Ocupar os miúdos
Não gosto de trabalhar em casa: o trabalho rende-me menos, não sei se por ter de pensar e fazer almoços e arrumar a cozinha (costumo despachar-me em meia hora na cantina ou então comer uma sanduíche na rua), se simplesmente porque o espaço é diferente e não há sítio na mesa para pousar tudo como no meu gabinete lá na editora. Mas de certeza que padecem muito mais os que têm filhos e são forçados a dividir o trabalho com a atenção e o acompanhamento dados às crianças. A partir do dia 15, porém, existe uma boa novidade: a Rádio Miúdos (uma rádio feita para e por crianças) inaugura uma espécie de «sucursal» chamada Canal Miudinhos para crianças dos zero aos seis anos, com histórias, canções, passatempos e brincadeiras para os que estão mortos de chatice enfiados em casa e precisam de se animar e deixar os mais velhos sossegados. Pais e educadores também terão um esaço para si no site do Canal Miudinhos, que os vai ajudar nestes tempos difíceis. O canal funciona dia e noite, mas fica tudo gravado num podcast para quem queira procurar e voltar a ouvir alguma programação específica. Segundo leio na newsletter da Rádio Miúdos, «no primeiro dia oficial de emissão do canal vamos poder ouvir a opinião de diversas figuras públicas portuguesas e também de educadores e pais que deixaram uma gravação de voz sobre o que pensam do Canal Miudinhos e o que querem lá ouvir.» Links abaixo para todos os interessados:
Bom dia com alegria e pandemia
ResponderEliminarObrigado pela partilha. Vou submeter o link ao crivo da prole.
Relativamente ao confinamento, já estava habituado ao teletrabalho (em regime misto) muito antes da pandemia e pessoalmente não desgosto.
Poupa-se bastante tempo em deslocações, viagens.
Tem-se mais flexibilidade para atender a questões particulares/pessoais no horário profissional.
Ex: cozinhar enquanto se participa em reuniões! (Parece fácil, mas não é difícil. Só é preciso um headset wireless)
O tempo rende mais.
Agora com miúdos: bem, depende da educação que lhes demos, de os estimular e lhes colocar desafios.
Há sempre um lado positivo, mesmo nas situações mais negras.
Claro que quero que eles voltem rápido para a escola
E que esta pandemia desapareça do horizonte para termos mais liberdade.
Mas é o que temos.
Usemos o engenho e a imaginação para aproveitar o tempo.
Saúde e boas leituras
cp
Sugestão das sextas-feiras: "Com a sua lividez de envenenada, Liane de Poudgy, uma prostituta de luxo, embaraçou-o e comoveu-o, quando a ouviu dizer a um protector banqueiro : "Toda a gente vende alguma coisa, tu, dinheiro, eu, o meu cu". Lorrain por pouco não casou com ela. Mas quando ela lhe disse "O meu corpo é um altar que quer ser adorado", ele retorquiu: "Para quê o casamento num altar em que já tantas missas foram ditas,...brancas, negras ou cor-de-rosa?" "Há desgostos para todos os gostos", declarou a espirituosa cortesã. A senhora Duval mãe não quis outra senhora Duval e encarregou-se de afastar a intrusa que o filho não tinha realmente desejado. Transformou-a numa heroína de romance, "A Insatisfeita", pois só a sua personagem lhe interessava.. Ainda que toda ela fosse negrume, Proust inspirou-se nela para retratar Odette de Crécy, a dama cor-de-rosa.
ResponderEliminarMichel Schneider- Mortes Imaginárias-Pág. 197-Livros Cotovia Fev de 2011
É só de duas em duas semanas, mas obrigada.
EliminarA tarefa de planear, fazer almoços e arrumar a cozinha não deve ser subestimada de maneira nenhuma. Requer tempo e organização. Na Alemanha, há um ditado tradicional que diz mais ou menos assim: "a dona-de-casa faz o seu trabalho com uma perna às costas" - nada mais errado! É o costume: desvalorizar e subestimar tarefas que se convencionou serem próprias de mulheres.
ResponderEliminarConvenhamos: nada mais que "tourear".
EliminarBeijinho
Ora aí está ! Começam a aparecer "coisas"... é o lado bom das coisas más, e, o ser humano no seu melhor: a criatividade, dando a volta por cima, flanqueando...
ResponderEliminarOutras aparecerão, por força das circunstâncias e como é próprio da espécie humana.
Trabalhar em casa, é uma questão de organização, sem dúvida, desde que se esteja sózinho... não estando é muito complicado! Pode ser até mesmo muito e criar situações bem desagradáveis.
Trabalho muito a partir de casa, onde tenho escritório montado (cá e aí... sim, já estou cá outra vez!).
Vou "na" rua colher dados e depois trabalho-os em casa, ou no escritório na Baía Farta.
-Agora, para quem está confinado, aí vai uma odisseia para invejarem, ou nem por isso:
(continua)
Dia 10/02 partida de casa às 9 horas, para o Aeroporto Internacional de Lisboa.
EliminarPelas 10: Contrôle policial (muito eficiente e solícito) na PSP para justificar motivos de viagem, rápidamente autorizada.
Contrôle de documentação prévio na entrada do Check in, já feito na véspera assim como o preenchimento da autorização de viagem pedida no site do gov. de Angola, de que me foi enviada uma senha por mail.
Check in na Emirates (das poucas companhias que ainda operam para todo o lado e que devem estar a facturar que nem queiram saber... o valor da viagem, ai!) é complicadíssimo, apesar do esforço da bonita e simpática hospedeira de terra, que fui fazendo rir com as minhas parvoíces habituais para desanuviar o ambiente. O moço do balcão vizinho ia rindo também, a minha mulher nestas situações encolhe os ombros e abana a cabeça.
