poesia é também ficção. A dicotomia deve ser feita, sim, com a prosa.
Será possível um mundo sem poesia, já que tantos lá vivem. Não o consigo imaginar, mas será possível.
ResponderEliminarLeio poesia todos os dias. É imprescindível! É a minha salvação, e, às vezes, o meu castigo.
ResponderEliminarHá um poema em particular que é obrigatório ler todos os dias.
"Não voltei a esse corpo; e não sei
se aqueles que o vestiram antes e depois
de mim souberam nele o verdadeiro calor
e lhe conheceram os perigos, os labirintos,
as pequenas feridas escondidas. Não voltarei
provavelmente a sentir a respiração
palpitante desse corpo, desse lugar onde as ondas
rebentavam sempre crespas junto do peito, do meu peito
também, às vezes."
Obrigada.
EliminarUma noite outro corpo virá lembrar essa maresia,
o cheiro do alecrim bruscamente arrancado à falésia.
E eu ficarei de vigília para ter a certeza de quem me
recolheu,
porque os cheiros tornam os lugares parecidos, confundíveis.
Quando a manhã me deixar de novo sozinha no meu quarto
trocarei os lençóis da cama por outros, mais limpos."
( Agora sim, está completo).