Morder e ladrar
O meu primeiro livro do ano só sai hoje, e tudo por causa do «confinamento» das livrarias. Perdeu-se a vinda da autora às Correntes d'Escritas, mas espera-se que as pessoas não percam o livro, especialmente numa altura em que tantos casais substituem os filhos por animais de estimação e muita gente diz que, quanto mais conhece as pessoas, mais gosta dos animais... Na costa da Colômbia virada ao Pacífico – num lugar onde a paisagem luxuriante contrasta com uma pobreza extrema e o homem é uma migalhinha diante da força dos elementos – vive Damaris, uma negra com cerca de 40 anos que toda a vida quis ser mãe. A sua relação com o marido tornou-se, aliás, fria e turbulenta à medida que o casal foi sacrificando tudo o que tinha à obsessão de Damaris e, apesar disso, ela nunca conseguiu engravidar. Mas a vida desta mulher frustrada parece encontrar uma réstia de esperança no dia em que adopta a última cadelinha de uma ninhada. Só que, tal como os filhos nem sempre correspondem às ambições que os pais têm para eles, Chirli também não será a cadela com que a dona sonhou. A Cadela é uma novela brilhante sobre a maternidade, a traição, a lealdade, a culpa, e também sobre a relação enigmática e por vezes excessiva entre os donos e os seus animais. Chegou à final do National Book Award nos EUA em 2020, na categoria e literatura traduzida, e a sua autora ganhou há poucos meses o Prémio Alfaguara com Los Abismos.

Os cães como metáfora dos sentimentos humanos, tal como no livrinho acabado de sair de Pérez Reverte, "Cães Maus Não Dançam", que ainda não li. Insuperável, como metáfora da família, da amizade e da lealdade, é o "Cão Como Nós", que grande livro do Manuel Alegre !
ResponderEliminarNão, aqui a cadela é mesmo cadela, mais nada, e mesmo que a dona possa achar que não, é um bicho apenas, ao contrário desses dois livros que cita.
EliminarObrigado pelo esclarecimento. Uma escritora que ganha Prémio Alfaguara é sempre a ler !
EliminarDe curioso tema se lembrou a autora!
ResponderEliminarA paixão pelos animais não é actual... o que é actual é o desmedido dessa paixão, como aliás em quase tudo que actualmente se divulga, por força dessa mesma facilidade em divulgar.
Seria bom entender-se isso, como se "antes" não houvera quem gostasse de animais e só agora é que há, a ponto de se fundar um partido animalista, sinal, não de que há quem goste de animais, mas sim que há muitos tontos e quem veja oportunidades em tudo que seja mediatizável.
Aliás faço notar que essa de "quanto mais conheço os homens, mais gosto dos cães", tem barbas! É bem velha, não sendo criação de celebridade actual e facebuquiana embevecida com o seu lulu, do qual se descartará num par de meses.
A nossa paixão, a literatura, essa infelizmente parece que não consegue apanhar boleia... no entanto, há muitos, imensos livros sobre ou dedicados a animais, bem como relacionamento de pessoas com eles. Não sendo por isso o tema virgem, digo eu, mas pode ser interessante, sendo bem tratado como se anuncia.
Saudações cá da Cidade Morena.
Bom dia com alegria e pandemia
ResponderEliminarPor aqui se vê o impacto da pandemia, editar no ínicio do segundo trimestre.
Mas não fique com desconsolada, outros misteres há que continuam de pés e mãos atados. (Embora com o mal dos outros possamos nós bem)
Na perspectiva deste leitor não tem mal este compasso na edição, o stock não lido é cerca de metade do total da casa. (Mais olhos que barriga, é o que é)
A título de exemplo:
- sugestionado por Vossa Mercê, estou a ler "Trabalhos e Paixões de Benito Prada"
- o mais velho lê "A quinta dos animais", na esperança de lhe inculcar algum pensamento político
- a mais nova lê "Alice no país das maravilhas", não sem antes ter negociado a compra do respectivo DVD, que só será adquirido após a leitura
Adicionei "A cadela" á minha lista de desejos (Mais olhos que barriga, é o que é)
Saúde e boas leituras
cp
Extraordinário e empenhado pater familias:
EliminarQual versão da Alice? A original? E com ou sem ilustrações? Essa do DVD pode ser a cenoura na ponta do pau...
Abraço cá da Cidade Morena, onde abundam chapeleiros, coelhos e até ovos!
Eu gosto mais de gatos; é claro que também há livros sobre gatos, basta citar "Gatos e Mais Gatos da Nobel Doris Lessing ou O Velho e o Gato de NilsUddenberg.
ResponderEliminarE, o famosíssimo e celebrado gato de Uppsala... de uma das nossas Extraordinárias!
EliminarA capa é um mimo. Parabéns ao autor.
ResponderEliminarJá o mesmo não digo da cor e do tamanho do "lettering" da capa. É perfeito visualmente, no sentido em que aproveita a predominância das cores do verde-azeitona e o vermelho.
É lógico que a leitura é melhor perante o exemplar impresso do que a reprodução jpeg. Mas, reparem: coloquem a setinha do rato em cima da imagem - lêm o nome da autora e, com esforço, o texto informativo; retirem o indicador do rato de cima da imagem e coloquem-no na zona branca do blog - desaparece; só fica o título, magenta.
No todo, a capa é apelativa e o miolo também.
Grato pela sua breve mas ilustrativa lição!
EliminarAgrada-me a composição da capa no seu todo, força do lettring inclusivé. Elegante, ousada propositadamente nessa opção de forças... torna-se impactante pela beleza e personalidade distinta.
Eliminarjmr