À medida do freguês
Já sabemos que, quando um livro publicado não roda nos primeiros dez dias (o que é cada vez mais frequente, dada a falta de espaço para a crítica e a promoção), o livreiro tem de o mandar para trás na primeira oportunidade para não ficar com demasiados elefantes dentro da loja. Mas isso não quer dizer que alguém que, por qualquer razão, se atrasou na compra e na leitura, não queira, três meses passados da publicação, tentar apanhar o comboio. Geralmente, já não encontrará um só exemplar à venda nas lojas físicas, sendo obrigado a encomendá-lo numa delas ou comprá-lo online. Também acontece livros esgotados há muito não se reeditarem por só existir meia dúzia de pessoas interessadas neles (e ainda não haver, no tempo da sua publicação, essa novidade do e-book qjue agora, apesar de tudo, pode ajudar alguém que procura desesperadamente um livro). Por outro lado, num universo de milhões de títulos, uma livraria pode ter mais de dez ou vinte mil à venda? Os livros não vendidos ocupam muito espaço nos armazéns das editoras e, se não forem escoados, acabam quase sempre na guilhotina. A ideia expressa no vídeo abaixo, de uma máquina que imprime livros em sete ou oito minutos e à vontade do freguês pode ser, pois, bastante boa. Sobretudo para quem prefere o papel, como eu. Obrigada a Fausto Marsol, que me deu a conhecer este projecto sevilhano, embora através de outro vídeo. Talvez em breve tenhamos algo parecido em Portugal.
https://www.youtube.com/watch?v=e833YMcMclM
Eu também não gosto de ler ficção em ebook. Esta é uma invenção muito interessante e que me parece muito útil para as editoras e para quem vende livros online: só será necessário imprimir os livros que lhes forem encomendados. Espanta-me que a notícia seja de Sevilha e não tenha origem nos USA (possivelmente, a máquina até será americana...). No extremo oposto está a livraria "Esperança" no Funchal que me deixou pasmado há uma década quando a visitei e que, segundo li recentemente no "Público", continua de portas abertas. Sempre pensei que a especulação imobiliária iria fazer desaparecer esse imenso espaço de exposição de livros (de área superior a um campo de futebol!) que existe no centro da capital da Madeira.
ResponderEliminarVou manifestar o meu maior desagrado e mais absoluta discordância!
ResponderEliminar"... quando um livro publicado não roda nos primeiros dez dias (o que é cada vez mais frequente, dada a falta de espaço para a crítica e a promoção), o livreiro tem de o mandar para trás na primeira oportunidade para não ficar com demasiados elefantes dentro da loja..." (sic)
Na minha opinião de traça dos livros, ignorante no ramo editorial, porém veterano especialista no ramo da distribuição, sobretudo de leitor e comprador habitual de livros, os livreiros e as distribuidoras agem como se a compra de livros, fosse por impulso!
E é? No lo creo... diria Cervantes, bem melhor do que eu próprio!
Numa análise lapalissiana e toscamente abordada, enfim por impulso, teremos duas linhas de quem compra livros:
1-Aquele que compra por impulso, e o faz p.e. nas grandes superfícies!
2-O consumidor de livros, esse compra nas livrarias que visita e percorre com essa finalidade!
Quando se encara o livro da forma que aqui é referida, como um produto de alta rotação - um "fast mover"- está-se apenas a pensar na compra de impulso, não na compra dirigida, pensada, objectiva, que é a praticada pelo consumidor habitual e regular de livros!
Muitos ou a maioria dos Bons Livros, são "slow movers". Ou não serão? Os Maias, O Velho e o Mar, Capitães da Areia, já não vendem?
Pensar que uma livraria é apenas para compra de impulso, é um erro estratégico, em minha opinião. Lesa a venda e divulgação, a disponibilidade da oferta, o seu alargamento! Impede a pesquisa, a procura e por conseguinte a livre compra consciente. Só considera a compra dirigida, pelo crítico, pela moda, pela onda do momento. Ora os bons livros são e serão imorredoiros, actuais, não se resumem às tonteiras ou opiniões instantâneas!
É um péssimo serviço à nossa causa dos livros, quiçá a morte das livrarias que se presumem supermercados de livros, o que de todo não são!
Estarei errado?
Experiência e saber, bom senso, presumem-me estar certo.
Os génios do marketing e merchandising das editoras e distribuidoras dirão que não... mas não conseguem ver além das prateleiras do Continente! O Continente é uma loja generalista, não especializada, faz sentido que se aposte na compra por impulso, mas na Bertrand eu defendo que não!
