Criticar a crítica

Em Portugal, o espaço para a crítica de livros nos meios de comunicação é tão diminuto que, na verdade, os críticos optam geralmente por promover obras de que gostam e acham que devem ser lidas, sendo geralmente brandos quando se sentem mais desiludidos com algum livro. Quando o número de títulos publicados era muito menor do que hoje, havia bastantes mais polémicas entre críticos e autores e até entre académicos «pró» e «contra» um novo autor; mas actualmente os críticos que só querem ofender ou chatear são sempre os mesmos, pelo que já poucos se inquietam verdadeiramente com o que escrevem. Isso não acontece, porém, em outros países e, especialmente aqui ao lado, os críticos espanhóis não poupam os autores a uma brutalidade às vezes excessiva quando estes já mostraram que eram capazes de melhor. É lícito, evidentemente, que mostrem desagrado, mas também acontece serem irresponsáveis e apanhados em falso, tantas vezes se percebendo que tão-pouco se preocuparam em ler até ao fim o que tão veementemente criticam. E, apesar disso, como escreveu recentemente Javier Cercas no El País, porque será que existe a «superstição» de não criticar o crítico mesmo quando a crítica é gratuita e injusta (referia-se a um texto sobre um livro de Manuel Vilas)? Normalmente, quem responde ao crítico acaba por sublinhar o que fez menos bem? Não faço ideia, mas muitas vezes aconselhei autores a ignorar o pontapé e deixar andar. Porquê? Talvez para nos pouparmos todos a mais sangue. Mas não seria lícito ripostar, abrir a ferida do outro? Uma pergunta que deixo aos Extraordinários.

Comentários

  1. Penso que a crítica não deve ser ignorada. Do conflito pode nascer a luz, nomeadamente quando a crítica é inteligente mas não necessariamente destruidora. Por vezes, o melhor não será responder em público. Pode eventualmente responder-se em privado...
    Ass. Sílvia Cardoso

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  2. António Luiz Pacheco2 de março de 2021 às 02:23

    Sou crítico, tenho de ser... porém não sou juízo!
    Criticar é analisar, portanto decompor e avaliar. A crítica serve para melhorar e não deve ter por objectivo a destruição, obliterar, ofender ou diminuir. Só através da crítica se pode evoluir.
    Portanto a crítica deve ter uma finalidade constructiva.
    Mas nem todos sabem ser críticos e muitos usam essa função para se vingarem, para darem vazão às suas frustrações, antipatias ou defenderem interesses e idéias pessoais.
    Devemos dar ouvidos à crítica sim! Quando esta seja bem feita, inteligente e útil.
    Á outra... é dar desprezo, ou mesmo um par de tabefes, como deveria ser.
    Raramente dou atenção aos críticos pois há muito que descobri que raramente concordo ou se encaixam na minha opinião e gostos. Mas claro que há críticos e críticos e acontece que também leio críticas muito boas!

    É como tudo na vida, que, eu encaro como a um cozido à portuguesa: - Está lá tudo que agrada a uns e a outros, é escolher, ou... comer de tudo!

    Saudações críticas cá da Cidade Morena!

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  3. Algures tivera a crítica através dos tempos e entre ascensão e declínio reflete cada tempo. Com fidelidade em laurear ou execrar se lhe tornou um exercício nem só, de estirpe cultural. Por exemplo, americanos à utilizam de excertos; criticas em contracapas de modo aprazível, (geralmente) remetem pomposos elogios o sentido e sentimento mui natural em estimularem a leitura. No entanto, houveram épocas "negras" tão ou não somente ideológicas com os franceses quanto o é da altura com espanhóis.Embora atualmente, asco ou ranso em ardilosas críticas a sejam desnecessárias, também revelam o estágio e deterioração de certos veículos que lhes permite, tornar público e que vulgarmente assumem algum desqualificado ou demente, que não representa a inclinação literária quer gramatical a complexa (força) de uma obra.

    CST

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  4. Bom dia com alegria e pandemia

    Como a nossa anfitriã bem sabe, não existe uma resposta correcta, única e definitiva á pergunta lançada.

    Cada caso é um caso.

    Mas já que falamos de crítica, critico as promoções que as editoras fazem, matematicamente erradas e infringindo a lei do preço fixo do livro.

    Por exemplo: compre aqui - 30% de desconto

    O incauto lê as condições e descobre que 20% se aplicam ao livro que vai comprar, ficando os restantes 10% para futura compra.

    Ie, se comprar agora um livro de 10eur e no próximo mês um segundo livro de 10eur, utilizando o cartão de fidelização onde ficaram os 10%, na prática, o desconto é de 15% - não os anunciados 30%.

    Porque não anunciar descontos de 100%, então?

