Blimunda

Blimunda é, como saberão os leitores deste blogue, o nome da personagem feminina de Memorial do Convento, de José Saramago. E é também o nome da revista gratuita e digital que a Fundação José Saramago publica mensalmente desde 2012, dirigida por Sérgio Machado Letria e com redacção de Andreia Brites, Ricardo Viel e Sara Figueiredo Costa. Esta Blimunda chegou aos 100 números no final do ano passado. O marco serviu então para repensar a revista e introduzir nela mudanças de formato que ajudarão o leitor a orientar-se melhor na leitura das secções que mais lhe interessam e, por outro lado, um formato que se adapte melhor a telemóveis e outros dispositivos digitais nos quais hoje muita gente a lê. Será ainda possível consultar os números anteriores em PDF, mantendo-se também os objectivos com que a Blimunda foi criada: dialogar com os leitores, propor assuntos pertinentes e não deixar morrer a memória de quem faz da Cultura um lugar a visitar. Espreite-a aqui e subscreva-a.


Blimunda (josesaramago.org)

Comentários

  1. Confesso o pecado de nunca ter sido leitor de revistas literárias... excepto a d' O Expresso, quando era leitor deste. Eventualmente um ou outro suplemento de algum jornal que calhasse comprar, mas sem ser hábito e nem as procurava.
    Pode parecer estúpido, incongruente ou falta de cultura, e, se calhar até é. Porém como sou um livre-leitor, que lê o que lhe apetece, agrada e atrai, nunca senti todavia a necessidade de as ler, e, as normais notícias me bastavam quanto à divulgação da leitura.
    É um facto que acabei atraído por este blog, o qual descobri já nem me recordo como e por puro acaso, o qual parece que faz bem as coisas, se bem que eu não acredite no acaso e sim em que tudo acontece por uma razão e já está disposto para que assim seja, pelas forças cósmicas ou por quem fez o Céu e a Terra, chamem-lhe o que cada um entender. Este log tem sido para mim uma escola, também assumo, pois se ignoro tudo sobre literatura, hoje ignoro menos um bocadinho, graças aos Extraordinários que aqui me vão dando esse conhecimento, alertando para factos ou detalhes, partilhando notícias e saber.
    Quanto à revista Blimunda, vou dar uma espreitadela, por respeito ao princípio que aqui me faz vir diáriamente, veremos!

    Saudações saudáveis e suadas cá da Cidade Morena.

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  2. Por curiosidade cheguei à edição 101 esta semana, por causa de um artigo sobre o Eduardo Salavisa - o nosso mentor dos Urban Sketchers. Um artigo do escritor colombiano Héctor Faciolince sobre o desenhador que faleceu no passado mês de Novembro.
    Voltei a reler os livros do Eduardo Salavisa, sobre as suas viagens desenhadas e reflexões sobre as memórias imperfeitas que são os desenhos feitos no momento e no local.
    Há muito tempo que não lia a revista Blimunda. Ainda fiz o download de alguns números antigos para ler alguns artigos, mas depois deixei o hábito da leitura.
    Pode ser que volte a espreitar.
    Perdi o hábito da leitura das revistas literárias há uns anos. Fui assinante da "Ler" e ainda guardo alguns números, mas a falta de tempo ou o preenchimento dele com outros gostos fez com quem deixasse de ler e acabasse com a assinatura. Já estive tentado a assinar a "Granta", mas o problema é o mesmo.
    Mesmo gratuita, a revista Blimunda chega a pouca gente por falta de interesse ou de tempo. A culpa não é da revista, mas da educação recebida que nos faz preguiçar para ler publicações com mais do que 2 páginas. Talvez no telemóvel cative mais alguns leitores.
    Saudações e fiquem bem!
    Henrique Vogado

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    1. HÉCTOR ABAD FACCIOLINCE - não podem deixar de ler o fascinante "SOMOS O ESQUECIMENTO QUE SEREMOS"!

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  3. Bela sugestão ! Tantas vezes esquecemos a extraordinária e generosa oferta que são estas revistas culturais online. Passarei a frequentar a Blimunda e a Fundação Saramago graças a este post. Obrigado.

