Adiamentos

Fez no sábado um ano que vim para casa encerrar-me por causa do vírus (eu e mais de metade dos portugueses). Já tinha passado uma semaninha de reclusão quando se provou que Luis Sepúlveda estava infectado e tinha vindo de Portugal uns dias antes, mas dessa vez o Coronavírus ainda estaria para chegar à  pátria lusa. O 13 de Março é a data que está na minha memória como o princípio do terror e, simultaneamente, do teletrabalho. Em Agosto, passei a ir com máscara e cuidado à editora, mas eram ainda muitos os colegas que continuavam a trabalhar a partir de casa e alguns deles nunca abandonaram o lar, indo apenas esporadicamente à empresa. Muita coisa mudou nas nossas vidas pessoais e profissionais. Em 2020, o Prémio LeYa acabou por ser adiado, pois não havia ninguém para abrir envelopes (e sabia-se lá se o vírus não vinha dentro deles) e poucos eram os concorrentes que, no primeiro confinamento, tinham a coragem de quebrar as ordens de recolhimento obrigatório e pôr-se na fila dos Correios para mandar os seus originais. E, neste segundo período de encerramento, é o Prémio Literário José Saramago que salta para 2022. Como houve muitos lançamentos de livros adiados por conta do fecho de livrarias, a Fundação Círculo de Leitores, promotora do prémio desde o final dos anos 1990, quando Saramago venceu o Nobel, explica que é mais sensato passar a entrega do prémio para 2022 pois assim a próxima edição coincidirá com o centenário do escritor, o que realmente faz sentido. Em Outubro, espero, será conhecido mais um vencedor do Prémio LeYa. Dizem-me que os originais deste ano já começaram a chegar. Esperemos que não haja mais impedimentos até lá.

Comentários

  1. Quantas dificuldades.
    E antes dos obstáculos para enviar os originais há os obstáculos para os criar.

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  2. António Luiz Pacheco15 de março de 2021 às 03:46

    E como andará a criação literária, entretanto?
    Quando aí estive em Dezembro, antes de ter ficado eu mesmo confinado, e depois com o confinamento obrigatório, vi bastantes livros novos, comprei até alguns na Bertrand em Santarém e na livraria Costa! Li uns quantos, trouxe outros para aqui quando regressei em Fevereiro.
    Vou lendo...
    Ando em tratos por causa de um romance que acabei em Agosto de 2019... enfim, serei mais um dos atribulados candidatos a autor, que escritor é outra coisa. As atribulações em geral são na actualidade muitas, muitíssimas até, vivemos tempos conturbados nesta nau sem rumo, aparelho e sem navegador, saltamos de vaga em vaga ao sabor da ondulação, das correntes e do vento ou da calmaria, pobre país em que persistimos.
    Quanto ao aludido terror... nego-me a sucumbir a ele, não partilho o sentimento, isto a vida é como pegar um toiro:- tem que se lhe abrir os braços e apeitá-la, com ou sem ajudas, assim mesmo! Se formos desfeiteados, é levantar, sacudir e ir lá outra vez, tantas quantas as necessárias, até consumarmos a pega ou soçobrarmos definitivamente.
    Afinal tive o Covid... passou, foi mais uma pega, aparentemente não deixou mazelas. Outros tiveram ou terão menos sorte, mas é assim que são as coisas e o que tiver que ser, será, está escrito, por um outro autor, algures, que neste caso não somos nós, apenas o vamos lendo à medida que desfolhamos as páginas desse outro grande livro que é a vida!

    Saudações saudáveis e saudosas, cá da Cidade Morena!

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  3. Esperemos. Pelos grandes eventos adiados e pelas banalidades. A saudade é a mesma.

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