Técnicas de venda

Toda a gente sabe que no século XXI o marketing atingiu as empresas como uma flecha e nunca mais nos livrámos dele. Tem coisas boas, claro, mas por vezes sobrepõe-se de uma forma estranha e opressiva aos outros departamentos e, na edição, isso foi muito visível quando se passou a tratar o livro como produto e o leitor como cliente e, consequentemente, o autor passou a ser apenas mais uma peça da engrenagem, e raramente a mais importante. De resto, as opções dos departamentos de marketing às vezes são um pouco absurdas, como contou recentemente Miguel Esteves Cardoso a propósito de um sabonete líquido que costuma comprar; quando esse sabonete chegou ao fim no primeiro confinamento, ele foi ao site da marca para o encomendar, mas encontrava-se esgotado. Havia uma opção para ser contactado assim que o sabonete estivesse de novo disponível, mas o jornalista não quis perder tempo nem dar o e-mail que provavelmente implicaria receber mensagens todos os dias sobre outros produtos que nada lhe interessavam. Agora,  no segundo confinamento, acontecendo-lhe o mesmo, encontrando-se de novo o sabonete «em ruptura de stock», resolveu ligar para o fabricante, temendo que o produto tivesse sido «descontinuado». E disseram-lhe que havia stock, mas faziam aquilo no site para que os clientes preenchessem a ficha e, desse modo, eles pudessem «seleccionar a clientela» (como se um sabonete líquido fosse um néctar dos deuses...). Está tudo maluco, enfim. Uma vez disseram-me que uma livraria portuguesa punha no Top da loja os livros que não se estavam a vender para ver se as pessoas assim lhes davam atenção e os levavam. É o marketing, senhores, ou seja, não nos podemos fiar nele...

Comentários

  1. O marketing é uma ferramenta de gestão, muito complexa e com várias vertentes...
    É como tudo! Isto não querendo ser nem lapalissiano nem usar de um chavão vulgar. Isto é:
    - Como ferramenta de gestão, na análise e estabelecer de estratégia e táctica, é muitíssimo útil! Quando cai nas mãos de tontos que o confundem com publicidade, o misturam com o malvado merchandising e o elegem como absoluto, então sim é nefasto e nada de fiar!
    Será o caso... pois quando "gestores de produto", super-eficientes cultores e convencidos do tal poder do marketing/merchandising/publicidade, que raramente medem quer o impacto quer as consequências daquilo que criam, desenvolvem e praticam, pois só vêem a curto prazo - tal como os nossos políticos - , se apoderam dos centros de decisão, nas empresas e por conseguinte naquelas editoriais, teremos certamente ganhos em eficiência, mas com que custos? E no que se torna aquilo que não deve ser feito com ciência e exactidão, fria e amoral, mas antes com a paixão que todavia não de por isso ser sinónimo de insensatez?
    Os livros são um negócio, hoje tudo é um negócio, é um facto, e, talvez por isso tenhamos chegado a este triste estado de desumanização, intolerância, insensibilidade e falta de senso.

    Saudações humanas cá da Cidade Morena, calorosa.

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  2. Bom dia com alegria e pandemia (e Marketing)

    Anda meio mundo a enganar a outra metade.

    Sobre os livros como produto já aconselhei este https://www.letralivre.com/catalogo/detalhes_produto.php?id=85828

    Sobre a política como produto aconselho este https://relogiodagua.pt/produto/psicopolitica/

    Sobre como evitar um pouco tudo isso e activar aquela máquina que temos entre as orelhas aconselho este https://www.almedina.net/elogio-da-d-vida-1608019526.html

    Saúde e boas leituras
    cp

    PS: Não tenho comissão em nunhuma das sugestões

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  3. No caso da livraria, não é marketing, é pura mentira.

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  4. Há muito tempo que deixei de ler o que é aconselhado nos tops de vendas de livrarias ou editoras. Aceito recomendações de amigos ou de alguns blogs que leio, mas não sem antes ler as sinopses com atenção. Se não chamar por mim, não leio, mesmo que seja de um autor considerado conceituado.

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  5. Há que se discordar. O melhor marketing de sempre, foi de Cristo o quadro: a santa ceia.

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  6. É o marketing ou é o sistema?

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    1. Um chama-se fome e o outro vontade de comer, por exemplo a maçã aplica-se em comum. "Conhecimento" tem dois senhores: o desejo e a substância.

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  7. Não posso estar mais de acordo. O mundo dos livros é um mundo de nichos onde o "small" é "beautiful", tal a diversidade de gostos. A pior palavra do dicionário nas relações económicas e sociais é "competição". A competição só devia usar-se no singular, cada livro lido sendo uma estrondosa vitória para o leitor. O marketing, como tal, é uma "arma" que só serve para a dissensão entre o Homem.

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    1. Vossa generalização está um pouco "salgada".

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    2. Caro/a anónimo/a: são as lágrimas de Portugal...

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  8. Eu própria quando me deparo com alguns dos top de vendas, penso - não pode ser.

    E de facto não é. Que me valha ao menos isso.

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  9. Joana Conceição dos Santos25 de fevereiro de 2021 às 06:08

    Enquanto profissional e docente de Marketing, tenho de discordar. :) As opções que enganam ou ludibriam os consumidores, não são Marketing. As opções que não têm em conta toda a cadeia de valor, não são Marketing. São "qualquer coisa", que nem há-de ter um nome muito bonito. O que digo aos meus alunos é simples: a relação entre as marcas e os consumidores tem de ser como uma relação entre duas pessoas, tem de existir respeito e responsabilidade. Ou então, aquela relação tem os dias contados. Pode vender muito uma vez, mas não vai vender muitas vezes. No caso concreto dos livros, o que sinto é que é o sector não se tem sabido reinventar e vai experimentando aqui e ali, sem uma verdadeira estratégia.

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  10. Sobre o marketing:
    1- Uma mulher numa festa vê um homem fascinante, chega junto do homem e diz lhe, sou um fenómeno na cama.
    Isto é, Marketing Directo.
    2- Uma mulher numa festa vê um homem fascinante, e uma das amigas chega junto do homem e diz lhe, aquela mulher é um fenómeno na cama.
    Isto é, Publicidade.
    3- Uma mulher numa festa vê um homem fascinante, e pede lhe o nr tlm, no dia seguinte liga lhe e diz, sou um fenómeno na cama.
    Isto é, Telemarketing.
    4- Uma mulher numa festa vê um homem fascinante, levanta se arranja o vestido, aproxima se dele oferece lhe um copo, diz lhe, a sua colónia é magnífica, oferece lhe um cigarro e diz lhe, sou um fenómeno na cama.
    Isto é, Public Relations.
    5- Uma mulher numa festa vê um homem fascinante, chega perto dele, mostra lhe o decote e diz, sou um fenómeno na cama.
    Isto é, Merchandising.
    6- Uma mulher numa festa vê um homem fascinante, ele chega perto dela e diz, ouvi por aí que és um fenómeno na cama.
    Isto é, Branding, o poder da marca.
    7- Um homem numa festa vê uma mulher fascinante e diz lhe, sou um fenómeno na cama e vais passar a melhor noite da tua vida.
    Isto é, Publicidade Enganosa e é punida por lei.
    (autor desconhecido)

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