O que ando a ler

Ando (estranhamente, porque não é meu hábito) a ler mais de um livro ao mesmo tempo. Sim, é natural ler durante as horas de trabalho manuscritos ou livros estrangeiros e, à noite, qualquer outra coisa por prazer. Mas não é disso que falo, é mesmo de ler por prazer mais de um livro. Comecei Aquiles, o pequeno romance póstumo de Carlos Fuentes; mas depois pus-me à procura na estante de um livro da velha colecção Dois Mundos, da Livros do Brasil, e não resisti a pegar em Ratos e Homens, de John Steinbeck (que, na minha cabeça se confundia com Luz de Agosto, de Faulkner) e lê-lo (quiçá em homenagem ao ASeve, que adora o autor). São dois livros muito diferente. O do latino-americano, traduzido por Helena Pitta, conta a história de um colombiano que é morto num avião à frente do narrador, que lhe desenha então uma história de vida desde criança. O de Steinbeck é (resumindo muito) a história de dois homens, George e Lennie, este último uma autêntica criança grande, numa  herdade da Califórnia durante a Grande Depressão; é história de gente pobre que sonha conseguir um dia um quadrado de terra e viver pacatamente do que produz, mas que assiste permanentemente ao fosso entre pobres e ricos e ao fosso ainda maior entre brancos e negros. Ambos valem a pena: Fuentes merece o nosso reconhecimento pelas fantásticas imagens e por ser um escritor que soube desviar-se do realismo mágico e mostrar-se muito diferente dos seus contemporâneos;  o clássico norte-americano já leva o selo de um Prémio Nobel como garante de qualidade. Leiam-nos. Os autores, mesmo mortos, agradecem.

Comentários

  1. Eu leio sempre mais de um livro de cada vez: Tyll de Daniel Kehlmann, o 3º vol. da biografia de Dostoievski, de Joseph Frank, e Irmãs Bronte 200 anos-Universos ficcionais e biográficos, colecção de estudos editada pela BNP.

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  2. Ratos e homens é um belíssimo livro do Grande Escritor Steinbeck, um dos meus preferidos!
    Há um filme muito bom, de vários inspirados em romances de Steinbeck, em que John Malkovich tem um desempenho muitíssimo bom no papel de Lennie, aliás como é seu timbre.
    Tenho ali para ler, "O longo vale" , um dos poucos dele que não li... Steinbeck tem uma incrível capacidade de escrever sobre gente, as pessoas e creio que terá sido o que se pode chamar de "O Cronista da Grande Recessão Americana".
    Um escritor com Alma!

    Eu sou dos que lêem ao mesmo tempo vários livros, tem a ver com a "onda" em que estou naquele momento.

    Mas, já falamos...

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  3. “Sementeira Directa e Agricultura de Conservação”, do meu ex-condiscípulo e sempre amigo, agricultor e professor auxiliar na Universidade de Évora, Ricardo Freixial. Para quem se interessa e é do ramo, um livro precioso, que vai dar uma boa ajuda lá por terras de África!
    O já citado e celebrado por aqui, “O infinito num junco” de Isabel Vallejo! Em boa hora me foi aconselhado e o comprei, mesmo antes do fecho da livrarias, porque é de facto um livro Extraordinário, sobre o tema que nos apaixona – os livros – como nunca li nada assim. Aliás muitíssimo bem escrito de uma forma acessível a qualquer traça livreira, mesmo que esta não passe de um barrão inculto. Comungo inteiramente dos encómios e entusiasmo à volta daquele que parece ser o livro na berra, só que com todo o merecimento e valor pelo que faz na divulgação e pela cultura, em geral se formos a ver, e, não só do livro.