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  4. O José Gomes Ferreira disse-nos para só do futuro termos saudades. Não sabia ele que o futuro me impunha ler revistas em pdf, em sei lá mais o quê. Estou velho para mudar. Não frequento, tenho sérias dificuldades em viajar por esses caminhos. As revistas do meu tempo, as que, juntamente com um jornal e um livro, passeavam de café em café, de empréstimo em empréstimo. A velha «Seara Nova», a «Crítica» da Eduarda Dionísio e do Jorge Silva Melo, a «&etc» do Vitor Silva Tavares.
    Em desabafo final, permita-me que a cite, palavras não tão antigas como se possa pensar, caríssima Maria do Rosário Pedreira:
    «A minha mãe, que começou a fumar aos 15 anos, deixou aos 85, dizendo, com toda a cara de pau, que achava que o tabaco lhe podia fazer mal... Porém, se largou esse vício, aos 88 continua a ter o da leitura; e, porque acha que lhe vêm parar às mãos livros cada vez piores, eu tento alimentar a sua fome de literatura publicando outros. E, mesmo que agora baste comprar um curso para se chegar a ministro, mesmo que os pobres estejam a voltar às ruas de um Portugal cada vez mais cinzento, mesmo que os nossos jovens sonhem com cartas de chamada do Rio de Janeiro e de Luanda para poderem trabalhar, mesmo que os jornalistas sejam dispensados quando afrontam o poder e esse poder queira arrancar definitivamente deste país todos os cravos, essa miúda que franzia os olhos ao clarão do flash, por muito que lhe custe, enfrenta as luzes desta sala e promete que, enquanto a deixarem, há-de cumprir os seus deveres para coma Pátria: ler, escrever e dizer não.»

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  5. Fico feliz por fazer-se presente e adequando-se em novos formatos, pois muito importantes as revistas literárias, e (digo de todas) são de um expediente imprescindível à Boa formação. No Brasil o seguimento de revistas literárias tiveram o auge com os cursos acadêmicos de Língua Portuguesa à virada do milênio; embora poucos adeptos leitores em função do vasto conteúdo e seguramente, implica pelo hábito em densidade. Por minha experiência creio que colabora no aperfeiçoamento de uma revista literária a presença interelacionada de autores, e não tão somente crítica(s) academica(s) direcionada(s) em "dissecarem obras". Há elegância não só no contexto, um pouco mais (talvez) de charme na agenda ou do interesse popular, atualidades.
    Também, me eleva o gosto saber do bom nome José Saramago esteja em curso oferecendo sequência com revistas deste nível, principalmente disponível em plataforma digital.

    CST

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  6. Nunca consegui saber como poderia adquirir a BLIMUNDA.

    É que sou leitor de tudo o que tenha a ver com o meu vício (livros).
    Tenho a LER desde o n°.1 (a bonita Lidia Jorge na capa-director:António Mega Ferreira) até ao último, o n°. 158 (só me falta o n°. Zero, que nunca consegui).
    A LER tem passado por diversas fases do óptimo ao mau passando pelas capas horrendas que ultimamente melhoraram. Ultimamente é um pouco massuda/artigos chatos e longos, por exemplo, neste último n°. 158, Samuel Úria, qual Bob Dylan, ocupa 26 (vinte e seis) páginas-incrível; traz dois ou trés artigos interessantes (por ex.: os melhores lápis para escrever) e muita muita estucha (maçada).

    Tenho também os 107 números que se publicaram, entre Jul2002 e Jan2012, de uma pequena mas interessante revista OS MEUS LIVROS que acabou sem qualquer aviso no n°.107.

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    1. Sim. Acaba na 107, tal a livraria de Caldas da Rainha, o ano anterior. Inclusive há memorável poema de JPC da ocasião a Isabel Castanheira.

      CST

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    2. Ó CST não consegui decifrar a sua mensagem - Quem é JPC? Será Jacinto Prado Coelho? Também não conheço Isabel Castanheira (contudo aqui admito a minha ignorância).

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    3. A Isabel era a dona da "107", uma livreira que como tu, gostava de livros (e de escritores). Saramago, Lobo Antunes e as grandes figuras da nossa literatura visitaram às Caldas graças a ela...

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  7. O n°. 1 da LER foi publicado no INVERNO DE 1988.

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  8. Memórias da inundação

    "possuo neste instante e por agora
    floresta de lágrimas
    na sala quase vermelha que espreito:
    os títulos dispersos
    não tentarão mais matar a sede
    esta sede de sebes
    que dos que nem muros
    de capa dura amolecendo
    folha caduca fora da época
    nada agora aqui
    não oiço gemer o verbo a capitular
    a mão desenhando a leitura que discorre
    apesar do chão esvoaçando no líquido
    das humidades desfazendo possibilidades
    afogando-se no pesado jardim de páginas
    desejando forçar passagem
    para o mundo para as coisas
    que acolhem abertas libertinas coxas
    nada agora aqui ainda assim
    escorrendo musgo
    com extremosa lentidão"

    João Paulo Cotrim

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