A livraria é retalho especializado, quem lá vai, sabe ao que vai, gosta de procurar e a oferta tem de ter largura e profundidade!
É lá que se procuram títulos, eventualmente se encomendam, mas presumir que tem de mudar o expositor diáriamente não me parece que seja correcto!
Tenham na entrada um expositor , um "topo" como nos supermercados, para as novidades que rodem e vão-se substituindo, tiradas dali para outras prateleiras dos mais recentes. Porém têm de estar presentes, disponíveis, dentro dos princípios da rotação, da procura e da popularidade/visibilidade do autor e da obra.
Ir a uma livraria e só ver Rodrigues dos Santos, os lançamentos da véspera sobre a dieta da boazona da TV em destaque, as pseudomemórias do apresentador gay na moda este mês, as histórias dos bichanos de uma "celebridade" , é a forma garantida de me impedir de entrar na livraria e tão cedo não lá voltar... vou querer procurar temas clássicos, autores, obras variadas sobre diversos assuntos que interessam a quem leia e não a quem confunda "livros" com revistas! Há mais quem pense e sinta como eu? Se calhar somos bem mais, pois continuamos a ler e a comprar, não nos interessa o último lançamento do vencedor do Big Brother, que esse sim é um fogo fátuo! Santa Paciência!
Acho que é um péssimo serviço e uma estratégia completamente errada, essa!
Deus nos livre das livrarias só de novidades!
Saudações discordantes cá da Cidade Morena.
Vou manifestar o meu maior desagrado e mais absoluta discordância!
ResponderEliminar"... quando um livro publicado não roda nos primeiros dez dias (o que é cada vez mais frequente, dada a falta de espaço para a crítica e a promoção), o livreiro tem de o mandar para trás na primeira oportunidade para não ficar com demasiados elefantes dentro da loja..." (sic)
Na minha opinião de traça dos livros, ignorante no ramo editorial, porém veterano especialista no ramo da distribuição, sobretudo de leitor e comprador habitual de livros, os livreiros e as distribuidoras agem como se a compra de livros, fosse por impulso!
E é? No lo creo... diria Cervantes, bem melhor do que eu próprio!
Numa análise lapalissiana e toscamente abordada, enfim por impulso, teremos duas linhas de quem compra livros:
1-Aquele que compra por impulso, e o faz p.e. nas grandes superfícies!
2-O consumidor de livros, esse compra nas livrarias que visita e percorre com essa finalidade!
Quando se encara o livro da forma que aqui é referida, como um produto de alta rotação - um "fast mover"- está-se apenas a pensar na compra de impulso, não na compra dirigida, pensada, objectiva, que é a praticada pelo consumidor habitual e regular de livros!
Muitos ou a maioria dos Bons Livros, são "slow movers". Ou não serão? Os Maias, O Velho e o Mar, Capitães da Areia, já não vendem?
Pensar que uma livraria é apenas para compra de impulso, é um erro estratégico, em minha opinião. Lesa a venda e divulgação, a disponibilidade da oferta, o seu alargamento! Impede a pesquisa, a procura e por conseguinte a livre compra consciente. Só considera a compra dirigida, pelo crítico, pela moda, pela onda do momento. Ora os bons livros são e serão imorredoiros, actuais, não se resumem às tonteiras ou opiniões instantâneas!
É um péssimo serviço à nossa causa dos livros, quiçá a morte das livrarias que se presumem supermercados de livros, o que de todo não são!
Estarei errado?
Experiência e saber, bom senso, presumem-me estar certo.
Os génios do marketing e merchandising das editoras e distribuidoras dirão que não... mas não conseguem ver além das prateleiras do Continente! O Continente é uma loja generalista, não especializada, faz sentido que se aposte na compra por impulso, mas na Bertrand eu defendo que não!
A livraria é retalho especializado, quem lá vai, sabe ao que vai, gosta de procurar e a oferta tem de ter largura e profundidade!
É lá que se procuram títulos, eventualmente se encomendam, mas presumir que tem de mudar o expositor diáriamente não me parece que seja correcto!
Tenham na entrada um expositor , um "topo" como nos supermercados, para as novidades que rodem e vão-se substituindo, tiradas dali para outras prateleiras dos mais recentes. Porém têm de estar presentes, disponíveis, dentro dos princípios da rotação, da procura e da popularidade/visibilidade do autor e da obra.