    “Improvável” de António Rocha Pinto, um conterrâneo também meu amigo, casado com outra conterrânea, amiga e ex-condiscípula, as nossas famílias foram amigas desde que o pai, Dr. César Rocha Pinto veio de Goa para a metrópole, tornando-se num ilustre médico da cidade de Santarém. Um livro muito bem escrito, pois o Tó que é engenheiro civil, faz descrições muito boas – eu gosto de livros descritivos, gosto de “ver” aquilo que leio - , que eu classifico sobretudo como “bonito”!
    Sabem o que é? É um livro que se lê com agrado e boas sensações, que nos transmite sentimentos bons, familiares, agradáveis e nos conta uma história boa, bonita, de que gostamos e nos deixa bem! Nele relata a saga familiar do seu pai e tio, que vieram de Goa complementar os estudos em Portugal. Casaram fora do círculo tradicional e da forma mais improvável fizeram a sua vida por cá onde tiveram vidas cheias um (incluindo entrar na guerra civil espanhola e um encontro com José Esatline) e mais tranquila o outro que recebeu ainda em Coimbra a curiosa e expressiva alcunha do “Lagoa Adormecida”.
    Além de ser um rico documento das vidas de ambos, é ainda reportório da vida e costumes numa Goa extinta, de Lisboa e da Covilhã tudo numa época ainda recente mas que já ninguém recorda. É uma história de vida.
    Eu sou leitor e gosto muito de biografias ou destas histórias das pessoas e das famílias, de como era se se viveu.

    Da nossa Extraordinária Cristina Carvalho, li o seu “Almanaque do Céu e da Terra”. Também gostei muito! Primeiro porque gosto bastante do que a Cristina escreve e como escreve, com simplicidade e fluidez, o que é muito agradável, por acaso correspondo-me bastante com ela e até nos rimos muito por causa disso, ambos e dois! Não estou a dar-lhe graxa, que fique claro.
    Como já disse, gosto muito de ler descrições e sobre as coisas, gosto de livros assim, que costumo dizer “opinativos”, isto é, gosto de saber o que pensam os outros, as suas opiniões, interessa-me mesmo muito, dado que considero a diversidade do pensamento como a grande maravilha da Humanidade.
    Gostei muito de ler as descrições, de como a Cristina sente e vê os lugares da Terra e do Céu, os que me são conhecidos e os outros, os que eu não conheço. Sem excessos, de poesia ou sentimento que muitas vezes “estragam”, porém com a sensatez, clareza e a simplicidade que estes assuntos merecem.
    É um livro destinado aos jovens, mas como talvez eu tarde em amadurecer, li-
    -o com o maior agrado.

    Ainda não terminei “Taprobana”… peço as maiores desculpas, mas tornou-se um bocadinho massudo e ficou de lado pois entretanto se meteram estes outros, mas já voltei a ele, apesar de pouco avançar, porque aquilo continua a patinar que nem os nossos soldados nas selvas enlameadas em Ceilão… é um bom livro, talvez eu não esteja naquela onda, porém gosto bastante da parte histórica!

    (continua)

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    1. (continuação)

      Entretanto fui reler, imagine-se: - “A Caverna” (de Saramago, claro), isto a propósito de uma tertúlia familiar com os mais novos, sobre ruralismo e novas formas de vida, mudanças na economia e nas repercussões em ofícios e trabalho, nas famílias. Começou por aí e acabámos a dissecar, “Levantado do chão”, “Entre Cós e Alpedriz” e “Vida e morte dos Santiagos”, de caminho falou-se n’ “A caverna”, de que andava meio esquecido, mas foi um gosto fazer uma releitura. Como já disse e repito, gosto muito de ler sobre gente, a nossa gente! Foi uma boa oportunidade de divulgar e fazer ler estes livros, dentro da minha própria família mais aculturada, onde há tantos expatriados que têm andado espalhados por Espanha, Austrália, Holanda, Bélgica, EUA, Reino Unido…

      Enfim, leia-se, é preciso é ler e estamos na melhor altura para isso!

      Saudações mais temperadas, se bem que húmidas, aqui do Bairro Ribatejano.

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  4. "Conspiração contra a América" - Philips Roth. Gosto do contra-factual mas não dá escrita demasiado escorreita.

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    1. Ó AMA já leu A PASTORAL AMERICANA? Foi o livro que mais gostei do Roth.