    A infração á lei do preço fixo, via cartão de fidelização, resulta de poder utilizar o saldo para compra as ditas novidades (editadas á menso de 18 meses, supostamente impedidas de benificiar de quaisquer descontos)

    Cada vez mais, e não só nos livros, compramos descontos e promoções.

    Parafraseando um poeta contemporâneo: xau futuro!

    Saúde e boas leituras
    cp

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    1. Olha que verdade:
      "Cada vez mais, e não só nos livros, compramos descontos e promoções."
      Obrigado cp

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  5. Penso que a crítica não merece resposta, especialmente se for pouco séria, se se tornar "um caso pessoal". A melhor resposta é deixar essa gente a falar sozinha (se forem mentirosos e ofensivos, talvez seja melhor humilhá-los através da justiça).

    Por não existirem "críticos", onde noto que existe mais esse desamor, é nos artigos de opinião.

    Há demasiados ódios de estimação por aí. Há quem goste de escrever "contra o outro", sistematicamente, o que nos oferece de bandeja a sua dimensão humana. Até posso dar três exemplos. João Vieira Pereira ("Expresso"), sempre que tem oportunidade (e não tem...) tenta virar o António Costa de pernas para o ar; Fernando Guerra ("A Bola"), não perdoa nenhum deslize a Jorge Jesus; João Miguel Tavares ("Público"), ainda não conseguiu mastigar completamente o "sapo" Sócrates, mas tem sempre um outro junto à "boca"...

    Acho miserável que se utilizem as colunas de opinião para se atacar quem não gostamos ou para fazer propaganda política (é o que fazem normalmente os comentadores partidários). Da mesma forma que é triste que um crítico especialista (são cada vez menos), se dedique mais a analisar o autor que a obra, esquecendo qual é o seu verdadeiro papel...

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    1. Ó caro Luís (até me custa falar nisto) mas o Fernando Guerra é o tipo de "jornalista" sem categoria pois é absolutamente incapaz de se desligar do seu fanatismo clubista (SLB) desonrando assim a sua profissão.

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  6. Criticar a crítica é o mesmo que censurar a censura ou julgar os juízes. É perda de tempo.
    A crítica começa na editora, de onde nem sequer sai um nado-morto; embate nos media, onde há amigos e desconhecidos e pouco de leitura. Lá diria o rifão, se aqui aplicado: a crítica, é como no açougue, quem mal fala, mal ouve.
    Já dei este conselho: escrever para os leitores, porque estes são os verdadeiros críticos. Podem falar mal, mas já compraram. Podem dizer bem, fazem com que outros comprem.
    Por isso, prefiro a opinião isenta e interessante dos comentadores deste blog - é mais fidedigna.

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  7. E no início dos tempos "era a tolerância". Num país com falta de sentido crítico onde há demasiada gente a viver da espuma dos dias; num país de posições extremadas, opiniões desencontradas, mesmo desbocadas, onde a crítica pode ser apenas e só censura e condenação; num país incapaz de aprender com o outro, de ouvir, perceber, integrar, os críticos apenas podem ser tomados como... crípticos. Mas a verdade é que se a crítica for construtiva (apreciação), se for apenas uma construção para o todo, completando a sempre minorante parte - aquela que vive numa bolha -, a crítica é um instrumento fundamental na relação de uns com os outros, uma forma de percebermos a nossa pequena parte no "domínio" do todo. Quem "critica o critico"? Possivelmente, a nossa consciência!

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  8. «Mas não seria lícito ripostar, abrir a ferida do outro?»

    Sem dúvida que é lícito, e eu já fiz isso algumas vezes:

    https://blog.simetria.org/candeias-que-vao-atras-e-nao-alumiam/

    https://octanas.blogspot.com/2014/08/observacao-o-poltrao-de-portimao.html

    https://blog.simetria.org/forca-jorge/

    https://blog.simetria.org/uma-questao-de-escala/

    https://octanas.blogspot.com/2019/09/outros-mesquinha-patetica-criatura.html

    https://blog.simetria.org/matar-os-mensageiros-nao/

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  9. A mim parece-me que um escritor que riposte a um crítico fica sempre numa posição ingrata, mesmo que tenha razão. Será apelidado de não aceitar uma opinião negativa, ou acusado de sobrestimar o seu talento (e isto se forem brandos com ele, as acusações costumam ser bem mais ferozes). É um pouco como o fenómeno de um escritor desconhecido, ou mesmo de um candidato a escritor, criticar um conhecido: é sempre acusado de ser invejoso, ou frustrado (no mínimo). Mesmo que não o seja e/ou a crítica tenha razão de ser.

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    1. Responder descompostura requer frieza e há falta de bons profissionais no jornalismo. Facilita o trocadilho.

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  10. Acho que o Ze povinho português deslocalizou a sua fala para redes sociais e desformou-se no bom falar/criticar/argumentar em português. Gostei do post.

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