Ir a uma livraria e só ver Rodrigues dos Santos, os lançamentos da véspera sobre a dieta da boazona da TV em destaque, as pseudomemórias do apresentador gay na moda este mês, as histórias dos bichanos de uma "celebridade" , é a forma garantida de me impedir de entrar na livraria e tão cedo não lá voltar... vou querer procurar temas clássicos, autores, obras variadas sobre diversos assuntos que interessam a quem leia e não a quem confunda "livros" com revistas! Há mais quem pense e sinta como eu? Se calhar somos bem mais, pois continuamos a ler e a comprar, não nos interessa o último lançamento do vencedor do Big Brother, que esse sim é um fogo fátuo! Santa Paciência!
Acho que é um péssimo serviço e uma estratégia completamente errada, essa!
Deus nos livre das livrarias só de novidades!
Saudações discordantes cá da Cidade Morena.
O apresentado não é nada de novo, já existe há bastante tempo. Em Portugal como sempre, nesta sociedade conservadora e pouco informada, é que passa por novo. Não posso entretanto deixar de saudar o António Luiz por aquilo que diz. Subscrevo na íntegra.
EliminarEsta ideia é bestial. Honestamente, entristece-me ter algumas colecções incompletas que comecei em miúda e que agora que tenho meios económicos para as adquirir já não as encontro em livrarias e mesmo quando por vezes tento encomendar, já não há, dizem-me. Que maravilha que algo assim chegasse a Portugal!
ResponderEliminarO tema de hoje é daqueles que dá larga discussão.
ResponderEliminarO problema é que, para um país que lê tão pouco, publica-se livros numa quantidade exageradíssima, com a agravante que a maior parte do que se publica, foge aos mínimos de qualquer interesse e qualidade.
Em tempo de Feira do Livro espanto-me, cada vez mais, por olhar os stands repletos de tantos livros.
Sou de um tempo em que entrava numa livraria, perguntava por um livro, e ouvir o trabalhador dizer «um momento», ir ao armazém e voltar com o livro na mão.
Hoje vivo um tempo em que já não entro em algumas livrarias. A «nova» Barata, por exemplo, com grande tristeza minha por motivos muito velhos.
Há no texto uma frase que me continua a causar séria perturbação: « Os livros não vendidos ocupam muito espaço nos armazéns das editoras e, se não forem escoados, acabam quase sempre na guilhotina.»
Sobre e-books recuso-me a pronunciar.
A compra de algumas pequenas editoras – mal necessário??!! – pelos glutões imperiais das grandes editoras, também não ajudou, ponto de vista de mero leitor.
Nos anos 70, a Editorial Inova publicava livros que reuniam o creme do creme da poesia que tinha sido publicada em livros e jornais. Mais tarde a Assírio & Alvim seguiu exemplo semelhante com a Colecção «Resumo». A chegada do glutão que comprou a editora, acabou com a iniciativa.
Ninguém lhes perdoe porque eles sabem o que fazem!
Exm.ª Senhora,
ResponderEliminarHá algo na ligação que não permite abrir a página. Poderia, por favor, confirmar o endereço? Tinha interesse em ver essa -suponho- máquina que vai reduzir a prazo as possibilidades das feiras de livros, digamos, usados.
Obrigado. Cumprimentos.
STC
A Rosário não fala em "preços". Claro que o livro impresso desta forma terá de ficar mais caro que o habitual.
ResponderEliminarVai ao encontro do que eu penso. Cada vez mais o livro em papel será um "objecto de luxo", que irá estar cada vez menos ao alcance de todas as bolsas...
(o comentário é meu)
EliminarOs livros são exactamente ao preço das livrarias. informação do dono da livraria que os imprime.
EliminarExcelente ideia!
ResponderEliminarUm amontoado de livros desusados e nunca disfrutados, a caminho da guilhotina, constitui de facto uma visão aterradora (tendo em conta ainda por cima o seu valor intrínseco e outrora monetário).
Neste caso, porém, as livrarias deveriam ter ao dispor amostras dos livros físicos passíveis de impressão imediata, da mesma forma que experimentamos perfumes antes de os comprar.
Fascinam-me por vezes mais os livros que adquiro num acaso impetuoso, e após uma leitura por vezes superficial numa livraria, do que alguns dos que obtenho fruto de um rastreio vagaroso e premeditado.
As altas expectativas são tramadas, já se sabe..
Problemas logísticos! Como ter mais livros sem ter mais custos com a armazenagem das livrarias? Podia ser feito como fazem as farmácias. Um armazém cheio de livros, sem espaço para exposição, o cliente pedia e um braço robot iria buscar o livro. Haveria mais espaço de armazenagem e a loja seria apenas um balcão.
ResponderEliminarMas clientes leitores querem ver os livros, tê-los na mão, folhear e ler. É necessário um espaço enorme expositivo. Como encaixar tudo?