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  5. Estou a ler o tão celebrado, "Infinito num Junco", de Irene Valejo.
    É mesmo uma viagem única pela história da antiguidade, que não só retrata as primeiras culturas, como nos oferece a sua percepção sobre a importância do livro, que na época era uma raridade (daí a busca incessante...) na partilha do conhecimento.
    É uma obra cheia de gente e de curiosidades.

    Antes li dois livros, quase ao mesmo tempo também. "Um Tempo a Fingir" do nosso João Pinto Coelho e "Por Este Reino Acima" de Gonçalo Cadilhe.
    O livro do João é diferente dos dois primeiros, embora continue a historiar o pesadelo que era ser judeu nos tempos de Hitler e Mussolini, através da vida curta de uma jovem, a Annina, numa pequena terra italiana.
    A meio livro pensei que este era o livro mais bem escrito do João, com as suas palavras a fluírem com grande naturalidade, mas depois fiquei na dúvida (por ter gostado bastante dos dois anteriores...). Só não gostei que o Ulisse aparecesse no final, a "estragar" todo aquele belo enredo e a chamar "mentirosa" à irmã, porque o Cosimo foi sempre mais que um "sonho", dentro do livro.

    O livro do Gonçalo foi uma oferta do meu irmão e comecei a lê-lo por curiosidade em relação ao título, "Por Este Reino Acima". Ele faz uma caminhada literária entre Lisboa e Coimbra (chama-lhe "trekking", procurando seguir os mesmos lugares que o S. António fizera muitos séculos antes... E acaba por ser uma viagem agradável, porque o autor escreve como se estivesse a dialogar connosco no café, contando-nos todas as peripécias da viagem, arrancando-nos uma gargalhada aqui e ali, pelas suas saídas inesperadas e assertivas.

    Sei que hoje estou a escrever mais que o costume, mas também me apetece falar de outro livro que li quase num dia, que mistura prosa, poesia, canções e desenho, tudo da autoria da Márcia, essa mesmo, a das cantigas. Chama-se "As estradas são para ir". É um livro muito bonito.

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    1. Ora, conte lá, conte ... sobre esse da Márcia - não conheço - porque o título atrai!

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    2. António, é fácil de contar. :)

      É um livro bonito, que nos chama a atenção pelo título e pela capa... e depois pelo miolo, muito graças aos desenhos coloridos da Márcia, que acompanham as suas palavras (pequenos textos, poemas e canções dela...).

      Há muito bom gosto na sua concepção gráfica, por isso digo que é um livro muito bonito.

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  6. Steinbeck estará sempre no meu coração, de vez em quando repito.
    Neste momento estou com D. Quijote, edição espanhola, mas para descansar de tal escrita romanesca, de vez em quando pego em livros de contos (Nabokov). Não é normal ler 2 ao mesmo tempo, aqui é mesmo necessidade. Mas estou a diverti-me imenso com Quijote, chego a dar por mim a rir sozinha.
    Boa semana.

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    1. Ó IMSILVA e que tal os contos do Nabokov?
      É que há muitos anos comprei numa edição, em 2 volumes de capa dura, do CLeitores, a colecção completa dos contos de Nabokov e que tenho adiado a sua leitura.

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    2. É precisamente essa a edição que tenho. Só li 4 dos contos, estou mais focada no Quijote, mas estou a gostar do estilo.

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  7. O diálogo final entre George e Lennie ! Não há coração que não chore e emoção que não fique vincada para sempre. Ah, mundo cruel.

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    1. RATOS E HOMENS grande livro; li-o há tantoooooos anossss...

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  8. Admiro (ou talvez não) a capacidade de ler mais que um livro ao mesmo tempo.Acho que a leitura de um livro,se ele o merece,deve absorver a nossa atenção,concentraçao,dedicaçao,que são necessárias para a sua comprensao e absorção.
    Todos estes aõs são talvez fastidiosos,mas imprescindíveis para que nos consagremos ao que estamos a ler.Na minha maneira de encarar a literatura,e´fundamental que o livro que temos em mãos tenha o seu espaço exclusivo,sem perturbação de outros géneros,historias,autores,enfim…
    Quanto ao que ando a ler,terminei há pouco "Felicidade" de João Tordo.Nao me agradou muito.Achei demasiado amargo e estava a espera de melhor.Mas ainda tenho que refletir um bocado sobre ele.Se alguém leu e quer compartilhar o seu comentário seria ótimo que o fizesse.

