Os novos portugueses

Recebo uma mensagem da jornalista Anabela Mota Ribeiro, que me alerta para uma coisa em que não tinha ainda pensado: estamos em democracia há quase tantos anos como aqueles que vivemos em ditadura (apenas menos um). E quem são as pessoas que já nasceram ou foram criadas neste novo país que Portugal se tornou em 1974 e andam por aí a dar cartas (ou não)? Num programa de entrevistas que se estreia no próximo dia 1 de Abril (mas não é mentira!) na RTP 3 (e tem tudo para correr bem, diria eu), Anabela Mota Ribeiro vai falar com 25 Filhos da Madrugada (é este o título do programa). «Uns mais conhecidos do que outros. Diferentes sensibilidades políticas. De diferentes áreas de trabalho e geografias.» Haverá um pouco de tudo, naturalmente, mas o essencial é vermos como é a vida destas pessoas na actualidade em comparação com a vida que tiveram os seus pais e avós e o que sabem os «jovens» portugueses desses tempos longínquos (ou não tanto, que eu não me sinto velha e ainda os vivi durante 14 anos). A educação, o sexo, a religião, o preconceito, as oportunidades, tudo isto vai estar em causa nas conversas que terminam no dia 25 de Abril (um belo dia!) e darão a voz a gente muito distinta, de direita e de esquerda, para português ver. Eu cá estou muitíssimo curiosa.

Comentários

  1. Bom dia com alegria e pandemia

    Obrigado pela partilha. Vou colocar na agenda.

    Saúde e boas leituras
    cp

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  2. António Luiz Pacheco29 de março de 2021 às 03:04

    É uma idéia interessante, saber o que sabem do outro tempo os deste tempo. Gente com 46 anos, portanto.
    Na verdade, como conheço bastante gente, que me é próxima, familiares, amigos ou filhos de amigos, tenho uma noção bastante aproximada do que sabem ou pensam, em vários contextos pois não conheço apenas gente do Mundo Rural.
    Porém reunir de forma sistemática e organizada, em entrevistas, o que sabem do tema, é deveras interessante.
    As coisas hoje são muito diferentes, na verdade, não porque se saiu daquela ditadura, mas porque outro é o Mundo em que nos enquadramos, outras as oportunidades, os meios e evidentemente outros os preconceitos, pois a democracia não acabou nem acabará com eles.

    Saudações sem preconceito, cá da Cidade Morena.

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  3. Interessante. Vou querer ver. Gosto muito do trabalho da Anabela Mota Ribeiro e quero conhecer o pessoal da minha idade e menos.
    Eu nasci em Maio de 1974 e todos os anos vejo a minha idade nos cartazes do 25 de Abril. Talvez por ter nascido nesse ano, sempre pesquisei e fui muito curioso sobre o período antes e pós, especialmente sobre a fase de crescimento da democracia, as dores iniciais e os tumultos até à maturidade. Gosto muito de história, especialmente desse período.
    Outro dia comprei o livro do António Barreto sobre a Reforma Agrária e tenho lido muito sobre o assunto.
    Curioso por ver as entrevistas dos "Filhos da Madrugada".
    Saudações!
    Henrique Vogado

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  4. Se eu que já tinha 11 anos quando se deu o 25 de Abril, nunca senti o que era "não viver em liberdade", o que sentirá quem nasceu depois de 1974?

    Claro que nós não somos só o que vivemos, somos também o que a nossa família viveu. As memórias acabam por se colar à nossa pele...

    Claro isso acontecia porque me escondiam muitas coisas. Aliás a única coisa realmente "proibida" que eu conhecia e tinha em casa, era um livro, que os meus pais escondiam num armário misturado com roupa e só emprestavam a pessoas de confiança ("Católicos e Política", coordenado pelo padre Felicidade Alves, primo da mãe...).

    Só depois de Abril é que soube que o meu avô paterno esteve preso em Peniche...

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  5. A Anabela Mota Ribeiro é, na minha opinião, a melhor entrevistadora em Portugal, de longe. Muito curioso.

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  6. É claro que vou ver. Gostei do seu programa Curso de Cultura Geral na RTP2, tenho saudades das quintas de leitura na Bertrand do Chiado e o seu blogue AMR, um dos melhores sobre livros, está nos meus favoritos; ela própria é quase uma filha da madrugada, nasceu em 1971; recordo também a notável entrevista de vida, ao vivo, no CCB a um importante historiador português de que me escapa o nome!

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  7. Prognóstico do ovo:
    "Muita gente, pouca fruta. Falar-se-á sobre o que não que quer.
    Uns fazem bajulações, não se sabe o que pesquisaram, gosto de história.
    Diz-se que foram lidos os livros x e outos, com títulos cativadores, mas não se extrai sumo do desenvolvimento e concluões.
    Não se fala de sentimentos das vivênvia do antes e após o 25 de Abril relacionadas com diversas idades.
    Enconde-se muito.
    Nem se escondia nada para gente de confiança.
    Talvez vá ver, aprecio cultura, já me cativei.
    Sugiro "Carlos Neves, autor do blog:
    "https://blogs.sapo.pt/profile?blog=Carlosneves1" pra historiador". by Diana Santos

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