Esta gigante impressora de livros é uma solução para o cliente saír da loja sempre com o livro pretendido, mas não espere encadernação de luxo.
Uma vez encomendei um livro do John Berger em inglês, pela wook. O livro levou cerca de 10-15 dias a chegar a casa e vi logo que o livro havia sido impresso recentemente. Era um livro antigo e que apresentava um aspecto bem novo. Calculei que tivesse sido impresso conforme foi encomendado. Poder ser uma boa solução para livros esgotados à muito.
Evita-se editar 1000 exemplar para 20 interessados. Tantos e tantos livros esgotados que esperava que houvesse a possibilidade de poder imprimir no instante.
Entretanto fui ao continente e os expositores já têm de novo os livros e... com 50% de desconto. O Continente não ter os livros armazenados muito tempo.
Um tema para imensa discussão e foi bom ler os posts de todos.
Saudações!
Henrique Vogado
Boa noite com alegria e pandemia
ResponderEliminarObrigado pela partilha! É sempre bom passar por aqui e retirar algumas ideias.
Confesso que já não me entusiasmo com estas inovações do lado da oferta. A filosofia just in time de mãos dadas com a inovação tecnológica tem pernas para andar. É verdade.
Estou mais preocupado com o lado da procura (minguante)
Citadando Karl Kraus, "o desenvolvimento técnico vai deixar um único problema por resolver: a debilidade da natureza humana".
Saúde e boas leituras
cp
Venho aqui fora de horas, a sala está vazia; porém não deixo de participar.
ResponderEliminarDez dias de exposição numa estante é escasso tempo, tanto mais que a forma de arrumação não é cuidada na maior parte das grandes superfícies. Talvez se recorra, como em qualquer produto "perecível" à colocação, na contracapa, "este livro é válido até....".
Relativamente à máquina de "print on demand" não é novidade nenhuma em Portugal. Há gráficas que já a utilizam há alguns anos, para tiragens de promoção, entre 5 ou 10 exemplares, que podem ir até 500 ou 1000, embora os preços por livro se mantenham constantes, nestes casos. O livro sai já prontinho e devidamente encadernado.
Neste caso, a impressão é digital, mais prática do que o "offset", que encarece nas pequenas tiragens.
Posso dizer que uma obra que foi publicada o ano passado, minha, a cores, teve uma tiragem de 3.000 exemplares, mas não vou falar dela para não escandalizar alguém que acabe por entrar na sala.
Fernando Costa: infelizmente muitas casas editoriais com os critérios que utilizam para publicar dão verdadeiros tiros nos pés. Todo esta alteração no mercado editorial seria, para alguém minimamente competente, de esperar. Como economista só me espanto - ou, talvez não - como há no mercado do livro tanta empresa incapaz de se ajustar àquilo que era expectável. Mantêm-se por via de margens cada vez mais pequenas e criando barreiras de entrada a novas editoras e novos autores. Por essa via de tentativa de subsistência prejudicam os leitores e a literatura nacional.
EliminarÉ isso, Pedro Sande. As editoras - ditas "mainstream" - mantêm o sistema de décadas, hoje praticamente obsoleto em face do mercado e das novas tecnologias. Usando uma palavra para retratar a situação em que se colocaram (infelizmente muito em voga): confinadas.
EliminarPara manterem os catálogos mais ou menos cheios, recorrem a traduções de obras que provavelmente vendem bem lá fora - mas só lá fora - e temem arriscar em novos autores, preferindo os da última geração, os quais já estão com a "fonte seca" e se limitam a uns trocados de dez por cento das vendas, estas condicionadas por uma exposição volátil da obra durante os tais dez dias.
O livro não está em queda; o que não se ergue, são as ideias. As editoras aguardam que os tempos regressem aos "bons velhos tempos". Quem de esperança vive, desesperado morre.
Muito bem!
EliminarO mercantilismo editorial mata o livro, as livrarias e ao negócio... pela insistência em explorar apenas um nicho, e não deixar desenvolver-se o restante.
Abraço a ambos, cá da Cidade Morena!
«Talvez em breve tenhamos algo parecido em Portugal», escreve.
ResponderEliminarAplauso, obviamente.
Porém, se me permite, questiono: a opção braille estará incluída?
Acrescento, acho que não!
Infelizmente, rara é a editora, para não dizer nenhuma, que se preocupe com os leitores deficientes visuais e tenha títulos editados em braille. Este público está dependente de um número singular (sim, somente um: a Santa Casa da Misericórdia do Porto) de espaços onde possa adquirir livros impressos em braille.
Com esta opção talvez fosse mais fácil uma pessoa cega, que goste de ler em braille, ter livros para ler.