É tudo novo, uma situação inusitada, papeladas assim para o hermético como os testes de Covid, houve pouco tempo para formar o pessoal... há que ter paciência, para n´so também é novo e o que tem que ser tem muita força!
Contróis dentro do aeroporto, porém muito pouca gente a viajar, correu tudo bem e com mais rapidez que o esperado!
Industânicos aos montes, famílias inteiras deles, irão em fuga?
Partida pelas 13.55, vôo sem história, comecei a ler "Caimaneros" (de Roderick Nehone), é adequado!!! Entretanto resolvi ver "Ratatouille", eheheh! Ri um bocado!
Chegada 7 horas depois ao Dubai... lá era 1 da noite.
Tudo à balda, sem controle nenhum nos vôos de ligação, cirandei pelo gigantesco centro comercial, fui comer um "wrapp" de tika masala e acabei num pub irlandês que já conhecia a beber cerveja preta, comer batatas fritas e na conversa com o empregado... chinês! O cozinheiro (chinês) veio juntar-se, falámos do Ratatouille e contei-lhes a história que não conheciam, deu para dois half a pint de stout!
Comprei umas cigarrilhas Cohiba, dois perfumes de senhora para oferecer à D. Paulina (a minha nova senhoria, isto não é com vinagre que se apanham moscas) e outro à prima dela, nosso ex-funcionária e amiga, a Quina.
Fui ver a porta de embarque e dormitar um pouco.
(continua - se aguentarem!)
Pelas 7 horas largámos direitos a Luanda, onde chegamos pelas 15 horas... dormitei um pouco o avião, estava cansado para ler pelo que vi um filme fixe de porradaria cuja heroína era uma jovem "agrarrada" a quem mataram a família num atentado terrorista o que a levou à droga e prostituição até conhecer um jornalista que a procurou pois andava a investigar o acidente que afinal fora um atentado! Entre peripécias várias, vê-se metida numa conspiração internacional com os suspeitos do costume, MI6, CIA e uma rede terrorista árabe. Vê-se metida na pele de uma assassina que fora assassinada, pelo próprio assassino da ditacuja, perceberam? Por acaso era bom, a porradaria moderada e credível, mais uns tiros e o costume. Creio que acabou com todo o tipo de prometer sequela...
EliminarDesembarque em Luanda, e, em hora e meia fui levado a fazer novo teste (já tinha um feito em Portugal) , foi-me passada a credencial para poder ir para Benguela, e pelas 17 horas já estava a comentar aquilo tudo com o Pedro Martins, nosso Director de RH em Luanda, jurista de formação e professor na universidade de direito em part-time, mas que ganha a vida na nossa empresa... não muito diferente daí, a menos que lhe desse para ser comentador de TV e depois quem sabe, chigásse a parsidente!
Prontos... havia papelada para assinar e coisas para ver, fui com o Dr. Miguel Seabra para casa dele, onde estava guardada a minha carrinha que o Santos manteve operacional e limpa! Mereceu o perfume que lhe ofereci também, eu sou sou muito perfumista... e não é com vinagre que se apanham moscas, definitivamente, pelo que tenho a minha logística sempre bem oleada!
Estafado, enquanto o meu anfitrião foi ver o Benfica, eu fui dormir... saída às 4 da manhã numa Luanda deserta, tranquila, direito a Benfica e ala para o Sul.
Contróis policiais, simpáticos, vou dizendo parvoíces e eles riem que nem crianças, mas desanuvia e é empático, o riso abre muitas portas! Dispõe bem.
Um camião com atrelado tomba atrás de mim, já depois da ponte do Keve e onde começam os buracos, em excesso de velocidade com o camião ultra-carregado, é complicado fazer fintas aos buracos... assisto pelo retrovisor! Caramba!
Antes do Sumbe, estrada em obras, um desvio por uma picada, que culmina numa subida de terra solta. Carros ligeiros não conseguem, camiões patinam e enterram-se. A poeirada é indescritível e a confusão nem o Kusturica e os Marx, Mel Brooks, Tarantino, todos juntos conseguiriam! Carros atravessados, nos mais variados sentidos... ligo a tração às 4 baixas, e subo devagar, vejo um jipe e uma carrinha desviarem-se e sairem pelo meio do mato, têm ar de quem sabe... vou atrás deles, metemos por um caminho escabroso, de pedras e valas, mas passamos ao lado daquilo tudo, subindo um último talude de terra para entrar no desvio... aqui ter um TT , mesmo, não um SUV. é imprescindível para viajar!
No Km 38, antes do Lobito, numa zona livre e boa pista, aperto um bocado... bolas, foi onde estava o polícia com o radar da polícia! Vejo-o e passo à frente, destes não me safo com piadas, ou é cumbú mesmo ou fico com a carta apreendida e tenho de ir de propósito à Unidade Operativa para a levantar... mas há uma picada para a direita que contorna a estrada, sobe, passa um morro e um estaleiro de obras e tem uma saída uns quilómetros à frente, passo por trás da brigada que levanta o auto ou o "cash". O radar não filma, só mede a velocidade, safo-me bem. Desta vez rio para comigo mesmo! Eheheheh!
Chegada a Benguela pelas 12 horas, correu bem!
Não me posso queixar de confinamento!
Saudações livres de Covid, cá da Cidade Morena!
(Tenho dois testes que o comprovam!)