Censurados
A primeira vez que fui a Copenhaga, há muitíssimos anos, talvez uns vinte e dois ou vinte e três, apanhei um ferry para ir a Malmö, na Suécia. A travessia era rápida, a visita a Malmö não demorava muito tempo e, duas horas volvidas, estávamos de regresso e podíamos dizer, todos contentes, que já tínhamos posto o pé na Suécia (país que visitei depois no tempo dos dias enormes e achei bem bonito). Mas hoje Malmö valeria certamente uma visita mais demorada porque tem uma biblioteca bastante original que não havia na altura. Chama-se Dawit Isaak, que é o nome de um escritor preso há mais de vinte anos na Eritreia por se opor ao regime, e só lá há livros censurados. Desde aqueles que a Inquisição mandou queimar aos Versículos Satânicos, de Salman Rushdie, passando por obras aparentemente tão inocentes como Harry Potter, ali estão mais de mil e seiscentos livros que em algum momento e em algum lugar foram proibidos pelas autoridades. Se um dia as viagens voltarem a ser completamente livres e despreocupadas e for a Copenhaga, atravesse até Malmö e vá lá coscuvilhar. Deve por lá haver alguns portugueses...
Podemos encontrar o canto 9o d' Os Lusíadas. Isso pode ser lá porque cá sempre pudemos comemorar o Dia de Camões como Dia de Portugal.
ResponderEliminarA Censura nem sempre aplaudi quem tem um labirinto de palavras e não, perde-se. Talvez, por alimentar de escandaloso; qualquer rastro de consciência.
EliminarBeijinho
Mas os nossos livros não eram censurados, não havia a obrigatoriedade de irem à censura, como a imprensa. O que acontecia era serem apreendidos, alguns mesmo ainda antes de chegarem às livrarias...
ResponderEliminarHavia mais "auto-censura", dos próprios editores, que não editavam livros dos chamados "escritores proibidos", porque além do prejuízo material (verem todos os livros apreendidos...), poderiam ainda ser condenados por qualquer atentado, ao pudor, ou a outra coisa qualquer (havia "atentados" para quase todos os gostos...).
Provavelmente não fui bem explicito. O acto de levar os livros à censura pelos editores ou escritores, era voluntário (e oferecia a garantia de que posteriormente não teriam problemas depois do livro ser editado...).
EliminarQue (estranho) caso de liberdade, ir a Malmö. Não, não é provocação e por assim o dizer se lhe faz sentido.
ResponderEliminarCST
Há uns anos sai de carro de Berlim, fui até Estocolmo, atravessei de ferry o Báltico desembarcando em Turku, apontei a Helsínquia, iniciando o regresso subindo a Rovaniemi - terra do Pai-Natal - e desci novamente pelo Norte da Suécia. Da Suécia - que já conhecia por ter feito o mesmo no sentido de Oslo, com passagem por Malmoe -, ficaram "impressos" os seguintes factos: uma morena na Suécia tem o mesmo "impacto" visual de uma loura em Portugal; as auto-estradas na Suécia terem áreas de serviço, onde as casas de banho são tão higiénicas e bacteriologicamente puras como as das nossas casas; o sol da meia-noite, em casas desprovidas de cortinas, obriga ao uso de máscaras faciais. P.S. Ah... e, divulgadas estas minhas "impressões", aumentou enormemente a romaria às "maravilhas" Nórdicas, pelo que não tenho dúvidas de que por lá haja algumas resmas de Portugueses procurando "o sol da meia-noite".
ResponderEliminarSe há país que eu conheço bem, é a Suécia...E não só a actual Suécia, onde vou todos os anos, há 50 anos a esta parte, mas também a Suécia de outros séculos, especialmente o XIX.
EliminarCristina Carvalho
Estou a lembrar-me de um: "Quando os Lobos Uivam", de Aquilino Ribeiro. Não foi apenas censurado; foi proibido.
ResponderEliminarO Anónimo não o quer ser. Por isso, esta réplica de comentário.
EliminarUm comentário colocado e a sua réplica não saíram. Presumo que a SAPO os tenha levado para a comissão de censura, porque fiz tudo direitinho.
ResponderEliminarDe qualquer forma, pouco escrevi, pelo que repito sobre o assunto:
Conheço um livro censurado, "Quando os Lobos Uivam", de Aquilino Ribeiro. Mais do que censurado, chegou a ser proibido.
Mal coloquei esta terceira entrada, vi que as duas anteriores já tinham entrado. Demorou uns cinco minutos (o que não é habitual), presumindo então que a SAPO não tenha metido lenha na caldeira.
EliminarSe há país que eu conheço bem, é a Suécia...E não só a actual Suécia, onde vou todos os anos, há 50 anos a esta parte, mas também a Suécia de outros séculos, especialmente o XIX.
ResponderEliminarNão me admiro, pois, com a epiderme, a derme e a hipoderme cultural desse país sempre atento a tudo e a mais alguma coisa.
Nós por aqui estamos a galáxias de distância dessa zona cultural.
Esta biblioteca de livros censurados não é apenas original como tem, ou pode ter, uma utilidade de impensável conhecimento da Humanidade e de tudo o quem sido feito com determinados objectivos virados e destinados ao seu conhecimento.
Cristina Carvalho
Passei horas nessa biblioteca e ainda hoje tenho pena de não ter passado mais tempo nela. Vale mesmo a pena uma visita demorada.
ResponderEliminarNão são só os governos, os Estados, os políticos, que censuram livros. Algumas empresas são de tal modo poderosas que agora o fazem se quiserem. É o caso da Amazon, que decidiu deixar de vender uma obra que questiona a «ideologia» do «transgenerismo»:
ResponderEliminarhttps://www.foxnews.com/media/amazon-harry-became-sally
afinal, esta noticia, reafirma a democracia. A liberdade aqui e agora.
ResponderEliminarNao tenho o mapa á mao, independentemente de lá ter andado nessa altura, acho que a posterior nova ponte liga copenhague a Malmo
E que tal falar na auto-censura na imprensa. E o 25 de Abril já foi há quase 50 anos!
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