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    1. Compreendo perfeitamente o que diz!
      Mas não concordo.
      Leio muito e vários livros ao mesmo tempo, seja para desenfastiar, seja porque me apetece antes pegar agora naquele, seja porque também há livros que leio para me instruir, o que também é prazeiroso.
      No entanto há que separar as coisas: SE o livro a que me estou a dedicar é daqueles que me absorve inteiramente, eu leio-o de uma assentada! Nem que passe a noite toda a ler! Já me aconteceu.
      Dá perfeitamente para ler um livro de ensaios, um de viagem e outro romance...
      Por exemplo: "O infinito num junco", "Almanaque do Céu e da Terra", "Taprobana" ... pelo meio fui dar uma releitura a "A caverna". São perfeitamente compatíveis, todos têm o seu momento ao longo do dia e dependendo do meuu estado de espírito.
      Mas cada um de nós é como é... não me considero pior nem melhor leitor, sou assim, e sempre fui.
      Em novo joguei voleibol ... tinha colegas que eram simultâneamente bons no vólei, no andebol, no basquete e no futebol ... eu nunca fui capaz, só era bom no voleibol. Para dar um exemplo...

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  9. Para agradecer ao extraordinário António Luiz Pacheco a sua boa opinião sobre o meu recente livro "Almanaque do Céu e da Terra". Fico reconhecida e sensibilizada pela sua recepção a este livro. Como diz e bem, é um livro que escrevi a pensar na juventude, mas que, naturalmente, pode ser lido e talvez bem acolhido por qualquer adulto.
    Este ano lá terá de ler outro meu...

    Cristina Carvalho

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  10. Eu ando a ler - só leio um livro de cada vez e sou lenta - "Hotel Silêncio" de uma escritora islandesa Audur Ava Olafsdóttir.
    Recomendo vivamente!

    "Jonas Ebeneser está no limiar dos quarenta e nove anos.É um homem divorciado, sem relevância social ou vida sexual, e tem a compulsão de consertar tudo o que lhe aparece à frente. Tomou recentemente conhecimento de que não é o pai biológico da sua filha. Isso despedaça-o e fá-lo mergulhar numa crise profunda"

    (inf. retirada da contracapa do livro)

    A tradução é de José Vieira Lima e a edição é da Quetzal.

    Cristina Carvalho

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  11. Não gosto de ler dois livros ao mesmo tempo. Quanto muito, traduzo um e leio outro. Mas venho aqui só para dizer que li Luz de Agosto há muitos anos na Coleção Livros do Brasil. Steinbeck foi o preferido da minha adolescência.

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  12. Efectivamente, caríssima MRP, John Steinbeck foi e continua a ser um dos meus escritores preferidos (obrigado pela referência) e continuo-lhe fiel e não me canso de relembrar:
    -A LESTE DO PARAÍSO-aqui vi (há muitos anos) um cágado subir um passeio;

    -"A BATALHA INCERTA" eu vi (também há muitos anos) o rapaz (não me lembro do seu nome) que colhia maçãs cair do alto de uma pereira.

    E "AS VINHAS DA IRA" - Um livro absolutamente fascinante e fabuloso.
    Inesquecível!

    Não sou capaz de ler 2 livros em simultâneo.

    Ando a ler "JAN KARSKI" de Yannick Haenel - o herói que quis travar o holocausto.

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  13. A coleção Dois Mundos pôs-me a ler, muito jovem, grandes obras da literatur, cuja dimensão só muito mais tarde descobri. Luz de Agosto foi um deles, Ratos e homens não cheguei a ler.
    Fiquei curiosa sobre esse Aquiles.

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